3.4.17

FAUVISMO – EXPLOSÃO DA COR


Matisse

      O FAUVISMO não é tudo, comentou Matisse, é apenas o começo de tudo. Em termos de permanência, o Fovismo foi apenas um pontinho na tela do mundo da arte: durou de 1904 a 1908. Contudo sendo o primeiro Movimento importante de Vanguarda no século XX, explodiu a era moderna.
     A exposição de 1905, que inaugurou o Fovismo em Paris, foi um desses momentos cruciais na história, que mudou para sempre nossa maneira de ver a arte.
     Antes o céu era azul e a grama verde. Mas nas telas dos fovistas Matisse, Vlaminck, Derain, Dufy, Braque e Rouault o céu era amarelo-mostarda, as árvores vermelho-tomate, os rostos verde-ervilha. Foi como se um bando de gremlins pegasse o controle de cor da televisão e todos os matizes enlouquecessem.
     A reação do público foi hostil. O grupo ganhou esse nome de um crítico, que os chamou de feras (fauves). Outros qualificaram o estilo de loucura rematada, universo de feiura, tentativas brutas e primitivas de crianças brincando com tintas. Um visitante da exposição relata que os expectadores tinham acessos de riso, correndo histericamente de galeria em galeria.
     O que levou os críticos a considerarem os fovistas todos um pouco loucos foi o uso das cores sem referência à aparência real. Longe de loucos, porém eles experimentavam, com maior seriedade, novas maneiras de expressar suas emoções diante de uma cena (geralmente paisagens ou marinhas, cenas externas).
     Outra influência que pesou na recusa dos fovistas em imitar a natureza foi a descoberta da arte tribal - não europeia - na formação da arte moderna.. A arte dos mares do sul, popularizada por Gauguin, e o artesanato das Américas do Sul e Central contribuíram para afastá-los das tradições renascentistas e conduzi-los a vias mais livres, mais individuais de comunicação de emoções.
     Os fovistas se embriagavam de cores vibrantes, exageradas. Depois de levarem as cores escaldantes ao extremo, os fovistas passaram a se interessar cada vez mais na ênfase, dada por Cézanne à infraestrutura, o que deu origem à revolução seguinte: o Cubismo.
     Em 1908 a queda era inevitável. Braque explicou assim o declínio: Não se pode ficar para sempre num estado de paroxismo. Juntamente com Picasso, (Cubismo) Braque fez seus melhores trabalhos.

FAUVISMO
Local: França
Período 1904 – 1908
Mestres:
Matisse - Derain Vlaminck Dufy Rouault Braque
Marcas:
Cores intensas, fortes, explosivas
Formas e perspectivas distorcidas
Pinceladas vigorosas
Motivos chapados, lineares
Tela nua como parte do desenho
 
 Derain
  
Vlaminck

Dufy


20.3.17

JAMES ENSOR




- Tais Luso de Carvalho

James Ensor, pintor e gravador belga nasceu em Ostende / Bélgica - em 1860. Foi um dos artistas mais originais de sua época e uma das influências formativas do Expressionismo – movimento que implica a transformação ou distorção artística da aparência das coisas, a fim de explorá-las como veículo para um conteúdo emotivo.

Seus quadros bizarros, povoados de pessoas mascaradas e coloridos, retratavam um mundo burlesco e alienado. As máscaras e os personagens fundem-se numa dúvida: eram as máscaras que se transformavam em rostos ou os rostos humanos que se transformavam em máscaras? E com isso, repetia o mesmo tema: da existência humana, da morte, e de temas religiosos. Mostrava um certo desassossego, um desespero. Sua pintura, que retratava um mundo com muito humor e ironia aproximava-se de Bosch e Bruegel.

Entre 1873 - 75, Ensor frequentou o liceu Notre Dame de Ostende. Teve aulas de desenho com dois artistas: Edouard Dubar e Michel Van Cuyck.

Com suas obras fantásticas e também macabras exerceu uma influência considerável sobre a futura arte expressionista e surrealista. Mas sua obra, no entanto, desafia qualquer classificação.

