27 de dezembro de 2011

ARTE CONCEITUAL

Merda d'artista / 1961 - Piero Manzoni 
( leia abaixo a história das Latinhas...)

 
- Tais Luso de Carvalho


Arte Conceitual surgiu na década de 1960, como um desafio às classificações impostas à arte por museus e galerias. As galerias afirmavam categoricamente ao público: 
Isso é arte
Já a arte Conceitual buscava questionar a própria natureza da arte perguntando: 
O que é arte?

O primeiro a empregar a expressão arte-conceito foi o escritor e músico Henry Flynt em 1961 em meio às atividades associadas ao grupo Fluxus, de Nova Iorque, querendo dizer com isso que a arte conceitual é um tipo de arte que o material é a linguagem.

Os artistas conceituais tinham como meta popularizar a arte; fazer com que ela servisse como veículo de comunicação. A arte conceitual foi importante para debates e abriu caminhos para outros tipos de artes, como para as instalações e arte performática. 

Na  década de 60 e 70, o nome conceitual foi empregado para designar uma multiplicidade de atividades com base na linguagem, na fotografia e processos nos quais se equivaliam num embate que se efetuava entre a arte minimalista e várias práticas antiformais, num crescente radicalismo cultural e político.

Portanto a ideia e o conceito da obra era mais importante que o produto acabado. Do que a estética. Essa noção remonta a Duchamp, mas só se estabeleceu no mundo artístico a partir de 1960, quando se tornou um fenômeno internacional de grande importância. Duchamp marcou sua posição com um suporte para garrafas, uma pá de neve e um urinol, embora tenha usado esta linguagem como uma crítica à arte. Em suas obras, trocadilhos e brincadeiras estes artistas levantaram sérias questões sobre as fronteiras da arte.

Muitas iniciativas surgiam diretamente das formas de uma arte conceitual politizada, embora os envolvidos se vissem, depois do rompimento com o exercício da arte enquanto tal, totalmente desvinculados dessa esfera, em nome de um envolvimento mais prático com as mais amplas instâncias sociais.

A característica comum de toda a obra chamada e vista como conceitual não é ver o objeto, sua plástica, mas sim seu recado, a discussão de um assunto, a comunicação, passar a ideia, a interação entre o artista e o espectador. Levantar discussões e reflexões.

A obra vem para apresentar no tempo e no espaço, certas situações ou acontecimentos. Comunicação. Os artistas sentiram-se livres da representação pictórica, e declararam o processo mental como obra de arte. Nada era mais importante do que isso.

Logicamente muitos artistas apresentam obras desinteressantes, comuns, triviais do ponto de vista visual: mapas, diagramas, fitas de som e de vídeo, fotografias, textos etc.

Um exemplo conhecido é a obra Uma e Três Cadeiras, de Joseph Kosuth (Museu de Arte Moderna em Nova Iorque / 1965) que combina uma cadeira real, a fotografia da cadeira e uma definição de cadeira  – dada pelo dicionário.

A abordagem de Joseph Kosut fez-se cada vez mais aguçada, forçando o ritmo em uma série de obras que se tornaram ícones da arte conceitual.

O Conceitualismo assumiu uma dupla identidade: uma arte conceitual analítica é rebaixada, como arte feita por homens brancos racionalistas, atolados no próprio modernismo que almejavam criticar. 


História das Latinhas de Manzoni


Como a arte conceitual também era uma arte que tinha por meta reagir à arte como mercadoria, o artista italiano Piero Manzoni produziu, em 1961, 90 latinhas com o rótulo de Merda d'artista. Cada lata, supostamente, continha fezes do artista e valia seu peso em ouro. Como se acreditava que,  abrindo as latas significaria destruir o valor da obra, durante muito tempo não se soube ao certo o que as latinhas continham de fato. Porém, em 2007, depois que algumas latas foram vendidas pelo valor de US$ 80 mil, o colaborador de Manzoni, Agostino Bonalumi afirmou a um jornal italiano que as latas continham gesso!


- Suporte para Garrafas - 
Duchamp foi o precursor da Arte Conceitual


- Joseph Kosuth -   
Uma cadeira real, a fotografia da cadeira e uma definição de cadeira. 


