24 de maio de 2017

HIGINO PEREA – UM ARTISTA COMPLETO


Obras fotografadas no atelier de Higino Perea


Tive o privilégio de ter em minhas mãos o currículo, a biografia e dezenas de fotos das obras de um artista completo, sensível, técnico, criativo. Um artista que pinta com o coração. Um dos mais premiados artistas plásticos latino-americano.
José Higino Perea nasceu em 12 de janeiro de 1939 em Lima / Peru. Filho de mãe Inca e pai norte-americano, Perea passou a infância em Cuzco, antiga capital do Império Inca, localizada a sudoeste do Vale Sagrado dos Incas na Cordilheira dos Andes. E foi lá que o menino José Higino Perea descobriu sua vocação para a arte.
Cuzco, com suas ruelas de pedra, seu sol e sua neve e com sua cultura que passa de pai para filho, está viva. Estão lá nos Andes e se fazem presentes a todo o momento na minha obra, nas minhas memórias’.
Perea começou menino, fazendo arte em madeira e em couro. Aprimorou sua arte com intensos estudos de desenho, de pintura, escultura, tapeçaria e pirogravura nas escolas cusquenhas onde ficou até os 14 anos.
Com o apoio da mãe, amigos e professores, Perea começou a trabalhar profissionalmente numa importante indústria de móveis em Lima. Verdadeiras obras pintadas, esculpidas, detalhadas. Sua vinda ao Brasil , há 47 anos, ocorreu após ter casado com uma gaúcha que conheceu na Alemanha Ocidental. Moraram na Itália, Peru, Angola, Estados Unidos, Inglaterra, Japão e vieram para o Brasil - Rio de janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Artista completo, Perea ao desenhar os deuses Incas, manifestava predileção por Tumi, imagem que fez em ouro e esmeraldas. Eram facas da civilização Inca em formato da letra T, utilizadas para diversos fins, inclusive cirurgias para retirar ossos fraturados, pedaços de metais ou restos de armas dos crânios dos guerreiros feridos.
Suas exposições são conhecidas e estão espalhadas pelo Brasil, Peru, EUA, Africa, Alemanha, China, Austrália, Colômbia, Chile, Japão Canadá, Argentina, Equador, Panamá, México, Holanda, Suécia e Itália. Um artista latino-americano que nos orgulha com suas obras em importantes museus e galerias do mundo. Sua pintura está na memória, é versátil, evoca os Andes, a população cuzquenha, a natureza morta, a fidelidade de rostos conhecidos, as Madonas da arte sacra - com rostos belíssimos.
Seus quadros estão espalhados pelas melhores galerias e museus do mundo como o do Palácio Royal de Holanda, Palácio Municipal de Milão, Museu de Arte de Estocolmo, Prefeitura de Hishinomiya (Japão), Hotel Copacabana Palace no Rio de Janeiro... e por esse mundo afora. Perea mostra com orgulho uma tela com o rosto de Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos.
Esta foi uma encomenda que ele fez diretamente a mim e vou entregar em suas mãos” - afirmou na época. (ver obra abaixo)
Fiquem agora com uma pequena mostra desse pintor sensível, onde não há barreiras para sua arte e para seu talento.


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Obras no atelier


Atelier


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(Mais texto e obras de H Perea clique nesse mesmo blog  aqui. )

Contato com o artista Higino Perea:
email: hpereapascual@gmail.com

Show Room Artes Plásticas - Atelier Machu Picchu
Endereço: Avenida São Miguel, nº 1051, bairro Centro, Dois Irmãos, RS - Brasil
telefones: (51) 99988-5110 e (51) 99906-5600
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30 de abril de 2017

ARNOLD BÖCKLIN - A Ilha dos Mortos

- 1880 - (em cinco versões)

- Tais Luso de Carvalho

Nascido na Suíça, em Basiléia / 1827, Arnold Böcklin aparece junto com Ferdinand Hodler, como o mais importante pintor suíço do século 19. Nas décadas de 1980 e 1890 foi o artista mais influente do mundo germânico ainda que, desde 1850 tenha passado a maior parte de seu tempo na Itália.

