17/10/2020

BARROCO / INTRODUÇÃO



Igreja Santiago de Compostela
   
UM POUCO DA HISTÓRIA DO BARROCO 


O período conhecido como Barroco,  que abrange os sécs. XVII e XVIII da arte européia, pode ser encarado como um meio-termo entre a Renascença e a era moderna. Num certo sentido foi a retomada da Renascença.

Como todas as fases da arte, o Barroco passou pela conhecida sequência de ascensão,  apogeu e declínio. Mas a semelhança com a Renascença vai ainda mais longe. Os artistas do Barroco e da Renascença defrontavam-se, essencialmente, com os mesmos gêneros de tarefas e trabalhavam, predominantemente, para os mesmos clientes: a corte, a aristocracia e a Igreja.  

O Barroco foi um termo estilístico para descrever a arte que surgiu primeiro na Itália, pouco antes de 1600, florescendo até meados do séc. XVIII espalhando-se pela França, Alemanha, Áustria, Polônia, Espanha e colônias espanholas além-mar.

Em italiano e francês circulou como um sentido metafórico que significava qualquer ideia enrolada ou um processo tortuoso e intrincado de pensamento.

A sua aplicação à arte só começou na segunda metade do séc. XVIII, durante a ascensão do Neoclassicismo. Era até certo ponto um estilo em oposição aos valores clássicos.

O crítico italiano Milizia escreveu em 1797: ' o Barroco é a última palavra em bizarria; é o ridículo levado a extremos. Borromini caiu no delírio, ao passo que, na sacristia de S.Pedro, Guarini, Pozzi e Marchione adotaram o Barroco'

No séc. XIX a palavra continuou a ser usada para certos aspectos da arquitetura italiana seiscentista, embora a hostilidade para com o estilo se propagasse às outras artes e também à arte de outros países. Só depois da publicação de 'Renaissance und Barock – de H.Wölfflin, 1888, foi que o Barroco neutralizou-se para fins de história da arte, mesmo que aplicado a um período anterior – 1530 e 1630.

Apenas na Alemanha era respeitada, no resto da Europa era considerada, ainda, uma continuação aviltada da arte da Renascença.

Na Inglaterra e na América o preconceito popular contra o Barroco manteve-se até quase a II Guerra Mundial. Desde então teve aceitação - em parte - devido à disposição contemporânea em considerar qualquer estilo segundo os seus próprios méritos, em vez de julgá-lo de acordo com padrões estéticos abstratos e devido a audácia do Barroco para o gosto moderno.

Igreja de Jesus, Roma de arquitetura de Giacomo Vignola, iniciada em 1568: o uso barroco de materiais ricos e decoração com ornatos como meio de glorificação a Deus e apêlo às emoções do crente, é apresentado nestas fotos. No início a decoração era despojada e só recebeu a sua presente forma no final do séc XVII. Pinturas da cúpula e nave por Gaulli - de 1672 a 1683.



O pioneiro desta arte, torneada, ousada e cheia de rebuscamentos luxuosos foi o italiano F. Barromini no século XVII. O barroco mostrou-se não só nas artes propriamente dita, mas também na literatura e na música. O ponto alto eram os detalhes. Tudo estava de acordo com as aspirações da época, pois a soberania européia aspirava por um estilo que exaltasse seus reinos, demonstrando com isso, todo o poder que tinham. 

Notabiliza-se pelo dinamismo e movimento das formas, violentos contrastes de sombra e luz para obtenção de intensos efeitos expressivos, bastante emocionais, ora patéticos, ora suntuosos. Essa movimentação das formas dramática ou decorativa, observa-se também na arquitetura e na escultura.


O Barroco no Brasil / clique aqui
O Barroco e a Igreja Católica / aqui 

  

13/10/2020

AUGUSTE RODIN



 - Tais Luso de Carvalho

Um dos maiores escultores que o mundo já viu chama-se François Auguste René Rodin que nasceu em Paris, 1840 e faleceu em Meudon em 1917 / França.

