05/07/2020

ARTE BIZANTINA & ROMÂNICA

Mosaico: Imperador Justiniano e sua corte / Igreja San Vitale, Ravena


 - Tais Luso de Carvalho


Nos primeiros séculos depois da oficialização do cristianismo, essa primitiva pintura cristã dividiu-se em dois grandes ramos: 
um oriental, outro ocidental.


O ramo Oriental é a Pintura Bizantina.

A arte Bizantina surgiu na cidade de Bizâncio,  hoje Istambul. Na época, era capital do Império Romano do Oriente. O gosto do povo bizantino era inclinado ao luxo e esplendor, expressavam-se abundantemente na sua arte. Expressavam-se, sobretudo, na técnica dos majestosos e cintilantes murais de mosaicos, feitos de pequenos cubos de pedra ou artificiais, embutidos na parede com argamassa e também nos ícones, quadros religiosos pintados com têmpera ou encáustica, com incrustações de pedras preciosas, metais valiosos e matérias raras. Não eram contudo, um mero emblema de deleite, mas mostrava-se profundamente condicionada pelos ideais peculiares à própria civilização. 

Por exemplo, a forte corrente para alcançar a espiritualidade, proibia a glorificação do homem, em consequência disso a escultura não teve grandes possibilidades de desenvolvimento. A arte que mais se destacou foi a arquitetura, que teve que ser mística e extraterrena.

Como a civilização bizantina era um composto de elementos romanos e orientais, era inevitável que a sua arte combinasse o amor à grandiosidade e o talento da engenharia romana com a variedade de colorido  e a riqueza de detalhes característicos do oriente. 

Também, à serviço da religião, a pintura bizantina obedecia à lei da frontalidade, sob formas diferentes da egípcia. Desse modo era também uma arte dirigida. Na execução dos mosaicos, afrescos, ou ícones os artistas obedeciam a verdadeiros formulários prescritos pelos padres e aprovados nos Concílios, pois a pintura tinha como principal finalidade a propagação das verdades da fé e da História Sagrada, entre as populações iletradas da Idade Média.

A suprema obra artística da civilização bizantina foi a igreja de Santa Sofia, construída com enorme dispêndio de dinheiro pelo imperador Justiniano.


Seu ponto máximo foi a arquitetura, e cuja características foram:


- Uso de mármore em abundância.
- Decoração utilizando a flora e fauna como motivos principais.
- Torres com minaretes.
- Uso de arcadas sobre colunas e cúpulas pendentes.
- Uso do arco romano e do arco ogival ao mesmo tempo.


São desse período, entre outras, as seguintes obras arquitetônicas:
- Basílica de São Marcos, em Veneza.
- Basílica da Natividade, em Belém
- Igreja de Santa Sofia,  em Constantinopla
- Igreja de Santa Sofia, Rússia


Basílica de São Marcos - Veneza


Na pintura as principais características eram:

- Ausência de perspectiva e de volume
- Figuras sacras ou de imperadores
- Figuras alongadas, magras, pés, mãos e cabeça pequenos
- As figuras eram todas do mesmo tamanho, destacando-se algumas, apenas.
- Ausência de paisagem ao fundo
- Uso de ícones e das iluminuras
- Predomínio do mosaico
- Uso do azul, vermelho e muito dourado.

As outras artes bizantinas incluíam a escultura em marfim, os objetos de vidro com relevos, os brocados, as iluminuras em manuscritos, a ourivesaria e a joalheria, e muita pintura. Esta, porém não se desenvolveu tanto como as outras artes.  Os artistas bizantinos, em geral, preferiam os mosaicos. Eram desenhos conseguidos pela combinação de pequenos pedaços de vidro ou de pedra coloridos, formando padrões geométricos, figuras simbólicas de plantas e animais, ou mesmo uma cena rebuscada de significado teológico.
As representações de santos ou de Cristo eram comumente deformadas para criar a impressão de intensa piedade.


A pintura Bizantina se desenvolveu por mil anos, por todo o Império Bizâncio, destruído pelos turcos em 1453.