Logo enquadrou-se no Movimento Simbolista, da época, porém não se deixou influenciar pelos artistas franceses. Começou a pintar paisagens românticas. Depois suas obras inspiraram-se muito em figuras mitológicas, porém sua obsessão era com a morte; era ignorar a realidade e realçar a fantasia. Consolidou sua reputação com a obra 'Pan entre os Juncos' (1857), que marcou o momento que voltou ao mundo das ninfas, dos sátiros náiades e dos tritões, obtendo por vezes resultados absurdos.

Para ele o mundo era um sonho alucinatório, povoado dessas ninfas, sereias e faunos que traduzia a inquietude do homem. Sua tendência ao fantástico acentuou-se ainda mais após uma visita à Roma onde entrou em contato com as lendas e as mitologias locais dos quais extraiu o repertório para suas produções.

Posteriormente seu estilo tornou-se mais sombrio e carregado de sentimento místico como expressa em sua obra mais conhecida, A Ilha dos Mortos, perto de seu estúdio e onde enterrou sua pequena filha Maria. Essa obra, de 1880, encontra-se, atualmente, no Metropolitan Museun de Nova York. Ao todo são 5 versões - no qual o barqueiro dos infernos, Caronte, transportava as almas para outro mundo. Suas imagens mórbidas instigaram os surrealistas. O artista descreveu a primeira versão da obra A Ilha dos Mortos de uma maneira muito peculiar:

Aqui têm, como desejaram, um quadro para sonhar. Ele terá de parecer tão silencioso que nos assustamos se alguém bater à porta. - Böcklin.

O próprio Böcklin tinha intitulado seu quadro como Um Quadro Para Sonhar. Seu negociante de arte,  Gurlitt, que conhecia o gosto da época, interferiu e lhe deu o nome de A Ilha dos Mortos. É uma obra dramática e, na sua quinta versão aparecem trovoadas que tornam a cena mais clara e pesada. Mesmo assim a Ilha apresenta uma calma misteriosa e inquietante. Será um lugar de culto ou  jazigo? Vemos fantasia, tranquilidade, despedida e nostalgia.

Intensamente criativo, Böcklin transformou-se no decorrer de sua carreira, num pintor extremamente preocupado com os detalhes. Foi como se quisesse, através desses cuidados, dar uma consistência mais objetiva às suas inquietantes fantasias.

Trabalhou em Dusseldorf, Roma, Weimar, Basiléia, Zurique, Munique e Florença. Exerceu influência sobre Max Ernest, Salvador Dali e Giorgio De Chirico. A melhor coleção de Böcklin está em Kunstmuuseum da Basiléia, sua cidade natal. O atelier mostrado abaixo é em Zurique.
Veio a falecer em 1901 - em Fiesole.

Algumas Obras:

Despontar da Primavera 1880 - Jovem com Flores 1866 - Auto-retrato - Brincando nas Ondas 1883 -Triton e Nereida - Ulisses e Calipso 1883 - Mar Calmo  1887 - A Ilha dos Mortos (em 4 versões) - Pan entre os Juncos  1858 - Ataque de Piratas 1886 - Medusa - Santo Bosque - Capela - Ruínas do Mar, entre tantas outras.

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Outra versão de A Ilha dos Mortos


Fontes:
Dicionário Oxford
Arte nos séculos – abril cultural
História da Pintura - Könemann

Arnold Böcklin

18 de abril de 2017

MANET E O IMPRESSIONISMO



por Tais Luso de Carvalho

Édouard Manet, pintor e artista gráfico, nasceu em Paris, em 1832, no seio de uma família abastada. Seu pai era um alto funcionário do Ministério da Justiça e não aprovava, no início, a escolha do filho.

A formação burguesa moldou-lhe a personalidade, pois mesmo estigmatizado pelo meio, como um rebelde, sempre buscou o êxito, as homenagens tradicionais e comportava-se como homem de alta sociedade. 

Quando completou 18 anos entrou no atelier de Thomas Couture onde permaneceu por 6 anos.  Após, saiu e fez sua escolha pessoal, estudando a fundo as obras de artistas italianos e espanhóis pertencentes à coleção do Louvre.