 Sindicatos Unidos contra o Racismo - 
 Gregor cullen e Redback Grafixx / 1985


Daniel Buren / Affichage sauvage - 1968


Mala de couro contendo livro, cartas, cópias fotostáticas, pequenos frascos...
Museu de Arte Moderna de Nova Iorque - 1966


Keith Arnatt / Registro de sua própria condição

Robert Rauschenberg / Factum  II - 1957

Fontes:
Movimentos da Arte Moderna - Paul Wood
Tudo sobre Arte - ed.Sextante
Dicionário Oxford de Arte



14 comentários:

  1. Excelente postagem!
    A fonte é ótima e o resumo disse quase tudo sobre Arte Conceitual.
    Parabéns Taís!
    Eu e Loyde desejamos para você e sua família um grande 2012!
    Beijos do atelier

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  2. Buen Año 2012 !!!!!!!!!!

    “Tú eres lo que es el profundo deseo que te impulsa.
    Tal como es tu deseo es tu voluntad.
    Tal como es tu voluntad son tus actos.
    Tal como son tus actos es tu destino.”

    -Brihadaranyaka Upanishad IV.4.5..

    Siempre podemos escoger entre vivir el mundo cual lo conocemos o cambiarlo en el que deseamos, la decisión al final es de cada uno según decida ejercitar su libre albedrío.
    Que este nuevo año nos brinde paz, amor, salud, armonía, unión, felicidad y prosperidad.

    Para ti y seres queridos un Buen Año 2012!!!!!!.
    .
    Abuela Cyber

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  3. Hola Tais que tengas unas felices fiestas y para el nuevo año que llega se cumplan tus
    deseos, ¡feliz año 2012!.
    Un abrazo.

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  4. Fabulosa postagem, querida Taís! Todas as vezes que a visito, fico mais rica. Arte Conceitual, desconhecia.
    Bem haja pela partilha e uma vénia pelo fabuloso texto histórico.
    FELIZ ANO NOVO e muito obrigada pela amizade e companhia com que me honrou durante o ano que finda. Beijinho amigo e uma flor.

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  5. Ola Tais,
    Como sempre você demonstra um profundo conhecimento sobre as artes plasticas, a escolha deste tema ,Arte Conceitual" e a apresentação de parte das obras deste movimento artisticos são fantasticas!
    Obrigado por compartilhar conosco todo seu talento!
    Aproveito para desejar um ano novo com muita paz e muita harmônia, desejo que todos os seus projetos sejam realizados com muito sucesso, e que a grande luz divina ilumine permanentemente os teus caminhos!
    Um grande abraço
    Paulo

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  6. Querida amiga

    Não existe ano novo
    se não houver sonhos novos.
    Desejo que neste novo ano,
    cada dia de vida da sua história,
    seja vivido de modo calmo e pleno,
    e que possas viver
    o mais intenso caso de amor
    com a sua vida,
    e com os que fazem parte da sua vida.

    Aluísio Cavalcante Jr.

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  7. Feliz Ano Novo 2012!...

    Que este ano novo seja repleto de felicidade, alegria, saúde e muito amor.

    Estes são os votos dos teus amigos

    Argos, Tétis e Poseidón

    Um Farol chamado Amizade

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  8. Adorei minha última aula de 2011. Perfeita!!!
    Feliz 2012, lindona!
    Saúde, paz e muitas alegrias!!!
    Beijocas!

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  9. Querida Tais
    Uma excelente sinopse sobre a arte conceitual da qual conhecia muito pouco. Um começo de ano em grande para quem, como eu , quer saber mais sobre arte!
    Um ano brilhante, com sucesso e muita felicidade.
    Beijo.
    Graça

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  10. My dear friend Tais
    Happy New Year with all the best for you and your family!
    Thank you very much for what I learned today about the art!
    Best regards

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  11. Boa tarde amiga Tais. Aproveitando essa tarde chuvosa aqui em Lages, SC, naveguei para conhecer alguns blogs e acabei encontrando esse teu. Um belo trabalho sem dúvida. Também sou gaúcho, natural de Carazinho, mas atualmente rodo pelo Brasil num motor home. Já estou te seguindo e voltarei sempre que tiver um tempinho. Um grande beijo. Te desejo um excelente final de semana. FIQUE COM DEUS.

