14.8.11

LUCIAN FREUD



Reflection - 1985  / Clique nas obras

Tais Luso de Carvalho

O pintor Lucian Freud, neto de Sigmund Freud, é um dos pintores mais importantes da arte contemporânea figurativa do Reino Unido. Suas pinturas causam polêmica por serem impactantes. Retratos e nus perturbadores, crus, nada sensuais, e geralmente  Lucian  usava  seus amigos como modelos.

'Eu pinto pessoas, não precisamente pelo que elas se parecem, não exatamente pelo que elas são, mas como eles deveriam ser ' - dizia Freud sobre seu trabalho.

Um de seus retratos, uma mulher obesa e nua em um sofá, foi vendido em 2008 por US$ 33,6 milhões. Uma das características de Lucian Freud era sua obsessão pelos nus: o corpo que ele pintava era o corpo do homem contemporâneo. Seus nus nunca trouxeram sensualidade ou beleza. Não encobria imperfeições, e os detalhes íntimos causavam um certo desconforto, uma sensação incômoda nos que olhavam as obras. Mas pode ser este o segredo de seu trabalho, o de perturbar.

'As pessoas me interessam muito, como se tratassem de animais primitivos' – disse aos curadores do Museu Britânico Tate, antes de uma retrospectiva.

Segundo uma entrevista de Paulo Pasta ao, artista plástico e professor da Fundação Armando Álvares Penteado, dada ao site CC, Freud conseguia reunir em suas pinturas todas as características do homem contemporâneo como, por exemplo, suas expressões. Outra questão importante é que, enquanto a geração mais nova pinta a partir de foto, ele partia da observação. Freud fazia parte de uma tradição muito inglesa, como Francis Bacon, com a mesma visão desviada do homem, que é mais trágica e solitária da existência humana, como muitos artistas ingleses atuais. Segue essa tradição de mostrar o cinismo, a perversidade presente no mundo.

O que a pintura dele tem de mais contemporâneo - segundo Paulo Paste - é a apreensão da solidão do homem. As figuras são muito solitárias, sofrem uma pressão existencial, lembram as obras de Samuel Beckett com seus homens encarcerados em uma espécie de quarto solitário, nus, despossuídos de tudo, destino. Outra característica contemporânea é a carnalidade de sua pintura. Ele usava tinta óleo, mas era uma tinta densa, contraponto à matéria da carne.

Freud se negava a seguir as tendências da moda na arte, usando seu estilo realista, mesmo quando era criticado pelos colecionadores e críticos. Era um dos pintores mais destacados a nível internacional, sendo reconhecido como um dos mais importantes realistas do século XX e XXI, segundo Brett Gorvy – vice presidente do departamento de arte da Christie's de Nova York.

Outra de suas características conhecidas,: entre uma pincelada e outra limpava o pincel, assim as cores mantinham sua individualidade e integridade.

Lucian Freud vivia para pintar e pintou quase até o dia de sua morte. Nasceu em Berlim em 1922 e se mudou para Londres com seus pais, Ernest e Lucie Freud em 1933, depois que Hittler e os nazistas chegaram ao poder na Alemanha. Naturalizou-se britânico seis anos depois e passou quase toda sua vida trabalhando em seu atelier na capital inglesa, localizado num luxuoso bairro de Holland Park.

Frequentava os mais badalados restaurantes, muitas vezes acompanhado de lindas mulheres, bem mais jovens, como a modelo Kate Moss a quem retratou nua.

Uma das pessoas mais famosas que Freud retratou foi a Rainha Elizabeth II que posou para o artista depois de longas negociações entre o Palácio de Buckingham e o pintor.

O retrato colorido que Freud doou à coleção da rainha causou enorme polêmica. Muitos ficaram chocados com a obra concluída. E a crítica ficou dividida: alguns críticos a veem como uma obra honesta, que transmiti algo de verdadeiro sobre tempo de serviço da rainha, experiência e devoção ao dever; outros acharam que Freud foi um pouco severo em seu naturalismo, em seu esforço para transmitir uma realidade psicológica; Freud tirou da rainha tudo o que é elegante, romântico ou bonito. Ela parece triste e sólida, e seu rosto parece ter a textura de massa de vidraceiro.

O artista nasceu em Berlin, em 1922 e faleceu aos 88 anos, em 20 de julho de 2011, Londres. As causas não foram reveladas.
Mais obras de Lucian Freud no The Museum of Modern Art - Moma


Naked Man - 1992

Suzy Boyt - ex-mulher de Lucian

Leigh Bowery - 1996
   
'Benefits Supervisor Sleeping' - 1995  
Vendido por US$ 33,6 milhões em 2008
          Um homem e sua filha - 1964  /  clique foto
Lucian Freud trabalhando

17 comentários:

Ivana disse...

Tais,
Sigmund Freud teria propriedade para fazer uma análise melhor desse artista e suas obras, pois são muito diferentes, não são tão agradáveis de ver. Suas obras refletem o olhar mais profundo do artista, porém nesse olhar não tem beleza física. Uma ótima semana, um abraço.

JAIRCLOPES disse...

Tais,
Eu nada sabia desse fantástico Freud, talvez tão importante como o avô. Suas figuras são um pouco mais que hiper realistas, parecem trazer a alma para o lado de fora do corpo, e "beleza" dos retratados está justamente em revelar o interior sem máscara e se preconceitos. Gostei imensamente do trabalho do artista e de tua postagem, parabéns. Abraços fraternos, JAIR.

Antonio Machado disse...