Sua obra, O Bebedor de Absinto / 1859, o qual retratou um alcoólico,  foi rejeitada pelo juri do Salon. Outra obra, Le Déjeuner sur l'herbe, pintado em 1863 foi a primeira das suas  obras escandalosas. Em seguida,  com  Olympia - 1865,  causou maior comoção. A hostilidade com que foi recebida baseou-se-se não só em critérios estéticos, mas também em critérios morais.

A nudez  só era considerada aceitável quando representada num contexto suficientemente remoto no tempo  ou na mitologia, mas em Le Déjeuner sur l'herbe  mostrava uma mulher nua, fazendo piquenique com dois homens trajando vestes contemporâneas.

Em Olympia, a figura nua reclinada, foi baseada na Vênus de Urbino, de Ticiano (a qual Manet copiara em Florença dez anos antes).  Sua sexualidade, nada discreta, foi considerada ofensiva aos padrões aceitos na época.

De um crítico da exposição: a arte que desce a um nível tão baixo não merece, sequer, reprimenda. Manet foi atacado, também, por  sua técnica arrojada nas quais as finas gradações tonais da arte acadêmica  foram eliminadas em favor de contrastes vivos de luz e sombra.

O quadro Le Déjeuner sur l'herbe permite entender a posição de Manet face aos artistas acadêmicos – que o detestavam; mas, os pintores impressionistas o consideravam um mestre - apesar de nunca ter participado ativamente na vida do grupo.

'Os insultos chovem sobre mim como granizo', escreveu Manet ao seu amigo Baudelaire que, ao lado de Émile Zola foi um de seus maiores defensores. E foi nessa época que Manet percebeu que passava a desempenhar um papel de líder da vanguarda pelo grupo de jovens impressionistas, como também Monet, Renoir, Bazille, Sisley e Cezanne.

Mas, apesar de tudo, nos seus últimos anos Manet aproximou-se das técnicas impressionistas. Usou frequentemente o método de pintura em plena natureza de uma forma cada vez mais livre e mais espontânea.

O seu desprezo e fuga da pintura tradicional trouxe-lhe o respeito dos impressionistas. À partir de 1868, expôs regularmente no Salon, que considerava o seu verdadeiro campo de batalha pela nova arte.

Seus temas prediletos eram os associados à vida moderna, desenhando nos bulevares e cafés de Paris, apesar dos críticos não o pouparem, dizendo que Manet  só era capaz de pintar o que estivesse em sua frente, sendo incapaz de usar a imaginação. 

Manet é visto como um dos fundadores da arte Moderna e foi muito significativo  o título oficial da primeira exposição pós-expressionista, organizada por Roger Fry, em 1910: 'Manet e os Pós-Impressionistas'.

Nos seus últimos anos, ampliou o campo dos seus temas, elaborando retratos e naturezas mortas.

Manet começou a sofrer de ataxia locomotora, com dores insuportáveis, após uma perna amputada devido à complicações da sífilis. As honrarias  que tanto desejava, vieram tarde demais. Fora do tempo para serem apreciadas. 
Morreu em 1883.






fontes consultadas:
Os Mestres da Arte / As origens da pintura contemporânea - Porto Ed.
O Mundo da arte- Arte Moderna / Enciclopédia Britânica do Brasil Publicações LTDA.



