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| Baco / 1593-94 clique fotos |
por Tais Luso de Carvalho
Michelangelo Merisi da Caravaggio nasceu em 1571, Caravaggio, Itália. Não era propriamente genial como pessoa; era um jovem de temperamento violento, arruaceiro, mente instável, de muitas bebedeiras, dívidas, amigos duvidosos, várias prisões, uma acusação de assassinato no jogo da péla. Era um frequentador do submundo.
Michelangelo Merisi da Caravaggio nasceu em 1571, Caravaggio, Itália. Não era propriamente genial como pessoa; era um jovem de temperamento violento, arruaceiro, mente instável, de muitas bebedeiras, dívidas, amigos duvidosos, várias prisões, uma acusação de assassinato no jogo da péla. Era um frequentador do submundo.
Caravaggio foi o mais original e influente pintor italiano do século XVII. Recrutava seus modelos nas ruas e os pintava à noite, entre luzes e sombras. Eram telas com fortes contrastes, jovens com caras viciadas, bêbados, gente de toda a espécie se entrelaçando em suas telas.
Caravaggio era filho de um arquiteto, que morreu ainda quando o pintor era criança. Sua mãe morreu quando ele era ainda jovem. No início de sua carreira, ao viajar para Roma, Veneza, Roma, Cremona e Milão Caravaggio já era um órfão individado.
Seus primeiros trabalhos foram marcados por retratos inigmáticos. Seu autoretrato como Baco (1593/1594), também exibe um extraordinário talento para natureza morta.
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| Pequeno Baco doente |
Com muitos trabalhos em Roma, Caravaggio levou para as telas a vulgaridade humana, exibida nas suas figuras de vestes surradas e sujas e nos seus rostos maltratados.
Em seu quadro, A Morte da Virgem Maria pintou imagens sem gloria e sem o esperado explendor causando enorme desconforto e rejeição da igreja. Seria uma encomenda destinada a Igreja de Santa Maria de La Scalla. Cogitou-se que a modelo requisitada para a obra teria sido uma cortesã de vestido vermelho e que, pelo seu ventre inchado, já estaria morta.
Durante muito tempo foi considerado indigno para participar de exposições, igrejas e salões da nobreza. Era chamado pelos seus contemporâneos de anticristo da pintura, de artista pé sujo. Requisitava as prostitutas e mendigos para seus modelos de santos; os apóstolos em trajes velhos e sujos, ou ainda representar os momentos da história cristã como fato simples do cotidiano foram alguns dos pecados de Caravaggio. Assim mesmo sua obra foi tocada pela anormalidade do gênio, criativa e desesperada.
Caravaggio ainda trabalhou nas obras O Sepultamento, A Virgem de Loreto, A Virgem dos Palafreneiros e A Morte da Virgem. As duas últimas recusadas, por incorreção teológica.
Ao romper com as representações sacras, deixa o caráter celestial, de personagens sagrados e volta a retratar o cotidiano mundano, com fundos escuros, valendo-se de sua técnica claro-escuro na qual foi mestre.
Duas fases se distinguem em sua carreira: um primeiro período experimental 1592 / 1599 e um período de maturidade (1599 / 1606). Suas primeiras obras foram pequenas figurações de temas não dramáticos, como naturezas-mortas, figuras de meio corpo como O rapaz com uma cesta de frutas, Florença, O jovem Baco. Mais tarde suas figuras tornaram-se mais articuladas, com cores mais ricas, com sombras acentuadas, como na Ceia de Emaús.
O segundo período, o da maturidade, Caravaggio iniciou com uma encomenda para a Capela de Contarelli. Na obra São Mateus e o Anjo, desenvolveu uma ação dramática, com maestria no uso das tintas que com muito esforço foram conseguidas - vista num estudo através de raios-X. Porém, foi rejeitada por ser considerada indecorosa, mas comprada mais tarde pelo Marquês Vincenzo Giustiniani, um dos mais importantes mecenas de Roma, que também pagou pelo retábulo substituto.
No período em que fugiu de Roma - em 1606 -, passando os 4 últimos anos de sua vida perambulando de Nápoles para Malta e Sicília, continuou a pintar obras religiosas, mas com um novo estilo, buscando apenas o essencial: poucas cores, tinta aplicada em finas camadas e o drama das obras anteriores, substituídas por um silêncio contemplativo.
Sua atividade não foi longa, mas foi intensa. Caravaggio apareceu numa época em que o realismo não estava tão em moda, em que as figuras eram retratadas de acordo com as convenções e os costumes, mais romantismo e graciosidade do que as exigências da verdade, fazendo com que o belo perdesse seu valor.
O interesse por Caravaggio declinou no séc XVIII, mas voltou à baila na metade do séc XIX onde todos viam em sua pintura uma rejeição à beleza e a busca pelo horror, à feiura e ao pecado.
