21 de junho de 2017

ARTE: PEQUENAS E RÁPIDAS NOÇÕES



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Pintura Paleolítica



Os pintores paleolíticos são figurativos realistas, sintéticos no desenho e na cor. A pata dianteira direita da figura do boi - na caverna de Montinac Lascaux, França - está representada de frente e nunca se insinua a aplicação de perspectiva. A pintura pré-histórica perde esse realismo visual na idade neolítica.
Um exemplo: Boi selvagem / caverna de Montinac Lascaux, França.



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Pintura Neolítica


É a primeira mudança de estilo ou de escola observada na história da pintura. Esquematizadores e geometrizadores das imagens, os neolíticos chegam a verdadeiras abstrações.
Um exemplo: Vaso mesopotâmico.



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                         Pintura Egípcia


Os egípcios distinguem-se pela elegância decorativa, predominância do desenho, desconhecimento da perspectiva científica e simplificação da forma. Usam, sistematicamente, a lei de frontalidade, como vemos no rosto, no olho e no tronco de frente.
Um exemplo: Um casal oferece sacrifícios à Ísis – painel.



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Pintura Grega

Não restaram obras originais da pintura grega antiga. Conhecemos indiretamente – decorações dos vasos de cerâmica, esculturas, referências críticas. No período clássico (serena na expressão e equilibrada na composição), é idealizada a realidade. No período helenístico, ela torna-se realista, dramática, movimentada na composição.


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                  Pintura Cristã Primitiva
  
O primitivo pintor cristão usava símbolos figurativos – peixes e âncoras - e símbolos abstratos – círculos. Por associação com o disco solar, o círculo talvez fosse Cristo. Mais tarde, atenuadas as prevenções com a estatuária pagã, tornaram-se exclusivamente realistas figurativos.
Um exemplo: Desenho numa catacumba   
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Pintura Bizantina

O mosaico foi, por excelência, a técnica de decoração mural bizantina. Difundiu-se pela Europa. A pintura, propriamente dita, exerceu-se sobretudo nos ‘íconos’, quadros religiosos pintados a encáustica.
Um exemplo: O Imperador Justiniano e sua corte / Igreja San Vitale, Ravena.

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Pintura Românica

Dominados por fortes sentimentos religiosos, os românicos eram deformadores e coloristas intensos. Eram parecidos com os expressionistas e fovistas modernos.
Um exemplo: Anjos musicistas, afresco espanhol, séc XIII.





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                          Pintura Gótica

Sob a influência das miniaturas, isto é, as ilustrações feitas à mão nos livros medievais, a pintura gótica é minuciosa e adquiria acentuado realismo. Originou-se na França. No seu realismo, está anunciando o espírito racionalista da Renascença. Estilo que se disseminou por toda a Europa Ocidental entre 1375 e 1425. Características: elegância palaciana, e o detalhamento naturalista, ligados à vida aristocrática.




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                     Pintura Renascentista Alemã

Os artistas nórdicos europeus, alemães, escandinavos, holandeses e flamengos, expressam mais a beleza visual das formas, mais adequada ao temperamento latino. Dürer é o mais típico representante da pintura renascentista no norte da Europa, onde foram atenuadas as influências dos modelos do classicismo grego.

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                              Prenúncios do Barroco

Miguel Ângelo contrariou os princípios de equilíbrio da composição, harmonia das formas e serenidade de expressão do renascimento clássico. Pela vigorosa dramaticidade do sentimento, prenuncia o Barroco, que se definirá no século XVII.



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Renascimento Italiano



O Renascimento foi um movimento importante, de renovação cultural e artística que
se originou na Itália no séc. XIV e marcou a mudança da Idade Média para a Idade Moderna. Do teocentrismo Medieval - que via em Deus todas as coisas -, o homem avançou para o Humanismo, uma filosofia surgida no Renascimento e que predominou mais na Idade Moderna. Foi neste período que o homem passou a ser o centro do mundo. Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Rafael, Donatello, Brunelleschi e Botticelli...


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                   Pintura Rococó

Os pintores rococós refletem, nos temas e na técnica, inclusive na própria delicadeza da pincelada e na luminosidade das cores, as idéias, os sentimentos, e os hábitos da aristocracia européia do século XVIII.





