27/01/2020

ARTE GÓTICA / pintura séc XIII ao XV

Maestà / Simone Martini

        - Tais Luso de Carvalho


A era do Gótico abre um novo capítulo na história da arte, uma época que marca o início da pintura secular e a transição da Idade Média para o Renascimento. Os artistas góticos procuravam suas inspirações no presente em que viviam, alcançando desta forma um novo realismo, alegre e colorido.

Os detalhes, coloridos e luminosos aliados à uma técnica perfeita tornaram-se características típicas da época e do novo estilo, espalhando-se por toda a Europa, atingindo seu ponto alto com os afrescos e os painéis de Giotto, de Duccio, dos irmãos Lorezetti, de Simone Martini e Fra Angélico, em Florença e Siena.

Marcaram muito os vitrais, na França e os retábulos de Jan Van Eyck e Rogier van der Weyden nos Países Baixos; também as iluminuras, executadas pelos irmãos Limburg e outros miniaturistas, enquanto os painéis em estilo suave eram produzidos pelos alemães e nos trabalhos de Stefan Lochner.

O Gótico, inicialmente, era um termo depreciativo. Só muito mais tarde apareceu como definição de uma época. Foi um termo criado pelos teóricos italianos do séc XV para algo que devia ser destruído.

O Gótico permaneceu, por mais tempo, em muitas zonas diferentes da Europa, durou mais tempo que o estilo Românico que o antecedeu, e consideravelmente mais que o Barroco que lhe seguiu.

Giotto é um dos maiores representantes do estilo gótico. Sua principal característica é a aproximação dos santos com a do ser humano. Assim, a pintura de Giotto dá uma humanização do mundo até a chegada do Renascimento. Suas maiores obras são os Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis na (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os Pastores.

A pintura gótica tem as mesmas características da pintura bizantina e românica e é, na sua maior parte, substituída pelo vitral, maravilhosa criação do espírito medieval. A arte gótica é também chamada de Arte das Catedrais ou arte das Ogivas. Surge no final do século XII, na França. É Uma fusão de elementos clássicos, bizantinos e bárbaros.

O que distingue a pintura Gótica é a predominância do traço, ondulante ou interrompido, mas também o ornamento ligado ao plano. Podemos ver nas dobras dos trajes das pinturas e esculturas da França de 1300, como também os cabelos ondulados e os braços dobrados vistos nas figuras de perfil. As túnicas são mais finas e justas; os penteados e as barbas são caracterizados por regulares caracóis. O rosto, geralmente, é magro e oval.

Na transição da pintura gótica para a pintura renascentista ocorreram acontecimentos de enorme consequência na técnica de pintar: descobriram e aperfeiçoaram a pintura a óleo dissolvidas no óleo de linhaça.

O pintor gótico do norte da Europa era bastante analítico e, pela veemência do sentimento religioso, era muito simbólico e formador de imagens da realidade. Porém estava voltando, gradualmente, à observação da natureza, à representação realista do mundo à base de sensações. Não era mais o místico bizantino ou românico que representava a realidade à base de ideias religiosas carregadas de simbolismo. Era período voltou a transmitir a ilusão de espaço e do volume, aplicando a perspectiva, o claro e o escuro, assim com maior realismo na paisagem e nos movimentos do corpo.

Na última fase da pintura gótica, nos anos de 1400 a 1500, apareceram os pintores pré-renascentistas. Distinguiam-se pela progressiva libertação do convencionalismo bizantino e da minúcia oriunda das miniaturas. Os italianos Giotto e Masaccio antecipam essa libertação.

Ana e Joaquim na Porta Dourada / Giotto

Na Espanha

Beijo de Judas / Giotto
Santos / Fra Angelico

Retrato de uma senhora / Petrus Christus
Madonna ruccelai / Duccio


Fontes:
Gótico / Robert Suckale - Matthias Weniger & Manfred Wundram (ED.)
História da Arte / Kenia Pozanato & Mauriem Gauer


08/01/2020

ARTE: PEQUENAS E RÁPIDAS NOÇÕES



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Pintura Paleolítica



Os pintores paleolíticos são figurativos realistas, sintéticos no desenho e na cor. A pata dianteira direita da figura do boi - na caverna de Montinac Lascaux, França - está representada de frente e nunca se insinua a aplicação de perspectiva. A pintura pré-histórica perde esse realismo visual na idade neolítica.
Um exemplo: Boi selvagem / caverna de Montinac Lascaux, França.



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Pintura Neolítica


É a primeira mudança de estilo ou de escola observada na história da pintura. Esquematizadores e geometrizadores das imagens, os neolíticos chegam a verdadeiras abstrações.
Um exemplo: Vaso mesopotâmico.