Oriundo de uma família muito pobre, foi motivo de chacota por sua falta de habilidade acadêmica, então se tornando um homem bastante reservado. Trabalhou 3 anos como pedreiro ornamental. Começou com seus desenhos profissionais aos 13 anos. Suas esculturas eram feitas em argila, gesso, mármore e bronze e tornaram-se inconfundíveis, pois Rodin desenvolveu uma técnica perfeita, para pele, músculos e expressões faciais.

Contudo, não era reconhecido pelo seu talento, e pela primeira vez, aos 18 anos, foi rejeitado pela École de Beaux-Arts de Paris.

Suas primeiras obras foram criadas em monumentos desenhados por outras pessoas, e em ateliês movimentados. Na década de 1860, muito frustrado por não ser aceita sua produção artística, sofreu um colapso emocional. Passou algum tempo num monastério, para se recuperar. Quando melhor, alugou um atelier onde começou a contratar alguns modelos.

Em 1875, Rodin visitou a Itália, onde se inspirou na arte clássica, principalmente nas obras de Michelangelo Buonarroti.

Sua perfeição era tão grande ao retratar o corpo humano e suas proporções tão exatas que, ao mostrar suas obras foi acusado de trapacear por usar molde de uma pessoa, sem esculpir o modelo.

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Sua primeira grande obra foi As Portas do Inferno / 1880. Foi planejada para ser a entrada de um museu que nunca foi construído. Parte das 200 figuras que compunham a obra feita, Rodin usou algumas de suas figuras como obra independente, como no caso de O Pensador. A obra encomendada ficou como inacabada, fato que o angustiou até o final de sua vida. As várias moldagens da estrutura foram tiradas após a morte de Rodin. A composição geral é uma espécie de recriação romântica dos Portais do Paraíso elaborados por Ghiberti para a Catedral de Florença; as figuras contorcidas e angustiadas, lembram o juízo final de Michelangelo.
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Daí em diante – 1880 -, adquiriu fama e prestígio. Passou a produzir obras famosas como: O Pensador / Os Burgueses de Calais / O Beijo / O Ídolo eterno / O Homem com o Nariz Quebrado / A Idade do Bronze / Camille Claudel / A mulher Agachada / O Anjo caído / Balzac / O Beijo / La France / Torso de uma Mulher.

Pelo seu entusiasmo pela beleza feminina adquiriu a fama de eterno sedutor. Trabalhou em seu atelier com grandes escultores, entre os quais Camille Claudel, sua famosa aluna e amante, que o retratou em A Valsa.
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Sua antiga casa, em Paris, abriga o Museu Rodin. Existe outro Museu Rodin na Filadélfia.
Mas foi por volta de 1850 que sua saúde começou a deteriorar, por causa da depressão – por causa da falta do reconhecimento artístico. Com a morte da irmã em 1862, Rodin entrou novamente para um monastério. Porém, um padre amigo, percebendo que Rodin não tinha vocação religiosa, o aconselhou a voltar a esculpir para que pudesse se recuperar. O padre chamava-se Eymard, que Rodin também o esculpiu.

A influência de Rodin para o desenvolvimento da arte moderna é extraordinário: num esforço solitário ele resgatou a escultura da inércia em que se encontrava, abrindo caminho, nesta área, para a expressão individual.