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Pintura Neo-Clássica

Os neoclássicos ou acadêmicos, inspiraram-se diretamente nos modelos da antiguidade clássica greco-romana. Revivem as formas de beleza ideal da estatuária grega. São convencionais e pouco imaginativos.
David – pintor oficial de Napoleão – foi o chefe desta escola.
A Morte de Marat / 1793 – Museu Royal de Belas Artes, Bélgica.




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                              Pintura Romântica

Os românticos, chefiados por Delacroix, reagem ao convencionalismo dos acadêmicos. São imaginativos, dramáticos, movimentados e coloristas veementes. Possuíam muitos pontos de afinidades com o barroco, pelo predomínio das faculdades emocionais sobre as intelectuais, na criação artística.


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                      Pintura Realista

Os realistas, sob o comando de Gustave Courbet - 1810 / 1867 , reagem ao convencionalismo neoclássico e à emoção dos românticos. Negam a imaginação. A pintura é uma arte objetiva, destinada a fixar as coisas existentes, não as imaginadas. O pintor representa somente aquilo que vê.
Um exemplo: Peneiradoras de trigo.


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                  Pintura Cubista Analítica

Decompondo as formas num processo intelectual arbitrário, em sucessivos planos e ângulos, os cubistas pretendiam obter a representação total da estrutura dos objetos, como se os contemplássemos simultaneamente por todos os lados. Quando a decomposição se faz minuciosamente
Um exemplo: Picasso Ambroise Vollard (1867-1939) e Georges Braque 1882 / 1958, Jarra e violoncelo.




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                       Pintura Futurista

Os futuristas pretendiam expressar e não representar a velocidade, nova beleza do mundo, criada pela técnica moderna. Para evitar a impressão de imobilidade, substituíam as imagens figurativas por planos, retas e linhas, impregnadas de dinamismo e movimento.
Um exemplo: Umberto Boccioni 1882 / 1916 , Estudo para o estado d’alma.


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                                    Pintura Abstracionista Informal

No abstracionismo informal as formas e cores são espontâneas e livres, criadas muitas vezes num estado de verdadeiro automatismo psíquico. Não representam as aparências da realidade, mas expressam tensões, conflitos, ritmos impregnados da vitalidade da natureza.
Um exemplo: Vassily Kandinsky 1866 / 1944 – Estudo.


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                  Pintura Cubista Sintético

No segundo período do Cubismo, a decomposição da forma se faz de maneira sumária. Esse período denomina-se Cubismo Sintético. Reaparecem as imagens visuais, as cores são mais vivas e decorativas. São predominantes as preocupações de composição, dentro porém da geometrização das formas e obedecendo a princípios renascentistas denominados ‘Número de Ouro’.
Um exemplo: Pablo Picasso – 1881

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                    Modernismo Brasileiro

Cândido Portinari / 1903-1962, embora formado sobre princípios acadêmicos na Escola Nacional de Belas Artes, libertou-se do academismo, para marcar de versatilidade, ecletismo e inspiração popular sua extrema obra. A fase expressionista, quando fixou tipos e cenas populares, é uma das mais vigorosas, inclusive pelas intenções políticas e sociais. Figuram muitos, entre eles Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Anita Mafalti...

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                        Pintura Impressionista


Para demonstrar as constantes e sutis alterações que a luz do sol produzia nas cores da natureza, modificando-as incessantemente, Claude Monet pintou a fachada da catedral de Rouen, em diferentes horas do dia. Os impressionistas afirmavam não ser a cor uma qualidade permanente dos objetos. Altera-se conforme o ângulo de incidência dos raios solares.
Um exemplo: Monet / 1840 – 1920, Catedral de Rouen.


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                            Pintura Neo-Impressionista



Pintura pós-impressionista, em voga em França entre 1886 e 1906, e cujo pioneiro foi Georges Seurat.
Neo-Impressionismo culmina o processo de diluição das formas, que se tornam simples e irisadas vibrações luminosas e coloridas.



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                             Pintura  Expressionista

Pelos paroxismos líricos e exasperação patética do desenho e da cor, que traduzem sentimentos e não sensações, Van Gogh influenciou diretamente no aparecimento do Expressionismo, a primeira grande tendência da pintura moderna, surgida entre os alemães e outros povos nórdicos europeus.
Um exemplo: Noite estrelada.