3 de abril de 2017

FAUVISMO – EXPLOSÃO DA COR


Matisse

      O FAUVISMO não é tudo, comentou Matisse, é apenas o começo de tudo. Em termos de permanência, o Fovismo foi apenas um pontinho na tela do mundo da arte: durou de 1904 a 1908. Contudo sendo o primeiro Movimento importante de Vanguarda no século XX, explodiu a era moderna.
     A exposição de 1905, que inaugurou o Fovismo em Paris, foi um desses momentos cruciais na história, que mudou para sempre nossa maneira de ver a arte.
     Antes o céu era azul e a grama verde. Mas nas telas dos fovistas Matisse, Vlaminck, Derain, Dufy, Braque e Rouault o céu era amarelo-mostarda, as árvores vermelho-tomate, os rostos verde-ervilha. Foi como se um bando de gremlins pegasse o controle de cor da televisão e todos os matizes enlouquecessem.
     A reação do público foi hostil. O grupo ganhou esse nome de um crítico, que os chamou de feras (fauves). Outros qualificaram o estilo de loucura rematada, universo de feiura, tentativas brutas e primitivas de crianças brincando com tintas. Um visitante da exposição relata que os expectadores tinham acessos de riso, correndo histericamente de galeria em galeria.
     O que levou os críticos a considerarem os fovistas todos um pouco loucos foi o uso das cores sem referência à aparência real. Longe de loucos, porém eles experimentavam, com maior seriedade, novas maneiras de expressar suas emoções diante de uma cena (geralmente paisagens ou marinhas, cenas externas).
     Outra influência que pesou na recusa dos fovistas em imitar a natureza foi a descoberta da arte tribal - não europeia - na formação da arte moderna.. A arte dos mares do sul, popularizada por Gauguin, e o artesanato das Américas do Sul e Central contribuíram para afastá-los das tradições renascentistas e conduzi-los a vias mais livres, mais individuais de comunicação de emoções.
     Os fovistas se embriagavam de cores vibrantes, exageradas. Depois de levarem as cores escaldantes ao extremo, os fovistas passaram a se interessar cada vez mais na ênfase, dada por Cézanne à infraestrutura, o que deu origem à revolução seguinte: o Cubismo.
     Em 1908 a queda era inevitável. Braque explicou assim o declínio: Não se pode ficar para sempre num estado de paroxismo. Juntamente com Picasso, (Cubismo) Braque fez seus melhores trabalhos.

FAUVISMO
Local: França
Período 1904 – 1908
Mestres:
Matisse - Derain Vlaminck Dufy Rouault Braque
Marcas:
Cores intensas, fortes, explosivas
Formas e perspectivas distorcidas
Pinceladas vigorosas
Motivos chapados, lineares
Tela nua como parte do desenho
 
 Derain
  
Vlaminck

Dufy


20 de março de 2017

JAMES ENSOR




- Tais Luso de Carvalho

James Ensor, pintor e gravador belga nasceu em Ostende em 1860. Foi um dos artistas mais originais de sua época e uma das influências formativas do Expressionismo – movimento que implica a transformação ou distorção artística da aparência das coisas, a fim de explorá-las como veículo para um conteúdo emotivo.

Seus quadros bizarros, povoados de pessoas mascaradas e coloridos, retratavam um mundo burlesco e alienado. As máscaras e os personagens fundem-se numa dúvida: eram as máscaras que se transformavam em rostos ou os rostos humanos que se transformavam em máscaras? E com isso, repetia o mesmo tema: da existência humana, da morte, e de temas religiosos. Mostrava um certo desassossego, um desespero. Sua pintura, que retratava um mundo com muito humor e ironia aproximava-se de Bosch e Bruegel.

Entre 1873 - 75, Ensor frequentou o liceu Notre Dame de Ostende. Teve aulas de desenho com dois artistas: Edouard Dubar e Michel Van Cuyck.

Com suas obras fantásticas e também macabras exerceu uma influência considerável sobre a futura arte expressionista e surrealista. Mas sua obra, no entanto, desafia qualquer classificação.

O mundo das máscaras originou-se da loja de seus pais, sendo um dos primeiros artistas a apreciar as máscaras africanas. Utilizava cores ardentes para representar cortejos fantasmagóricos, multidões sem características individuais, percorrendo paisagens indefinidas como se fossem sonâmbulos.

Suas obras foram rejeitadas pelo Salão de Bruxelas de 1883. Com isso, Ensor juntou-se ao grupo progressista Les Vingt – um grupo de vinte pintores e escultores que expuseram juntos de 1884 a 1893. Entraram obras não só dos pintores belgas como Ensor, Jan Toorop, Henry van de Velde, mas também de Cezanne, Van Gogh e Seurat. Esse grupo teve papel importante, na Bélgica, nos movimentos Simbolista e na Art Noveau.

A obra mais expressiva de Ensor talvez tenha sido Entrada de Cristo em Bruxelas-1888. Provocou tantas críticas entre seus companheiros do grupo que não havia mais condições de permanecer entre eles. Após esse episódio, o pintor tornou-se recluso, e passou a ter aversão à convivência com as pessoas.