O mundo das máscaras originou-se da loja de seus pais, sendo um dos primeiros artistas a apreciar as máscaras africanas. Utilizava cores ardentes para representar cortejos fantasmagóricos, multidões sem características individuais, percorrendo paisagens indefinidas como se fossem sonâmbulos.

Suas obras foram rejeitadas pelo Salão de Bruxelas de 1883. Com isso, Ensor juntou-se ao grupo progressista Les Vingt – um grupo de vinte pintores e escultores que expuseram juntos de 1884 a 1893. Entraram obras não só dos pintores belgas como Ensor, Jan Toorop, Henry van de Velde, mas também de Cezanne, Van Gogh e Seurat. Esse grupo teve papel importante, na Bélgica, nos movimentos Simbolista e na Art Noveau.

A obra mais expressiva de Ensor talvez tenha sido Entrada de Cristo em Bruxelas-1888. Provocou tantas críticas entre seus companheiros do grupo que não havia mais condições de permanecer entre eles. Após esse episódio, o pintor tornou-se recluso, e passou a ter aversão à convivência com as pessoas.

Em 1893, Ensor fez sua última exposição com o grupo, mas sentindo-se cada vez mais isolado, põe o seu estúdio á venda por 8500 francosmas nenhum comprador se mostrou  interessado.

Em 1900, voltou a repetir seus temas favoritos. Em 1929 foi condecorado pelo rei Alberto I, o título de barão, e sua obra polêmica A Entrada de Cristo em Bruxelas, foi exposta pela primeira vez ao público.
Faleceu em 1949. 

         The bourgeois solon - 1881                        The Oyster eater - 1882
Cozinheiros Perigosos
Os Telhados de Ostende - 1901
Máscaras assistindo uma tartaruga - 1894
O esqueleto do pintor em seu estúdio
Convívio pesadelo e carnaval


Livro:
de Ulrike Becks-Malorny

2.1.17

VÍDEOS DE ARTE SACRA -

Museu do Rio de Janeiro
(abaixo)



Museu de Arte Sacra de São Paulo - Ourivesaria
 (abaixo)


Esse vídeo mostra o rico acervo  do Museu de Arte Sacra de São Paulo, onde pretende que o espectador releia os simbolismos da vida cristã contidos em cada um desses objetos, os quais carregam em si atribuições sagradas e a verdadeira história de riquezas da São Paulo colonial.

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28.12.16

CÂNDIDO PORTINARI

Os Retirantes - 1944

Portinari nasceu em 1903 numa fazenda de café, em Santa Rosa, interior de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, era o segundo dos doze filhos do casal Giovan Battista Portinari e Domenica Torquato. De família humilde, Cândido cursou apenas o primário. Porém desde criança mostrou sua inclinação às artes. Aos 9 anos desenhou o retrato de Carlos Gomes, como viu numa caixa de cigarros.

Em 1920, aluno da Escola Nacional de Belas Artes, aprendeu a técnica acadêmica, conservadora. Em 1928 ganhou como prêmio, uma viagem ao exterior ficando 2 anos na Europa convivendo com os renascentistas italianos.

De volta ao Brasil, em 1930, começou a desenvolver sua própria técnica, aplicada aos murais, obras por demais conhecidas: mural do Ministério de Educação e Saúde e os da sala da Fundação Hispânica na Biblioteca do Congresso em Washington, Via-Crúcis (Igreja da Pampulha, Belo Horizonte) e o painel Guerra e Paz para a sede da ONU.

Após sua volta, em sua primeira exposição mostra a versatilidade que será a característica de sua obra. Mostra influência direta de Modigliani. Em seguida deriva para os temas regionais e folclóricos. E, após, sente-se atraído pelos muralistas mexicanos, em particular por Diego Rivera. Ao mesmo tempo executa as duas primeiras obras abstratas em nosso país.
 
