12 de outubro de 2011

ARTE GÓTICA / pintura séc XIII ao XV

Maestà / Simone Martini

- Tais Luso de Carvalho
A era do Gótico abre um novo capítulo na história da arte, uma época que marca o início da pintura secular e a transição da Idade Média para o Renascimento. Os artistas góticos procuravam suas inspirações no presente em que viviam, alcançando desta forma um novo realismo, alegre e colorido.

Os detalhes, coloridos e luminosos aliados à uma técnica perfeita tornaram-se características típicas da época e do novo estilo, espalhando-se por toda a Europa, atingindo seu ponto alto com os afrescos e os painéis de Giotto, de Duccio, dos irmãos Lorezetti, de Simone Martini e Fra Angélico, em Florença e Siena.

Marcaram muito os vitrais, na França e os retábulos de Jan Van Eyck e Rogier van der Weyden nos Países Baixos; também as iluminuras, executadas pelos irmãos Limburg e outros miniaturistas, enquanto os painéis em estilo suave eram produzidos pelos alemães e nos trabalhos de Stefan Lochner.

O Gótico, inicialmente, era um termo depreciativo. Só muito mais tarde apareceu como definição de uma época. Foi um termo criado pelos teóricos italianos do séc XV para algo que devia ser destruído.

O Gótico permaneceu, por mais tempo, em muitas zonas diferentes da Europa, durou mais tempo que o estilo Românico que o antecedeu, e consideravelmente mais que o Barroco que lhe seguiu.

Giotto é um dos maiores representantes do estilo gótico. Sua principal característica é a aproximação dos santos com a do ser humano. Assim, a pintura de Giotto dá uma humanização do mundo até a chegada do Renascimento. Suas maiores obras são os Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis na (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os Pastores.

A pintura gótica tem as mesmas características da pintura bizantina e românica e é, na sua maior parte, substituída pelo vitral, maravilhosa criação do espírito medieval. A arte gótica é também chamada de Arte das Catedrais ou arte das Ogivas. Surge no final do século XII, na França. É Uma fusão de elementos clássicos, bizantinos e bárbaros.

O que distingue a pintura Gótica é a predominância do traço, ondulante ou interrompido, mas também o ornamento ligado ao plano. Podemos ver nas dobras dos trajes das pinturas e esculturas da França de 1300, como também os cabelos ondulados e os braços dobrados vistos nas figuras de perfil. As túnicas são mais finas e justas; os penteados e as barbas são caracterizados por regulares caracóis. O rosto, geralmente, é magro e oval.

Na transição da pintura gótica para a pintura renascentista ocorreram acontecimentos de enorme consequência na técnica de pintar: descobriram e aperfeiçoaram a pintura a óleo dissolvidas no óleo de linhaça.

O pintor gótico do norte da Europa era bastante analítico e, pela veemência do sentimento religioso, era muito simbólico e formador de imagens da realidade. Porém estava voltando, gradualmente, à observação da natureza, à representação realista do mundo à base de sensações. Não era mais o místico bizantino ou românico que representava a realidade à base de ideias religiosas carregadas de simbolismo. Era período voltou a transmitir a ilusão de espaço e do volume, aplicando a perspectiva, o claro e o escuro, assim com maior realismo na paisagem e nos movimentos do corpo.

Na última fase da pintura gótica, nos anos de 1400 a 1500, apareceram os pintores pré-renascentistas. Distinguiam-se pela progressiva libertação do convencionalismo bizantino e da minúcia oriunda das miniaturas. Os italianos Giotto e Masaccio antecipam essa libertação.

Ana e Joaquim na Porta Dourada / Giotto

Na Espanha

Beijo de Judas / Giotto
Santos / Fra Angelico

Retrato de uma senhora / Petrus Christus
Madonna ruccelai / Duccio


Fontes:
Gótico / Robert Suckale - Matthias Weniger & Manfred Wundram (ED.)
História da Arte / Kenia Pozanato & Mauriem Gauer

10 comentários:

  1. Mesmo não sendo eu artista plástica, gosto de História da Arte, aprecio, por achar linda, a Arte Gótica.
    Muito bela, essa sua postagem, Taís.

    Um abraço
    Lúcia

    ResponderExcluir
  2. Tais,
    Interessante mesmo,quando penso em gótico já me vem a imagem de pessoas com roupas pretas. Essas obras são belíssimas, que belo trabalho de pesquisa você fez, excelente. Um abraço e uma ótima semana.

    ResponderExcluir
  3. Ótimo texto Taís,
    esse é um período riquíssimo e que teve nos irmãos Eick o seu apogeu. Aliás Jan e Hubert Van Eick, inventores - desenvolvedores da técnica da pintura a óleo, práticamente esgotaram a pesquisa com os seus magníficos trabalhos. Jóias da arte de todos os tempos!
    Um beijo de todos os seus fãs do atelier

    ResponderExcluir
  4. Belíssimos quadros de um período muito rico nas artes.
    Um beijo.

    ResponderExcluir
  5. My deat friend Tais
    Truly resembles the Byzantine!
    Thanks for the knowledge that gives us the art!!!
    Best regards

    ResponderExcluir
  6. Tais,
    Acho que eu, como a maioria dos que não entendem nada do tema, fui influenciado pela cultura neogótica que se traduz numa versão obscurantista como a cidade de Ghotan City do Batman e nas tribos góticas que existem por aí. Teu texto trouxe luz a mentes obscurecidas como a minha. Abraços, JAIR.

    ResponderExcluir
  7. Toda vez que adentro este santuário fico com a emoção á flor da pele...Hoje ainda mais falando do estilo gótico. Da Pintura á Literatura Segunda Geração Romântica [o mal do século],eles vieram para ficar[os roqueiros],a minha preferida veio algum tempo depois com Augusto dos Anjos,que deixarei aqui em homenagem á esta página fantástica!
    Beijos!
    Izildinha

    Vandalismo
    Meu coração tem catedrais imensas,
    Templos de priscas e longínquas datas,
    Onde um nume de amor, em serenatas,
    Canta a aleluia virginal das crenças.

    Na ogiva fúlgida e nas colunatas
    Vertem lustrais irradiações intensas
    Cintilações de lâmpadas suspensas
    E as ametistas e os florões e as pratas.

    Como os velhos Templários medievais
    Entrei um dia nessas catedrais
    E nesses templos claros e risonhos ...

    E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
    No desespero dos iconoclastas
    Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

    Augusto dos Anjos
    (1884-1914)
    23 de outubro de 2011 13:57

    ResponderExcluir
  8. Obras brilhantes, iluminadas e ricas em detalhes de cores e traços.
    Sempre adorável, Taís!!!
    Grande abraço

    ResponderExcluir
  9. Foi um período muito rico e a sua pesquisa está maravilhosa, Taís!
    Beijos meus!

    ResponderExcluir
  10. Olá! Adorei seu blog, muito criativo! Também tenho um blog e gostaria que vc desse uma olhada. O endereço é: http://www.criticaretro.blogspot.com/ Passe por lá! Lê ^_^

    ResponderExcluir

MUITO OBRIGADA PELO SEU COMENTÁRIO - VOLTE SEMPRE.