Fontes: Dic. Oxford de Arte
Grandes Artistas - Stephen Farthing


24/09/2020

BEATRIZ MILHAZES E SUA OBRA CONTEMPORÂNEA

Sinfonia Nordestina - 2008

     - Tais Luso

Beatriz Milhazes, nasceu no Rio de Janeiro em 1960. É pintora, gravadora e ilustradora e professora. Iniciou-se em artes plásticas em 1980, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), fundada por Rubens Gerchman, em 1975. A Escola é referência nacional no ensino das artes, localizada em um parque nacional de mata Atlântica, numa casa de estilo eclético construída em 1920. Este espaço pertence à Secretaria de Estado de Cultura.
No período de 1984, no Parque Lage, aos 24 anos, participou do movimento Como vai você, Geração 80? - onde mais de 100 artistas questionaram a ditadura militar, e como um desabafo expressaram-se de diversas maneiras. Lá, Beatriz lecionou após ser aluna.
A cor tornou-se um elemento da maior importância na obra de Beatriz Milhazes, acompanhada de círculos – onde é a ideia central de suas obras, por onde tudo começa, interagindo com geométricos, quadrados, flores, arabescos e listras, onde a composição torna-se alegre e bela.
Vê-se em suas obras um comprometimento com a arte popular brasileira, a arte aplicada; também com o construtivismo, um movimento do início do séc. XX que baseava-se na ideia de que a arte deveria ser construída com elementos geométricos e materiais modernos, em vez de imitações.
Suas obras se impõem em qualquer ambiente, por serem muito coloridas, muitos cortes, muitos preenchimentos, muitos acontecimentos que ocorrem na trajetória de seu trabalho. É uma mistura de fauna e flora, de carnaval, de modernismo, de ornamentos, de arquitetura barroca a objetos de art-déco, lembrando intensamente os trópicos. Tudo se encontra alegremente misturados em suas colagens e conta, a artista, que sua inspiração veio muito de Mondrian, Matisse, Tarsila do Amaral e Burle Marx.
Num trabalho minucioso, Beatriz Milhazes trabalha no máximo dez obras por ano, onde a lista de espera por suas obras é grande.
Ao longo dos anos participou de Bienais em São Paulo e Veneza. Seu currículo apresenta obras nos acervos dos museus Moma, Guggrnheim e Metropolitan em Nova York; também na Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e na Fondation Cartier (Paris), Century Museum of Contemporary Art (Kanazawa, Japão), além de dezenas de coletivas desde 1983 nos Estados Unidos e em diversos países da América do Sul e Europa, como tantas outras exposições individuais em vários países.
Sua obra O Mágico, pintada em 2001, foi vendida em um leilão da Sotheby’s, em Nova York (2009), por cerca de R$ 1,6 milhão; sua tela O Moderno foi comprada em Londres por R$ 1,8 milhão pela Phillips de Pury & Company. E, em 2012, a obra Meu Limão foi vendida por 2 milhões de dólares na Galeria Sotheby's.


- clique nas fotos para aumentar -
Meu Limão
Serpentina - 2003
Surface and Surface
O Mágico
Painéis no metrô de Londres - 2005
Janelas da Pinacoteca São Paulo  2008 - obra de Beatriz Milhazes
Escola Parque Lage - Rio de Janeiro

Veja mais obras no vídeo  e a Exposição em Fortaleza até 24 de Maio de 2015



10/09/2020

JEAN-MICHEL BASQUIAT - VIDA E OBRA


 Obra  'Untitled 1982' de Basquiat  foi vendida  em 2017  
por US$ 110,5 milhões  ( R$ 370 milhões) 



            
           