Abaixo: 
Mosaico descoberto sob a camada de tinta sobreposta pelos mulçumanos.
O mosaico representa o imperador Justiniano (à esquerda) oferecendo a igreja, e o Imperador Constantino oferecendo a cidade de Constantinopla à Virgem e seu filho. (Bizantine Institute).


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O ramo Ocidental é a Pintura Românica. 

Período que teve início no século V. Era uma pintura sobrecarregada de expressão pela intervenção de fortes sentimentos religiosos e, por isso mesmo, bastante deformadora das imagens visuais, rudimentar de técnica, muitas vezes ingênua e de inspiração popular. Desconhecia a perspectiva, o claro e o escuro, não representando a ilusão de espaço e de volume.

Destinava-se a traduzir sentimentos e distinguia-se pela vivacidade das cores. Sua técnica mais constante era a do mural afresco, no interior das pesadas igrejas românicas. Esta pintura evoluiu a partir do ano de 1200 para novas técnicas que iriam constituir a pintura gótica.




Arte Românica


Afresco Românico

Os pintores românicos caracterizaram-se não como criadores de telas de pequenas proporções, mas como muralistas. A pintura românica desenvolveu-se nas grandes decorações murais, favorecidas pelas formas arquitetônicas: as abóbadas e as paredes laterais com poucas aberturas criavam grandes superfícies. Na pintura mural era utilizada a técnica do afresco.

Os murais tinham como modelo as ilustrações dos livros religiosos, pois naquela época era intensa, nos conventos a produção de manuscritos eram decorados à mão com cenas bíblicas.

Os motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. A pintura românica não registrou assuntos profanos. Para as igrejas e os mosteiros geralmente eram escolhidos temas como a criação do mundo e do ser humano, o pecado original, a arca de Noé, os símbolos dos evangelistas e Cristo em majestade.

A deformação, na verdade, traduzia os sentimentos religiosos e a interpretação mística que o artista fazia da realidade. Não havia nenhuma intenção em imitar a natureza.

Basílica de Saint-Sernin, Toulouse / França
Torre de Pisa / arquitetura românica



Referências:
História da Arte - G.Proença
História da Arte - Duílio Battistoni Filho
Civilização Ocidental - McNall Burns




07/06/2020

ARNOLD BÖCKLIN - A Ilha dos Mortos

- 1880 - (em cinco versões)

- Tais Luso de Carvalho

Nascido na Suíça, em Basiléia / 1827, Arnold Böcklin aparece junto com Ferdinand Hodler, como o mais importante pintor suíço do século 19. Nas décadas de 1980 e 1890 foi o artista mais influente do mundo germânico ainda que, desde 1850 tenha passado a maior parte de seu tempo na Itália.

Logo enquadrou-se no Movimento Simbolista, da época, porém não se deixou influenciar pelos artistas franceses. Começou a pintar paisagens românticas. Depois suas obras inspiraram-se muito em figuras mitológicas, porém sua obsessão era com a morte; era ignorar a realidade e realçar a fantasia. Consolidou sua reputação com a obra 'Pan entre os Juncos' (1857), que marcou o momento que voltou ao mundo das ninfas, dos sátiros náiades e dos tritões, obtendo por vezes resultados absurdos.

Para ele o mundo era um sonho alucinatório, povoado dessas ninfas, sereias e faunos que traduzia a inquietude do homem. Sua tendência ao fantástico acentuou-se ainda mais após uma visita à Roma onde entrou em contato com as lendas e as mitologias locais dos quais extraiu o repertório para suas produções.

Posteriormente seu estilo tornou-se mais sombrio e carregado de sentimento místico como expressa em sua obra mais conhecida, A Ilha dos Mortos, perto de seu estúdio e onde enterrou sua pequena filha Maria. Essa obra, de 1880, encontra-se, atualmente, no Metropolitan Museun de Nova York. Ao todo são 5 versões - no qual o barqueiro dos infernos, Caronte, transportava as almas para outro mundo. Suas imagens mórbidas instigaram os surrealistas. O artista descreveu a primeira versão da obra A Ilha dos Mortos de uma maneira muito peculiar:

Aqui têm, como desejaram, um quadro para sonhar. Ele terá de parecer tão silencioso que nos assustamos se alguém bater à porta. - Böcklin.