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                      Pintura Surrealista Figurativa

Na mesma linha de Salvador Dali, fusão do real com o fantástico Magritte notabiliza-se pelas qualidades técnicas do colorido expressivo e seguro desenhista. Explora o modo especial os elementos de surpresa para criar sugestões misteriosas.
Um exemplo: O Curandeiro, de René Magritte / 1898, Ismael Nery...Figuras /1926.
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                   Pintura Surrealista Abstrata

As manifestações do subconsciente podem ser expressadas por meio de formas abstratas, símbolos e signos, como na pintura de Miro, o mais típico surrealista abstrato. Sob muitos aspectos, o Surrealismo Abstrato confunde-se com o abstracionismo Informal, sobretudo nas formas do Tachismo e do Grafismo.
Um exemplo: Joan Miro / Travessia Poética.




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                       Composições Gráficas

Ao contrário dos Tachistas – que o fazem por meio de manchas - os grafistas expressam-se impulsivamente por meio de traços, linhas ou graficamente. Inspiram-se na caligrafia abstrata oriental, particularmente na chinesa. Exprimem tensões e ritmos vertiginosos.
Um exemplo: Jackson Pollock / 1912 – 1956, com Composição.


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24 de maio de 2017

HIGINO PEREA – UM ARTISTA COMPLETO


Quadro fotografado no atelier de Higino Perea - trabalhado com pó de ouro


Tive o privilégio de ter em minhas mãos o currículo, a biografia e dezenas de fotos das obras de um artista completo, sensível, técnico, criativo. Um artista que pinta com o coração. Um dos mais premiados artistas plásticos latino-americano.
José Higino Perea nasceu em 12 de janeiro de 1939 em Lima / Peru. Filho de mãe Inca e pai norte-americano, Perea passou a infância em Cuzco, antiga capital do Império Inca, localizada a sudoeste do Vale Sagrado dos Incas na Cordilheira dos Andes. E foi lá que o menino José Higino Perea descobriu sua vocação para a arte.
Cuzco, com suas ruelas de pedra, seu sol e sua neve e com sua cultura que passa de pai para filho, está viva. Estão lá nos Andes e se fazem presentes a todo o momento na minha obra, nas minhas memórias’.
Perea começou menino, fazendo arte em madeira e em couro. Aprimorou sua arte com intensos estudos de desenho, de pintura, escultura, tapeçaria e pirogravura nas escolas cusquenhas onde ficou até os 14 anos.
Com o apoio da mãe, amigos e professores, Perea começou a trabalhar profissionalmente numa importante indústria de móveis em Lima. Verdadeiras obras pintadas, esculpidas, detalhadas. Sua vinda ao Brasil , há 47 anos, ocorreu após ter casado com uma gaúcha que conheceu na Alemanha Ocidental. Moraram na Itália, Peru, Angola, Estados Unidos, Inglaterra, Japão e vieram para o Brasil - Rio de janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Artista completo, Perea ao desenhar os deuses Incas, manifestava predileção por Tumi, imagem que fez em ouro e esmeraldas. Eram facas da civilização Inca em formato da letra T, utilizadas para diversos fins, inclusive cirurgias para retirar ossos fraturados, pedaços de metais ou restos de armas dos crânios dos guerreiros feridos.
Suas exposições são conhecidas e estão espalhadas pelo Brasil, Peru, EUA, Africa, Alemanha, China, Austrália, Colômbia, Chile, Japão Canadá, Argentina, Equador, Panamá, México, Holanda, Suécia e Itália. Um artista latino-americano que nos orgulha com suas obras em importantes museus e galerias do mundo. Sua pintura está na memória, é versátil, evoca os Andes, a população cuzquenha, a natureza morta, a fidelidade de rostos conhecidos, as Madonas da arte sacra - com rostos belíssimos.
Seus quadros estão espalhados pelas melhores galerias e museus do mundo como o do Palácio Royal de Holanda, Palácio Municipal de Milão, Museu de Arte de Estocolmo, Prefeitura de Hishinomiya (Japão), Hotel Copacabana Palace no Rio de Janeiro... e por esse mundo afora. 
Fiquem agora com uma pequena mostra desse pintor, sensível onde não há barreiras para sua arte e para seu talento.



