4 de fevereiro de 2015

O QUE É ARTE PARA VOCÊ?



- Tais Luso de Carvalho

Quando me deparo com uma obra de arte, vejo seu lado estético, sua linguagem e a mensagem  que está inserida nessa obra. Vejo suas cores e seus traços. Vejo a sensibilidade do artista.

Admiro obras que retratam a nossa história, o nosso cotidiano, as injustiças sociais, a brutalidade e a miséria. Cumprem, aí, a sua mais nobre missão: a de retratar os fatos, de protestar e de clamar por mudanças. De alertar a sociedade. 


Através da arte o artista manifesta, e muitas vezes inconscientemente,  emoções que o atormentam, e que  não deixam de ter seu lado belo. 

Também vejo a Arte que alegra o espírito e prima  pela beleza: são as paisagens, cenas de bar, marinhas, festas, flores, retratos, cenas familiares, e o fantástico movimento Surrealismo - sonhos que brotam do inconsciente. Ou outras imagens que levam paz, como a arte Sacra, por exemplo. Obras que dizem algo, que retratam  uma história pra contar entre belas e coloridas nuances. Isso é arte.


Através da arte a humanidade  relatou sua história. Desde tempos remotos, o homem deixou suas pinturas  nas cavernas, importantes para o estudo da nossa espécie.


Gostar de uma obra é algo pessoal, depende da sensibilidade de cada um.  Alguém pode não gostar  do Barroco, Romantismo, Cubismo, Realismo, Impressionismo, Surrealismo, Pop Arte... Mas penso sempre em arte quando ela é pura e verdadeira. Há muito tempo que se pensa no artista quando ele é  dotado de técnica,  de espírito crítico, de criatividade.

Mas o triste  é o que vi  em algumas exposições ou  em Bienais:

 Uma porção de tijolos empilhados: é arte.
 Tocos de madeira cercados de arame farpado: é arte.
 Uma montanha de pneus acompanhados de uma placa qualquer: é arte.
 Paralelepípedos colocados em sequência, é arte.
 Uma porção de palitos de fósforos colados numa placa, é arte.
 Violência gratuita, com o sofrimento de animais  em exposição,  tenho de achar  o quê?

Será que tenho de achar tudo isso magnífico e inovador? Aplaudir o sofrimento em nome da arte? Então fica  difícil de entender e de captar certas  mensagens. Fica difícil rotular isso de arte ( para mim ).

Leio e vejo arte em vários museus, galerias, residências, oficinas e igrejas. Vejo obras dos grandes mestres, de todas as épocas, de todos os movimentos  e depois dou de cara com algumas coisas inéditas e que minha sensibilidade tem de se amoldar rapidamente. Impossível.

Não tem como eu achar que uma tripa de ferro velho é um avião, e que as asas ficam para minha imaginação. Ninguém pode ter essa imaginação, mesmo porque teria de imaginar primeiro  que a tripa seria o avião - o que já seria meio complicado.

A proposta para que o observador solte sua imaginação, deve, ao menos, partir de um princípio: dar um indício para poder se chegar a algum ponto. E a liberdade, de gostar ou não da obra, é um direito indiscutível de quem a vê.

Arte, para mim, é quando ela tem a capacidade de  emocionar ou  quando dá prazer em olhar e descobrir detalhes, técnica e transmitir alguma  mensagem dentro de uma lógica. Enfim, ver uma obra inteligente. E quem quer interagir precisa ser um pouco mais claro. É a lógica que se espera.  Essa comunicação  existe desde a antiguidade, existe na pintura clássica, moderna, contemporânea, enfim. Em todas os períodos. Em todos os movimentos.

É meio confuso que alguém escreva para si; ou em alguém que faça uma obra para ficar escondida num sótão. Tanto escrever como trabalhar uma obra de arte, é estar à busca de uma linguagem para comunicação.

A arte tem de ser uma manifestação democrática. Mas não é por ser democrática que pode exceder limites. E cabe aos que a veem, compartilhar ou não; gostar ou não. Podemos  expressar - sem medo - nosso gosto, como fazemos  na  literatura, na música, em filmes, em  teatro e tantas outras manifestações.  Por que é aceitável não gostar de uma obra literária, de Jazz, de música Clássica... e o mesmo não se dá com a Arte em si? Por que o 'não gostar' de uma obra de Arte ou de um Movimento torna-se quase uma agressão e gera discussões intermináveis? 

Há algo de errado.  Há uma paixão acima da razão. Aí, fica difícil se não pudermos ser sinceros conosco e com os outros, se estivermos dominados pelo medo de manifestar nosso gosto. 











Leia  'aqui' um texto interessante sobre  arte - de Affonso Romano de Sant'Anna.