10.9.22

ARTE: PEQUENAS E RÁPIDAS NOÇÕES



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Pintura Paleolítica



Os pintores paleolíticos são figurativos realistas, sintéticos no desenho e na cor. A pata dianteira direita da figura do boi - na caverna de Montinac Lascaux, França - está representada de frente e nunca se insinua a aplicação de perspectiva. A pintura pré-histórica perde esse realismo visual na idade neolítica.
Um exemplo: Boi selvagem / caverna de Montinac Lascaux, França.



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Pintura Neolítica


É a primeira mudança de estilo ou de escola observada na história da pintura. Esquematizadores e geometrizadores das imagens, os neolíticos chegam a verdadeiras abstrações.
Um exemplo: Vaso mesopotâmico.



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                         Pintura Egípcia


Os egípcios distinguem-se pela elegância decorativa, predominância do desenho, desconhecimento da perspectiva científica e simplificação da forma. Usam, sistematicamente, a lei de frontalidade, como vemos no rosto, no olho e no tronco de frente.
Um exemplo: Um casal oferece sacrifícios à Ísis – painel.



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Pintura Grega

Não restaram obras originais da pintura grega antiga. Conhecemos indiretamente – decorações dos vasos de cerâmica, esculturas, referências críticas. No período clássico (serena na expressão e equilibrada na composição), é idealizada a realidade. No período helenístico, ela torna-se realista, dramática, movimentada na composição.


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                  Pintura Cristã Primitiva
  
O primitivo pintor cristão usava símbolos figurativos – peixes e âncoras - e símbolos abstratos – círculos. Por associação com o disco solar, o círculo talvez fosse Cristo. Mais tarde, atenuadas as prevenções com a estatuária pagã, tornaram-se exclusivamente realistas figurativos.
Um exemplo: Desenho numa catacumba   
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Pintura Bizantina

O mosaico foi, por excelência, a técnica de decoração mural bizantina. Difundiu-se pela Europa. A pintura, propriamente dita, exerceu-se sobretudo nos ‘íconos’, quadros religiosos pintados a encáustica.
Um exemplo: O Imperador Justiniano e sua corte / Igreja San Vitale, Ravena.

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Pintura Românica

Dominados por fortes sentimentos religiosos, os românicos eram deformadores e coloristas intensos. Eram parecidos com os expressionistas e fovistas modernos.
Um exemplo: Anjos musicistas, afresco espanhol, séc XIII.





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                          Pintura Gótica

Sob a influência das miniaturas, isto é, as ilustrações feitas à mão nos livros medievais, a pintura gótica é minuciosa e adquiria acentuado realismo. Originou-se na França. No seu realismo, está anunciando o espírito racionalista da Renascença. Estilo que se disseminou por toda a Europa Ocidental entre 1375 e 1425. Características: elegância palaciana, e o detalhamento naturalista, ligados à vida aristocrática.




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                     Pintura Renascentista Alemã

Os artistas nórdicos europeus, alemães, escandinavos, holandeses e flamengos, expressam mais a beleza visual das formas, mais adequada ao temperamento latino. Dürer é o mais típico representante da pintura renascentista no norte da Europa, onde foram atenuadas as influências dos modelos do classicismo grego.

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                              Prenúncios do Barroco

Miguel Ângelo contrariou os princípios de equilíbrio da composição, harmonia das formas e serenidade de expressão do renascimento clássico. Pela vigorosa dramaticidade do sentimento, prenuncia o Barroco, que se definirá no século XVII.



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Renascimento Italiano



O Renascimento foi um movimento importante, de renovação cultural e artística que
se originou na Itália no séc. XIV e marcou a mudança da Idade Média para a Idade Moderna. Do teocentrismo Medieval - que via em Deus todas as coisas -, o homem avançou para o Humanismo, uma filosofia surgida no Renascimento e que predominou mais na Idade Moderna. Foi neste período que o homem passou a ser o centro do mundo. Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Rafael, Donatello, Brunelleschi e Botticelli...