Detalhes dos rostos...
< Clique nas fotos pequenas para aumentá-las >


Obras no atelier

Atelier





(Mais obras de H Perea clique nesse mesmo blog  aqui. )

Contato com o artista Higino Perea:
email: hpereapascual@gmail.com

Show Room Artes Plásticas - Atelier Machu Picchu
Endereço: Avenida São Miguel, nº 1051, bairro Centro, Dois Irmãos, RS - Brasil
telefones: (51) 99988-5110 e (51) 99906-5600
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30 de abril de 2017

ARNOLD BÖCKLIN - A Ilha dos Mortos

- 1880 - (em cinco versões)

- Tais Luso de Carvalho

Nascido na Suíça, em Basiléia / 1827, Arnold Böcklin aparece junto com Ferdinand Hodler, como o mais importante pintor suíço do século 19. Nas décadas de 1980 e 1890 foi o artista mais influente do mundo germânico ainda que, desde 1850 tenha passado a maior parte de seu tempo na Itália.

Logo enquadrou-se no Movimento Simbolista, da época, porém não se deixou influenciar pelos artistas franceses. Começou a pintar paisagens românticas. Depois suas obras inspiraram-se muito em figuras mitológicas, porém sua obsessão era com a morte; era ignorar a realidade e realçar a fantasia. Consolidou sua reputação com a obra 'Pan entre os Juncos' (1857), que marcou o momento que voltou ao mundo das ninfas, dos sátiros náiades e dos tritões, obtendo por vezes resultados absurdos.

Para ele o mundo era um sonho alucinatório, povoado dessas ninfas, sereias e faunos que traduzia a inquietude do homem. Sua tendência ao fantástico acentuou-se ainda mais após uma visita à Roma onde entrou em contato com as lendas e as mitologias locais dos quais extraiu o repertório para suas produções.

Posteriormente seu estilo tornou-se mais sombrio e carregado de sentimento místico como expressa em sua obra mais conhecida, A Ilha dos Mortos, perto de seu estúdio e onde enterrou sua pequena filha Maria. Essa obra, de 1880, encontra-se, atualmente, no Metropolitan Museun de Nova York. Ao todo são 5 versões - no qual o barqueiro dos infernos, Caronte, transportava as almas para outro mundo. Suas imagens mórbidas instigaram os surrealistas. O artista descreveu a primeira versão da obra A Ilha dos Mortos de uma maneira muito peculiar:

Aqui têm, como desejaram, um quadro para sonhar. Ele terá de parecer tão silencioso que nos assustamos se alguém bater à porta. - Böcklin.

O próprio Böcklin tinha intitulado seu quadro como Um Quadro Para Sonhar. Seu negociante de arte,  Gurlitt, que conhecia o gosto da época, interferiu e lhe deu o nome de A Ilha dos Mortos. É uma obra dramática e, na sua quinta versão aparecem trovoadas que tornam a cena mais clara e pesada. Mesmo assim a Ilha apresenta uma calma misteriosa e inquietante. Será um lugar de culto ou  jazigo? Vemos fantasia, tranquilidade, despedida e nostalgia.

Intensamente criativo, Böcklin transformou-se no decorrer de sua carreira, num pintor extremamente preocupado com os detalhes. Foi como se quisesse, através desses cuidados, dar uma consistência mais objetiva às suas inquietantes fantasias.

Trabalhou em Dusseldorf, Roma, Weimar, Basiléia, Zurique, Munique e Florença. Exerceu influência sobre Max Ernest, Salvador Dali e Giorgio De Chirico. A melhor coleção de Böcklin está em Kunstmuuseum da Basiléia, sua cidade natal. O atelier mostrado abaixo é em Zurique.
Veio a falecer em 1901 - em Fiesole.

Algumas Obras:

Despontar da Primavera 1880 - Jovem com Flores 1866 - Auto-retrato - Brincando nas Ondas 1883 -Triton e Nereida - Ulisses e Calipso 1883 - Mar Calmo  1887 - A Ilha dos Mortos (em 4 versões) - Pan entre os Juncos  1858 - Ataque de Piratas 1886 - Medusa - Santo Bosque - Capela - Ruínas do Mar, entre tantas outras.

