6 de março de 2011

PAUL CÉZANNE

Os jogadores de carta

Tais Luso de Carvalho

Cézanne, filho ilegítimo de um rico banqueiro, nasceu na França em 1839. Quis ser artista desde a infância, porém seu pai desaprovava. O medo da insegurança - por ser adotado - e o medo de seu autoritário pai, o perseguiram por toda a vida. Mas aos 22 anos conseguiu ir para Paris estudar arte e conviver com artistas.

Era um jovem com grandes momentos de depressão e seus sentimentos de baixa-estima o levaram a destruir muitas de suas obras. Era desesperado por ser aceito na elite artística de Paris. Assim voltou mais tarde para sua cidade Aix-en-Provence. Mas em 1862 retornou à Paris para viver como artista.

Ao lado de seu grande amigo Émile Zola tornou-se ativamente político e revolucionário. Dizia que o artista é um mero gravador de percepções sensoriais e que poderia revolucionar a pintura apenas com uma maçã... De fato, suas naturezas mortas são grandiosas pela espontaneidade dos tons. Com o tempo sua pintura tornou-se simplificada ao ponto de ser reduzida a limites quase geométricos, quase cubistas, conseguindo efeitos de perspetiva apenas pelo uso da cor.

O próprio Cézane definia seu estilo como arquitetônico; ele dava ao corpo uma abstração natural, não queria nada além de superfícies e volumes pictóricos, segundo o russo Malevitch sobre seu quadro Os Banhistas, enchia a tela com volumes e cor, superando o traço.

Cézane levou tempo para ser aceito e reconhecido no mundo das artes, e quase nada vendeu em vida. Quando suas obras foram rejeitadas pelo Salão de Paris, Cézanne foi consumido por uma intensa depressão, mas desta vez perseverando. 

Em 1863, numa exibição alternativa – Salón des Refusés, Cézane expôs ao lado de outros artistas, também rejeitados, como Édouard Monet, Camille Pissarro e Henri Fantin-Latour. Vinte anos mais tarde, a primeira de suas obras foi aceita pelo Salão de Paris.

Suas primeiras obras eram tristes, sombrias e melancólicas, porém seu estilo mudou na década de 1870, quando se apaixonou por Hortense Fiquet – 19 anos, e com ela teve um filho. Também ligou-se aos impressionistas. Mas sempre pensava em algo mais sólido e durável.

Em 1874, embora não se considerasse um impressionista, apresentou suas obras com o grupo. Foi influenciado pela arte flamenca, pintando naturezas mortas com as cores usadas pelos artistas flamencos.

Em 1886 ficou muito magoado com seu amigo Émile Zolá (amigos desde o collêge Borbon – 1852) pela semelhança do personagem do seu romance L'Oeuvre, contando a história de um artista fracassado... Nesse mesmo ano casa-se com Hortense da qual nasce seu filho.

Ao saber de sua família, seu pai reduz muito a ajuda financeira; porém é ajudado pelo amigo e escritor Émile Zolá o qual mais tarde vendo o luxo em que Zolá vivia, Cézanne fica desconcertado e afasta-se do amigo. Seu pai morre pouco depois deixando-lhe uma fortuna considerável. Mais tarde volta a morar em Aix enquanto sua família fica em Paris.

Sucedem, após, várias exposições o qual vende seus quadros alcançando preços muito bons. Em 15 de outubro, diabético, adquire pneumonia vindo a falecer.

Segundo Pablo Picasso: Meu primeiro e único mestre, Cézane foi um pai para todos nós.

Foi ousado no uso da cor, perspectiva inovadora, preocupava-se com formas geométricas e fazia um perfeito intercâmbio entre luz e sombra.

Auto retrato / 1890

Natureza morta

Os Banhistas
Natureza morta
O grande pinheiro / 1885