11 de setembro de 2016

CÂNDIDO PORTINARI: DIAS DE TRISTEZA...

Criança Morta

 - Tais Luso de Carvalho
Os últimos anos de Portinari foram tristes: os críticos o atacavam e os artistas novos, para os quais ele abrira o caminho, julgavam-no superado. Sofria com as críticas, porém continuava a pintar no seu estilo, não poderia se transformar num pintor abstrato, contrariar sua natureza. Dizia ele que  o valor da pintura não estava em pertencer esta ou aquela corrente, que os ignorantes confundiam arte com futebol.

Em sua tristeza, Portinari escrevia poemas: pintava de dia e escrevia de noite. Gostava de pintar e dizia que não pretendia descobrir a pólvora, que nenhuma posição o preocupava, gastava seu tempo procurando cores que se ajustassem e com isso não sobrava tempo para outras divagações.

Em 1960 nasceu sua netinha Denise - filha de João Cândido -, o que veio a diminuir muito de sua tristeza e solidão. Porém, ainda passava muitas horas de seus dias fitando o mar, sozinho, pensando em seus poemas, pensando na morte... 'Como é difícil morrer...'

No ano de 1961 viajou pela última vez à Europa, e quando voltou ao Brasil perdera a vontade de viver. Em 1962, intoxicado pela segunda vez pelo chumbo das tintas que já o atacara em 1952, não se recuperou. Faleceu às 11:40 da noite em companhia de sua mulher Maria (retrato), suas irmãs e seu médico. Seu corpo foi para o Ministério da Educação, para o edifício ao qual ele dera seu talento e esforço, o lugar onde começara sua glória. Dali saiu em carro de Bombeiro para o cemitério. Lá, foram tocados a Marcha Fúnebre e o Hino Nacional o qual milhares de pessoas ouviram sobre forte emoção.

'O homem mais triste do mundo é aquele que não tem nenhuma reserva de poesia. É o homem que cresceu demais. A criança tem as reações do poeta; quando cresce, ou a poesia se concretiza e nasce um artista, ou fica latente. O artista é o homem que nunca deixou de ser infantil.'

‘Todo artista que medite sobre os acontecimentos que pertubam o mundo chegará à conclusão de que fazendo um quadro mais ‘legível’ sua arte, ao invés de perder, ganhará. E ganhará muito, porque receberá o estímulo do povo’. (1947 em Buenos Aires)





Mais de Cândido Portinari:  aqui, neste blog.


- fonte: a vida dos grandes brasileiros


7 de agosto de 2016

ARTE NÃO SE LIMITA - Érico Santos

- Bananais -

     Após ter lido um dos livros escritos pelo artista Érico Santos - Arte: emoção e diálogo, fisguei um dos seus textos  que achei de muita relevância.  Um texto em que o artista fala com muita propriedade, pois sua palavra é digna de crédito, pelo conceituado artista que é, atuante no mercado de Arte desde 1974, com estúdios em Porto Alegre e Milão/Itália.
    Érico realizou inúmeras exposições individuais e bem mais de 200 exposições coletivas no Brasil, México, Estados Unidos, Espanha, França, Inglaterra e Itália, onde obteve diversos prêmios e comendas. Começou nas artes como desenhista publicitário, ilustrador e cartunista. Também formado em Direito, profissão que atuou por vários anos. Transcrevo na íntegra, seu artigo:

ARTE DEMAIS    ( por Érico Santos)

Certo domingo, li num jornal uma matéria de um especialista em decoração de interiores que versava sobre o que, atualmente, é chique ou em desuso na arrumação das paredes da casa. Estarreceu-me a afirmação de que não se deve colocar muitos quadros: numa parede grande, apenas um é suficiente para dar aquele toque de bom gosto.

Vê-se assim, como a arte é vista de formas diferentes conforme as diversas concepções de cada pessoa. No caso, esse decorador, tão imiscuído na finalidade da sua tarefa – tornar ambientes agradáveis – deturpou totalmente o propósito das obras de arte, reciclando-as para apenas quadros. A arte deixa de existir em si para se transmutar em elemento de um conjunto. Retirou-lhe o espírito para que se tornasse um corpo num ambiente. Lembrou-me, aliás, aqueles que compram livros bem encadernados, a metro, para enfeitar a estante nova.

