6 de abril de 2010

PAUL GAUGUIN


Para a boa compreensão da pintura de Gauguin - nascido em 1848 / Paris -, é preciso que se conheça um pouco de sua vida, por sinal, muito conturbada. Era um parisiense de ascendência materna peruana. Viveu sua infância em Lima com sua mãe, pois seu pai morreu devido a complicações de saúde na viagem para o Peru. Aos 17 anos esteve 2 vezes no Brasil como marinheiro.

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Em 1871 empregou-se na Casa de Câmbio Bertin, em Paris. Tinha ao lado, um colega de trabalho que gostava imensamente de pintar nas horas vagas, mas amador. Gauguin foi contaminado pela arte do amigo; começou não só a pintar, mas a freqüentar os meios artísticos, vindo a receber influência dos impressionistas.

Passou a participar de exposições coletivas, com pequenas obras. Casou-se e teve 5 filhos com uma moça dinamarquesa. Encontrava-se muito bem financeiramente, ganhando uma pequena fortuna especulando na Bolsa de Paris. Havia se tornado um típico representante da pequena burguesia parisiense, chefe de família exemplar, vivendo na abastança.

Em 1883, aos 35 anos e já muito bem de vida, ao chegar em casa disse à sua esposa: ‘larguei o emprego, agora vamos viver de pintura!’

Passava o dia envolvido com suas pinturas e com outros artistas. O dinheiro da família foi minguando. Tiveram de vender talheres, louças e moveis. Gauguin não vendia um quadro. Chegou o momento que teve de optar em morar, ele, sua mulher e os 5 filhos na casa dos sogros, em Copenhague. Separou-se da mulher e dos filhos e foi para a Bretanha.

Seguiram-se anos de completa penúria, Gauguin tinha como trabalho ‘pregar cartazes’.
Resolveu ir para o interior, Arle, onde seu sustento seria mais fácil. Morou algum tempo com Van Gogh que, em um de seus acessos quase o matou.


Seguiu, então, para a ilha de Taiti, onde permaneceu de 1891 a 1893, pintando e escrevendo seu livro autobiográfico, Noa-Noa. Volta à Paris, mas gastou o que recebera de herança de um tio. Fez uma exposição com seus quadros taitianos o qual conseguiu apurar algum dinheiro. Conseguiu, assim, voltar definitivamente à ilha de Taiti onde falece em 1903.

Gauguin possuía idéias originais e usava apenas 3 cores básicas: amarelo, azul e vermelho. Possuía uma mistura de primarismo instintivo com um intelectualismo requintado. Praticava uma nova pintura que se intitulava sintetismo; uma pintura que se inspirava nas formas largas e amplas dos egípcios, na arte japonesa e na rusticidade das camponesas da Bretanha e da natureza. Não mais respeita a dimensão tripla. Flores e curvas passam a adquirir um sentido simbólico, misterioso e que sugerem idéias e emoções.
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Em Taiti, adquire doenças tropicais. Em 1901 tenta o suicídio. Alguém lhe conseguiu um emprego colonial, porém foi tarde demais. Foi vencido pela miséria e pela doença. Quase louco, não usava mais telas: pintava as paredes de seu miserável rancho.

Os Cavaleiros da Praia foi seu último trabalho. Morre em 1903.

21 comentários:

iracema forte caingang disse...

Oi querida!linda postagem obrigada, aprendi muito, maravilha.
BEIJÃO

Por toda minha Vida disse...

Boa Tarde, tais.

Adorei, aprendi, recordei, nem se tem o que falar.

Beijo.

Renata

Graça Pereira disse...

É curioso como os GRANDES em qualquer arte, morrem na miséria, permaturamente, loucos, tentando suicídios... Ao acabar de ler este belissimo apontamento sobre Gauguin me interrogo: porquê? Será que a arte exige muito deles colocando-os num patamar da vida muito acima do comum mortal? Tormar-se-ão narcisistas? Não sei! O que eu sei é que eles "se libertaram da lei da morte" no dizer do nosso Camões.
Beijo
Graça

Blog de Ana Marly Jacobino disse...

Caríssima: Na literatura como nas artes os grandes mestres, além de receber a incompreensão, sofrem de splen e de tantas outras doenças que afetam a saudé psiquica e física. Abraços Poéticos Piracicabanos de Ana Marly de OLiveira Jacobino

CESAR CRUZ disse...

Sensacional, Tais! Obrigado por esta aula.

Em tempo: há um artista que me encanta pelo estilo único, inconfundível, esplêndido, não sei se você já escreveu sobre ele: Maurits Cornelis Escher, conhecido como Escher.

Quem sabe vc manda uma dele dia desses?

bjs
Cesar

Méon, disse...

Gauguin é um hino!
Obrigado pela sua visita guiada.

Nesta hora negra para o Brasil, deixo aqui o meu abraço solidário!