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Outra versão de A Ilha dos Mortos


Fontes:
Dicionário Oxford
Arte nos séculos – abril cultural
História da Pintura - Könemann

Arnold Böcklin

18 de abril de 2017

MANET E O IMPRESSIONISMO



por Tais Luso de Carvalho

Édouard Manet, pintor e artista gráfico, nasceu em Paris, em 1832, no seio de uma família abastada. Seu pai era um alto funcionário do Ministério da Justiça e não aprovava, no início, a escolha do filho.

A formação burguesa moldou-lhe a personalidade, pois mesmo estigmatizado pelo meio, como um rebelde, sempre buscou o êxito, as homenagens tradicionais e comportava-se como homem de alta sociedade. 

Quando completou 18 anos entrou no atelier de Thomas Couture onde permaneceu por 6 anos.  Após, saiu e fez sua escolha pessoal, estudando a fundo as obras de artistas italianos e espanhóis pertencentes à coleção do Louvre.

Sua obra, O Bebedor de Absinto / 1859, o qual retratou um alcoólico,  foi rejeitada pelo juri do Salon. Outra obra, Le Déjeuner sur l'herbe, pintado em 1863 foi a primeira das suas  obras escandalosas. Em seguida,  com  Olympia - 1865,  causou maior comoção. A hostilidade com que foi recebida baseou-se-se não só em critérios estéticos, mas também em critérios morais.

A nudez  só era considerada aceitável quando representada num contexto suficientemente remoto no tempo  ou na mitologia, mas em Le Déjeuner sur l'herbe  mostrava uma mulher nua, fazendo piquenique com dois homens trajando vestes contemporâneas.

Em Olympia, a figura nua reclinada, foi baseada na Vênus de Urbino, de Ticiano (a qual Manet copiara em Florença dez anos antes).  Sua sexualidade, nada discreta, foi considerada ofensiva aos padrões aceitos na época.

De um crítico da exposição: a arte que desce a um nível tão baixo não merece, sequer, reprimenda. Manet foi atacado, também, por  sua técnica arrojada nas quais as finas gradações tonais da arte acadêmica  foram eliminadas em favor de contrastes vivos de luz e sombra.

O quadro Le Déjeuner sur l'herbe permite entender a posição de Manet face aos artistas acadêmicos – que o detestavam; mas, os pintores impressionistas o consideravam um mestre - apesar de nunca ter participado ativamente na vida do grupo.

'Os insultos chovem sobre mim como granizo', escreveu Manet ao seu amigo Baudelaire que, ao lado de Émile Zola foi um de seus maiores defensores. E foi nessa época que Manet percebeu que passava a desempenhar um papel de líder da vanguarda pelo grupo de jovens impressionistas, como também Monet, Renoir, Bazille, Sisley e Cezanne.

Mas, apesar de tudo, nos seus últimos anos Manet aproximou-se das técnicas impressionistas. Usou frequentemente o método de pintura em plena natureza de uma forma cada vez mais livre e mais espontânea.

O seu desprezo e fuga da pintura tradicional trouxe-lhe o respeito dos impressionistas. À partir de 1868, expôs regularmente no Salon, que considerava o seu verdadeiro campo de batalha pela nova arte.

Seus temas prediletos eram os associados à vida moderna, desenhando nos bulevares e cafés de Paris, apesar dos críticos não o pouparem, dizendo que Manet  só era capaz de pintar o que estivesse em sua frente, sendo incapaz de usar a imaginação. 

Manet é visto como um dos fundadores da arte Moderna e foi muito significativo  o título oficial da primeira exposição pós-expressionista, organizada por Roger Fry, em 1910: 'Manet e os Pós-Impressionistas'.

Nos seus últimos anos, ampliou o campo dos seus temas, elaborando retratos e naturezas mortas.

Manet começou a sofrer de ataxia locomotora, com dores insuportáveis, após uma perna amputada devido à complicações da sífilis. As honrarias  que tanto desejava, vieram tarde demais. Fora do tempo para serem apreciadas. 
Morreu em 1883.






fontes consultadas:
Os Mestres da Arte / As origens da pintura contemporânea - Porto Ed.
O Mundo da arte- Arte Moderna / Enciclopédia Britânica do Brasil Publicações LTDA.