O lavrador de café
Com a obra O Lavrador de Café – onde conquistou o prêmio Carnegie, 1934, projeta internacionalmente seu nome tornando-se a figura de maior prestígio na pintura contemporânea brasileira.
Portinari retratou pessoas, em suas relações de amizade, nas cenas dos retirantes nordestinos e nos tipos populares, retratando sua história social 

Foi um pintor social, tocado de doloroso e revoltado humanitarismo em face da miséria, da fome e da ignorância. Seus numerosos retratos, aristocráticos e elegantes não contam na sua obra. Era o seu ganha-pão e, por outro lado, o preço inevitável de sua notoriedade. Finalmente, ninguém poderá lhe recusar o título vanguardeiro do primeiro e autêntico muralista da pintura brasileira.


O Mestiço / 1934
A figura do lavrador mestiço, com braços cruzados, lembra aquelas composições italianas. Aqui Portinari foi buscar referências em seus tempos de infância, quando trabalhava nos cafezais paulistas. 

As mãos e a cabeça agigantadas conferem eloquência à narrativa e monumentalidade para glorificar o trabalho das classes operárias. As tonalidades do marrom e o roxo dos campos cultivados expressam a vitalidade da terra. 

As pequeninas pedras à direita e o tronco à esquerda também lembram as lições de pintores italianos que usavam esses elementos para dar profundidade ao quadro. 

O fundo, com o muro do bananal à direita e a cerca do cafezal à esquerda, também recorda a perspectiva geométrica característica do Renascimento, confirmada pelo sólido formado pela casa, que se contrapõe, ao morro à esquerda. 

Algumas das pinturas conhecidas de Portinari: Meio Ambiente – Colhedores de Café – Mestiço – O Labrador de Café – O Sapateiro de Brodósqui – Menino com Pião – Lavadeiras – Grupos de Meninas Brincando – Menino com Carneiro – Cena Rural – A Primeira Missa no Brasil – São Francisco de Assis – Tiradentes – Os Retirantes – Futebol – O Sofrimento de Laio – Retirantes e Criança Morta. 

Em janeiro de 1962 sofreu nova intoxicação por chumbo, que já o atacara em 1954 e não mais se recuperou vindo a falecer em 6 de fevereiro, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.

Colheita de Café

O estivador
O sapateiro de Brodowski / 1941

Meu primeiro trabalho / 1920



Cândido Portinari / Dias de tristeza aqui.



23.11.16

SALVADOR DALI / A ÚLTIMA CEIA


A Última Ceia - 1955 / Salvador Dalí

Como outros quadros religiosos de Dalí, A Última Ceia provoca amplas reações: alguns críticos a denunciaram como fútil e banal, enquanto outros acreditam que Dalí conseguiu revitalizar a imagem tradicional da devoção.
As controvérsias se complicaram pela consciência pública de Dali como uma personalidade aparentemente mais interessada em jogos intelectuais e emocionais do que na expressão de convicções autênticas.
Jesus e seus doze apóstolos estão reunidos numa sala modernista envidraçada. Os apóstolos com as cabeças baixas, ajoelham em torno de uma grande mesa de pedra, suas formas sólidas contrastando com a transparência de Cristo.
Dois pedaços de pão e meio copo de vinho representam a refeição sacramental.
Dalí construiu esse quadro de acordo com os princípios matemáticos derivados do seu estudo do Renascimento, e Leonardo da Vinci (que pintou a mais famosa das Santas Ceias) é uma influência particularmente forte.
Com um gesto bem parecido com o de Leonardo, Jesus aponta para o céu e para a figura (talvez o Espírito Santo) cujos braços se estendem para abraçar o grupo.

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Ano: 1955
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 166,7 x 267 cm
Localização: National Art Gallery - Washington, EUA

In Vida e Obra de Dali / Nathaniel Harris ed.Ediouro 1997 RJ


7.7.16

ALMEIDA JÚNIOR - 1850 / 1899

Moça com livro - 1879 / Almeida Júnior

- Tais Luso de Carvalho


José Ferraz de Almeida Júnior nasceu em 8 de maio de 1850 na cidade de Itu / São Paulo. Um dos mais representativos precursores do modernismo no Brasil morreu tragicamente assassinado nos braços de sua amante, mulher de seu assassino (seu primo), no Largo da Matriz de Piracicaba/São Paulo, diante da família, de crianças e de alguns estranhos. Aspectos da vida particular de Almeida Júnior tornam-se curiosos à medida que sua morte foi ocultada por dezenas de anos pelas famílias envolvidas na tragédia

Sua obra Saudade foi pintada meses antes de sua morte. Trata-se de uma moça, de luto, que chora a morte do marido enquanto contempla sua fotografia. Premonição?