Estarreceu-me aquele artigo, não pela ignorância artística daquele profissional, porque a falta dela é ainda, um privilégio de poucos, mas sobretudo pela insensibilidade que, aos seres de alma, não se justifica. Sua afirmativa foi grotesca porque para aquelas pessoas pouco dotadas de conhecimento artístico e, pior, sensibilidade, é um estímulo a se desfazerem de seus quadros para esvaziar as paredes. Não seria o mercado de arte o grande derrotado, mas o espírito. Os bem-dotados de alma continuarão a comprar obras de arte, porque as veem para o espírito, e não para as paredes. E se decoração é tornar ambientes agradáveis, com certeza para essas pessoas, paredes abarrotadas de quadros só lhes farão bem. Aos demais, recomendo que troquem a cada ano aquele único quadro, porque decorar só por decorar cansa, além de ter que se subjugar a modismos.

Os bons decoradores sabem o quão agradável é entrar numa casa cujos livros se amontoam nas estantes, por toda a parte, e obras de arte se acumulam com a desafetação nas paredes. Transmite instantaneamente, não apenas uma aura de bem-estar, como também um requintado estilo de vida que só os que sabem viver – e não necessitam provar nada a ninguém – conhecem.

Para concluir: não se deve quantificar o uso de uma obra de arte, assim como não se deve limitar a leitura de livros, a audiência a concertos, a assistência a peças de teatro, etc. A arte pode servir como decoração, mas subsidiariamente; assim como há quadros com o único propósito de decorar e não são vistos como obras de arte pelo seu usuário. Porém, se o autor da matéria não se referiu a quadros como obras de arte, retiro tudo o que foi dito. Nesse caso será que uma bela moldura vazia, solitária, no meio de parede, não cumpriria sua finalidade?

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Arte: emoção e diálogo / Érico Santos – Porto Alegre: Uniprom 1999. pág 19

Chaleira e cuia sobre pelegos


Cena urbana / Bric da Redenção - Porto Alegre
Parque Farroupilha - Porto Alegre
Casa Cor 2014 / São Paulo - Sig Bergamin

7 de julho de 2016

ALMEIDA JÚNIOR - 1850 / 1899

Moça com livro - 1879 / Almeida Júnior

- Tais Luso


José Ferraz de Almeida Júnior nasceu em 8 de maio de 1850 na cidade de Itu / São Paulo. Um dos mais representativos precursores do modernismo no Brasil morreu tragicamente assassinado nos braços de sua amante, mulher de seu assassino (seu primo), no Largo da Matriz de Piracicaba/São Paulo, diante da família, de crianças e de alguns estranhos. Aspectos da vida particular de Almeida Júnior tornam-se curiosos à medida que sua morte foi ocultada por dezenas de anos pelas famílias envolvidas na tragédia

Sua obra Saudade foi pintada meses antes de sua morte. Trata-se de uma moça, de luto, que chora a morte do marido enquanto contempla sua fotografia. Premonição?

A linguagem acadêmica e a visão quase fotográfica que se revelavam nos quadros do artista, situam-no como um pintor convencional. Entretanto a originalidade do tema, captando a realidade brasileira de cenas caipiras, mostram um certo espírito renovador, antecipando o ideal dos modernistas, animando-os.

Portinari inspirou-se em Almeida Júnior para criar sua temática da pintura nacional. Cresceu como grafiteiro, inventando pinturas nos muros da cidade. Regionalista não aderiu ao movimento impressionista, mantinha-se dentro do atelier, com seu trabalho acadêmico realista.

Seus mestres foram Jules le Chefrel, Pedro Américo e Vitor Meireles. No Rio de Janeiro ingressou na Academia Imperial de Belas Artes. Porém, no ano de 1876, o Imperador D. Pedro II, fascinado com o seu trabalho, deu-lhe uma bolsa para a École Naturale Superieure des Beaux-arts, onde tornou-se aluno de Alexandre Cabanel, um dos mais renomados pintores da época, permanecendo em Paris até 1882. Em 1873 voltou ao Brasil abrindo seu atelier em São Paulo. E, em 1884 recebeu o prêmio concedido pelo governo Imperial, A Ordem da Rosa.

