6 de junho de 2013

GUSTAV KLIMT E SUAS OBRAS

O Retrato de Adele Bloch-Bauer

                  - Tais Luso de Carvalho


          O RETRATO DE  ADELE BLOCH-BAUER

A obra de Gustav Klimt, O Retrato de Adele Bloch-Bauer, é um dos quadros mais famosos de Klimt.  

- Primeiro porque Adele era esposa de um rico industrial – Ferdinand Bloch-Bauer, que comprou sete obras de Klimt, e ao servir de modelo para esse retrato, feito pelo pintor austríaco em 1907, teria tido um caso com ele –  suspeita de Maria Altmann (sobrinha de Adele) que conviveu com o pintor e a tia. O pintor era conhecido pelo seu envolvimento com suas modelos.

- Segundo porque, para voltar às mãos da família Bloch-Bauer, novamente, a tela esteve no centro de uma disputa judicial que se prolongou pelas cortes austríacas e americana.

As cinco obras que pertenciam à família Bloch-Bauer, entre elas O Retrato de Adele, haviam sido tomadas pelos nazistas – quando eles invadiram a Áustria – e faziam, desde então, parte da Galeria Belvedere, em Viena.

Desde 1945, quando foi revelado o testamento de Ferdinand, sua sobrinha Maria Altmann, legítima herdeira dos cinco quadros – visto que ele não tinha filhos reconhecidos – começou a brigar para reaver as obras. Em 2006 ela conquistou judicialmente esse direito.

No mesmo ano, Maria vendeu por US$135 milhões que, na época foi a soma mais alta já paga para uma obra de arte. O comprador da polêmica obra foi o rico empresário Ronald Lauder, que a acrescentou ao acervo de seu museu Nova-Iorquino, o New Galerie, e disse na época: 'Esse quadro é a nossa Mona Lisa'.

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Filho de um ourives, Klimt nasceu em Viena, a 14 de julho de 1862. Na mesma Viena da virada do século, em que Sigmund Freud sondava a mente humana, Klimt se insinuava com igual profundidade no íntimo da agonizante sociedade vitoriana. 

Suas telas exibiam a dimensão crepuscular do desencanto, da frustração e do espanto da existência humana.

Entrou na Escola de Artes e Ofícios de Viena em 1876. Em 1883 deixou-a para abrir com seu irmão Ernst e Franz Matsch um atelier especializado em painéis decorativos, chamava-se ‘A Cooperativa dos Artistas’, e ornamentaram vários museus, salões e teatros, entre eles o Teatro Imperial de Viena. Pintou as escadarias do Museu histórico de Viena, usando elementos estilísticos de afrescos egípcios ou mosaicos bizantinos.

Mas a referência do grupo ainda era a arte renascentista, influenciada pelo naturalismo do século 19.
Com a morte do irmão, em 1892, o atelier de Klimt foi desmontado, e o artista, então com 30 anos, tenta o caminho convencional: prepara retratos, decora casas particulares e ingressa na Sociedade dos Artistas Vienenses.

Em 1900, no Palácio da Secessão, Klimt expõe o primeiro dos três painéis, decepcionando as autoridades, que dispensam o acabamento dos murais previstos para a universidade. Certamente, o aspecto maneirista do Art Nouveau não era bem aceito; estavam habituados, ainda, com o realismo. Porém os mesmos trabalhos mostrados em Paris valeram-lhe medalha de honra, reconhecimento da intelectualidade francesa a Klimt que começa a ganhar fama mundial.

Os elementos geométricos se incorporam à pintura de Klimt, que, gradativamente abandona a busca de uma ilusão de tridimensionalidade da tela, para resolvê-la em duas dimensões, com supressão das sombras, preceito seguido mais tarde por Matisse e outros.

A fase dourada atinge seu ápice nos painéis e retratos em que Klimt, ao modo antigo, empregava pedaços de ouro folhado ou papel cintilante. Nesse período (1920) enquanto muitos artistas começavam a colagem de elementos, como pedaços de jornais e rótulos de garrafas - que ressaltavam simplicidade -, os dourados de Klimt acentuavam nobreza.

É na primeira década do século 20 que Klimt realiza a parte mais importante de sua obra, ou seja, o Friso de Beethoven.

Os problemas do tempo, como a morte e a vida; a luz e as trevas; a harmonia e o caos persistem na filosofia do artista. No entanto, ao contrário do que fizera nos painéis para a universidade, ele já procura disfarçar os elementos negativos na execução das obras como em As três Idades da Vida, Holofernes e outras, procurando exaltar a vida.

A obra de Gustav Klimt representa o calor do fim do século. Nela a figura humana é transformada num ornamento assimétrico, interligado com elementos decorativos, concebidos para ambientes ao qual estavam destinados.

Após, surge um Klimt com suas mulheres fatais; mostra-se um sensível intérprete da feminilidade. 
Na obra O Beijo, o enlace do casal se confunde: num simbolismo ornamental, o xadrez frio e retangular ressalta os valores racionais do homem, enquanto os cálices das flores redondas aludem à emotividade feminina, que está ajoelhada enquanto é beijada. 

Na obra Judith o dourado de Klimt realça a superfície e atenua a relação figura-mundo. O corpo contrasta com a sensualidade de um roto fotográfico.

Na obra Floresta, as árvores não brotam da terra, pendem do ar; o chão do bosque lembra um tapete.

Ao falecer em 1918, Klimt já havia colocado Viena numa posição de destaque dentro da arte européia. Se o lembrarmos como um contemporâneo de Munch e de Kandinsky, não é como inovador que ele impressiona: pode-se dizer que ele foi um revolucionário conservador.

O Beijo
Emilie Floge                                    Judith


Veja  o vídeo - beleza!!