29 de julho de 2010

GUSTAVE COURBET



Jean Désiré Gustave Courbet nasceu no ano de 1819 / Ornans, França. Nasceu de uma família de fazendeiros, perto da fronteira com a Suíça. No início sua família lhe deu apoio financeiro.

Sua obra, o ‘Enterro em Ornans’ leva seu afastamento, definitivo, do romantismo, do qual foi participante em sua juventude. Esta obra foi exibida no Salão de 1850 e foi considerada como um marco inaugural do realismo nas artes plásticas, mostrando um evento do cotidiano; levou um funeral para a tela de uma forma objetiva.

O realismo teve muitas adesões de críticos e pensadores, como o escritor Champfleury e o poeta Charles Baudelaire. Este grupo de realistas encontravam-se para beber, defender o realismo na pintura, apoiar o socialismo na política e criticar os românticos e monarquistas, até altas horas da madrugada.

Courbet, estudou, a princípio, em Besançon, só se mudando para Paris em 1839. Mas de origem rural, lutava para não voltar à terra. Rejeitou a pintura acadêmica da École des Beaux-Arts de Paris, preferindo sua independência, assistindo aulas fora do academismo.

Aprendeu muito pelas imitações de pintores naturalistas do séc XVII, como Caravaggio e Velázques. Suas primeiras pinturas são auto-retratos, ainda na tradição romântica.

Não levou muito para retratar com maestria a realidade do cotidiano. Esta sua postura atrapalhou um pouco sua valorização no mundo das artes, ainda cativada pela arte idealizada embora sua obra ‘O homem desesperado’ / 1843, tenha sido bem aceita no Salão de Paris, quando tinha 25 anos.

Suas grandes telas, que expôs no Salão de 1850 são o Enterro em Ornans, Os Camponeses em Flagey e Os Quebradores de Pedras. Neste período firmou-se na escola realista.

A cena do funeral causou grande impacto pela crueza e feiúra deliberadas, mas também elogiada pelo seu grande naturalismo.

Courbet tinha uma personalidade nada convencional e a expressou com grande força em 1855, quando insatisfeito pelo espaço que lhe fora concedido na Exposição Universal de Paris. Organizou, então, sua exposição num pavilhão que a denominou de Lê Réalisme, onde expôs sua obra mais famosa ‘O Estúdio do Pintor’, tela com 6 metros de largura, sintetizando 7 anos de sua vida artística. Muitas de suas obras tinham uma mensagem política velada, atacando Napoleão III. Mas após 1855 sua obra tornou-se menos doutrinária; com cores menos sombrias, temas mais atraentes e suaves, como florestas, paisagens retratos, paisagens marítimas e nus sensuais e graciosos.

Após a deposição de Napoleão III, Courbet tomou parte na Comuna Republicana de Paris, em 1871, sendo nomeado diretor da comissão de artes. Com a queda da Comuna foi preso por ter participado da destruição da Coluna Vendôme. Fugiu para a Suíça, em 1873, por não ter condições de pagar a multa. Lá permaneceu nos últimos quatro anos de sua vida, pintando paisagens e retratos.

Quando foi requisitado para pintar o interior de uma igreja, pediram-lhe que incluísse anjos na obra solicitada, mas retrucou: ‘ Anjos? Nunca vi anjos, me mostrem um que pintarei’.
Terminou seus dias na miséria, em 1877, numa velha estalagem que comprara em La Tour-de-Peilz, na Suíça.

The wave - 1870
Retrato de Charles Baudelaire - 1849

Atelier do artista