13 de outubro de 2014

ANTONIO DIAS - OBRA

 Os restos do herói, 1966 / Antonio Dias

 - Tais Luso de Carvalho

Antonio Dias nasceu em Campina Grande, Paraíba/Brasil - em 1944. É um dos criadores essenciais da arte brasileira. Ao longo de 40 anos de carreira, sua postura aberta para novas correntes, nacionais ou internacionais, contribuiu para  a construção de uma obra vasta e diversa. Em 1962, quando começou precocemente a produzir, Antonio já morava no Rio de Janeiro. Pinturas em relevo, pontuadas por signos da arte indígena, marcaram sua fase inicial. Depois sua aproximação com o construtivismo e a arte pop revelou-se em criações estruturadas como histórias em quadrinhos ou em jogos de cartas.  

No início de sua carreira Antonio tentou entrosar-se com a turma da Escola de Belas-Artes, onde a maior parte dos alunos admirava o expressionismo, até chegou a fazer desenhos figurativos, mas não conseguia ficar satisfeito. Procurou uma saída usando um emaranhado de linhas fortes que ocupava toda uma placa de madeira, algo como um núcleo com muitas ramificações.


Em sua juventude, ele e alguns amigos uniam-se em torno do idealismo de lutar por um país sem ditadores e por uma renovação de linguagem visual, que parecia menos interessada em estética e mais voltada para a incorporação de sistemas de comunicação de massa. O objetivo básico, conta Antonio, era, naquele momento nacional, ter voz e abrir  espaço em galerias, salões, museus, onde fosse possível. Tudo que conseguiram fazer, no sentido coletivo, foi através de muita discussão. Era uma frente de luta em diversos sentidos, mas cada um preservando suas diferenças.


Antes de sua partida para a Europa seu trabalho era frequentemente vinculado ao de Rubens Gerchman, Roberto Magalhães, Carlos Vergara e Pedro Escosteguy.


Aos 21 anos uma bolsa de estudos obtida como prêmio da Bienal de Paris permitiu-lhe viver na capital francesa. Sua propensão nômade reforçou-se na Itália para onde transferiu-se posteriormente. 


Experimentou uma diversidade de técnicas e suportes para sustentar uma obra muitas vezes impregnada por questões sociais, mas sempre livre de categorizações.
Atualmente reside e trabalha na Europa.

Em 1958, foi estudar no Rio de Janeiro onde recebeu orientação de Osvaldo Goeldi, ao frequentar o Atelier Livre de Gravura ( Escola Nacional de Belas Artes). Em 1962 realizou sua primeira exposição individual no Brasil, na Galeria Sobradinho, Rio de Janeiro.  Em 1965 na Galeria Florence Houston-Brown, Paris. Nesse mesmo ano participou da Bienal de Paris onde recebeu seu primeiro prêmio Internacional e uma bolsa do governo francês, passando a morar em Paris. A partir de então residiu em diversas cidades até fixar-se, em 1989, em Colônia, Alemanha.


Com notável currículo Antonio Dias foi o primeiro artista brasileiro a participar ativamente de amostras e eventos artísticos nas mais importantes instituições internacionais.

Sua obra dos primeiros anos apresentou forte questionamento político, social, censura, violência, sexualidade e morte. A partir de 1965 ao estreitar o contato com a produção européia, adotou progressivamente, postura conceitual e mais reflexiva, buscando uma economia de meios, discutindo o suporte, questionando os mecanismos internos e o circuito da arte.

Seu trabalho mostra algumas pitadas de ironia. Antonio anotava tudo em seus cadernos: sonhos pensamentos, citações, analogias, cópias de discursos sobre filologia, filosofia, diagramas, desenhos, qualquer coisa. Eram coisas organizadas com o espírito livre sobre a vida, o trabalho, o lugar do trabalho etc. As anotações, segundo Antônio, não tinham linearidade, mas eram fundamentais para a sua produção dos anos 60-70. 

(...) Para Antonio Dias, a arte é prática social, abrangendo sua produção e circulação como mercadoria, e a crítica social do processo de institucionalização, como na série 'The Illustration of Art' (1971-78). O inconformismo político encontra seu diagrama na reavaliação crítica do sentido da própria forma, portanto da linguagem enquanto campo social. São signos da resistência e de uma produção que recusa os parâmetros idealistas da mera 'arte engajada'. (Paulo Herkenhoff)





'Hoje, trabalho de vez em quando. Não me interessa o ato de pintar em si. Pintar me chateia. Só pinto por necessidade de dizer. Considero a pintura uma profissão. Mas se quiserem afirmar a pintura como um trabalho diário, então não sou profissional.'
fonte: Antonio Dias / palavra do artista - sec. cultura do Rio de Janeiro

O Sans Titre / 1964


Any where Is My Land, 1968

Morte imprevista / 1965

Asas do Povo / 1988

Fornalha / 2006

Campo e anima - 1989

Autonomias / 2000


Folhas te cobre e ouro sobre tela - 1988


Arte Pública/ 1967
Focalizando, em seus ateliês, os artistas plásticos Abrahan Palatnik, Antonio Dias, Carlos Vergara, Glauco Rodrigues, Helio Oiticica, Ligia Pape, Lygia Clark, Pedro Escosteguy, Rubens Gerchman, Tomoshige Kusuno, Wesley Duke Lee, e a 9ª Bienal de São Paulo.





Em 2014 exposição na Fundação Iberê Camargo.