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                         Pintura Egípcia


Os egípcios distinguem-se pela elegância decorativa, predominância do desenho, desconhecimento da perspectiva científica e simplificação da forma. Usam, sistematicamente, a lei de frontalidade, como vemos no rosto, no olho e no tronco de frente.
Um exemplo: Um casal oferece sacrifícios à Ísis – painel.



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Pintura Grega

Não restaram obras originais da pintura grega antiga. Conhecemos indiretamente – decorações dos vasos de cerâmica, esculturas, referências críticas. No período clássico (serena na expressão e equilibrada na composição), é idealizada a realidade. No período helenístico, ela torna-se realista, dramática, movimentada na composição.


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                  Pintura Cristã Primitiva
  
O primitivo pintor cristão usava símbolos figurativos – peixes e âncoras - e símbolos abstratos – círculos. Por associação com o disco solar, o círculo talvez fosse Cristo. Mais tarde, atenuadas as prevenções com a estatuária pagã, tornaram-se exclusivamente realistas figurativos.
Um exemplo: Desenho numa catacumba   
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Pintura Bizantina

O mosaico foi, por excelência, a técnica de decoração mural bizantina. Difundiu-se pela Europa. A pintura, propriamente dita, exerceu-se sobretudo nos ‘íconos’, quadros religiosos pintados a encáustica.
Um exemplo: O Imperador Justiniano e sua corte / Igreja San Vitale, Ravena.

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Pintura Românica

Dominados por fortes sentimentos religiosos, os românicos eram deformadores e coloristas intensos. Eram parecidos com os expressionistas e fovistas modernos.
Um exemplo: Anjos musicistas, afresco espanhol, séc XIII.





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                          Pintura Gótica

Sob a influência das miniaturas, isto é, as ilustrações feitas à mão nos livros medievais, a pintura gótica é minuciosa e adquiria acentuado realismo. Originou-se na França. No seu realismo, está anunciando o espírito racionalista da Renascença. Estilo que se disseminou por toda a Europa Ocidental entre 1375 e 1425. Características: elegância palaciana, e o detalhamento naturalista, ligados à vida aristocrática.




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                     Pintura Renascentista Alemã

Os artistas nórdicos europeus, alemães, escandinavos, holandeses e flamengos, expressam mais a beleza visual das formas, mais adequada ao temperamento latino. Dürer é o mais típico representante da pintura renascentista no norte da Europa, onde foram atenuadas as influências dos modelos do classicismo grego.

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                              Prenúncios do Barroco

Miguel Ângelo contrariou os princípios de equilíbrio da composição, harmonia das formas e serenidade de expressão do renascimento clássico. Pela vigorosa dramaticidade do sentimento, prenuncia o Barroco, que se definirá no século XVII.



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Renascimento Italiano



O Renascimento foi um movimento importante, de renovação cultural e artística que
se originou na Itália no séc. XIV e marcou a mudança da Idade Média para a Idade Moderna. Do teocentrismo Medieval - que via em Deus todas as coisas -, o homem avançou para o Humanismo, uma filosofia surgida no Renascimento e que predominou mais na Idade Moderna. Foi neste período que o homem passou a ser o centro do mundo. Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Rafael, Donatello, Brunelleschi e Botticelli...


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                   Pintura Rococó

Os pintores rococós refletem, nos temas e na técnica, inclusive na própria delicadeza da pincelada e na luminosidade das cores, as idéias, os sentimentos, e os hábitos da aristocracia européia do século XVIII.





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Pintura Neo-Clássica

Os neoclássicos ou acadêmicos, inspiraram-se diretamente nos modelos da antiguidade clássica greco-romana. Revivem as formas de beleza ideal da estatuária grega. São convencionais e pouco imaginativos.
David – pintor oficial de Napoleão – foi o chefe desta escola.
A Morte de Marat / 1793 – Museu Royal de Belas Artes, Bélgica.




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                              Pintura Romântica

Os românticos, chefiados por Delacroix, reagem ao convencionalismo dos acadêmicos. São imaginativos, dramáticos, movimentados e coloristas veementes. Possuíam muitos pontos de afinidades com o barroco, pelo predomínio das faculdades emocionais sobre as intelectuais, na criação artística.


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                      Pintura Realista

Os realistas, sob o comando de Gustave Courbet - 1810 / 1867 , reagem ao convencionalismo neoclássico e à emoção dos românticos. Negam a imaginação. A pintura é uma arte objetiva, destinada a fixar as coisas existentes, não as imaginadas. O pintor representa somente aquilo que vê.
Um exemplo: Peneiradoras de trigo.