Teve uma morte prematura aos 39 anos e morreu tão miseravelmente quanto viveu, colocado numa cama, sem ajuda , sem amigos. Morreu de malária, em 1610, em Porto Ercóle, Itália.
CARAVAGGISTI
Era a denominação dada a pintores do início do séc XVII que imitaram o estilo de Caravaggio. O uso do claro e escuro para conseguirem mais dramaticidade e realismo. Estes exerceram muita influência em Roma no princípio do séc XVII. O Caravaggisti foi um fenômeno de grande importância, o mundo talvez não tivesse um Rembrandt, um Delacroix, um Manet, Rubens ou Velazquez se não fosse a influência de Caravaggio.
OBRAS PRIMAS:
Baco / Jovem com um Cesto de Frutas / Menino mordido por um Lagarto / Repouso na fuga para o Egito / A cabeça da Medusa / A Morte da Virgem / A Ceia de Emaús / O martírio de São Mateus / O Sepultamento / A Decapitação de São João Batista.
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| Ceia em Emaús - clique foto - |
Cesta de Frutas
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| Crucificação de São Pedro |
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| O enterro de Cristo |
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| A morte da Virgem |
Fontes:
Grandes Artistas - ed. Sextante
D.Oxford de Arte







22 comentários:
a obra de Caravaggio é realmente diferenciada para sua época.
Excelente texto.
Sds
Carnelos
Magnífica entrada.
Bss.
Amiga!
Essa postagem está especial, belíssima, já te disse isso. Repleta de pormenores interessantes sobre esse artista de características marcantes.
Penso que Caravaggio, o artista do “tenebrismo” como ficou conhecido, quis retratar o lado obscuro dos fatos que rejeitamos, mas que são existentes, mesmo durante o período do nascimento do cristianismo. Obscuridade que havia também nos fundos negros e rasos de suas obras.
Ao usar pessoas mundanas como modelo para retratar personagens bíblicos talvez quisesse mostrar a igualdade entre os seres humanos, sei lá...
Foi um rebelde de carteirinha e considerado perigoso pela maioria, pois chegou até mesmo a assassinar um jovem numa briga e se tornou fugitivo. Mas tinha talento o danado, isso não resta a menor dúvida! Dizem os críticos de artes que ele se igualou, ou até mesmo superou os seus mestres.
É incrível como os artistas do passado eram perseguidos, principalmente pelo clero, tolhendo suas liberdades de expressão.
Deixando de lado sua personalidade inconseqüente e falando do artista, Caravaggio não inventou a feiúra do mundo, suas mazelas, ele apenas a retratou, mostrou ao mundo. Culpá-lo por isso seria o mesmo que culpar o meteorologista pelo mal tempo!
Parabéns, Taís, por mais esse presente! As fotos das obras estão lindas, e seu texto um primor!
Um beijão procê!
Quando vi pela primeira vez, mesmo por fotografias nos livros, as pinturas do Caravaggio este gênio do barroco italiano, me causou impacto, mais tarde passei a conhecer outros pintores e destes o que mais me fascinou e fascina até hoje é Kandinski o mestre do abstracionismo, inclusive cheguei a copiar algumas de suas pinturas, depois vem o Jackson Pollock. Você já viu o filme sobre a trajetória de Pollock, com Ed Haris?
Beijos.
Amiga Tais,
Há menos de um mês, assisti um filme com uma boa biografia de Da Vinci que fundamenta o quanto os grandes gênios das artes e das ciências em geral, sofriam com as restrições da igreja e da sociedade hupócrita de sua época. Caravaggio, infelizmente, não foi uma execeção à essa regra de atraso e falta de visão dos poderosos.
Quando eu via Da Vinci quase esmolando o apoio daquela nobreza corrupta, algo se revoltava dentro de mim. Enfim, essa é a humanidade com a qual somos obrigados a conviver. Passam-se séculos para que pessoas de tão elevada inteligência e sensibilidade sejam verdadeiramente reconhecidas, mas o dia de quem tem valor sempre chega, eu acredito nessa máxima.
Mais um excelente trabalho, minha querida.
Obrigada por sua visita e, a título de esclarecimento sobre o casario azul que a encantou lá no nosso cantinho, sei apenas que está em obras para abrigar uma casa de cultura. Nas próximas férias, prometo, farei uma pesquisa mais acurada, pois, foram só quinze dias para relaxar o corpo e a cuca, rs. Esses nossos brasis ainda têm muito a se descobrir,e vou parando por aqui, sou muito faladeira.
Beijinhos!!!
É sempre assim! Os grandes pintores sempre tinha defeitos psicológicos. Pelos vistos este era mais um.
Beijinho minha amiga Taís.
Querida Taís,
Obrigada pelo seu carinho lá no nosso cantinho
Adoramos o seu blog e vamos ficar por aqui
Tenha uma linda tarde
Bjs de
Verena e Bichinhos
¡Hola Tais! Muy interesante tu entrada sobre Caravaggio.