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                   Pintura Rococó

Os pintores rococós refletem, nos temas e na técnica, inclusive na própria delicadeza da pincelada e na luminosidade das cores, as idéias, os sentimentos, e os hábitos da aristocracia européia do século XVIII.





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Pintura Neo-Clássica

Os neoclássicos ou acadêmicos, inspiraram-se diretamente nos modelos da antiguidade clássica greco-romana. Revivem as formas de beleza ideal da estatuária grega. São convencionais e pouco imaginativos.
David – pintor oficial de Napoleão – foi o chefe desta escola.
A Morte de Marat / 1793 – Museu Royal de Belas Artes, Bélgica.




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                              Pintura Romântica

Os românticos, chefiados por Delacroix, reagem ao convencionalismo dos acadêmicos. São imaginativos, dramáticos, movimentados e coloristas veementes. Possuíam muitos pontos de afinidades com o barroco, pelo predomínio das faculdades emocionais sobre as intelectuais, na criação artística.


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                      Pintura Realista

Os realistas, sob o comando de Gustave Courbet - 1810 / 1867 , reagem ao convencionalismo neoclássico e à emoção dos românticos. Negam a imaginação. A pintura é uma arte objetiva, destinada a fixar as coisas existentes, não as imaginadas. O pintor representa somente aquilo que vê.
Um exemplo: Peneiradoras de trigo.


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                  Pintura Cubista Analítica

Decompondo as formas num processo intelectual arbitrário, em sucessivos planos e ângulos, os cubistas pretendiam obter a representação total da estrutura dos objetos, como se os contemplássemos simultaneamente por todos os lados. Quando a decomposição se faz minuciosamente
Um exemplo: Picasso Ambroise Vollard (1867-1939) e Georges Braque 1882 / 1958, Jarra e violoncelo.




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                       Pintura Futurista

Os futuristas pretendiam expressar e não representar a velocidade, nova beleza do mundo, criada pela técnica moderna. Para evitar a impressão de imobilidade, substituíam as imagens figurativas por planos, retas e linhas, impregnadas de dinamismo e movimento.
Um exemplo: Umberto Boccioni 1882 / 1916 , Estudo para o estado d’alma.


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                                    Pintura Abstracionista Informal

No abstracionismo informal as formas e cores são espontâneas e livres, criadas muitas vezes num estado de verdadeiro automatismo psíquico. Não representam as aparências da realidade, mas expressam tensões, conflitos, ritmos impregnados da vitalidade da natureza.
Um exemplo: Vassily Kandinsky 1866 / 1944 – Estudo.


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                  Pintura Cubista Sintético

No segundo período do Cubismo, a decomposição da forma se faz de maneira sumária. Esse período denomina-se Cubismo Sintético. Reaparecem as imagens visuais, as cores são mais vivas e decorativas. São predominantes as preocupações de composição, dentro porém da geometrização das formas e obedecendo a princípios renascentistas denominados ‘Número de Ouro’.
Um exemplo: Pablo Picasso – 1881

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                    Modernismo Brasileiro

Cândido Portinari / 1903-1962, embora formado sobre princípios acadêmicos na Escola Nacional de Belas Artes, libertou-se do academismo, para marcar de versatilidade, ecletismo e inspiração popular sua extrema obra. A fase expressionista, quando fixou tipos e cenas populares, é uma das mais vigorosas, inclusive pelas intenções políticas e sociais. Figuram muitos, entre eles Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Anita Mafalti...

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                        Pintura Impressionista


Para demonstrar as constantes e sutis alterações que a luz do sol produzia nas cores da natureza, modificando-as incessantemente, Claude Monet pintou a fachada da catedral de Rouen, em diferentes horas do dia. Os impressionistas afirmavam não ser a cor uma qualidade permanente dos objetos. Altera-se conforme o ângulo de incidência dos raios solares.
Um exemplo: Monet / 1840 – 1920, Catedral de Rouen.