              - Taís Luso 

Jean Michel Basquiat nasceu em 1960, Nova York / Estados Unidos. Pintor neo-expressionista e grafiteiro norte-americano, Basquiat era filho de Gerard Jean-Baptiste Basquiat, ex-ministro do interior do Haiti que se tornou proprietário de grande escritório de contabilidade ao imigrar para os Estados Unidos e de Mathilde Andrada, de origem porto-riquenha. Era o primeiro, dos três filhos do casal, de classe média alta.
Aos três anos já desenhava caricaturas e reproduzia personagens dos desenhos animados da televisão.
Mas seu gosto pela arte se tornou coisa séria e um dos seus programas favoritas era, já aos seis anos, frequentar o Museu de Arte Moderna de Nova York, de onde tinha carteira de sócio mirim.
Uma tragédia o colocou ainda mais próximo da arte, quando aos sete anos foi atropelado e no acidente teve o baço dilacerado. Foi submetido a uma cirurgia e ficou uma temporada no hospital. Sua mãe, então lhe deu de presente um livro de anatomia - Gray's Anatomy - que teria grande influência em seu futuro de artista, revelado pelas pinturas de corpos humanos e detalhes de anatomia.
Quando seus pais se divorciaram, mudou-se com o pai e as irmãs para Porto Rico e lá viveu de 1974 a 1976. Aos 17 anos voltou a Nova York, mas não conseguiu se adaptar às escolas convencionais. Passou a frequentar a Edward R. Murrow High School mas a abandonou no final do curso. saiu de casa, e foi morar com amigos, onde passou a pintar camisetas que ele mesmo vendia nas ruas.
Com o amigo grafiteiro criou a marca SAMO que usava para espalhar as suas obras pelas paredes da cidade. Passa a viver nas ruas e a grafitar paredes, portas de casas e metrôs de Nova York.
Em pouco tempo tornou-se famoso, começou a aparecer numa TV a cabo e convidado a participar de um filme Downtown 81 investindo o dinheiro que ganhou em materiais de pintura. O filme relata um dia na vida do jovem artista à procura da sobrevivência e mistura Hip-hop, New-wave e Graffiti - manifestações artísticas típicas do início da década de 80.
Daí em diante tornou-se conhecido internacionalmente como artista de vanguarda, convivendo com com Andy Warhol, com quem compartilhou forte amizade.
Começou a pintar telas que passaram a ser adquiridas e comercializadas por marchands de Zurique, Nova York, Tóquio e Los Angeles. Passou a ser um artista consumido e recebido nos salões mais chiques e exclusivos de Nova York. Sua arte era chamada de primitivismo intelectualizado, uma tendência neo-expressionista que retrata personagens esqueléticos, rostos apavorados e mascarados, carros, edifícios, policiais, ícones negros da música e do boxe, cenas da vida urbana, além de colagens, junto a pinceladas nervosas, rabiscos, escritas indecifráveis, sempre em cores fortes e em telas grandes.
A arte de Basquiat, chamada de primitivismo intelectualizado, quase sempre o elemento negro está retratado, em meio ao caos. Contudo, há também uma desmistificação de grandes ícones da história da arte, como a Mona Lisa que é uma figura monstruosa riscada no suporte.
O período mais criativo da curta vida de Basquiat situa-se entre 1982-1985, e coincide com a amizade com Warhol, época em que fez colagens e quadros com mensagens escritas, que lembram o graffiti do início e que o remetem às suas raízes africanas. É também o período em que começa a participar de grandes exposições.
Com a morte do amigo e protetor Andy Warhol (pop-art) em 1987, Basquiat fica abalado, perdido e debilitado, e isso se reflete na sua criação. A crítica, exigente, já não o trata com unanimidade e Basquiat responde a essas cobranças como racismo.
Vendo-se sozinho, passou a exagerar no consumo de drogas. Em 1988, de uma overdose de heroína, põe fim a uma carreira brilhante. Salientou-se como o primeiro afro-americano a ter sucesso nas artes plásticas de Nova York. Morreu nos Estados Unidos em 12 de agosto de 1988 aos 27 anos.
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Baptism - 1982

Warhol and Basquiat - 1985

Scull - 1981

boy and dog - 1982

Bird on money - 1981

head - 1981                                          Fishing - 1981                                
poison-oasis - 1981

Rice and chicken - 1982



Obras Públicas:
Osaka City Museum of Modern, Art, Japão;
Chicago Art Institute, Illinois, Estados Unidos;
Everson Museum of Art, Syracuse, Nova York, Estados Unidos;
Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York, Estados Unidos;
Kestner-Gesellschaft, Hannover, Alemanha;
Museum Boymans-van Beuningen, Roterdão, Holanda;
Museum of Contemporary Art, Chicago, Estados Unidos;
Museum of Contemporary Art, Los Angeles, Estados Unidos;
Museum of Modern Art, Nova York, Estados Unidos;
Museum of Fine Arts, Montreal, Canadá;
Whitney Museum of American Art, Nova York, Estados Unidos.
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29/08/2020

PEDRO ALEXANDRINO / um show de Natureza-morta

Maçãs e uvas - Pinacoteca de São Paulo

        
            - Tais Luso 

Pedro Alexandrino nasceu na cidade de São Paulo em 1856.