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                  Pintura Cubista Analítica

Decompondo as formas num processo intelectual arbitrário, em sucessivos planos e ângulos, os cubistas pretendiam obter a representação total da estrutura dos objetos, como se os contemplássemos simultaneamente por todos os lados. Quando a decomposição se faz minuciosamente
Um exemplo: Picasso Ambroise Vollard (1867-1939) e Georges Braque 1882 / 1958, Jarra e violoncelo.




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                       Pintura Futurista

Os futuristas pretendiam expressar e não representar a velocidade, nova beleza do mundo, criada pela técnica moderna. Para evitar a impressão de imobilidade, substituíam as imagens figurativas por planos, retas e linhas, impregnadas de dinamismo e movimento.
Um exemplo: Umberto Boccioni 1882 / 1916 , Estudo para o estado d’alma.


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                                    Pintura Abstracionista Informal

No abstracionismo informal as formas e cores são espontâneas e livres, criadas muitas vezes num estado de verdadeiro automatismo psíquico. Não representam as aparências da realidade, mas expressam tensões, conflitos, ritmos impregnados da vitalidade da natureza.
Um exemplo: Vassily Kandinsky 1866 / 1944 – Estudo.


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                  Pintura Cubista Sintético

No segundo período do Cubismo, a decomposição da forma se faz de maneira sumária. Esse período denomina-se Cubismo Sintético. Reaparecem as imagens visuais, as cores são mais vivas e decorativas. São predominantes as preocupações de composição, dentro porém da geometrização das formas e obedecendo a princípios renascentistas denominados ‘Número de Ouro’.
Um exemplo: Pablo Picasso – 1881

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                    Modernismo Brasileiro

Cândido Portinari / 1903-1962, embora formado sobre princípios acadêmicos na Escola Nacional de Belas Artes, libertou-se do academismo, para marcar de versatilidade, ecletismo e inspiração popular sua extrema obra. A fase expressionista, quando fixou tipos e cenas populares, é uma das mais vigorosas, inclusive pelas intenções políticas e sociais. Figuram muitos, entre eles Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Anita Mafalti...

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                        Pintura Impressionista


Para demonstrar as constantes e sutis alterações que a luz do sol produzia nas cores da natureza, modificando-as incessantemente, Claude Monet pintou a fachada da catedral de Rouen, em diferentes horas do dia. Os impressionistas afirmavam não ser a cor uma qualidade permanente dos objetos. Altera-se conforme o ângulo de incidência dos raios solares.
Um exemplo: Monet / 1840 – 1920, Catedral de Rouen.


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                            Pintura Neo-Impressionista



Pintura pós-impressionista, em voga em França entre 1886 e 1906, e cujo pioneiro foi Georges Seurat.
Neo-Impressionismo culmina o processo de diluição das formas, que se tornam simples e irisadas vibrações luminosas e coloridas.



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                             Pintura  Expressionista

Pelos paroxismos líricos e exasperação patética do desenho e da cor, que traduzem sentimentos e não sensações, Van Gogh influenciou diretamente no aparecimento do Expressionismo, a primeira grande tendência da pintura moderna, surgida entre os alemães e outros povos nórdicos europeus.
Um exemplo: Noite estrelada.



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                      Pintura Surrealista Figurativa

Na mesma linha de Salvador Dali, fusão do real com o fantástico Magritte notabiliza-se pelas qualidades técnicas do colorido expressivo e seguro desenhista. Explora o modo especial os elementos de surpresa para criar sugestões misteriosas.
Um exemplo: O Curandeiro, de René Magritte / 1898, Ismael Nery...Figuras /1926.
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                   Pintura Surrealista Abstrata

As manifestações do subconsciente podem ser expressadas por meio de formas abstratas, símbolos e signos, como na pintura de Miro, o mais típico surrealista abstrato. Sob muitos aspectos, o Surrealismo Abstrato confunde-se com o abstracionismo Informal, sobretudo nas formas do Tachismo e do Grafismo.
Um exemplo: Joan Miro / Travessia Poética.




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                       Composições Gráficas

Ao contrário dos Tachistas – que o fazem por meio de manchas - os grafistas expressam-se impulsivamente por meio de traços, linhas ou graficamente. Inspiram-se na caligrafia abstrata oriental, particularmente na chinesa. Exprimem tensões e ritmos vertiginosos.
Um exemplo: Jackson Pollock / 1912 – 1956, com Composição.