O próprio Böcklin tinha intitulado seu quadro como Um Quadro Para Sonhar. Seu negociante de arte,  Gurlitt, que conhecia o gosto da época, interferiu e lhe deu o nome de A Ilha dos Mortos. É uma obra dramática e, na sua quinta versão aparecem trovoadas que tornam a cena mais clara e pesada. Mesmo assim a Ilha apresenta uma calma misteriosa e inquietante. Será um lugar de culto ou  jazigo? Vemos fantasia, tranquilidade, despedida e nostalgia.

Intensamente criativo, Böcklin transformou-se no decorrer de sua carreira, num pintor extremamente preocupado com os detalhes. Foi como se quisesse, através desses cuidados, dar uma consistência mais objetiva às suas inquietantes fantasias.

Trabalhou em Dusseldorf, Roma, Weimar, Basiléia, Zurique, Munique e Florença. Exerceu influência sobre Max Ernest, Salvador Dali e Giorgio De Chirico. A melhor coleção de Böcklin está em Kunstmuuseum da Basiléia, sua cidade natal. O atelier mostrado abaixo é em Zurique.
Veio a falecer em 1901 - em Fiesole.

Algumas Obras:

Despontar da Primavera 1880 - Jovem com Flores 1866 - Auto-retrato - Brincando nas Ondas 1883 -Triton e Nereida - Ulisses e Calipso 1883 - Mar Calmo  1887 - A Ilha dos Mortos (em 4 versões) - Pan entre os Juncos  1858 - Ataque de Piratas 1886 - Medusa - Santo Bosque - Capela - Ruínas do Mar, entre tantas outras.

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Outra versão de A Ilha dos Mortos


Fontes:
Dicionário Oxford
Arte nos séculos – abril cultural
História da Pintura - Könemann

Arnold Böcklin

27/04/2020

FRANCISCO BRENNAND


     -  Tais Luso de Carvalho

Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu em junho de 1927, na cidade do Recife – Brasil. Ceramista, escultor, desenhista, pintor e gravador.

Em novembro de 1971, o artista começou a reconstruir a velha fábrica de cerâmica São João da Várzea, fundada pelo seu pai em 1917. Inicia a restauração do conjunto e o transforma em um grande atelier, com áreas fechadas para exposição e também em áreas em que as obras ficam expostas a céu aberto.

Hoje, após mais de 34 anos de trabalho intenso e obsessivo, confrontamo-nos com esse complexo escultórico, cujo significado dá relevo a um sentido da arte mitológica e religiosa sonhado por Francisco Brennand.

Em sua obra, Brennand conta que existem várias mulheres da mitologia greco-romana, sobretudo latina, permeadas por outras figuras femininas que o atraíram por serem mulheres desafortunadas. Esse infortúnio parece que acompanha a história da mulher, principalmente como um centro de gravidade de um universo passional.

Brennand fez sem grande esforço uma coleção de esculturas onde várias delas são mulheres muito infelizes, angustiadas, quase histéricas, usando grandes cabelos negros e cujas cabeças são lançadas para trás, ressaltando as gargantas inchadas e salientes, o que lhes dava a aparência de pescoços mutilados.

Antes de qualquer obra há um esboço de desenho e qualquer de seus trabalhos são contínuos e obsessivos.

'Quando pinto, sou um artista ocidental. Quando faço cerâmica minha pátria é um abismo pelo qual vou resvalando sem saber o que encontrarei no fundo'.

Em suas pinturas vinham sempre pensamentos cartesianos, planejamentos estruturados, intenções précias sobre a composição, a geometria e, finalmente a matéria que só o pincel isolado pode criar e isso tudo sem a definitiva ajuda mágica do fogo.