A linguagem acadêmica e a visão quase fotográfica que se revelavam nos quadros do artista, situam-no como um pintor convencional. Entretanto a originalidade do tema, captando a realidade brasileira de cenas caipiras, mostram um certo espírito renovador, antecipando o ideal dos modernistas, animando-os.

Portinari inspirou-se em Almeida Júnior para criar sua temática da pintura nacional. Cresceu como grafiteiro, inventando pinturas nos muros da cidade. Regionalista não aderiu ao movimento impressionista, mantinha-se dentro do atelier, com seu trabalho acadêmico realista.

Seus mestres foram Jules le Chefrel, Pedro Américo e Vitor Meireles. No Rio de Janeiro ingressou na Academia Imperial de Belas Artes. Porém, no ano de 1876, o Imperador D. Pedro II, fascinado com o seu trabalho, deu-lhe uma bolsa para a École Naturale Superieure des Beaux-arts, onde tornou-se aluno de Alexandre Cabanel, um dos mais renomados pintores da época, permanecendo em Paris até 1882. Em 1873 voltou ao Brasil abrindo seu atelier em São Paulo. E, em 1884 recebeu o prêmio concedido pelo governo Imperial, A Ordem da Rosa.

Em 1897 expõe em São Paulo a grandiosa Partida da Monção, obra que lhe custou dois anos de trabalho.
Seu nome permanece vivo no cenário artístico brasileiro, através de inúmeros trabalhos onde suas composições se desenvolveram em curvas amplas e superfícies imersas em luz, traduzindo o encantamento das paisagens do interior. 

Apaixonado pelas mulheres e pela pintura, a verdadeira história de sua morte foi desenhada e colorida na clandestinidade de amores e romances atormentados. Isso torna até compreensível sob o aspecto emocional, sua morte de aventureiro - assassinado em praça pública, no dia 13 de novembro no ano de 1899, aos 49 anos.


Clique nas fotos para aumentá-las
    Picando o fumo / 1893                                      Saudade / 1899
Leitura / 1892 
 Descanso do modelo / 1882
O Violeiro / 1899
O derrubador brasileiro / 1879

Referências e fotos / Pintura no Brasil / Abril Cultural /  Dicionário Oxford / Das Artes / Artes visuais em revista.