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                            Pintura Neo-Impressionista



Pintura pós-impressionista, em voga em França entre 1886 e 1906, e cujo pioneiro foi Georges Seurat.
Neo-Impressionismo culmina o processo de diluição das formas, que se tornam simples e irisadas vibrações luminosas e coloridas.



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                             Pintura  Expressionista

Pelos paroxismos líricos e exasperação patética do desenho e da cor, que traduzem sentimentos e não sensações, Van Gogh influenciou diretamente no aparecimento do Expressionismo, a primeira grande tendência da pintura moderna, surgida entre os alemães e outros povos nórdicos europeus.
Um exemplo: Noite estrelada.



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                      Pintura Surrealista Figurativa

Na mesma linha de Salvador Dali, fusão do real com o fantástico Magritte notabiliza-se pelas qualidades técnicas do colorido expressivo e seguro desenhista. Explora o modo especial os elementos de surpresa para criar sugestões misteriosas.
Um exemplo: O Curandeiro, de René Magritte / 1898, Ismael Nery...Figuras /1926.
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                   Pintura Surrealista Abstrata

As manifestações do subconsciente podem ser expressadas por meio de formas abstratas, símbolos e signos, como na pintura de Miro, o mais típico surrealista abstrato. Sob muitos aspectos, o Surrealismo Abstrato confunde-se com o abstracionismo Informal, sobretudo nas formas do Tachismo e do Grafismo.
Um exemplo: Joan Miro / Travessia Poética.




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                       Composições Gráficas

Ao contrário dos Tachistas – que o fazem por meio de manchas - os grafistas expressam-se impulsivamente por meio de traços, linhas ou graficamente. Inspiram-se na caligrafia abstrata oriental, particularmente na chinesa. Exprimem tensões e ritmos vertiginosos.
Um exemplo: Jackson Pollock / 1912 – 1956, com Composição.


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9.9.22

ARNOLD BÖCKLIN - A Ilha dos Mortos

- 1880 - (em cinco versões)

- Tais Luso de Carvalho

Nascido na Suíça, em Basiléia / 1827, Arnold Böcklin aparece junto com Ferdinand Hodler, como o mais importante pintor suíço do século 19. Nas décadas de 1980 e 1890 foi o artista mais influente do mundo germânico ainda que, desde 1850 tenha passado a maior parte de seu tempo na Itália.

Logo enquadrou-se no Movimento Simbolista, da época, porém não se deixou influenciar pelos artistas franceses. Começou a pintar paisagens românticas. Depois suas obras inspiraram-se muito em figuras mitológicas, porém sua obsessão era com a morte; era ignorar a realidade e realçar a fantasia. Consolidou sua reputação com a obra 'Pan entre os Juncos' (1857), que marcou o momento que voltou ao mundo das ninfas, dos sátiros náiades e dos tritões, obtendo por vezes resultados absurdos.

Para ele o mundo era um sonho alucinatório, povoado dessas ninfas, sereias e faunos que traduzia a inquietude do homem. Sua tendência ao fantástico acentuou-se ainda mais após uma visita à Roma onde entrou em contato com as lendas e as mitologias locais dos quais extraiu o repertório para suas produções.

Posteriormente seu estilo tornou-se mais sombrio e carregado de sentimento místico como expressa em sua obra mais conhecida, A Ilha dos Mortos, perto de seu estúdio e onde enterrou sua pequena filha Maria. Essa obra, de 1880, encontra-se, atualmente, no Metropolitan Museun de Nova York. Ao todo são 5 versões - no qual o barqueiro dos infernos, Caronte, transportava as almas para outro mundo. Suas imagens mórbidas instigaram os surrealistas. O artista descreveu a primeira versão da obra A Ilha dos Mortos de uma maneira muito peculiar:

Aqui têm, como desejaram, um quadro para sonhar. Ele terá de parecer tão silencioso que nos assustamos se alguém bater à porta. - Böcklin.