Desde a juventude Brennand foi atraído tanto pela pintura como pela literatura. Portanto livros de Dostoievski e de Emily Brontë tiveram sobre sua formação de artista o mesmo peso da descoberta dos mestres da pintura como Gauguin, Cézanne ou Van Gogh. E, estando na Europa essas influências foram multiplicadas por dez. Nenhum jovem estudante de pintura poderia escapar da influência de Pablo Picasso. Entre 1940 e 1950 estudou em paris e Barcelona.

Brennand conquistou o prêmio de melhor documentário da Mostra Internacional de São Paulo de 2012 e o troféu de melhor filme Nacional da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).
Aos 85 anos conceituado escultor e pintor pernambucano, instalou numa olaria herdada de seu pai, mais do que um santuário de criação, um parque temático, rodeado por belas e curiosas esculturas gigantes.



Pinturas
Oficina - atelier Brennand
Sofrimento 


Salão de esculturas

            
                        
Veja os vídeos da história da oficina Brennand (até o final)

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Entrevista de Brennand ao Jornal do Comércio - agosto 2008. 
Caderno de Arte ZH março 2013
História da Arte / Graça Proença
Site oficial Brennand




Clique: Instituto 'Ricardo Brennand' ( um tour maravilhoso)

21/02/2020

ARTE SACRA - VÁRIAS IMAGENS


por Tais Luso /  Imagens 70 cm  
 São Francisco de Chagas / pint. cusquenha

Há muitos anos venho me dedicando a esta arte, desenvolvendo várias técnicas com pouco envelhecimento para que o estilo Barroco conserve as características do luxo e da beleza, mantendo em minhas imagens as feições delicadas e singelas, como eram originalmente as Imagens Sacras.

Meu objetivo é transmitir emoção, através de traços que possam levar esperança, conforto e ternura, independente de minha postura religiosa.

Trabalho pensando em quem tem fé ou em alguém que esteja em busca dela.
Durante muitos anos ensinei a técnica do barroco e sua história. Vi, então, como é forte o sentimento religioso das pessoas; pude constatar o fervor e a necessidade de fé. E isso é muito bom.
O trabalho para mostrar o luxo e a grandiosidade da época barroca estava de acordo com suas aspirações, pois a soberania européia aspirava por um estilo que exaltasse seus reinos, demonstrando com isso todo o poder que tinham.

Santo Antônio 50 cm

 São Francisco / do centro - 1 metro / método de revestimento 


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Nesse blog - aqui -  a técnica da pintura


27/01/2020

ARTE GÓTICA / pintura séc XIII ao XV

Maestà / Simone Martini

        - Tais Luso de Carvalho


A era do Gótico abre um novo capítulo na história da arte, uma época que marca o início da pintura secular e a transição da Idade Média para o Renascimento. Os artistas góticos procuravam suas inspirações no presente em que viviam, alcançando desta forma um novo realismo, alegre e colorido.

Os detalhes, coloridos e luminosos aliados à uma técnica perfeita tornaram-se características típicas da época e do novo estilo, espalhando-se por toda a Europa, atingindo seu ponto alto com os afrescos e os painéis de Giotto, de Duccio, dos irmãos Lorezetti, de Simone Martini e Fra Angélico, em Florença e Siena.

Marcaram muito os vitrais, na França e os retábulos de Jan Van Eyck e Rogier van der Weyden nos Países Baixos; também as iluminuras, executadas pelos irmãos Limburg e outros miniaturistas, enquanto os painéis em estilo suave eram produzidos pelos alemães e nos trabalhos de Stefan Lochner.

O Gótico, inicialmente, era um termo depreciativo. Só muito mais tarde apareceu como definição de uma época. Foi um termo criado pelos teóricos italianos do séc XV para algo que devia ser destruído.

O Gótico permaneceu, por mais tempo, em muitas zonas diferentes da Europa, durou mais tempo que o estilo Românico que o antecedeu, e consideravelmente mais que o Barroco que lhe seguiu.

Giotto é um dos maiores representantes do estilo gótico. Sua principal característica é a aproximação dos santos com a do ser humano. Assim, a pintura de Giotto dá uma humanização do mundo até a chegada do Renascimento. Suas maiores obras são os Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis na (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os Pastores.