Pimentinha Brasileira disse...

Uau!!!
Este blog é pura cultura!
Conheça o meu: é pura bronca!
Abraços!

Malu disse...

Ao ler tua postagem, passo pelos mesmos pensamentos e interrogações da Gracita.

Todos os grandes artistas, sejam eles músicos, escritores, pintores... tomam pela vida caminhos conturbados e cheios de desventuras. Talvez seja este o MISTÉRIO de suas grandes obras... de suas CRIAÇÕES.

Beijinhos, Taís

Jorge Sader Filho disse...

Gostei! Do blog e da Tais.
Gaugin é um mestre da cor, vivia à procura de locais bem iluminados para píntar. Amigo de Van Gogh muitos anos, saiu pelo mundo, enquanto Vincent procurou Anvers.
Temperamentos de gênios...

Beijos
Jorge

Sonia Gluten Free disse...

Me cauuro GAUGIN !
Disculpa por no falare portugues !
Beijinhos
Sonia

wallper.lima disse...

A coisa mais difícil na vida é tomar decisões, e Paul Gauguin tomou a sua, só que tdo deu errado...pintor espetacular, que pintava com poucas cores. Pois realmente não precisamos de mto quando descobrimos o segredo das combinações...conhecer as cores num simples olhar.
Quando optou deixar seu emprego, para viver de pintura, "talvez" tenha sido seu grande e único erro, pois viver de ARTE - é quase impossível, pq o artista precisa mais do que ninguém de apoio financeiro, para poder se dedicar de corpo e alma a sua arte, pois só assim ela nasce, e se transforma, e belas descobertas são feitas.
No caso dele, a pior doença foi aquela que abate a "alma", onde se machuca, se deteriora, se multila, por não ser compreendido pelos outros, pois um artista tem pensamentos próprios, diferentes, e mtas vezes não consegue passar de forma clara, tdo que traz em si.
Sei que Gauguin e Van Gogh foram mto amigos, e talvez por sofrerem do mesmo "mal", se olhavam e se viam como num espelho.
Adorei a postagem, mto bem escrita.
Bjocas.
Waleria Lima.

Andradarte disse...

Quem vier com calma,tem muito
a aprender.Não sou 'expret'...
Beijo

Ivana Marisa Altafin disse...

Olá Taís,
Que história triste, quanta beleza nas suas obras!!! Mas, hoje é o Dia Mundial do Beijo, um beijão!

André Lopes Nunes disse...

Uma vida complicada, mas com certeza, repleta de insiração. Ótimo post, como sempre!
Um abraço!

Rodrigues Bomfim disse...

Olá Taís!
Agradeço sua visita e comentário no blog..Volte mais vezes,ok?
Sobre Gauguin: não sou fã dele e tbm acho que ele era um sujeito irresponsável, não batia bem da idéia.. logo abandonar mulher e 5 filhos pra viver de pintura, qndo se sabe que ele tinha uma boa situação financeira, realmente só pensava nele próprio!

Bjs e boa semana

Flavio Ferrari disse...

Não sabia que Gauguin e Van Gogh haviam morado juntos por um período.
Isso pode explicar a semelhança entre algumas de suas obras ... (para um leigo como eu, claro)

Fernando Campanella disse...

Boa noite, Taís. Estive a ler a biografia e algumas característica sobre a pintura de Gauguin. Que coisa, hein, como a genialidade vem com sofrimento, como a arte 'subjuga' a mente, Gauguin deve ter sofrido muito e teve o trabalho reconhecido apenas depois do falecimento. Ah, eu me sinto um pouco assim, meio 'tomado', em relação à fotografia, é algo que não consigo explicar. Criação é algo muito sério, uma necessidade imperativa, hiperativa, sine qua non, um mistério, enfim, que nos impulsiona a buscar e revelar o oculto aos olhos do dia-a-dia.
Teu blog é muito bonito, parabéns.
Grande abraço.

cristinasiqueira disse...

Oi Taís,

Brindada pela excelencia e generosidade de seu trabalho só tenho que lhe agradecer.

Beijos,

Cris

Retomei as postagens:
www.olivrosagradodasacerdotisa.blogspot.com
www.cristinasiqueira.blogspot.com

Léo Metallica disse...

Viveu com a loucura de Van Gogh, logo ficou louco também. rsrs...

Agora sério. Eu não gosto do uso que ele faz das cores. Tenho certeza que muitos apreciam tal primarísmo. É certo que na época esse tipo de arte estava em alta.

São quadros retratando cotidianos e estagnações paisagísticas. Uma arte para a arte.

Direto do Rio.
Beijos.

Alan Silva disse...

Simplesmente magnífico o seu Taís.

Beijos

Daniel Savio disse...

Mas mesmo assim tem um quantidade de detalhes bons...

Fique com Deus, menina Tais Luso.
Um abraço.