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  12. Prezada Tais,
    Segue como Contraponto:
    Texto extraído (em duas partes) de Jardel Dias Cavalcanti, http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1709

    ISSO É ARTE ?????- Parte 1

    "Arte é Arte ou é Merda"
    (Portinari, apud E. Galeano em Espelhos)
    “Pós-tudo, ex-tudo, nada”
    Augusto de Campos (15/09/2005)

    Uma artista inglesa expôs e vendeu a uma galeria, por 350 mil dólares, a cama onde ela passou a noite trepando e onde havia várias camisinhas usadas. Isso é arte?
    O artista belga Win Delvoye enviou para a Bienal de Veneza uma lata contendo seu cocô. A obra foi denominada “Merda do artista”. No ano seguinte, ele industrializou o processo, criando, com um projeto de 200 mil dólares, uma engenhoca que fabrica merda, vendendo cada latinha dessa merda por 1.000 dólares. Em 2002 uma dessas latinhas foi comprada pela Tate Galery por quase um milhão de libras. Isso é cocô, quer dizer, isso é arte?
    Vito Aconti, ex-marido de Marina Abramovic montou numa galeria uma instalação chamada Seedbed, que consistia em que ele ficasse sobre um estrado se masturbando durante oito horas por dia, durante duas semanas, dizendo em voz alta todas as fantasias que os assistentes lhe despertavam. Arte?
    Haggens descobriu um método de plastificar os cadáveres e realizou algumas exposições com esses seres mortos que passaram por esse processo (pós-moderno) de mumificação. Aí havia gente com o ventre aberto, fetos, animais pela metade, enfim, aquilo que se chama de “museu de horrores”.
    Na Feira Internacional de Arte Contemporânea, em Paris, em 1975, a performance de Herman Nitsch, patrocinada pela galeria Rodolf Stadler, consistia numa série de missas negras. Resultado: no dia seguinte ainda havia 2 cm de sangue sobre os 250 metros da galeria.
    Marina Abramovic, em 1972, apresentou a obra Ritmo 0, que consistiu em ficar parada junto a uma mesa sobre a qual havia alguns objetos: uma arma, um machado, mel, tinta, perfume, baton, azeite, etc. Ela ficava ali exposta e à disposição dos expectadores que tinham num cartaz orientação de como atuar naquela obra de arte: “há 72 objetos sobre a mesa que podem ser usados em mim conforme desejado. Eu sou o objeto”. Como noticiou a imprensa, “seis horas depois suas roupas haviam sido rasgadas e a arma tinha sido apontada para sua cabeça”. Assim ela apenas radicalizou outra performance quando, certa feita, passou 12 dias na Sean Kelly Galery totalmente exposta à curiosidade do público enquanto passantes, bêbados, operários curiosos viam todas as suas intimidades.
    Esses são apenas alguns dos exemplos das dezenas de obras de “arte contemporânea” que têm seu estatuto de valor estético questionado por Affonso Romano de Sant'Anna no seu ousado livro Desconstruir Duchamp: arte na hora da revisão (editora Vieira & Lent, 2003). A partir da grande receptividade de um artigo publicado no jornal O Globo, no ano de 2001, denominado “Arte – um equívoco alarmante”, Sant'Anna acabou escrevendo mais 50 artigos. Eles são saborosos de se ler, instigantes na suas argumentações e ousados em suas proposições sobre os rumos da arte atual.
    O livro dá o diagnóstico: a arte meteu-se num grande imbróglio. Os culpados: Duchamp e uma legião de curadores, leiloeiros, marchands e galeristas que decidem o que é arte e o que tem valor enquanto tal. Pouco resta aos críticos, ensaístas e historiadores da arte, condenados ao silêncio e ao temor da contestação à ordem artística vigente.
    E ao artista resta alguma decisão? Quantos artistas não estão traumatizados, paralisados, congelados de medo diante do desejo de pintar figuras, como se os talibãs os fossem pegar em flagrante?, questiona Sant'Anna.

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  13. ISSO É ARTE ?????- Parte 2 (continuação)