Solo completar que:
La muerte en 1610 de Michelangelo Merisi, el gran pintor italiano conocido como Caravaggio (nombre de la localidad donde su padre era administrador del marques de Caravaggio, de la que toma el nombre), ha estado rodeada de misterio, en sintonía con su vida llena de peripecias.Un equipo de investigadores italianos han realizado un estudio documental han llegado a la conclusión de que:
Caravaggio, al llegar a la localidad toscana de Porto Ercole, fue practicamente secuestrado por las autoridades españolas, que lo llevaron al castillo de Forte Filippo donde falleció y no en el hospital de Santa María Auxiliadora, de la misma Porto Ercole, como recientemenet habían anunciado otros investigadores italianos como, Giuseppe La Fauci.
Según Silvano Vinceti, presidente del Comité para la Valoración de los Bienes Históricos Culturales y Ambientales y director de la investigación, Caravaggio contrajo la malaria a su llegada a la Toscana desde Nápoles. Cuando las autoridades de Porto Ercole (entonces bajo soberanía española) conocieron la llegada del pintor, lo trasladaron a Forte Filippo. Este cambio se hizo en el mayor secreto y se ocultó hasta su muerte, que no se inscribió en el Liber mortuorum, el registro de defunciones de la localidad.
Maniobras del virrey:
Según Vinceti, se devió a que el virrey de Nápoles, Pedro Fernandéz de Castro, conocía la admiración del rey Felipe III por la obra de Caravagggio y ocultó su fallecimiento para ofrecer al rey los cuadros que llevaba consigo. Vinceti está seguro que el documento que fechaba su muerte el 18 de julio de 1610 en la iglesia de Santa María Auxiliadora es falso y espera hallar los restos del pintor en el cementerio de San Sebastián, donde se enterraba a los desconocidos.
Medio de información:
Revista HISTORIA. National Geographic. Nº 78. España.
Fueron grandes pintores que su vida personal estuvo llena de polémica.
Gracias por tu magnífica información. Un abrazo.
Olá amiga. Vim agradecer as palavras de incentivo deixadas no Arca no post de minha filha. Obrigada, amiga.
Não tenho muita cultura em arte, mas fico encantada com as obras. Tudo aqui é especial. Beijos.
Parabéns pelo seu blog e seu trabalho!
Estou seguindo seu blog, se der dê uma olhada no meu...se der siga ele também.
Obrigado
Cesar Morais.
http://cesarmoraisarterenascentista.blogspot.com/
A sensibilidade do artista muitas vezes dificulta seu contato social e pessoal e a sobrevivência com a arte é ainda um árduo caminho para a maioria deles.
Um texto muito bonito sobre esse inovador.
beijo
Oi Tais!
Adorei este seu post..que belíssimas obras!!
Bjão e boa noite!
Roberta
Tais Luso
Há anos fui teu comentador e recordo-o bem. Lembro de gostar imenso, como gostei de tomar mais aprofundado conhecimento do célebre pintor "CARAVAGGIO". Espero voltar a encontrar-te.
Sobre Ma Ferreira, tenho contacto há relativamente pouco tempo mas o suficiente para ver nela uma excelente pessoa e grande ceramista.
Beijos
grande caravaggio! meu preferido! parabéns pela postagem
Seja como for, ou como foi, caravaggio na minha opinião era um grande talento, a realidade das formas e fidelidade na figura humana,acredito que tudo isto chocava bem mais,hoje em dia seria normal.
Oi Taís!
Tem um presentinho lá no Mundo dos Eus www.omundodoseus.blogspot.com para você!!!
O Prêmio Sunshine Award segue algumas regrinhas:
1ª - Agradecer a quem lhe enviou
2ª - Escrever um post sobre ele
3ª - Entregar o sêlo a 12 blogs (parte mais difícil.. ter que escolher apenas 12)
4ª - Mencionar no post os blogs selecionados
5ª - Avisá-los sobre o recebimento do mesmo
Beijo no seu coração!
Vida difícil, morte prematura e tanto talento!
Beijos, lindona!
Olá,parabens como sempre uma informação concisa e bem escrita.
Querida, que prazer em revê-la!
Voltar aqui é um prazer inenarrável, sabia?
Contemplei com mais vagar as telas de Caravaggio e a Crucificação de Pedro, recordo-me, sempre foi a que mais me tocou, embora as demais sejam incríveis.
Tais, que tenhas um excelente final de semana!Obrigada pela visita e mil beijinhos!
Oi Tais, visitei seus blogs, como sempre só acrescentando essências lindas!!!para quem lê.
Que Deus continue sempre com você e familiares.
bjs
Adorei o texto!
Certamente voltarei mais vezes.
Um beijo grande
ola,
este blog merece toda a atenção,é ótimo para se estar sempre.
Abraços!
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