Em 1897 expõe em São Paulo a grandiosa Partida da Monção, obra que lhe custou dois anos de trabalho.
Seu nome permanece vivo no cenário artístico brasileiro, através de inúmeros trabalhos onde suas composições se desenvolveram em curvas amplas e superfícies imersas em luz, traduzindo o encantamento das paisagens do interior. 

Apaixonado pelas mulheres e pela pintura, a verdadeira história de sua morte foi desenhada e colorida na clandestinidade de amores e romances atormentados. Isso torna até compreensível sob o aspecto emocional, sua morte de aventureiro - assassinado em praça pública, no dia 13 de novembro no ano de 1899, aos 49 anos.


Clique nas fotos para aumentá-las
    Picando o fumo / 1893                                      Saudade / 1899
Leitura / 1892 
 Descanso do modelo / 1882
O Violeiro / 1899
O derrubador brasileiro / 1879

Referências e fotos.
Pintura no Brasil / Abril Cultural
Dicionário Oxford
Dasartes / Artes visuaii em revista

10 de junho de 2016

IGREJAS: LUXO E BELEZA!



A arte no interior das igrejas foi usada como uma maneira de conquistar mais fiéis. A arte teria de contribuir para despertar uma religiosidade de cunho mais profundo. Pois foi no Renascimento que o barroco, considerado como a arte da contra-reforma, com muito luxo e formas arredondadas e rebuscadas, que a igreja católica partiu para a conquista e reconquista de seus fiéis.


Os santos, através de expressões de agonia, ternura e compaixão passaram a emocionar uma época. A arte foi utilizada para propagandear, através de suas imagens, as idéias religiosas revitalizadas e concebidas segundo o novo espírito: o de transmitir sentimentos e estados de ânimo à gente devota.


Em geral o interior das igrejas era o preferido - não o exterior. O estilo barroco na construção de igrejas surgiu como um desenvolvimento do estilo renascentista que alcançou seu apogeu na metade do século XVIII.


Deixo aqui alguns barrocos belíssimos, altar-mor, pinturas e afrescos do interior de algumas igrejas - uma arte tida como equivocada e exagerada. Pode ter sido um exagero da igreja, mas sem dúvida de uma beleza indiscutível. Como arte, sendo exagerada ou não, agradou a todos; sem dúvida foi o período de maior riqueza.


Fascinante porque emociona em ver e sentir o que a mão humana é capaz. Construiu em nome de Deus e da fé. E não em nome das guerras.

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Catedral da Transfiguração / Moscou
São Nicolau / Praga



21 de maio de 2016

MARK ROTHKO – Pintor Expressionista Abstrato




Mark Rothko, um dos maiores coloristas do mundo, afetou diretamente o futuro da arte moderna e abstrata. Nascido em 1903, na Rússia, onde hoje é a Letônia, filho de pais judeus, sua família emigrou para os Estados Unidos em 1913. 
 Foi um dos personagens mais ilustres da Escola de Nova York e, em particular, um dos criadores da colour field paitings.  Estudou na Universidade de Yale e, no campo artístico, foi em grande parte um autodidata e afetou 
Nas décadas de 30 e 40 foi influenciado pelo expressionismo e pelo surrealismo, mas por volta de 1947 começou a desenvolver seu estilo maduro e característico.
Suas pinturas consistem tipicamente em grandes faixas retangulares de cor, dispostas em paralelo, geralmente em formato vertical.
As arestas de tais retângulos são suavemente imprecisas o que lhes confere uma quantidade brumosa.
Em 1928 ele fez sua primeira exposição, mas a fama demorou a chegar e durante muito tempo Rothko ganhou a vida ensinando arte.
Suas obras foram influenciadas pela ousadia no uso da cor de Milton Avery, que rothko levou a níveis mais profundos e intensos.
Em 1935 ajudou a fundar o Grupo Dez, com artistas expressionistas abstracionistas.
Com medo da influência crescente dos nazistas na Europa, em 1938 Rothko se tornou cidadão americano e em 1940 mudou seu nome Marcus Rothkomitz para Mark Rothko. No mesmo ano ajudou a fundar a Federação dos Pintores e Escultores Modernistas, cuja intenção era manter a arte livre da propaganda política.
No fim da década de 1940 ele se aproximou de um estilo cada vez mais abstrato, eliminando todos os elementos descritivos de sua obra. No mesmo ano ajudou a fundar a Federação dos Pintores e Escultores Modernistas, cuja intenção era manter a arte livre da propaganda política.
Em 1961, alcançou o sucesso, sendo tema de uma grande mostra retrospectiva organizada pelo Museum of Modern Art of Nova York.
Suas obras mais tardias tendem a tonalidades mais sombrias, talvez refletindo o estado de depressão que o levou ao suicídio.
Rothko considerava como suas obras-primas a série de nove pinturas com Negro sobre Marrom e Vermelho sobre marrom, feitas para decorar um restaurante no edifício Seagram / Nova York, no entanto doadas à Tate Gallery, por Rothko, pouco antes de sua morte, por suicídio, em 1970.