Taís nessa postagem você se superou!
Importantíssima contribuição para a arte e cultura contemporânea. Eu sou fã do Lucien Freud e não sabia que havia morrido!
Quanto ao famoso retrato da rainha, eu adorei. Acho que a sra Elizabeth a despeito de ser rainha da inglaterra, está envelhecida e nunca foi bonita.
Um grande abraço de todo o atelier

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

Penso que se todos
tivéssemos a oportunidade
de aprender a "ver"
a arte,
o mundo seria mais calmo
e repleto de sentidos
verdadeiros.

Viver é sentir os sonhos
com o coração.

Isha Shiri disse...

Muito legal, eu, na minha ignorância nem sabia da existência de Lucian Freud. A pintura é tem impressividade.

Adorei conhecer seu Blog,


Te desejo a Paz
Adelle

Ivana disse...

Tais,
Eu precisei voltar, porque esse artista me intrigou, uma vez que ele pintava as pessoas como elas deveriam através do seu olhar. Então fui pesquisar e as obras dele são todas assim mesmo, quando não são pessoas com corpos estranhos, o rosto se apresenta diferente como o quadro acima da Rainha Elizabeth II. Mas, na vida real ele escolheu mulheres bonitas como companhia, interessante! Mas valeu muito conhecer esse artista que me intrigou, que me fez pensar. Uma ótima semana, de novo.

Tais Luso disse...

Oi, Ivana, como você muita gente vai pesquisar; não há dúvidas que é um artista muito polêmico, por isso deixei o site do museu, mas há vários sites com suas obras. Gosto quando vocês se interessam. No site que deixei, existe vários caminhos para você ver mais. Vou tentar deixar um mais específico, do mesmo museu.

Beijos pra você.

Ivana disse...

Tais,
Obrigada pela atenção, pela democracia e respeito a liberdade de expressão que esse espaço oferece a todos. São poucas coisas que eu leio, mas aqui eu consigo me concentrar para a leitura, então sou grata a você. um abraço!

Malu disse...

Taís querida, eu não sabia das obras deste senhor ARTISTA.
Seus traços realmente são marcantes e de primeira vista agressivos, mas no bom sentido.
Causam um impacto muito grande quando vemos as expressões carregadas, como se ele lesse as profusões existentes dentro de cada rosto pintado.
Grata por partilhar este conteúdo para mim inédito.
Abraços

Sueli Gallacci disse...

Taís, eu adorei essa postagem!

Lucian Freud, sem dúvida um artista polêmico que despertou ódio daqueles que não conheciam nada da sua arte. Ou, não a entendiam.

Considerado o maior representante da carne humana justamente como ela é, ele se preocupava com detalhes. Queria reproduzir em suas pinturas até a última ruga, até a última imperfeição dos seus modelos. E o mais impressionante é que ele conseguia apenas no empasto da tinta. Ele dizia: "Quero que a tinta funcione como carne, que os meus retratos sejam as pessoas e não parecidos às pessoas".

Costumava orientar seus modelos a ficarem relaxados ‘como os animais’. Não queria nenhum resquício de pudor ou de sensualidade.

Todos seus modelos eram amigos e parentes, pessoas de quem ele gostava. Seus nus ‘revelados’, grotescos, até, nos dá a nítida impressão de um fotógrafo intrometido que ‘rouba’ uma cena de pessoas na sua intimidade; não parece algo planejado, como um modelo cuidadosamente colocado para ser retratado. Esse foi seu verdadeiro diferencial.

Eu particularmente o admiro pelo realismo de mostra o lado feio e imperfeito nas pessoas e no mundo. Afinal, a imperfeição existe, não podemos fingir que não vemos. Admiro-o também pela sua técnica ímpar.

Ah! eu também limpo o pincel a cada pincelada rsrs

Maravilha, amiga!
Uma super, mega, máster parabéns!!! rsrs
Bjos.

Bernardo disse...

Taís

Parabens! Impressionante não só as obras do artista mas também a qualidade fotográfica das imagens. Eu que sou um admirador compulsivo de fotografia fiquei admirando a nitides e qualidade das imagens que sem dúvida valorizam em muito o trabalho do artista e o próprio artigo. Parabens.

Regina disse...

OiTais, Lucian Freud um artista super minucioso, adoro apreciar suas obras.Sua técnica e estilo são fantástico .Arte é algo magnífico leva-nos a um polimento senso-sentir forte, para quem ama e aprecia .
Um grande abraço.

MARILENE disse...

Eu não o conhecia, mas confesso que não teria uma pintura dele em minha casa. Arte exige um encontro de sentimentos. Prefiro vê-la assim. Gostamos ou não. E é esse meu critério de escolha, sempre.

Bjs.

Graça Pereira disse...

Tais
Não conhecia as obras deste artista e quase nada da sua vida pessoal!
Sei que a Rainha de Inglaterra não deve nada à beleza mas, penso que ele "carregou" o seu retrato possivelmente com todos os defeitos que via nela ou na realeza!
Acho a sua obra um pouco parecida com a nossa Paula Rego, cujos quadros obtêm valores astronómicos: mulheres gordas, uma nudez pouco convidativa e desleixada! Acredito que eles pintam o interior dessas pessoas.
Obrigada por me ensinares mais um pouco deste Artista.
Beijo
Graça

Silenciosamente ouvindo... disse...

Um post muito importante,como sempre

acontece nos seus blogues.Um
beijinho.
Irene

tecas disse...

Boa tarde, querida Taís! Desconhecia completamente a existência de Lucien Freud. Desculpe a minha ignorância.Fiquei maravilhada com o artigo, ( lição de história de Arte, com as imagens da obra do autor ( onde a ausência da belez física é notória)e pelas imagens laterais. Bem hja por partilhar o seu conhecimento e cultura em seu blog. Bjito amigo em seu coração.

puraarte disse...

fico muito feliz em fazer parte do seu grupo de amigos.
Sou professor de artes e sempre que posso dou uma passadinha por aqui.
Um lindo ano novo para você e todos seus seguidores.