14 de janeiro de 2014

VINCENT VAN GOGH - 1853 / 1890



- Tais Luso de Carvalho
Vincent van Gogh nasceu em 1853, em Groot-Zundert, no norte da Holanda, o primeiro dos seis filhos de um pastor reformista. Foi um pintor individualista e um verdadeiro autodidata, e como tal, um dos mais importantes precursores da pintura moderna.
Sentindo a miséria urbana, Vicent foi despertado pelo fervor religioso e o desejo de servir aos seus semelhantes. Preparou-se para o mesmo ofício do pai, começando como pastor adjunto, iniciando seus estudos de Teologia em Amesterdã, mas interrompendo pouco tempo depois, pois tinha dificuldades de estudar e medo de fracassar, tendo sido reprovado, também, na Escola Evangélica de Bruxelas.
No final de 1878, obteve autorização para trabalhar por sua conta como missionário voluntário na região mineira de Borinage, na Bélgica. Apesar do seu grande fervor religioso e social, não foi bem-sucedido nesse contato com os mineiros. Seu zelo excessivo causou desconfianças entre os mineiros e indisposição no consistório, que o acusou de interpretar a doutrina cristã de modo demasiadamente literal.
Destituído em julho de 1879, passou um período de vagabundagem pelas estradas de Borinage. Sem fé e na miséria passou a acreditar numa nova missão: ao de trazer consolo ao homem pela arte. E foi nessa altura que Vincent Van Gogh começou a desenhar, para superar as angústias que sentia.
Absorveu o Impressionismo, tornando-se um importante precursor do Expressionismo. A sua obra vigorosa, a sua vida infeliz, marcada por repetidos fracassos, por uma grande dúvida interior e uma incrível força criadora, quase obsessiva, chamou a atenção das gerações vindouras.
Seu primeiro desenho seguiu o modelo de Jean-François Millet, pelo qual sentia uma grande admiração. Depois partiu para aquarelas próprias em que retratava a vida miserável dos mineiros. Em 1880 inscreveu-se na Academia de Arte de Bruxelas, porém permaneceu um autodidata, copiando uma série de pinturas sócio- românticas. No ano seguinte voltou por algum tempo à casa dos pais, porém teve um amor infeliz por uma prima viúva, o qual rompeu com a família.
Foi no final de 1881 que Vincent entrou como aprendiz no atelier de seu primo, o pintor Anton Mauve, e esse o aconselhou a pintar com tintas a óleo.
Influenciado pelos romances de crítica social de Flaubert e Zola, Van Gogh decidiu ser pintor dos humildes, em especial da vida dos camponeses. Permaneceu na província por curto tempo devido à solidão que sentia, e regressou novamente à casa dos pais, em Nuenen, em finais de 1883, ficando por dois anos.
Em 1885, depois de numerosos estudos, nasceu o quadro Os Comedores de Batatas. O relacionamento intrínseco das cinco personagens, sentadas à mesa, é conseguido com a pobre refeição de batatas que partilham, e com a luz escassa da lâmpada de petróleo que ilumina. O quadro exprime um forte componente social e tomado de resignação. As figuras parecem abatidas, os rostos magros e mãos ossudas.
Nesse período, a pintura de Van Gogh é sombria e pesada, por isso foram designadas de Realismo atormentado e sombrio.
Em 1886, seu irmão Theo dirigia uma galeria de arte em Paris. Van Gogh entrou em contato com o grupo de impressionistas e entusiasmou-se com as cores, a luminosidade do sol, adotando uma palheta cada vez mais clara, aprendendo a usar cores mais puras e contrastes mais intensos. Nessa época pintou 23 auto-retratos.
Cansado da vida social, Van Gogh foi instalar-se em Arles – pequena cidade no sul da França, no ano de 1888. Foi viver na Casa Amarela, e entusiasmou-se com a ideia de fundar uma cooperativa de artistas em Arles e, no fim daquele ano associou-se a Gauguin, o único que se juntou a ele.
No entanto, dois meses de trabalho foram suficientes para que as relações se deteriorassem: as ideias opunham-se, os temperamentos incompatibilizavam-se e terminou com uma grande discussão. Com os nervos à flor da pele, Van Gogh cortou a orelha esquerda, episódio conhecido e retratado. Porém, depressivo, o artista não deixou de criar grandes obras o qual retratou famosos quadros como os Girassóis, árvores, pontes, as casas e seus interiores.
Tornou-se obcecado pelo valor simbólico e expressivo das cores, passou a empregá-las com esse propósito, não mais para a reprodução das aparências visuais como faziam os impressionistas.
Em vez de tentar reproduzir exatamente o que tenho à frente de meus olhos, uso a cor de modo mais arbitrário, a fim de expressar-me com mais vigor”.
Em Maio de 1889, Van Gogh foi para um hospital psiquiátrico de Saint-Remy, perto de Arles, onde após uns dias de sossego, voltou a pintar nesse lugar, onde lhe deram uma espécie de atelier. As alucinações, os pesadelos e sua grande preocupação com a morte caracterizaram sua estadia em tal Clínica. Porém, mesmo com essas alternâncias, a continuidade de seu trabalho se fazia presente.
A angústia e depressão em que vivia o levaram ao suicídio em 29 de julho de 1890. Esquecido, sem jamais ter alcançado o sucesso, morreu ao lado de seu irmão Theo. Seu caixão foi coberto por girassóis – a flor que mais amava. Ao lado do caixão, seus pincéis e seu cavalete.
De 1872 a 1890, Vincent e Theo trocaram extensa correspondência, hoje reunida em livro. Talvez seja o documento mais importante sobre a trajetória artística de Van Gogh, que narra desde as angústias pessoais e dúvidas sobre o ofício e questões de técnica de pintura. À medida em que ele adoece, as menções à saúde e à fragilidade da vida aparecem com maior frequência. Nas cartas a Theo, Vincent também se mostra extremamente religioso, apegado a valores de transcendência espiritual que acaba traduzindo em seus quadros. Ele parecia estar ciente de que vivia um grande momento da arte e afirmava sua condição de gênio incompreendido.
Pense no tempo em que vivemos como uma grande renascença da arte, com novos pintores solitários, pobres, tratados como loucos” – observou em julho de 1888.
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Fontes: 
 História da Pintura – Könemann 
100 Obras Essenciais da Pintura Mundial
Enciclopédia Abril