Clique nas obras + zoom



Referências: 
Dic.Oxford de Arte - Martins Fuentes, SP, 2007
Grandes Artistas - ed.  Sextante, Rio de Janeiro - 2009

1 de maio de 2016

REALISMO: COMO TRABALHA UM PINTOR REALISTA?



GUSTAVE COUBERT NESTE BLOG: aqui

Segundo a concepção realista, a pintura destina-se a representar as coisas concretas e existentes. Os temas abstratos ou imaginados não pertencem ao domínio da pintura. O pintor realista só representa aquilo que vê. Não poderá representar, por ex um episódio da mitologia grega ou da Bíblia, pela simples razão de não o ter visto ou de não o ver. A beleza está na própria realidade e o talento artístico consiste em descobri-la e acentuá-la, sem recursos e fórmulas históricas e ideias, como entre os neoclássicos, nem às efusões emocionais, como nos românticos.

Ser realista, porém, não é ser exato e minucioso como uma fotografia. Ser realista é ser verdadeiro. Ser verdadeiro é selecionar, sintetizar e realçar os aspectos mais característicos, expressivos, e por isso mesmo, mais comunicáveis e inteligíveis das formas da realidade, não sendo necessário idealizá-las ou perturbá-las com a emoção.

Ao representar um tigre, por ex, o realista não precisa ser minucioso, descendo a descrição analítica dos detalhes; não precisa fazer as pestanas do tigre! Pode ser sintético, porque será verdadeiro desde que nos transmita o caráter do tigre, isto é, a sua ferocidade e poderosa força elástica.

No caso do retrato se o modelo tiver aquele queixo irregular, denunciador de sua personalidade, que o neoclássico esconderia em nome da forma idealmente bela, o realista não o corrigirá. Fixa-o com verdade, pois certamente o achará belo e rico de caráter. 

O realista não será eminentemente desenhista, como o neoclássico, nem veemente colorista como o romântico. Estabelecerá entre a linha e a cor, ou entre as faculdades intelectuais e as emocionais, no ato da criação artística. Não será documental como uma fotografia, porque será sintético, eliminando os elementos acessórios e insignificantes, sem força expressiva para definir o caráter do modelo e o ambiente que o cerca. Por último, poderá ainda enriquecer a sua obra de intenções políticas e sociais, refletindo tendência da época, que já havia nos românticos.


EDWARD HOPPER NESTE BLOG: aqui



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Referência: Como entender a pintura moderna / Carlos Cavalcanti 
- ed Civilização Brasileira


25 de março de 2016

WILLIAM TURNER



- Tais Luso de Carvalho

Joseph Mallord William Turner, nasceu em Londres no ano de 1775 e foi um dos mais bem-sucedidos artistas do século 19. Desde garoto demonstrou inclinação à pintura fazendo desenhos que seu pai expunha na vitrina de sua barbearia. Já aos 12 anos como aprendiz do gravador John R. Smith, coloria gravuras obtendo noções de perspectiva e aquarela. Seu enorme talento abriu-lhe as portas da Royal Academy (1789), para se aperfeiçoar.

Aos 20 anos foi contratado por uma revista – Copper Plate Magazine – para fazer ilustrações. Seu trabalho consistia em viajar pelo interior da Inglaterra, retratando velhos castelos, abadias, catedrais e paisagens. Revelou-se excelente aquarelista, preocupado, sobretudo, com os efeitos de luz. 