O próprio Böcklin tinha intitulado seu quadro como Um Quadro Para Sonhar. Seu negociante de arte,  Gurlitt, que conhecia o gosto da época, interferiu e lhe deu o nome de A Ilha dos Mortos. É uma obra dramática e, na sua quinta versão aparecem trovoadas que tornam a cena mais clara e pesada. Mesmo assim a Ilha apresenta uma calma misteriosa e inquietante. Será um lugar de culto ou  jazigo? Vemos fantasia, tranquilidade, despedida e nostalgia.

Intensamente criativo, Böcklin transformou-se no decorrer de sua carreira, num pintor extremamente preocupado com os detalhes. Foi como se quisesse, através desses cuidados, dar uma consistência mais objetiva às suas inquietantes fantasias.

Trabalhou em Dusseldorf, Roma, Weimar, Basiléia, Zurique, Munique e Florença. Exerceu influência sobre Max Ernest, Salvador Dali e Giorgio De Chirico. A melhor coleção de Böcklin está em Kunstmuuseum da Basiléia, sua cidade natal. O atelier mostrado abaixo é em Zurique.
Veio a falecer em 1901 - em Fiesole.

Algumas Obras:

Despontar da Primavera 1880 - Jovem com Flores 1866 - Auto-retrato - Brincando nas Ondas 1883 -Triton e Nereida - Ulisses e Calipso 1883 - Mar Calmo  1887 - A Ilha dos Mortos (em 4 versões) - Pan entre os Juncos  1858 - Ataque de Piratas 1886 - Medusa - Santo Bosque - Capela - Ruínas do Mar, entre tantas outras.

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Outra versão de A Ilha dos Mortos


Fontes:
Dicionário Oxford
Arte nos séculos – abril cultural
História da Pintura - Könemann

Arnold Böcklin

26.7.22

PINTURA RUPESTRE II / PALEOLÍTICO

Caverna Lascaux


 - Tais luso de Carvalho


Tudo nos primeiros caminhos do homem, acaba se evaporando em conjeturas e suposições, pois não havia escrita. Não havia como relatar.  Sempre há um pouco de divergências nas pesquisas. Os registros quanto à dança e a música se perderam no tempo. O que restou foram desenhos nas paredes das cavernas e partes do que poderiam ser instrumentos rudimentares, tais como flautas de bambu e ossos, e também tambores. O período Paleolítico é o mais antigo da história da arte que se conhece. Inicia-se com a Arte Rupestre: figuras de cervos, bisontes, cavalos, mamutes e outros animais.

Caverna de Altamira / Bisonte


O período Paleolítico inferior - fase mais antiga - pode ser datado de 500.000 a 30.000 antes de Cristo. E o Paleolítico superior, vai de 30.000 anos a 10.000, sendo que a inferior cobre 75% de todo o período.

Analisando o esquema da divisão da História da Arte, vemos que os períodos históricos mudam quando há um acontecimento que provoca na humanidade uma mudança de ideias. A cada vez que muda o homem e suas reflexões, mudam também suas manifestações artísticas.

Arte Pré-histórica :
Período Paleolítico / idade da pedra lascada
Período Neolítico / idade da pedra polida / mais no final: metais: cobre, estanho e bronze.

O Paleolítico Superior, distanciado uns 50 mil anos da era histórica é que se encontram mais vestígios de manifestações artísticas, expressas de modos diversos, principalmente na decoração das paredes das cavernas que serviam como habitação, e que eram efetuadas por nômades - caçadores e pescadores -, que  representavam, quase que exclusivamente, animais comestíveis.

O uso de objetos de pedra levou os historiadores a denominar esse período de Idade da Pedra lascada (ou Paleolítico). Foi nesse período que o homem descobriu o fogo, de grande utilidade e conforto para os grupos humanos: deu-se aí, a descoberta da cerâmica.

Vênus de Lespugue / França

No período Paleolítico Superior é que vamos encontrar as primeiras manifestações escultóricas do homem. Seu principal utensílio é o machado de mão, de pedra lascada. Nessa época já começavam a aparecer estatuetas em marfim e osso, baixos-relevos em pedra, desenhos de incisão em ossos e pedras, objetos de adorno pessoal, decoração de armas e utensílios.