21.5.16

MARK ROTHKO – Pintor Expressionista Abstrato




Mark Rothko, um dos maiores coloristas do mundo, afetou diretamente o futuro da arte moderna e abstrata. Nascido em 1903, na Rússia, onde hoje é a Letônia, filho de pais judeus, sua família emigrou para os Estados Unidos em 1913. 
 Foi um dos personagens mais ilustres da Escola de Nova York e, em particular, um dos criadores da colour field paitings.  Estudou na Universidade de Yale e, no campo artístico, foi em grande parte um autodidata e afetou 
Nas décadas de 30 e 40 foi influenciado pelo expressionismo e pelo surrealismo, mas por volta de 1947 começou a desenvolver seu estilo maduro e característico.
Suas pinturas consistem tipicamente em grandes faixas retangulares de cor, dispostas em paralelo, geralmente em formato vertical.
As arestas de tais retângulos são suavemente imprecisas o que lhes confere uma quantidade brumosa.
Em 1928 ele fez sua primeira exposição, mas a fama demorou a chegar e durante muito tempo Rothko ganhou a vida ensinando arte.
Suas obras foram influenciadas pela ousadia no uso da cor de Milton Avery, que rothko levou a níveis mais profundos e intensos.
Em 1935 ajudou a fundar o Grupo Dez, com artistas expressionistas abstracionistas.
Com medo da influência crescente dos nazistas na Europa, em 1938 Rothko se tornou cidadão americano e em 1940 mudou seu nome Marcus Rothkomitz para Mark Rothko. No mesmo ano ajudou a fundar a Federação dos Pintores e Escultores Modernistas, cuja intenção era manter a arte livre da propaganda política.
No fim da década de 1940 ele se aproximou de um estilo cada vez mais abstrato, eliminando todos os elementos descritivos de sua obra. No mesmo ano ajudou a fundar a Federação dos Pintores e Escultores Modernistas, cuja intenção era manter a arte livre da propaganda política.
Em 1961, alcançou o sucesso, sendo tema de uma grande mostra retrospectiva organizada pelo Museum of Modern Art of Nova York.
Suas obras mais tardias tendem a tonalidades mais sombrias, talvez refletindo o estado de depressão que o levou ao suicídio.
Rothko considerava como suas obras-primas a série de nove pinturas com Negro sobre Marrom e Vermelho sobre marrom, feitas para decorar um restaurante no edifício Seagram / Nova York, no entanto doadas à Tate Gallery, por Rothko, pouco antes de sua morte, por suicídio, em 1970.



Clique nas obras + zoom



Referências: 
Dic.Oxford de Arte - Martins Fuentes, SP, 2007
Grandes Artistas - ed.  Sextante, Rio de Janeiro - 2009

1.5.16

REALISMO: COMO TRABALHA UM PINTOR REALISTA?



GUSTAVE COUBERT NESTE BLOG: aqui

Segundo a concepção realista, a pintura destina-se a representar as coisas concretas e existentes. Os temas abstratos ou imaginados não pertencem ao domínio da pintura. O pintor realista só representa aquilo que vê. Não poderá representar, por ex um episódio da mitologia grega ou da Bíblia, pela simples razão de não o ter visto ou de não o ver. A beleza está na própria realidade e o talento artístico consiste em descobri-la e acentuá-la, sem recursos e fórmulas históricas e ideias, como entre os neoclássicos, nem às efusões emocionais, como nos românticos.

Ser realista, porém, não é ser exato e minucioso como uma fotografia. Ser realista é ser verdadeiro. Ser verdadeiro é selecionar, sintetizar e realçar os aspectos mais característicos, expressivos, e por isso mesmo, mais comunicáveis e inteligíveis das formas da realidade, não sendo necessário idealizá-las ou perturbá-las com a emoção.

Ao representar um tigre, por ex, o realista não precisa ser minucioso, descendo a descrição analítica dos detalhes; não precisa fazer as pestanas do tigre! Pode ser sintético, porque será verdadeiro desde que nos transmita o caráter do tigre, isto é, a sua ferocidade e poderosa força elástica.

No caso do retrato se o modelo tiver aquele queixo irregular, denunciador de sua personalidade, que o neoclássico esconderia em nome da forma idealmente bela, o realista não o corrigirá. Fixa-o com verdade, pois certamente o achará belo e rico de caráter. 

O realista não será eminentemente desenhista, como o neoclássico, nem veemente colorista como o romântico. Estabelecerá entre a linha e a cor, ou entre as faculdades intelectuais e as emocionais, no ato da criação artística. Não será documental como uma fotografia, porque será sintético, eliminando os elementos acessórios e insignificantes, sem força expressiva para definir o caráter do modelo e o ambiente que o cerca. Por último, poderá ainda enriquecer a sua obra de intenções políticas e sociais, refletindo tendência da época, que já havia nos românticos.


EDWARD HOPPER NESTE BLOG: aqui



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Referência: Como entender a pintura moderna / Carlos Cavalcanti 
- ed Civilização Brasileira


2.3.16

INSTITUTO RICARDO BRENNAND - RECIFE


Não deixe de ver o vídeo - Maravilhoso !