Apesar do processo de urbanização da Inglaterra, consequência da Revolução Industrial, Turner continuou fiel às paisagens, característica que o consagrou como um dos últimos românticos ingleses. Em 1796, quando expôs suas primeiras paisagens a óleo, foi recebido com sucesso. Em 1799 foi eleito membro da Royal Academy. O sucesso deu-lhe condições para viajar à França e à Suíça, pintando paisagens locais.
Em 1804, construiu atrás de sua casa, na Harley Street uma galeria para expôr permanentemente suas obras, transferindo-a, depois, para a Queen Ann Street. Em 1804 foi nomeado professor da Royal Academy.

IMPRESSIONISTA

Trabalhava sempre seus esboços ao ar livre, mas coloria em casa, confiando em sua memória e valendo-se de anotações valiosas. Foi em 1819 que fez uma longa viagem pela Itália, quando se familiarizou com as obras de Canaletto. Dessa viagem surgiu uma nova fase, que se prolongou até 1840: a obsessão pela luz tomou conta de suas telas.

Turner não só mostrava apenas os detalhes do local em que retratava, mas em descrever as condições atmosféricas e como elas modificavam as cenas, causando impacto emocional no espectador.

Passou a pintar muito as marinhas ou paisagens com muita água, onde a luz podia se refletir. Mal compreendido pelos seus conterrâneos foi chamado de  O pintor do branco. É dessa fase a obra  Fragata Téméraire (1839), retratada no momento em que era rebocada. 

Nessa tela, ela é de cor prata, sobre um fundo de pôr de sol e com a imensidão do mar refletindo a cena. Porém a obra foi considerada vistosa, mas sem valor.
Solteirão, transferiu-se para Chelsea, sob o nome falso de Mr Booth, afim de afastar os inoportunos. Os vizinhos julgavam-no um velho marinheiro aposentado e meio louco. 

Suas telas passaram a se constituir de vibrações de luz e movimento; pintava cataclismos cósmicos e passou a interessar-se pelo conflito dos elementos. Os contemporâneos não o compreenderam, mas para os impressionistas era um mestre, que passava a impressão instantânea registrada pela retina.

O escritor e crítico de arte John Ruskin o defendeu quando seus conterrâneos só viam o negativo em suas obras. Em Os Pintores Modernos, obra publicada em 1843, Ruskin descreve:

A tempestade de neve como uma das maiores afirmações do movimento do mar, da névoa e da luz que jamais foram retratadas numa tela.

Morreu em Londres, em 1851, deixando ao patrimônio nacional toda a sua obra: cem telas acabadas, 182 inacabadas e mais de 19.000 desenhos e aquarelas. Para compor essa coleção chegou a recusar vultosas somas, pois achava sua obra muito importante para ficar em mãos particulares. Considerava-se um patrimônio artístico. Sempre que podia comprava trabalhos que vendera quando jovem, para legá-los à Nação.

Seu grande mestre, sua maior inspiração foi Claude Lorrain. Ao deixar suas obras à Nação, exigiu que em seu testamento duas de suas obras fossem sempre expostas ao lado de duas obras de Claude Lorrain.

Ficou visto como o grande compositor plástico da luz, do espaço, do vento e dos segredos. Entendia a linguagem secreta das tempestades e das ondas. Falava com o mar e com as nuvens. Calmarias, geadas, vendavais, nevascas, tudo se transformava de uma forma visionária, com contornos imprecisos dentro da imensidão dos espaços abertos, dos turbilhões da natureza. Nele a figura humana desaparecia.

Segundo sua vontade foi sepultado na Catedral de Saint Paul, ao lado de Sir Joshua Reynolds.










fontes:
Arte Moderna - Norbert Linton 
Grandes pintores - P. Derengoski
Grandes artistas - Sextante