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25/11/2019

ANTONIO PARREIRAS

Antonio Parreiras - Pinacoteca de São Paulo


- Tais Luso de Carvalho

Antonio Diogo da Silva Parreiras nasceu em Niterói, Estado do Rio de Janeiro, no ano de 1860. Ainda na infância, Parreiras estudou desenho com o Visconde do Canto, e em 1883 matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes. No ano seguinte abandonou a Academia para integrar-se ao grupo de alunos de Georg Grimm, como Castagneto, Caron, Garcia y Vasquez entre outros, tornando-se seu discípulo. Foi influenciado pelo impressionismo.


Incentivado, também, por Vitor Meireles, dedicou-se desde o início do século XX à pintura histórica: Proclamação da República de Piratini, Anchieta, Fundação de Niterói, Fundação do Rio de Janeiro, A Conquista do Amazonas. Recebeu numerosas encomendas oficiais, viajando por diversas vezes à França, onde manteve ateliê permanente em Paris.  Já em 1909 passou a interessar-se pelos nus, participando nos salões de arte francesa.

Em 1926, já consagrado como grande artista, publicou suas memórias com bastante sucesso literário. No princípio de 1930 voltou à pintura das paisagens, com a mesma dedicação do início de sua carreira.

Foi no ano de 1885 que inaugurou a sua primeira individual, e na sua própria residência, em Niterói. Em 1888 embarcou para Veneza onde estudou na Academia de Belas Artes, retornando ao Brasil no ano seguinte para participar da Exposição Geral de Belas Artes de 1890, a primeira da República recém proclamada, obtendo uma medalha de ouro e prêmios de aquisição (3 telas).

Em 1917 obteve a grande medalha de ouro e nesse mesmo ano foi contratado para a cadeira de Pintura de Paisagem na Escola Nacional de Belas Artes. Recebeu, também, medalha de ouro na Exposição Universal de Barcelona, no ano de 1929. várias de suas obras são casas ensolaradas, árvores e mata nativa, cores intensas.

Em 1953, na II Bienal de São Paulo, foram selecionadas 5 obras suas para participação na Exposição 'A Paisagem Brasileira até 1900'. Sua residência em Niterói foi transformada no Museu Antonio Parreiras no ano de 1941.

Parreiras foi um artista de incontestável talento, audacioso e impulsivo. Foi o maior pintor do cenário natural brasileiro e seus trabalhos foram expostos no Brasil e em diversos países da Europa. Foi um dos poucos artistas nacionais que viveu dos resultados de sua arte.

Faleceu em 17 de outubro de 1937, em sua residência de Niterói.
Sua casa, que virou Museu em 1940, em Niterói, abriga várias obras de outros artistas e seu grande acervo.

Casa de Margarida - 1891
Cesteiro- 1927
Ventania -
Arabotam - 1936
Amanhecer no Adriático - 1889
Fantasia - 1909 / Pinacoteca de S.Paulo
Terra Natal - 1923

Veleiros 1912
Museu Antonio Parreiras
Área externa


Referências:
Bolsa de Arte / Rio de Janeiro - 2003
Museu Antonio Parreiras - Memória histórica do Museu Antônio Parreiras. Niterói 
(Cadernos de divulgação cultural do Museu Antônio Parreiras, 2). 
Enciclopédia  Itaú Cultural
PARREIRAS, Antônio. História de um pintor contada por ele mesmo: Brasil - França: 1881-1936.
Koogan Larousse.

13/10/2019

BRUNO CATALANO / ESCULTOR



por Tais Luso de Carvalho

Não poderia deixar de postar algumas das esculturas de Bruno Catalano, nascido na França no ano de 1960. Sua coleção - Os viajantes - é a mais curiosa: mostra pessoas em tamanho natural caminhando apressadas, com movimento e levando suas maletas, mochila, violino etc. Começou sua carreira de escultor em 1990. 
Não tem como suas esculturas não chamarem nossa atenção, diferentes, vazadas e com grande força. São em bronze, vigorosas, parecem quase vivas: são cópias fiéis de nós mesmos. Ora lhes empresta vigor, ora desânimo.


Sua  coleção está em grandes corporações  públicas e privadas da França, Inglaterra, China, Bélgica, Suíça e Estados Unidos. 
Matriculou-se na oficina de modelagem e desenho com Hamel Françoise por dois anos. Aprendeu todos os segredos da argila em pesquisas,  inclusive com o escultor Bruno Lucchesi.
Olhando sua obra, em seu site, vê-se que as peças são ocas e o ponto de união e sustentação, entre as partes inferior e superior  é a mala - sempre colada à perna.