    Mas, diz o autor, é preciso começar a contestar os próprios contestadores que, de um momento para outro, se petrificaram, se academizaram, se midiatizaram. Segundo seu diagnóstico, Duchamp deu um xeque-mate na arte há quase 100 anos e, desde então, ela ficou paralisada, prisioneira de sua própria revolução. E é Duchamp, pai da arte conceitual, e seus correligionários, os alvos principais dos ataques de Sant'Anna.
    Afinal, não foi o próprio abusado Duchamp que dizia que seus seguidores haviam se tornaram vítimas de sua própria artimanha? “Joguei o urinol na cara deles como desafio e agora eles o admiram como um objeto de arte por sua beleza estética”.
    “Embora o urinol tivesse desaparecido daquela exposição em Nova York, para onde Duchamp o enviou, ele começou a produzir cópias de seu urinol, a assiná-las para diversos museus para inseri-las no sistema artístico que condenara. Só em 1964 autenticou oito outras peças semelhantes, caindo na repetição que tantas vezes condenou. O anti-artista virou artista, a anti-arte, arte. O feitiço virou contra o feiticeiro. O contestador sucumbiu à cultura do mercado. E, no final da década de 90, a Tate Gallery de Londres comprou uma das cópias por quase um milhão de libras”, diz Sant ´Anna.
    Pensar Duchamp através de suas próprias problematizações é desconstruir o desconstrutor. O livro se encarrega dessa tarefa blasfema com muita propriedade.
    O urinol nos revelou que todos podemos ser artistas, basta termos a atitude de escolher um objeto qualquer e denominá-lo arte. O trabalho braçal teve dessa forma seus dias contados (técnica para quê?). O que interessa é a receita, não o bolo. Interessa o conceito, não o fazer. Dessa forma tudo pode ser arte... se assim o quisermos.
    Se tudo é arte, nada é arte. Se uma gosma espermática ou um bule velho de café podem ser arte, qualquer leigo, sem o mínimo talento para a arte, poderia se perguntar: por que não eu também? Calma lá, tudo bem que democratizamos o “talento”, mas nem todos podem ser chamados de “artista”. Apenas os que o sistema artístico, composto por leiloeiros, curadores, galeristas e divulgadores (não críticos de arte), amparados numa estratégia de marketing que renderá alguns bons dólares, decidir chamar de artista será artista. Estes produzirão o que veremos nas Bienais distribuídas pelo mundo afora.
    Interrogações: quem nunca sentiu uma enorme insatisfação, um tremendo vazio, diante de uma coleção de obras “contemporâneas” expostas nas mais famosas galerias e bienais de arte do mundo? Quem nunca sentiu que ali não havia grande coisa para se apreciar ou que desse o que pensar? Quem é que após estar diante da presença arrebatadora da pintura de um Edward Munch, de um Francis Bacon (participantes anos atrás da Bienal de São Paulo na seção “histórica”), quem é que num momento desse não percorreu a Bienal com tremendo desgosto pelo que era ali exposto como o melhor da criação “contemporânea” (arte é contemporânea? Goya e Rembrandt são apenas o passado, ou o presente e o futuro também?). Não seria, pensamos, uma covardia expor esses gigantes diante das míseras expressões artísticas contemporâneas? Aliás, a curadora da próxima Bienal de São Paulo já se encarregou de desfazer essa humilhação, retirando o “núcleo histórico” da próxima exposição.
    Texto extraído (em duas partes) de Jardel Dias Cavalcanti, http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1709

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  14. Parabéns Tais!
    Aprecio muito seu blog,adoro suas postagens sobre arte.Seu blog também enriquece nossos conhecimentos e críticas sobre o que seja arte.
    Gosto muito de arte,sou professora e artista plástica,não sou
    famosa,mas sou uma artista genuinamete pura que faço minha obra como se fosse um livro para que possa comunicar alguma coisa para o observador.Para mim a arte tem que ter algum sentido onde as pessoas por unanimidade possa ler fazendo suas observações técnicas e
    emocionais.
    A Semana 22 mexeu com Monteiro Lobato quando ele viu as obras de Anita Malfatti,ele estava acostumado aos princípios acadêmicos. Considerou os artismas modernos como loucos que tiveram uma pane no cérebro. Mas Malfatti também era santo de casa, esses não fazem milagres. Lasar Segall não era brasileiro e não foi atacado como a artista Malfatti.´
    Sei que há pessoas que não entendem muito sobre a arte criar uma obra, então, pensa que qualquer coisa que ele viu um artista ele também ele irá ser igual.Na verdade,o artista é desafiador, provocador correndo riscos de aplausos ou menosprezo, mas ele não desiste segundo o exemplo do Van Gogh,Édouard Manet,Edvard Munch e todos os artistas e movimentos que rupturaram as concepções estéticas acadêmicas.
    Portanto, a arte não tem limites limites, concordo com Mário de Andrade que diz:
    Belo da arte: arbitrário, convencional,
    transitório - questão de moda. Belo da natureza:imutável,o bjetivo ,natural- tem a eternidade que tiver. arte não consegue reproduzir natuereza,nem este e seu fim.Todos os grandes artistas, ora conscientes,
    (Rafael das Madonas,Rodin de Balzac,Beethoven da Pastoral, Machado de Assis do (Brás Cubas) ora inconscientes (a grande maioria)foram deformadores da natureza.
    donde infiro que o belo artístico será tanto mais artístico,tanto subjetivo quanto mais se afastar do belo natural.Outros infiram o que quiserem.Pouco me importo.

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