O homem foi primeiro escultor, depois pintor, dada a maior capacidade de abstração exigida pela pintura. Nesses períodos aparecem figuras femininas talhadas em marfim, osso e pedra, apresentando formas volumosas, que estaria ligadas à símbolos ou ritos de fecundação.

Vênus de Laussel / França

Entre as esculturas mais conhecidas destacam-se as famosas Vênus de Lespugue, de Brassempouy, encontradas na França, de Villendorf (Áustria) e do baixo-relevo de Laussel (França), em que uma mulher ergue a mão num gesto ritual, uma espécie de chifre.

No final deste período aparece a representação de animais tornando-se rara de figuras humanas. Nas cavernas de La Madeleine e Montespan foram descobertos frisos esculturados na pedra, figuras isoladas em osso e argila, cavalos, bisões, ursos e bois selvagens, surpreendentes pela técnica e realismo.

A primeira e mais sensacional descoberta de pinturas pré-históricas foi feita por acaso em 1880 na caverna de Altamira, Espanha, por um fidalgo espanhol. Segundo os historiadores de arte, a caverna de Altamira representa 'a capela sistina da pré-história', tamanha é a riqueza e a variedade de pinturas ali encontradas. Ali ficaram desenhados coloridos bisões, cavalos e outros animais, em repouso e movimento.

Em 1940 foram descobertas as cavernas de Montinac-Lascaux, na França. São de igual importância as primeiras citadas, apresentando um boi medindo cinco metros de comprimento. O homem aplicava a tinta com as mãos, espátulas, bastonetes ou pincéis rudimentares, quando não aplicava a técnica de pistolar (enchia a boca de tinta e soprava por um canudo de madeira ou osso).

Numerosas silhuetas com mãos espalmadas, encontradas nas cavernas, foram feitas com esse processo. As tintas eram conseguidas com materiais minerais, argilas coloridas, gordura animal e vegetal, sangue do animal e excrementos de aves. A cor negra era obtida queimando osso e madeira.

O pintor do Paleolítico era figurativo, reproduzia a imagem na sua verdade visual, não deformando, nem estilizando. Nas representações de animais, observava a lei da frontalidade, na qual os mesmos são vistos de perfil, e procurava desenhar de memória.


Montes Akakus / Líbia


O homem Paleolítico representava a caça ferida por flechas, fechada em cercados ou presa em armadilhas. Representava os animais que eram necessários à sua existência.

No período Neolítico o homem deixa de ser nômade e torna-se sedentário. Inicia a agricultura, a criação de animais e constrói as primeiras aldeias, organiza suas relações sociais e muda sua consciência em relação à realidade. Começa a trabalhar esculturas em metais, adornos corporais, trabalha a pedra.

Nesse período aparecem as primeiras concepções de vida e de morte. Surge a escrita, e com ela o homem passa a deixar registros organizados, entrando então no período que chamamos de 'História Antiga'.


Em Lascaux





Fontes: 
História da Arte / Kenia Pozenato e M.Gauer - Mercado Aberto 2ªed.
História da Arte Duílio Battistoni F - Papirus editora 17ª ed.
Carlos Cavalcanti - Como entender a pintura moderna / Civilização Brasileira







21.5.22

ENTENDENDO 'GUERNICA' - DE PICASSO


Guernica / Centro Nacional de Arte Moderna Reina Sofia - Madri, Espanha





        - Tais Luso de Carvalho

Tenho notado, cada vez mais,  em minhas visitas aos museus e espaços de arte, crianças conduzidas por seus professores e sentadas em círculo para aprenderem a entender um pouco das obras de arte: o porquê dos traços, das cores, da simbologia da obra, da personalidade do artista e de sua vida, da época em que a obra foi feita, o porquê daquela obra e qual o movimento a que pertenceu. Só assim pode-se entender, um pouco, do trabalho exposto.

Existem obras que oferecem uma interpretação fácil; outras, porém, requerem estudos mais aprofundados, são mais complexas.