O Instituto Ricardo Brennand é uma instituição cultural brasileira localizada na cidade de Recife/Pernambuco, no bairro da VárzeaNa década de 1940, Ricardo Brennand iniciou sua coleção de armaria, sobretudo armas brancas, o que viria a ser um dos maiores acervos particulares do mundo.
Há mais de cinquenta anos o colecionador pernambucano Ricardo Brennand vem adquirindo obras de arte de diferentes procedências e épocas. Peças desde o século XV,   provenientes da Europa, Ásia, América e África. Pinturas brasileira e estrangeira, assim como Armaria, Tapeçaria, Artes Decorativas, Escultura e Mobiliário.
Quanto às armas brancas, é um dos maiores acervos do mundo, com mais de 3000 peças, produzidas entre os séculos XIV e XXI.
Pelo segundo ano consecutivo, o Instituto Ricardo Brennand foi eleito o melhor Museu da América Latina e o 19° melhor Museu do mundo, pelo Traveler’s Choice Museums, do TripAdvisor, considerado o maior site de viagens do mundo.

Biblioteca do Instituto Brennand desde o séc XVI (clique)










16.2.16

OSWALDO GOELDI


Abandono - 1930 (Goeldi)



Oswaldo Goeldi nasceu no Rio de Janeiro em 1895. Com apenas 1 ano de idade mudou-se com a família para Belém / Pará, onde viveu até 1905, quando sua família se transferiu para Berna / Suíça. Seu pai era um cientista suíço - Emília Augusto Goeldi.
Em 1917, matricula-se na Ecole des Arts et Métiers - Escola de Artes e Ofícios - em Genebra, mas não a concluiu por julgá-la muito acadêmica.
Oswaldo Goeldi integra, junto com Lívio Abramo e Carlos Oswald o trio de mestres e pioneiros da gravura brasileira. Sua obra tem o clima expressionista das grandes áreas em preto e linhas decisivas, que definem o desenho que emerge da escuridão. Toda a sua obra é muito coerente com os assuntos humanísticos, registrando pequenos fatos da vida social. Foi consciente em transmitir as técnicas da gravura para as gerações seguintes.
Em poucos traços aparecem sulcos feitos na madeira, com uma goiva em forma de V, criando perspectivas com as casas, postes, muros e ruas.
A figura humana emerge de raras linhas positivas. As cores são mínimas. O vermelho para o sol e os reflexos na roupa do homem; os marrons de dentro de casa e da rua são quase imperceptíveis, mas servem para conceituar a tarde – a meia tonalidade das sombras que contrasta com a vibração do disco de luz.
Oswaldo Goeldi estudou na Suíça, mas a partir de 1920 passou a viver, trabalhar e produzir no Brasil.
Além de gravador, entre 1895 e 1961 colaborou como ilustrador de jornais e revistas e ilustrou várias obras literárias, como Cobra Novato, de Raul Bopp, entre outras e, em 1941 trabalhou na ilustração das Obras Completas de Dostoievski, publicadas pela Editora José Olympio.
Em 1930, lançou o álbum 10 Gravuras em Madeira de Oswaldo Goeldi, com introdução de Manuel Bandeira. Em 1952, iniciou sua carreira de professor, na Escolinha de Arte do Brasil, e, em 1955, tornou-se professor da Escola Nacional de Belas Artes.
Participou da Bienal de São Paulo – 1º lugar em gravura; participou da 25ª Bienal de Veneza e de várias exposições nacionais e internacionais.
Em suas gravuras sempre predominou, inicialmente a cor escura, com poucos traços claros e quase uma fusão entre personagens de uma cena e o ambiente em que estão, como em Pescadores.
Com o tempo essa característica vai sendo superada, os personagens ganham mais destaque e o artista passa a empregar cores em algumas áreas de suas gravuras, como em O Ladrão.
Morreu no Rio de Janeiro em 1961.
Em 1995, o Centro Cultural Banco do Brasil realizou exposição comemorativa do centenário do seu nascimento, no Rio de Janeiro.


A Vassoura - 1945
A Chuva - 1957
A Tarde - 1954
O Ladrão - 1955

Referências
Arte Brasileira / Percival Tirapele – ed Nacional
História da Arte / Graça Proença