A pintura gótica tem as mesmas características da pintura bizantina e românica e é, na sua maior parte, substituída pelo vitral, maravilhosa criação do espírito medieval. A arte gótica é também chamada de Arte das Catedrais ou arte das Ogivas. Surge no final do século XII, na França. É Uma fusão de elementos clássicos, bizantinos e bárbaros.

O que distingue a pintura Gótica é a predominância do traço, ondulante ou interrompido, mas também o ornamento ligado ao plano. Podemos ver nas dobras dos trajes das pinturas e esculturas da França de 1300, como também os cabelos ondulados e os braços dobrados vistos nas figuras de perfil. As túnicas são mais finas e justas; os penteados e as barbas são caracterizados por regulares caracóis. O rosto, geralmente, é magro e oval.

Na transição da pintura gótica para a pintura renascentista ocorreram acontecimentos de enorme consequência na técnica de pintar: descobriram e aperfeiçoaram a pintura a óleo dissolvidas no óleo de linhaça.

O pintor gótico do norte da Europa era bastante analítico e, pela veemência do sentimento religioso, era muito simbólico e formador de imagens da realidade. Porém estava voltando, gradualmente, à observação da natureza, à representação realista do mundo à base de sensações. Não era mais o místico bizantino ou românico que representava a realidade à base de ideias religiosas carregadas de simbolismo. Era período voltou a transmitir a ilusão de espaço e do volume, aplicando a perspectiva, o claro e o escuro, assim com maior realismo na paisagem e nos movimentos do corpo.

Na última fase da pintura gótica, nos anos de 1400 a 1500, apareceram os pintores pré-renascentistas. Distinguiam-se pela progressiva libertação do convencionalismo bizantino e da minúcia oriunda das miniaturas. Os italianos Giotto e Masaccio antecipam essa libertação.

Ana e Joaquim na Porta Dourada / Giotto

Na Espanha

Beijo de Judas / Giotto
Santos / Fra Angelico

Retrato de uma senhora / Petrus Christus
Madonna ruccelai / Duccio


Fontes:
Gótico / Robert Suckale - Matthias Weniger & Manfred Wundram (ED.)
História da Arte / Kenia Pozanato & Mauriem Gauer


08/01/2020

ARTE: PEQUENAS E RÁPIDAS NOÇÕES



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Pintura Paleolítica



Os pintores paleolíticos são figurativos realistas, sintéticos no desenho e na cor. A pata dianteira direita da figura do boi - na caverna de Montinac Lascaux, França - está representada de frente e nunca se insinua a aplicação de perspectiva. A pintura pré-histórica perde esse realismo visual na idade neolítica.
Um exemplo: Boi selvagem / caverna de Montinac Lascaux, França.



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Pintura Neolítica


É a primeira mudança de estilo ou de escola observada na história da pintura. Esquematizadores e geometrizadores das imagens, os neolíticos chegam a verdadeiras abstrações.
Um exemplo: Vaso mesopotâmico.



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                         Pintura Egípcia


Os egípcios distinguem-se pela elegância decorativa, predominância do desenho, desconhecimento da perspectiva científica e simplificação da forma. Usam, sistematicamente, a lei de frontalidade, como vemos no rosto, no olho e no tronco de frente.
Um exemplo: Um casal oferece sacrifícios à Ísis – painel.



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Pintura Grega

Não restaram obras originais da pintura grega antiga. Conhecemos indiretamente – decorações dos vasos de cerâmica, esculturas, referências críticas. No período clássico (serena na expressão e equilibrada na composição), é idealizada a realidade. No período helenístico, ela torna-se realista, dramática, movimentada na composição.