16 de março de 2016

JEAN-MICHEL BASQUIAT - VIDA E OBRA


Scull - 1981


               - Tais Luso
Jean Michel Basquiat nasceu em 1960, Nova York / Estados Unidos. Pintor neo-expressionista e grafiteiro norte-americano, Basquiat era filho de Gerard Jean-Baptiste Basquiat, ex-ministro do interior do Haiti que se tornou proprietário de grande escritório de contabilidade ao imigrar para os Estados Unidos e de Mathilde Andrada, de origem porto-riquenha. Era o primeiro, dos três filhos do casal, de classe média alta.
Aos três anos já desenhava caricaturas e reproduzia personagens dos desenhos animados da televisão.
Mas seu gosto pela arte se tornou coisa séria e um dos seus programas favoritas era, já aos seis anos, frequentar o Museu de Arte Moderna de Nova York, de onde tinha carteira de sócio mirim.
Uma tragédia o colocou ainda mais próximo da arte, quando aos sete anos foi atropelado e no acidente teve o baço dilacerado. Foi submetido a uma cirurgia e ficou uma temporada no hospital. Sua mãe, então lhe deu de presente um livro de anatomia - Gray's Anatomy - que teria grande influência em seu futuro de artista, revelado pelas pinturas de corpos humanos e detalhes de anatomia.
Quando seus pais se divorciaram, mudou-se com o pai e as irmãs para Porto Rico e lá viveu de 1974 a 1976. Aos 17 anos voltou a Nova York, mas não conseguiu se adaptar às escolas convencionais. Passou a frequentar a Edward R. Murrow High School mas a abandonou no final do curso. saiu de casa, e foi morar com amigos, onde passou a pintar camisetas que ele mesmo vendia nas ruas.
Com o amigo grafiteiro criou a marca SAMO que usava para espalhar as suas obras pelas paredes da cidade. Passa a viver nas ruas e a grafitar paredes, portas de casas e metrôs de Nova York.
Em pouco tempo tornou-se famoso, começou a aparecer numa TV a cabo e convidado a participar de um filme Downtown 81 investindo o dinheiro que ganhou em materiais de pintura. O filme relata um dia na vida do jovem artista à procura da sobrevivência e mistura Hip-hop, New-wave e Graffiti - manifestações artísticas típicas do início da década de 80.
Daí em diante tornou-se conhecido internacionalmente como artista de vanguarda, convivendo com com Andy Warhol, com quem compartilhou forte amizade.
Começou a pintar telas que passaram a ser adquiridas e comercializadas por marchands de Zurique, Nova York, Tóquio e Los Angeles. Passou a ser um artista consumido e recebido nos salões mais chiques e exclusivos de Nova York. Sua arte era chamada de primitivismo intelectualizado, uma tendência neo-expressionista que retrata personagens esqueléticos, rostos apavorados e mascarados, carros, edifícios, policiais, ícones negros da música e do boxe, cenas da vida urbana, além de colagens, junto a pinceladas nervosas, rabiscos, escritas indecifráveis, sempre em cores fortes e em telas grandes.
A arte de Basquiat, chamada de primitivismo intelectualizado, quase sempre o elemento negro está retratado, em meio ao caos. Contudo, há também uma desmistificação de grandes ícones da história da arte, como a Mona Lisa que é uma figura monstruosa riscada no suporte.
O período mais criativo da curta vida de Basquiat situa-se entre 1982-1985, e coincide com a amizade com Warhol, época em que fez colagens e quadros com mensagens escritas, que lembram o graffiti do início e que o remetem às suas raízes africanas. É também o período em que começa a participar de grandes exposições.
Com a morte do amigo e protetor Andy Warhol (pop-art) em 1987, Basquiat fica abalado, perdido e debilitado, e isso se reflete na sua criação. A crítica, exigente, já não o trata com unanimidade e Basquiat responde a essas cobranças como racismo.
Vendo-se sozinho, passou a exagerar no consumo de drogas. Em 1988, de uma overdose de heroína, põe fim a uma carreira brilhante. Salientou-se como o primeiro afro-americano a ter sucesso nas artes plásticas de Nova York. Morreu nos Estados Unidos em 12 de agosto, aos 27 anos.
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Baptism - 1982

Warhol and Basquiat - 1985

boy and dog - 1982

Bird on money - 1981

head - 1981                                          Fishing - 1981                                
poison-oasis - 1981

Rice and chicken - 1982

Obras Públicas:
Osaka City Museum of Modern, Art, Japão;
Chicago Art Institute, Illinois, Estados Unidos;
Everson Museum of Art, Syracuse, Nova York, Estados Unidos;
Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York, Estados Unidos;
Kestner-Gesellschaft, Hannover, Alemanha;
Museum Boymans-van Beuningen, Roterdão, Holanda;
Museum of Contemporary Art, Chicago, Estados Unidos;
Museum of Contemporary Art, Los Angeles, Estados Unidos;
Museum of Modern Art, Nova York, Estados Unidos;
Museum of Fine Arts, Montreal, Canadá;
Whitney Museum of American Art, Nova York, Estados Unidos.
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