Em 1939, a Exposição Nacional do Rio de janeiro concedeu seu prêmio máximo a um artista de 83 anos: Pedro Alexandrino Borges. A premiação além de um reconhecimento pelo valor do trabalho apresentado, expressava também a admiração do público e da crítica especializada por uma vida inteiramente dedicada à arte.

Com apenas 11 anos, em 1867, o garoto paulista Pedro Alexandrino iniciava-se na pintura trabalhando com Claude Joseph Barandier, artista francês. Sua primeira obra – um retrato – foi executada um ano depois, iniciando-se assim uma carreira que continuaria até 1942, ano de seu falecimento.

Durante muito tempo Pedro Alexandrino trabalhava sucessivamente com diversos outros pintores brasileiros e franceses – em decoração.

A partir de 1880, Alexandrino recebeu lições regulares de desenho com o pintor João Boaventura Cruz, e logo em seguida começou a trabalhar sozinho em decoração, restaurações, painéis e outros trabalhos de pintura.

O contato com o grande pintor Almeida Jr., com quem passou a trabalhar e estudar em 1882, foi decisivo para sua arte. Foi com o grande mestre que seu gosto pela natureza- morta se acentua, e através de sua influência que conseguiu, finalmente, uma pensão para estudar na Europa, partindo para Paris em 1896, depois de cinco anos de estudos na Imperial Academia de Belas-Artes do Rio de Janeiro.

Os longos anos de sacrifício, estudo e dedicação foram proveitosos: na Europa Alexandrino estudou na Academia Cormon e com Antoine Vallon. Expôs, com regularidade no Salon des Artiste Français e em Baden-Baden, Veneza, Versalhes e Mônaco, sendo premiado nas duas últimas. E ainda agraciado com a Legião de Honra e a comenda da Coroa da Itália, figurando como artista de mérito da Academia de Gênova.

Voltando ao Brasil, em 1913, Pedro Alexandrino passou a viver exclusivamente de seus quadros e de aulas de pintura. Entre seus alunos estavam Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Aldo Bonadei.

Apesar de ter sido um pintor contemporâneo ao impressionismo e de ter assistido ao desenvolvimento da arte moderna, Alexandrino manteve-se fiel à sua arte: a natureza morta, às pesquisas sobre a matéria, com sua veracidade de brilho, opacidade e relevo.

Morreu em São Paulo no ano de 1942 de broncopneumonia. Foi um dos mais destacados artistas desse gênero.


A copa - Museu Nacional de Belas Artes
Metal, cristais e abacaxi
Composição: Jarra de metal e bananas
Aspargos
Natureza-morta / coleção particular




(Referências: Pintura no Brasil / Arte nos Séculos – Abril Cultural)







07/08/2020

O REALISTA EDWARD HOPPER


Quarto de Hotel


     - Taís Luso

Edward Hopper nasceu em 22 de Julho de 1882, na cidade de Nyack-NY, Estados Unidos.

Na década de 1930, um dos maiores pintores norte-americano, Edward Hopper já era visto como um dos gigantes da pintura americana. Sua obra consistente e incessante, foi criada em Nova Iorque onde ele vivia, com exceção de duas breves estadias na Europa.

Aos trinta anos realizou sua primeira exposição e foi um choque. Precursor da beat generation, dos hippies, dos angry men, Hopper atravessava os Estados Unidos, o Canadá e o México em busca de inspiração. E o que encontrava era a solidão da riqueza.

Dentre as principais características de sua obra, está a retratação da vida cotidiana e dos costumes da época.

Quadros terrivelmente vazios, salas voltadas para os interiores, espaços fechados, tensão psicológica das cidades nuas, como se a sociedade fosse um teatro. Edward Hopper expressava suas reflexões sobre o passado tentando mostrar a maneira individualista em que se vivia na época. Suas pinturas retratavam a desolação da vida urbana, com figuras humanas que se isolavam.

Uma luz evanescente, artificial, faz movimentar personagens quase estáticas, como se esperassem a qualquer momento um grande acontecimento. Vidas amargas, com os corpos limitados pelo esmagador processo civilizatório.