Em 1893, Ensor fez sua última exposição com o grupo, mas sentindo-se cada vez mais isolado, põe o seu estúdio á venda por 8500 francosmas nenhum comprador se mostrou  interessado.

Em 1900, voltou a repetir seus temas favoritos. Em 1929 foi condecorado pelo rei Alberto I, o título de barão, e sua obra polêmica A Entrada de Cristo em Bruxelas, foi exposta pela primeira vez ao público.
Faleceu em 1949. 

         The bourgeois solon - 1881                        The Oyster eater - 1882
Cozinheiros Perigosos
Os Telhados de Ostende - 1901
Máscaras assistindo uma tartaruga - 1894
O esqueleto do pintor em seu estúdio
Convívio pesadelo e carnaval


Livro:
de Ulrike Becks-Malorny

12 de fevereiro de 2017

MURILLO – O PINTOR BARROCO

Murillo / Bodas em Caná -1672


         - Tais Luso

Bartolomé Esteban Murillo nasceu em Sevilha, no dia 1º de janeiro de 1618 e morreu aos 64 anos, em 1682. Seu pai chamava-se Gaspar Esteban, era barbeiro. A sua mãe chamava-se Maria Pérez Murillo. Murillo era o filho número catorze. No início Murillo foi influenciado pelo seu mestre, suposto tio, Del Castillo.
Murillo talvez seja o pintor que melhor define o barroco espanhol. Após conquistar reputação com uma série de 11 pinturas sobre a vida dos santos franciscanos, feitas para o mosteiro franciscano de Sevilha, suas pinturas estão dispersas pela Espanha e outros países. Em muitos museus, também.
A maior parte de suas pinturas são cenas religiosas que apelam fortemente à piedade popular e ilustram as doutrinas da Contra-Reforma Católica, especialmente o dogma da Imaculada Conceição, seu tema favorito. Seu estilo maduro distingue-se claramente de suas primeiras obras, caracterizando-se por figuras idealizadas, formas suaves, colorido delicado e doçura de ânimo e expressão.
Ao contrário da pintura grandiloquente, rica, opulenta de Goya ou Velazquez, ele criou uma obra de cenas contidas, domésticas, pobres, infantis. Talvez por ter vivido a decadência do outrora rico Império Espanhol, que mergulhava no obscurantismo religioso.
Foi nos conventos que adquiriu um estilo caseiro, intimista, plácido, onde os eventos clássicos são situações contidas, e os Santos como quaisquer pessoas. De certa forma, democratizando a arte sacra até então conhecida.
Acabando com as cenas lancinantes de martírios, de lágrimas de granizo, de arrebatamentos místicos, de langores religiosos. Os quadros de Murillo são humanos, mas de uma luminosidade moderna. Foi arrasado pela crítica por ter embelezado a pobreza de seus modelos.
Em 1660 fundou uma Academia em Sevilha com ajuda de Valdés leal e Francisco Herrera.
Na época era o único pintor espanhol conhecido fora do país. Teve muitos assistentes e seguidores e continuou influenciando pintores até o século XIX, o qual muitos críticos o incluíram entre os maiores de todos os tempos.
Murillo casou-se em 1645 com uma jovem de Sevilha, de 22 anos, Beatriz Cabrera y Villalobos, na famosa Igreja da Madalena. Durante os dezoito anos de matrimônio tiveram nove filhos, porém morrendo quatro, da peste que assolou Sevilha em 1649.
Morreu simplesmente, fazendo uma ligação indissolúvel entre a grande arte e o mundo real dos homens. Sua morte foi devido a uma queda enquanto pintava sobre os andaimes, O Casamento de Santa Catarina, para os capuchinhos de Cádiz.
Hoje é admirado pelo realismo temático, pela leveza e fluidez das cores, sem pretensões. Suas obras estão no Museu do Prado/Madri, Museu de Belas Artes/Sevilha, Hermitage, Nacional Gallery/Londres, Museu de Ohio, Museu Nacional de Arte antiga/Lisboa, Museu do Louvre, entre outros, e muitas galerias dos Estados Unidos e da Europa. Ainda hoje, Murillo encontra-se como um dos artistas mais reconhecidos.