Como Picasso se recusou a esclarecer o possível significado desses símbolos, logicamente surgiram algumas interpretações para Guernica. Mas já o significado da mulher chorando sobre o corpo do filho morto, já é óbvio. Então, mais abaixo, deixo uma interpretação da obra que gostei bastante. Na verdade, todas as interpretações se parecem muito.

A ÉPOCA

Em 1936 a Espanha, tão amada por Picasso, foi sacudida por uma guerra civil. A República da Espanha, sustentada por um frágil governo popular, enfrentou uma rebelião dos militares de direita, liderados pelo general Francisco Franco. A Espanha tornou-se um campo de batalha entre as forças internacionais do comunismo e do fascismo. Em janeiro de 1937 o embaixador espanhol em Paris pediu a Picasso para doar uma pintura-mural ao pavilhão espanhol na Feira Mundial de Paris. Picasso não se mostrou entusiasmado com o pedido e deu resposta descompromissada. O bombardeio de Guernica mudaria tudo.

DESOLAÇÃO E MORTE

Quando as notícias sobre Guernica chegaram a Picasso em 27 de abril, faltavam apenas 27 dias para a inauguração da Feira Mundial. Em 30 de abril foram divulgadas as primeiras cenas das atrocidades. Em 1º de maio Picasso iniciou seus esboços para o mural do pavilhão espanhol. Não tinha mais dúvidas que deveria fazer. Enquanto trabalhava no mural declarou: 


'O que acontece na Espanha é uma guerra dos reacionários contra o povo e contra a liberdade. Toda a minha vida de artista tem sido uma luta contra o reacionarismo e contra a morte da arte. No quadro em que estou pintando – que vou chamar de Guernica – e em todo o meu trabalho recente tenho expressado meu horror contra a casta militar que agora afunda a Espanha num oceano de desolação e de morte'.


A SIMBOLOGIA DOS ELEMENTOS

Esta obra, em preto e branco, constitui certamente numa das obras primas da arte moderna do sec. XX Encomendada pelo governo republicano e, por isso, propriedade do governo espanhol, Guernica esteve anteriormente conservada no Museu de Arte Moderna de Nova York, pois Picasso opunha-se a que o quadro fosse exposto em seu país enquanto Franco estivesse vivo. O ditador morreu em 1975, dois anos depois de Picasso, e o quadro só seria levado à Madri em 1981. Instalado inicialmente no Museu do Prado, está exposto hoje no Centro de Arte Reina Sofia.

- O Touro – simboliza a Espanha, sua bravura, mas também a morte. Ele domina uma mulher em lágrimas, segurando nos braços o corpo inerte do filho. (à esquerda do quadro).

- A Lâmpada - retrata o sol negro da melancolia como projetor que ilumina esta cena de batalha da guerra moderna.

- As grandes bocas abertas, pescoços estendidos, corpos retorcidos – sugere um quadro quase sonoro: imaginam-se os gritos de pânico lançados pelas vítimas. Da mesma forma, a amplitude exagerada dos pescoços e as torções dos corpos desarticulados dão movimento à composição.

- Uma figura à direita, sugere estar sendo consumida pelas chamas de um prédio em fogo.

- A ausência de cor – O artista optou pelo preto e branco em sinal de luto. Essa bicromia reforça a tensão dramática da cena. E dá indiretamente uma dimensão realista à obra, no sentido cinematográfico do termo. As nuanças de cinza permitem colocar sobre o mesmo plano as profundidades de campo.

- O cavalo – Simboliza o povo, sua coragem, sua agonia e seu pânico. Ele pisa seguidamente sobre o corpo esquartejado de um soldado de quem se vê um braço cortado e a mão segurando uma espada - deitado na base da pintura

Picasso havia criado o seu trabalho mais famoso. Guernica não só relatou um fato histórico no sangrento do episódio da Guerra Civil Espanhola, mas também por ser a 'primeira intervenção resoluta da cultura na luta política' - segundo as palavras do crítico e historiador de arte Giulio Carlo Argan.


A pintura não é feita para decorar apartamentos. É um instrumento de guerra ofensiva e defensiva contra o inimigo. (Picasso).


