3 de dezembro de 2008

O ALEIJADINHO: ANTÔNIO FRANCISCO LISBOA

Projeto de Aleijadinho / S. Francisco de Assis - Ouro Preto


As maiores expressões do Barroco Mineiro são, sem dúvida, o Aleijadinho e Ataíde. Mas a arte setecentista de Minas Gerais foi criação de uma infinidade de artistas, dos quais muitos permanecem no anonimato.

Antônio Francisco Lisboa - 1738/ 1814

Era o nome completo do Aleijadinho, nascido em Vila Rica, em 1738, filho bastardo do português Manuel Francisco Lisboa e de uma escrava, Isabel. Tendo nascido escravo, foi libertado pelo pai no dia de seu batizado.

Entalhador, escultor e arquiteto, trabalhava madeira e pedra-sabão, de que foi o primeiro a fazer uso na escultura. Considera-se que tenha aprendido o ofício com o próprio pai e outros mestres, José Coelho Noronha e João Gomes Batista. Mas é provável que sua genialidade criativa tenha prevalecido sobre as lições aprendidas.

Quase tudo o que se sabe sobre a vida de Aleijadinho vem de uma memória escrita em 1790, pelo segundo vereador de Mariana, o capitão Joaquim José da Silva, e da biografia escrita por Rodrigo José Ferreira Bretãs, publicada em 1858. Ultimamente, sua vida e obra têm despertado o interesse de estudiosos dentro e fora do país, embora permaneçam ainda muitos pontos controvertidos.

Uma grave doença o acometeu aos 39 anos de idade. A enfermidade deformou seu rosto e atacou seus dedos dos pés e das mãos, donde lhe veio o apelido. Apesar da doença, continuou a trabalhar incansavelmente, sendo auxiliado por três escravos: Januário, Agostinho e Maurício. Era este último que amarrava as ferramentas nas mãos deformadas do mestre.

O primeiro trabalho artístico importante do Aleijadinho data de 1766, quando recebeu a incumbência de projetar a Igreja de São Francisco, de Ouro Preto, para a qual realizou, posteriormente várias outras obras. Quatro anos depois, desenvolveu trabalhos para a Igreja do Carmo, de Sabará. Em seguida trabalhou para a Igreja de São Francisco, de São João del Rei. Enfim, ele recebia muitas encomendas, e às vezes, prestava seus serviços em obras de duas ou mais cidades simultaneamente.

No final do século XVIII, ele se encontra em Congonhas, onde permaneceu de 1795 a 1805, trabalhando para o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, para o qual esculpiu os Profetas em pedra-sabão e as estátuas em madeira dos Passos da Paixão. Seu último trabalho, de 1810, foi o novo risco da fachada da Matriz de Santo Antônio, em Tiradentes.

Ficou cego pouco depois, e viveu os últimos anos sob os cuidados de Joana Lopes, sua nora. Faleceu em 1814, aos 76 anos de idade, tendo sido sepultado no interior da Matriz de Antônio Dias, em Ouro Preto.

(continuarei com Mestre Ataíde)

Fonte: Cidades Históricas e o Barroco Mineiro / Divalte Garcia Figueira



5 comentários:

  1. nossa fiquei surpresa com tantas obras de artes do aleijadinho...nunca ouvi flr dele minha professora pediu pra fazer um trabelho sobre ele...realmente fiquei impressionada...parabéns...bjos:lucyanna

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  2. É importante ter em mente que esses mestres, tinham inúmeros artista e aprendizes em suas equipes, e que muitas obras a eles atribuídas não são exatamente eles que as fizeram. Basta olhar para uma produção tão vasta como a de Aleijadinho e imaginar as condições de técnica do trabalho pra deduzir a impossibilidade de tamanho acervo a ele atribuído. Nilza Brito

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    1. Não há dúvidas, nestas grandes esculturas, e de todos os mestres há seus auxiliares, e como está citado no texto aparecem Januário, Agostinho e Maurício, entre outros, naturalmente.

      Abraços.

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  3. Anônimo10:26

    Adorei seu jeito de contar sobre a vida do Aleijadinho! Este texto me ajudou muito , ficou bem detalhado e nele tirei minhas dúvidas.

    Beijos
    Fernanda

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    1. Obrigada, Fernanda, fico contente de ter ajudado um pouco!
      Volte sempre, um beijo.

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