7 de fevereiro de 2011

INVENÇÃO DO OURO NAS ARTES / SUMÉRIOS



Vasilha de ouro com lápis-lazúli

- Tais Luso de Carvalho
O ouro, conhecido desde a antiguidade, não tinha nenhuma utilidade prática, mas foi usado ao longo da história como símbolo de prestígio. Sua história de sucesso começa no terceiro milênio a.C, quando os sumérios - primeiro povo a habitar a região da Mesopotâmia -, aperfeiçoaram o tratamento do metal com fins de ostentação de riqueza. Poderia se dizer que a história da ourivesaria e suas técnicas na manipulação do ouro se espalharam através dos sumérios para todas as civilizações antigas. 

Em algumas escavações, feitas por arqueólogos, o metal foi encontrado entre dois ladrilhos de terracota, perdido e prensado no chão de uma construção em Larsa, na Mesopotâmia. A princípio foi reconhecido pela sua durabilidade, inalterabilidade, beleza e divisibilidade.

Era um metal facilmente riscável, oferecia poucas vantagens, exceto sua raridade e seu aspecto reluzente. O economista K.Polanyi chamava-o de luxuries, por oposição às necessidades das sociedades não igualitárias, sendo de uso dos ricos e poderosos.

As primeiras peças de joalheria apareceram já na era neolítica. Jóias muito bem elaboradas apareceram nas ruínas de Ur, de Troia e de Micenas. Mas a principal característica do ouro é que ele não servia pra nada. Era inoxidável, não se alterava, mas na prática era menos útil do que o bronze ou o cobre.

Os sumérios fizeram uso notável do ouro; ainda hoje investiga-se a técnica que utilizavam para produzir filigranas e grãos. O ouro fascina porque simboliza o prestígio, o status, a distância, a alteridade. E só tem valor se a sociedade inteira o reconhece como tal.

O ouro só apareceu de maneira significativa nos inventários arqueológicos. Os túmulos de Ur é o indício indiscutível do nascimento e do fascínio por este metal e, assim, a aplicação e seu uso chegou até nós. Porém, logo após o enterro funeral, apareciam os saqueadores de túmulos para roubarem o ouro.

Esse lindo metal passou a circular pelo mundo afora, onde a maior reserva nos nossos dias - além de fazerem parte em obras de arte - encontra-se nos braços, pescoços e tornozelos das mulheres do mundo inteiro.
Hoje é jóia por excelência, o metal que realça a beleza.




Lira / Na tumba do Rei de UR

Adorno de ouro - cabeça / tumba da rainha Puabi
Elmo sumério na tumba de Meskalamdug

fonte / História Viva