Murillo / Retorno do Filho Pródigo - 1667 (por volta)
Murillo / Juniper e o Mendigo - 1645 (por volta)
     Meninos, melão e uvas - 1645                                    Toilette                                                        

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Referências:
Grandes Pintores/P.R.Derengoski
Dicionário Oxford de Artes/ Martins Fontes São Paulo 2007




30 de janeiro de 2017

ART NOUVEAU


 
Alphonse Mucha - Riverie 1897
       
          - Tais luso


O termo ‘Art Nouveau’ designa um estilo na arquitetura e artes aplicadas que floresceu na Europa entre a última década do século XIX e os primeiros anos do século XX. O movimento recebeu diferentes denominações em diversos países:
Arte Nova, Portuga, Art Nouveau, na França; Modern Style, na Inglaterra; Jungendstil, na Alemanha; Sezession, na Áustria; Stilo Floreale, Inglese ou Liberty, na Itália; Modernismo, na Espanha, além de outras denominações curiosas.
Art Nouveau originou-se do nome adotado pelo decorador e colecionador Samuel Bing para sua loja em Paris, inaugurada em 1898. Lá havia trabalhos dos artistas Tiffany, Henry van de Velde difundindo as novas idéias entre decoradores.
A repetição acadêmica de modelos desgastados levou os artistas a buscarem o novo, a romperem com os chamados estilos históricos como o neo-renascentismo, neogrego, neocelta, neobarroco, nei-rococó, hindu, etc., proclamando sua intenção de ser a arte do presente, a arte moderna.
Essa arte representou uma ruptura com as tradições naturalistas do século XIX; procurou unir a arte à técnica moderna e à produção industrial; e na arquitetura adotou novos materiais de construção visando unir a beleza e a funcionalidade.
Suas primeiras manifestações datam de 1880, atingindo o apogeu em 1900 - quando obteve consagração internacional. Após, entrou em declínio embora perdurasse até a Primeira Guerra Mundial.
O elemento feminino sempre esteve presente: era a mulher sensual, melancólica ou demoníaca, com forte carga erótica (vitrais de E.Grasset).
Outra das características desta arte foi a acentuada presença do artesanato ao lado das máquinas numa tentativa de integrar os interiores arquitetônicos pesados, com excessiva decoração e acúmulo de objetos, tornando, aos poucos, um lugar mais amplo e de melhor aproveitamento de espaço.
Na Espanha Antonio Gaudi trouxe uma imensa contribuição, sua arquitetura assemelhava-se à escultura: desenhou ambientes, peças de mobiliário e detalhes para suas construções, impregnado-as, às vezes, de um caráter alucinatório que o tornou alvo de admiração dos surrealistas. Outros expoentes da arquitetura desta época foram E.Vallin, H.Grimard, Louis Sullivan entre tantos outros. Foi no campo das artes plásticas que o Arte Nouveau mais se expandiu. Os principais artistas foram Eugène Grasset, Jules Chéret, Pierre Bonnard, Toulouse-Lautrec, Teophille Steinlen, Felix Vallonton, A. Mucha, Edward Munch entre tantos outros na Inglaterra, Holanda, Estados Unidos, Alemanha, Escócia, Bélgica...
Na técnica de vidro cito Emíle Gallé, cuja produção ligava-se às formas da natureza. Grande variedade de vasos e abajures, com decoração esmaltada ou em camadas superpostas em relevo formando contornos de insetos, folhas e flores de longas hastes.
Nos Estados Unidos, Tiffany enriqueceu a arte da vidraçaria fabricando vasos de linhas delgadas, elegantes e coloridos. E René Lalique deixou sua marca única, conhecida mundialmente. M.Vrubel, Klimt, Visconti deixaram suas belas marcas em murais e mosaicos, enquanto Bugatti, Gaillard e outros deram suas contribuições aos móveis decorativos.
No início do século XX os preceitos e teorias do Art Nouveau já apareciam desgastados, suas formas mal copiadas. O Art Nouveau não repudiou a industrialização, mas não sobreviveu a ela: o técnico substituiu o artesão.


Abajur Tiffany

Cartazes ilustrativos

Rua Cândido Reis / Porto, Portugal



Antoni Gaudi: Casa Mila (La Pedrera)