14 de janeiro de 2009

CÂNDIDO PORTINARI

Os Retirantes
Portinari nasceu em 1903 numa fazenda de café, em Santa Rosa, interior de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, era o segundo dos doze filhos do casal Giovan Battista Portinari e Domenica Torquato. De família humilde, Cândido cursou apenas o primário. Porém desde criança mostrou sua inclinação às artes. Aos 9 anos desenhou o retrato de Carlos Gomes, como viu numa caixa de cigarros.

Em 1920, aluno da Escola Nacional de Belas Artes, aprendeu a técnica acadêmica, conservadora. Em 1928 ganhou como prêmio, uma viagem ao exterior ficando 2 anos na Europa convivendo com os renascentistas italianos.

 De volta ao Brasil, em 1930, começou a desenvolver sua própria técnica, aplicada aos murais, obras por demais conhecidas: mural do Ministério de Educação e Saúde e os da sala da Fundação Hispânica na Biblioteca do Congresso em Washington, Via-Crúcis (Igreja da Pampulha, Belo Horizonte) e o painel Guerra e Paz para a sede da ONU.

Após sua volta, em sua primeira exposição mostra a versatilidade que será a característica de sua obra. Mostra influência direta de Modigliani. Em seguida deriva para os temas regionais e folclóricos. E, após, sente-se atraído pelos muralistas mexicanos, em particular por Diego Rivera. Ao mesmo tempo executa as duas primeiras obras abstratas em nosso país.
 
O lavrador de café

Com a obra Café – onde conquistou o prêmio Carnegie, 1934, projeta internacionalmente seu nome tornando-se a figura de maior prestígio na pintura contemporânea brasileira.
Portinari retratou pessoas, em suas relações de amizade, nas cenas dos retirantes nordestinos e nos tipos populares, retratando sua história social 


Foi um pintor social, tocado de doloroso e revoltado humanitarismo em face da miséria, da fome e da ignorância. Seus numerosos retratos, aristocráticos e elegantes não contam na sua obra. Era o seu ganha-pão e, por outro lado, o preço inevitável de sua notoriedade. Finalmente, ninguém poderá lhe recusar o título vanguardeiro do primeiro e autêntico muralista da pintura brasileira.


O Mestiço / 1934
A figura do lavrador mestiço, com braços cruzados, lembra aquelas composições italianas. Aqui Portinari foi buscar referências em seus tempos de infância, quando trabalhava nos cafezais paulistas. 

As mãos e a cabeça agigantadas conferem eloquência à narrativa e monumentalidade para glorificar o trabalho das classes operárias. As tonalidades do marrom e o roxo dos campos cultivados expressam a vitalidade da terra. 

As pequeninas pedras à direita e o tronco à esquerda também lembram as lições de pintores italianos que usavam esses elementos para dar profundidade ao quadro. 

O fundo, com o muro do bananal à direita e a cerca do cafezal à esquerda, também recorda a perspectiva geométrica característica do Renascimento, confirmada pelo sólido formado pela casa, que se contrapõe, ao morro à esquerda. 

Algumas das pinturas conhecidas de Portinari: Meio Ambiente – Colhedores de Café – Mestiço – O Labrador de Café – O Sapateiro de Brodósqui – Menino com Pião – Lavadeiras – Grupos de Meninas Brincando – Menino com Carneiro – Cena Rural – A Primeira Missa no Brasil – São Francisco de Assis – Tiradentes – Os Retirantes – Futebol – O Sofrimento de Laio – Retirantes e Criança Morta. 

Em janeiro de 1962 sofreu nova intoxicação por chumbo, que já o atacara em 1954 e não mais se recuperou vindo a falecer em 6 de fevereiro, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.

Café
O estivador
O sapateiro de Brodowski / 1941



Meu primeiro trabalho / 1920

Cândido Portinari / Dias de tristeza aqui.



24 comentários:

  1. Portinari é inconfundível...em suas figuras de pés e mãos grandes mantendo uma desproporção magnífica!Bjs.
    Wal.

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    1. Portinari admirava os pés dos trabalhadores, dizia ser pés de santos...

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  2. Ele usou tão bem as tintas que pintou uma obra de arte no próprio interior de seu corpo. Mas somente ele conhece, ninguém mais.
    Abraços.