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                  Pintura Cristã Primitiva
  
O primitivo pintor cristão usava símbolos figurativos – peixes e âncoras - e símbolos abstratos – círculos. Por associação com o disco solar, o círculo talvez fosse Cristo. Mais tarde, atenuadas as prevenções com a estatuária pagã, tornaram-se exclusivamente realistas figurativos.
Um exemplo: Desenho numa catacumba   
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Pintura Bizantina

O mosaico foi, por excelência, a técnica de decoração mural bizantina. Difundiu-se pela Europa. A pintura, propriamente dita, exerceu-se sobretudo nos ‘íconos’, quadros religiosos pintados a encáustica.
Um exemplo: O Imperador Justiniano e sua corte / Igreja San Vitale, Ravena.

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Pintura Românica

Dominados por fortes sentimentos religiosos, os românicos eram deformadores e coloristas intensos. Eram parecidos com os expressionistas e fovistas modernos.
Um exemplo: Anjos musicistas, afresco espanhol, séc XIII.





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                          Pintura Gótica

Sob a influência das miniaturas, isto é, as ilustrações feitas à mão nos livros medievais, a pintura gótica é minuciosa e adquiria acentuado realismo. Originou-se na França. No seu realismo, está anunciando o espírito racionalista da Renascença. Estilo que se disseminou por toda a Europa Ocidental entre 1375 e 1425. Características: elegância palaciana, e o detalhamento naturalista, ligados à vida aristocrática.




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                     Pintura Renascentista Alemã

Os artistas nórdicos europeus, alemães, escandinavos, holandeses e flamengos, expressam mais a beleza visual das formas, mais adequada ao temperamento latino. Dürer é o mais típico representante da pintura renascentista no norte da Europa, onde foram atenuadas as influências dos modelos do classicismo grego.

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                              Prenúncios do Barroco

Miguel Ângelo contrariou os princípios de equilíbrio da composição, harmonia das formas e serenidade de expressão do renascimento clássico. Pela vigorosa dramaticidade do sentimento, prenuncia o Barroco, que se definirá no século XVII.



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Renascimento Italiano



O Renascimento foi um movimento importante, de renovação cultural e artística que
se originou na Itália no séc. XIV e marcou a mudança da Idade Média para a Idade Moderna. Do teocentrismo Medieval - que via em Deus todas as coisas -, o homem avançou para o Humanismo, uma filosofia surgida no Renascimento e que predominou mais na Idade Moderna. Foi neste período que o homem passou a ser o centro do mundo. Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Rafael, Donatello, Brunelleschi e Botticelli...


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                   Pintura Rococó

Os pintores rococós refletem, nos temas e na técnica, inclusive na própria delicadeza da pincelada e na luminosidade das cores, as idéias, os sentimentos, e os hábitos da aristocracia européia do século XVIII.





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Pintura Neo-Clássica

Os neoclássicos ou acadêmicos, inspiraram-se diretamente nos modelos da antiguidade clássica greco-romana. Revivem as formas de beleza ideal da estatuária grega. São convencionais e pouco imaginativos.
David – pintor oficial de Napoleão – foi o chefe desta escola.
A Morte de Marat / 1793 – Museu Royal de Belas Artes, Bélgica.




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                              Pintura Romântica

Os românticos, chefiados por Delacroix, reagem ao convencionalismo dos acadêmicos. São imaginativos, dramáticos, movimentados e coloristas veementes. Possuíam muitos pontos de afinidades com o barroco, pelo predomínio das faculdades emocionais sobre as intelectuais, na criação artística.


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                      Pintura Realista

Os realistas, sob o comando de Gustave Courbet - 1810 / 1867 , reagem ao convencionalismo neoclássico e à emoção dos românticos. Negam a imaginação. A pintura é uma arte objetiva, destinada a fixar as coisas existentes, não as imaginadas. O pintor representa somente aquilo que vê.
Um exemplo: Peneiradoras de trigo.


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                  Pintura Cubista Analítica

Decompondo as formas num processo intelectual arbitrário, em sucessivos planos e ângulos, os cubistas pretendiam obter a representação total da estrutura dos objetos, como se os contemplássemos simultaneamente por todos os lados. Quando a decomposição se faz minuciosamente
Um exemplo: Picasso Ambroise Vollard (1867-1939) e Georges Braque 1882 / 1958, Jarra e violoncelo.




