3 de agosto de 2009

GUSTAV KLIMT



Vendido por US$135 milhões

Filho de um ourives, Klimt nasceu em Viena, a 14 de julho de 1862. Na mesma Viena da virada do século, em que Sigmund Freud sondava a mente humana, Klimt se insinuava com igual profundidade no íntimo da agonizante sociedade vitoriana.


Suas telas exibiam a dimensão crepuscular do desencanto, da frustração e do espanto da existência humana.
Entrou na ‘Escola de Artes e Ofícios de Viena’ em 1876. Em 1883 deixou-a para abrir com seu irmão Ernst e Franz Matsch um atelier especializado em painéis decorativos, chamava-se ‘A Cooperativa dos Artistas’, e ornamentaram vários museus, salões e teatros, entre eles o Teatro Imperial de Viena. Pintou as escadarias do Museu histórico de Viena, usando elementos estilísticos de afrescos egípcios ou mosaicos bizantinos. 


Mas a referência do grupo ainda era a arte renascentista, influenciada pelo naturalismo do século 19.
Com a morte do irmão, em 1892, o atelier de Klimt foi desmontado, e o artista, então com 30 anos, tenta o caminho convencional: prepara retratos, decora casas particulares e ingressa na Sociedade dos Artistas Vienenses.


Em 1900, no Palácio da Secessão, Klimt expõe o primeiro dos três painéis, decepcionando as autoridades, que dispensam o acabamento dos murais previstos para a universidade. Certamente, o aspecto maneirista do Art Nouveau não era bem aceito; estavam habituados, ainda, com o realismo. Porém os mesmos trabalhos mostrados em Paris valeram-lhe medalha de honra, reconhecimento da intelectualidade francesa a Klimt que começa a ganhar fama mundial.


Os elementos geométricos se incorporam à pintura de Klimt, que, gradativamente abandona a busca de uma ilusão de tridimensionalidade da tela, para resolvê-la em duas dimensões, com supressão das sombras, preceito seguido mais tarde por Matisse e outros.


A ‘fase dourada’ atinge seu ápice nos painéis e retratos em que Klimt, ao modo antigo, empregava pedaços de ouro folhado ou papel cintilante. Nesse período (1920) enquanto muitos artistas começavam a colagem de elementos, como pedaços de jornais e rótulos de garrafas - que ressaltavam simplicidade -, os dourados de Klimt acentuavam nobreza.


É na primeira década do século 20 que Klimt realiza a parte mais importante de sua obra, ou seja, o ‘Friso de Beethoven’.


Os problemas do tempo, como a morte e a vida; a luz e as trevas; a harmonia e o caos persistem na filosofia do artista. No entanto, ao contrário do que fizera nos painéis para a universidade, ele já procura disfarçar os elementos negativos na execução das obras como em ‘As três Idades da Vida’, ‘Holofernes’ e outras, procurando exaltar a vida.


A obra de Gustav Klimt representa o calor do fim do século. Nela a figura humana é transformada num ornamento assimétrico, interligado com elementos decorativos, concebidos para ambientes ao qual estavam destinados.

Após, surge um Klimt com suas ‘mulheres fatais’; mostra-se um sensível intérprete da feminilidade.
Na obra ‘O Beijo’, o enlace do casal se confunde: num simbolismo ornamental, o xadrez frio e retangular ressalta os valores racionais do homem, enquanto os cálices das flores redondas aludem à emotividade feminina, que está ajoelhada enquanto é beijada.


Na obra ‘Judite’ o dourado de Klimt realça a superfície e atenua a relação figura-mundo. O corpo contrasta com a sensualidade de um roto fotográfico.


Na obra Floresta, as árvores não brotam da terra, pendem do ar; o chão do bosque lembra um tapete.
Ao falecer em 1918, vitimado por um ataque apoplético, Klimt já havia colocado Viena numa posição de destaque dentro da arte européia. Se o lembrarmos como um contemporâneo de Munch e de Kandinsky, não é como inovador que ele impressiona: pode-se dizer que ele foi um revolucionário conservador.


O ‘Retrato de Adele Bloch-Bauer/1907 (acima) foi vendido por US$135 milhões, uma das pinturas mais caras do mundo.






13 comentários:

Thereza Pires disse...

Taís
Klimt é a minha grande admiração,pela vida e pela obra. Em ótima hora ele veio abrilhantar o teu já tão iluminado blog.
Lindo post,moça!
Beijos,
Thereza Pires

Daniel Savio disse...

Andou bem motivada...

Mas as obras não bonitas, pois parecem que forma feitas copiando a realidade mas vendo o que há de especial nesta própria realidade captura...

Acho que me empolguei...

Hua, kkk, ha, ha, brincadeira com um fundo de verdade.

Fique com Deus, menina Tais.
Um abraço.

Nydia Bonetti disse...

Sempre bom ver e ler sobre Klimt. E esta frase do Juarez Machado, que achado, Taís! Bjs.

tertulías disse...

Taís querida, agora "pasme". A última casa onde Klimt viveu, seu último Studio é há cinquenta metros da minha casa, nas Feldmuehlgasse... Juro!!!!!!!!!!!!

Tais Luso de Carvalho disse...

Tertúlia...
Você mora a 50 metros da última casa dele, e eu procurando foto do atelier!
E não achei.

Obrigada, amigo.
tais

Noemia Travassos disse...

Olá Taís,

Como sempre um artigo muito interessante sobre um artista que se demarcou pela diferença.
Ao seu trabalho não foi certamente indiferente o facto de o pai ser um artífice do ouro e de ter crescido nesse meio.
Numa tela podia engrandecer o conceito, executar muitas peças de ouro e ainda abrilhanta-las com a pintura.
É sempre muito interessante, desvendar o processo criativo de um artista e do seu Eu interior.

Obg. por o partilhar connosco!

Tais Luso de Carvalho disse...

Oi, Noemia, exatamente: o pai teve grande influência justamente por ser ourives. O processo criativo, com ouro, enriquece qualquer trabalho, impossível ficar vulgar.

Um grande beijo, teus comentários são sempre bem-vindos, como todos os demais.
Tais luso

rouxinol de Bernardim disse...

Boa opção1

Gostei de contemplar esta obra-prima que não conhecia, reconheço-o humildemente...

Rosana Lira disse...

Ótimo texto! Falar de arte com esse teor de seriedade e veracidade não é pra qualquer um! Parabéns per fazê-lo tão bem!

Abraços e boa semana!

antonior disse...

Olá Tais,

Este espaço é um manancial de informação sobre arte seleccionada.
A qualidade da selecção e o rigor informativo são méritos indiscutíveis.

Um abraço

Tétis disse...

Olá Taís

Como sempre um excelente texto com muita informação e ilustrado com belos trabalhos de Klimt.

Admiro e gosto bastante das suas telas, talvez por ser "diferente"... Sobretudo as cores que emprega, fascinam-me.

Desta vez temos também no nosso Farol um artista plástico. Convido-a a conhecê-o.

Beijos amigos

PATRICKÍSSIMO disse...

O Sr. Klimt é mais um artista para compor a comissão de frente dos grandes mestres da pintura mundial.

Ah, esse pessoal que faz arte por aí!!!!

Estive por aqui.

Jac. disse...

E foi nessa Viena de Freud e tantos
artistas, que viveu também uma mulher
que foi a grande dama das artes e
conviveu com músicos, pintores
e poetas da época. Alma Mahler, a
amiga devotada de Gustav Klimt.

Delícia seu blog!!!