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    1. Anônimo11:22

      concordo com o patrick

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  3. Tais

    Segundo me parece Cândido Portinari, é a persolalidade aparecida numa nota de banco do Brasil. Não conhecia mais nada dele.
    Portanto interessei-me muito por ler algo da biografia, assim como conhecer os dois quadros reproduzidos.
    Daniel

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  4. Olá, Daniel, amigo de Lisboa! Que bom que estás gostando dos blogs, agradeço sua sempre gentil visita. Coloquei, no final do texto um link com algumas obras deste nosso grande artista.
    Um abraço, aqui do Brasil.
    Tais

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  5. Olá Tais!
    Obrigado pela presença em meu blog e por acompanhar também.
    Gostei demais do teu blog sou um estudioso de desenho e pintura, sou fã de Pollock, Kandinski, Picasso, Lucien Freud e Vik Muniz.

    Forte abraço e boa semana.

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  6. Amei ter lido a biografia
    de Candido Portinari Este artista que através de suas obras retrata com toda fidelidade o sofrimento do povo nordestino. Por isso merece toda admiração.
    bjs

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  7. Retribuindo a "visita", sendo que prometo sempre visitá-la.

    Portinari foi um grande mestre, mas não devemos esquecer que somos artistas, pois produzimos para serem apreciado por outrem, seja até o nosso trabalho a nossas "brincadeiras" do cotidiano.

    Fique com Deus, menina Tais.
    Um abraço.

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  8. Anônimo22:44

    Gostei muito de passar pelo seu Blog.
    Vou voltar com um pouco de mais tempo.
    Aié breve... e PARABÉNS

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  9. Tais.
    Aqui na Fundação Gulbenkian, também temos pelo menos uma colecção de 30 desenhos de Candido Portinari, no Centro de Arte Moderna.
    Um beijo
    Victor Gil

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  10. Anônimo14:09

    Sou de Brodowski, cidade na qual Cândido Portinari nasceu, ele é maravilhoooooso!!!

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    1. adriely11:16

      eu tbm ai q massa :)

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  11. Anônimo19:20

    oi sou uma aluna da escola, estou trabalhando sobre vc em artes muito legal eu desenhei a imagem das tres marias e tirei 10!! bjos

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  12. gosto muito das obras deste cara
    kkkkkkkkkkkkkkkkk
    jgfjdgfdhfdghfgsdjfghdsgjh

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  13. Olá de novo Taís

    Me tinha 'escapado' esta parte sobre Portinari. Afinal, há algo mais para além da biografia de Portinari :). Inclusive obras que eu não conhecia. É como lhe disse, sobre Portinari, o que se sabe é aquilo que Mário Dionísio escreveu sobre ele nas décadas de 1950-1960. Muiiiito interessante. Acaso você tem possibilidade de saber se existem jornais e revistas que falem sobre a vinda de Portinari a Portugal?
    Parabéns pelos posts. Um abraço "Atlântico" :)
    Inês Dourado

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    1. Olá, INÊS, tenho muita coisa sobre Portinari, não parei por aqui, voltarei com mais textos sobre esse grande artista que, sem dúvida é o mais clicado nesse blog. Apenas divido as postagens, mas deixo sempre os links que se interligam. Em breve postarei mais. Aguarde.
      Obrigada por sua presença, volte sempre!

      Abraço enorme, também! rsr.

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  14. Anônimo15:06

    é muito legal... e ele é muito lindo o candido...pinta bem...pensa bem ...e eu gosto dele

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  15. Wellington03:39

    Adorei seu trabalho. Sou fã de Portinari. Adoro seus quadros e painéis. você não fica para trás, tem belíssimas obras... Parabens²

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  16. Anônimo10:49

    maravilhosas obras sem palavras....

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  17. Peço aos caros anônimos que deixem seus nomes! Escolham a janela NOME/URL. Basta o nome.

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    1. altus nada ver mais legal

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  18. Anônimo00:47

    Vc saberia me informar em que ano foi feita sua última exposição?

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    1. Caro anônimo, a última exposição foi realizada na Galeria Bonino, Rio de Janeiro, em agosto de 1960.
      Não esqueça de se identificar quando entrar nos comentários do blog.

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