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                       Pintura Futurista

Os futuristas pretendiam expressar e não representar a velocidade, nova beleza do mundo, criada pela técnica moderna. Para evitar a impressão de imobilidade, substituíam as imagens figurativas por planos, retas e linhas, impregnadas de dinamismo e movimento.
Um exemplo: Umberto Boccioni 1882 / 1916 , Estudo para o estado d’alma.


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                                    Pintura Abstracionista Informal

No abstracionismo informal as formas e cores são espontâneas e livres, criadas muitas vezes num estado de verdadeiro automatismo psíquico. Não representam as aparências da realidade, mas expressam tensões, conflitos, ritmos impregnados da vitalidade da natureza.
Um exemplo: Vassily Kandinsky 1866 / 1944 – Estudo.


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                  Pintura Cubista Sintético

No segundo período do Cubismo, a decomposição da forma se faz de maneira sumária. Esse período denomina-se Cubismo Sintético. Reaparecem as imagens visuais, as cores são mais vivas e decorativas. São predominantes as preocupações de composição, dentro porém da geometrização das formas e obedecendo a princípios renascentistas denominados ‘Número de Ouro’.
Um exemplo: Pablo Picasso – 1881

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                    Modernismo Brasileiro

Cândido Portinari / 1903-1962, embora formado sobre princípios acadêmicos na Escola Nacional de Belas Artes, libertou-se do academismo, para marcar de versatilidade, ecletismo e inspiração popular sua extrema obra. A fase expressionista, quando fixou tipos e cenas populares, é uma das mais vigorosas, inclusive pelas intenções políticas e sociais. Figuram muitos, entre eles Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Anita Mafalti...

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                        Pintura Impressionista


Para demonstrar as constantes e sutis alterações que a luz do sol produzia nas cores da natureza, modificando-as incessantemente, Claude Monet pintou a fachada da catedral de Rouen, em diferentes horas do dia. Os impressionistas afirmavam não ser a cor uma qualidade permanente dos objetos. Altera-se conforme o ângulo de incidência dos raios solares.
Um exemplo: Monet / 1840 – 1920, Catedral de Rouen.


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                            Pintura Neo-Impressionista



Pintura pós-impressionista, em voga em França entre 1886 e 1906, e cujo pioneiro foi Georges Seurat.
Neo-Impressionismo culmina o processo de diluição das formas, que se tornam simples e irisadas vibrações luminosas e coloridas.



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                             Pintura  Expressionista

Pelos paroxismos líricos e exasperação patética do desenho e da cor, que traduzem sentimentos e não sensações, Van Gogh influenciou diretamente no aparecimento do Expressionismo, a primeira grande tendência da pintura moderna, surgida entre os alemães e outros povos nórdicos europeus.
Um exemplo: Noite estrelada.



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                      Pintura Surrealista Figurativa

Na mesma linha de Salvador Dali, fusão do real com o fantástico Magritte notabiliza-se pelas qualidades técnicas do colorido expressivo e seguro desenhista. Explora o modo especial os elementos de surpresa para criar sugestões misteriosas.
Um exemplo: O Curandeiro, de René Magritte / 1898, Ismael Nery...Figuras /1926.
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                   Pintura Surrealista Abstrata

As manifestações do subconsciente podem ser expressadas por meio de formas abstratas, símbolos e signos, como na pintura de Miro, o mais típico surrealista abstrato. Sob muitos aspectos, o Surrealismo Abstrato confunde-se com o abstracionismo Informal, sobretudo nas formas do Tachismo e do Grafismo.
Um exemplo: Joan Miro / Travessia Poética.




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                       Composições Gráficas

Ao contrário dos Tachistas – que o fazem por meio de manchas - os grafistas expressam-se impulsivamente por meio de traços, linhas ou graficamente. Inspiram-se na caligrafia abstrata oriental, particularmente na chinesa. Exprimem tensões e ritmos vertiginosos.
Um exemplo: Jackson Pollock / 1912 – 1956, com Composição.


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