A pintura de Hopper é de um Realismo do subconsciente, que é revelado na leitura da imagem. A paciência com que trabalha no visível conduz a uma qualidade que nada tem a ver com o virtuosismo, mas muito a ver com o conhecimento.

Após olharmos para a mulher solitária sob o sol da manhã, torna-se impossível escapar ao sentimento de abandono que a cobre no seu quarto dolorosamente vazio. A exploração das sombras e efeitos de luz estão presentes em todas as telas.

Faleceu em 1967 / Nova Iorque aos 85 anos.



Domingo

Janela à noite

Morning Sun 1952
Quarto em Nova Iorque

Chop Suey 1929

Fonte:
Grandes Pintores / Derengoski
Realismo / K. Stremmel

31/07/2020

DI CAVALCANTI

Mulher com frutas - 1932



   - Taís Luso

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo nasceu no Rio de Janeiro em 6 de setembro de 1897. Após freqüentar o atelier do impressionista austríaco Georg Elpons (*1865 / 1939), Di Cavalcanti fez sua primeira exposição em 1917, São Paulo.

Ingressou na Faculdade de Direito, no Rio de Janeiro em 1916. Em 1917 transfere-se para a Faculdade em São Paulo, no Largo de São Francisco e, em 1922 desiste do curso.

Seus trabalhos ilustrativos – como caricaturista na revista Fon-Fon, cartazes e programas que manifestavam uma forte influência da Art Nouveau. Ilustra livros de autores nacionais e estrangeiros, e a recém-criada revista Guanabara.

Foi um dos idealizadores da Semana da Arte Moderna, e por sua vez, participou com suas obras. Em 1921 casou-se com a filha de um primo-irmão de seu pai, Maria.

Viajou para a França em 1923 e sua sobrevivência foi mantida como correspondente de Imprensa, Jornal da Manhã.

Conheceu, na época, na Academia Ranson, Pablo Picasso e outros ilustres representantes e obras da vanguarda européia, como de Léger, Matisse, Eric Satie, Jean Cocteau, De Chirico e outros intelectuais franceses, André Breton, Leon Paul Fargue e Miguel de Unamuno... A fase clássica de Picasso foi um de seus principais pontos de referência vindo a atingir a maturidade nos anos 40, vindo a ter uma visão de brasilidade muito própria, manifestadas em cenas suburbanas, paisagens, naturezas-mortas, e algumas poucas obras de cunho religioso.

Em 1926 volta ao Brasil e ingressa no Partido Comunista e Segue fazendo ilustrações. Criou os painéis de decoração do Teatro João Caetano no Rio de Janeiro.

Segundo o escritor Mário de Andrade, Di Cavalcanti é o mais exato pintor das coisas nacionais". Ele pinta com exatidão as coisas nossas, a cara e do povo brasileiro, da exuberância tropical, de sua sensualidade sem folclore.

Algumas frases - entre outras - de Di Cavalcanti:

...Paris pôs uma marca na minha inteligência. Foi como criar em mim uma nova natureza e o meu amor à Europa transformou meu amor à vida em amor a tudo que é civilizado. E como civilizado comecei a conhecer a minha terra.

Moço continuarei até a morte porque, além dos bens que obtenho com minha imaginação, nada mais ambiciono.

Dizem que me tornei mais comerciante que artista. Bobagens. Sou um artista... mas um homem também. Preciso de dinheiro para o homem e tempo livre para o artista. Preciso de dinheiro para minha alegria e minha tristeza.

Falece no Rio de Janeiro em 26 de outubro de 1976



A Mulata - 1956


           Mulata - 1930                      Cinco Moças de Guaratinguetá
 
Mulheres protestando / 1951


Aldeia de Pescadores - 1950


Mulata com gato / 1966
  
Natureza Morta 1982                 Natureza Morta 1966

Mulatas 1968

Pescadores 1948


Tempos Modernos - 1961


Mulata na praia - 1972

Monumento de Di Cavalcanti, por Bernardelli