(3 metros e meio por 7 metros de comprimento)

No Museu

Centro Nacional de Arte Moderna Reina Sofia - Madri, Espanha




Mais sobre Picasso aqui neste blog:


Referências:
Grandes Artistas - Picasso / Cia Melhoramentos – São Paulo
História Viva / Duetto – ano 4

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27.4.22

JUAREZ MACHADO - OBRAS


Femme au Robe Orange


Renomado pintor brasileiro, Juarez Machado vive como quer; sua vida é muito interessante e é esse aspecto que quero abordar, pois suas extravagâncias são dignas de relatar.

Nasceu em 16 de março de 1941 na cidade de Joinville / SC, Brasil. Pintor multifacetado passeia pela pintura (inconfundível), pelo desenho, escultura, fotografia, teatro e mímica. Lembro-me dessa sua fase de mímico, tinha um quadro na televisão, era genial.

Aos 18 anos muda-se para Curitiba matriculando-se na Escola de Música e Belas Artes, frequentando o curso por 5 anos. Sua primeira exposição foi em Curitiba, tinha como tema Bicicletas.

Em 1965 muda-se para o Rio de Janeiro e, seu humor – essencial em sua vida -, mistura-se ao dos amigos cariocas Millôr, Ziraldo, Jaguar e Henfil. Em 1978 começa seu tour: vai para Londres, Nova York, França, Alemanha e Itália. E em 1986 resolve estabelecer-se em Paris. Seu atelier atual ocupa todo um prédio no bairro de Montmartre. Diz que não tem casa, que tem ateliê, o que para ele significa pátria, não importando o lugar.

É metódico em sua rotina: acorda às seis horas da manhã para pintar; o centro de seu universo é o seu cavalete. O interessante é que Juarez se veste com roupas especiais para trabalhar, com muita elegância, coletes bem cortados, feitos por alfaiate, etc e tal. Nada daquelas nossas roupinhas de trabalho ou um avental branco. E diz que adora conversar com partes do seu corpo: conversa com seus pés, prometendo comprar-lhes uns sapatinhos que, já chegam à casa dos 100 pares...

Hoje, seus quadros estão presentes nas mãos dos melhores colecionadores do mundo. Desfruta de confortável situação e já é um dos nomes de prestígio da arte brasileira no exterior. Pinta óleo sobre tela e aquarelas. E seus desenhos são feitos com lápis crayon e caneta. 


O desenho é mais um processo interior, tenho um estilo machadiano, sou eu mesmo.

Tudo de Juarez Machado é muito personalizado, e ele, muito teatral. Seus pincéis ficam dentro de vasos de lalique. 


Dou respeito aos meus instrumentos de trabalho.

Não joga nada fora, junta tudo, até as rolhas do champanhe que bebe, por isso vai comprando apartamentos para guardar essas preciosidades... Mora em 6 andares e conta que foi influenciado a pintar, por seu pai – caixeiro viajante – e por sua mãe que pintava leques de seda.

Juarez foi uma criança que brincava sozinha, dado a esse motivo, ao tomar o café da manhã com a mão esquerda, usa a direita para desenhar personagens que o acompanham. É considerado o terror dos hoteleiros, pois com frequência muda-se de lugar para pintar, carregando consigo sua maleta de trabalho, transformando seu quarto de hotel em atelier.

Quero envelhecer em Paris, serei aquele velhinho na janela, que os vizinhos passam e dão bom-dia!

Realmente, Juarez Machado é um pintor um pouco diferenciado: ousado, alegre, extravagante e bon vivant! É um artista de peso e de conceito, com inúmeras exposições espalhadas pelo mundo. É o Brasil vivo, lá fora! Suas obras - inconfundíveis e ricas em detalhes - retratam bem nossa realidade.


             
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   Curitiba     
                           Em Veneza                                

Drinque



        Jazz Doré 2010                                             Ilha de Santa Catarina


Tango Atlântico 2007
                                               

Bebendo em Paris

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1987


prédio do ateliê / Paris