8 de julho de 2010

LASAR SEGALL



Lasar Segall, um dos nomes mais importantes da arte moderna brasileira, nasceu em Vilna, Lituânia – na época dominada pela Rússia, no ano de 1891. Foi influenciado pelo impressionismo, expressionismo e cubismo. Estudou arte na Alemanha, em Berlim e Dresden. Em sua fase européia poderíamos dizer que foi marcado pela Guerra: seu trabalho revela pinceladas pesadas, densas, sem cores e sem sol. Tristes.

Sua primeira exposição no Brasil foi em 1913, com nítidas características expressionistas, tornando-se importante por ser um dos primeiros acontecimentos precursores da arte moderna no Brasil, juntamente com Anita Mafaltti, que em 1917 fez sua mostra, dando oportunidade a que artistas inovadores começassem a se unir para uma mostra coletiva mais adiante, quando em 1922, então, acontece a Semana da Arte Moderna.

Na Semana da Arte Moderna juntaram-se artistas de expressão, grandes incentivadores deste movimento que pretendiam apresentar ao público o que se fazia de mais inovador no país, no campo das artes, da literatura e da música.

Em 1923, Lasar mudou-se para São Paulo/Brasil, declarou ter encontrado o milagre da cor ao olhar o mar verde e um céu azul.

Casou-se, nesse ano de 1923, pela segunda vez, com a brasileira Jenny Klabin, de uma tradicional família paulista.

Em 1924, morando definitivamente no Brasil passou a pintar temas brasileiros: mulatas, prostitutas, marinheiros, paisagens, favelas e bananeiras. Em 1929 dedica-se à escultura em pedra, madeira e gesso.

Porém, após alguns anos, voltou a retratar o sofrimento do ser humano, como também não deixava de expressar em suas telas, a compaixão pelos perseguidos do sistema nazista. Retrata grandes temas humanos, como o sofrimento e a solidão. É desta época que temos Pogrom (retrata o massacre das crianças judias), Navio de emigrantes, Guerra e Campo de concentração.

Em 1951, Lasar deu início ao último ciclo de sua obra com: As Erradias, Favelas e Florestas. Morre em 1957, aos 66 anos, de problemas cardíacos. A ‘casa estúdio’onde morou, foi convertida em museu.

Em seu epitáfio Oswald de Andrade lhe faz a última homenagem:

Eu sou o ícone
Eu sou a construção
Eu sou a revolução
Sou o sentido perturbador
Do homem que perdeu o lar
Viajo nas mãos dadas dos imigrantes do navio
Recomponho as massas e realizo a viajem
Habito o inesperado
Quero o porto. Sou a permanência.
Eu sou o futuro!

Ficou uma obra forte, de conteúdo humano triste, denso e melancólico. Mas também deixou pinceladas mais alegres retratando coisas autenticamente brasileiras.



Mãe morta / 1942
Jovem de cabelos compridos / 1942



20 comentários:

  1. Obra muito interessante e diversa.
    A curiosidade, levou-me a dar uma
    volta pela NET....Deveras interessantes,
    todos os trabalhos que ali encontrei.
    Beijo

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  2. Que delícia de post.
    Uma verdadeira viagem.
    Bjins entre sonhos e delirios

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  3. Oi Tais Luso, descobri o seu blog pesquisando sobre arte barroca.. E descobri muito mais!! Virei sempre aprender .. Meus parabéns !! Quero também agradecer o seu carinho em seguir-me . Sucesso!

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  4. Tais Luso.,

    É um prazer revisitar o seu blog.
    Excelente.

    Leunam

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  5. Tais, trazer para um blog a cultura e a arte para compartilhar conhecimento merece o respeito dos seguidores e leitores.Temos muito que aprender com você. Segall foi um grande artista e o legado que deixou é digno do nosso reconhecimento. Bjs

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  6. Gosto muito da riqueza que possui as obras deste grande artista.
    Podemos sentir o pulsar intenso na leitura de suas telas. E todas as vezes que as vemos as sentimos de maneira diferente, como mágica.
    Beijinhos

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  7. Oi Tais,
    Linda esta bela lembrança de Lasar Segall.
    abraços,
    Carlos Eduardo

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  8. Very interesting pictures. ;-)

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  9. Amigos - Vinícios de Moraes

    Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
    Não percebem o amor que lhes devotoe a absoluta necessidade que tenho deles.
    A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
    E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !
    Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...
    A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
    Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
    Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
    Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabemque estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
    Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
    E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários,de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí,e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
    Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.Se todos eles morrerem, eu desabo!Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
    E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
    Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
    Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,compartilhando daquele prazer ...
    Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber -que são meus amigos!
    A gente não faz amigos, reconhece-os.


    LEMBREI-ME DE VC E VIM DESEJAR FELIZ DIA DO AMIGO.

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  10. Querida Tais
    Vim só agradecer as palavrs tão bonitas...com perfume de amizade e de apoio que deixaste no meu Blog...
    Procedi ao meu Regresso e sei que contei com a força dos amigos. Bem-hajas.
    Virei depois...comentar o etu bonito post.
    Um beijo carinhoso
    Graça

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  11. Por aqui passei e deixei ficar os olhos... A arte é a criação de novos mundos. Obrigado, Tais, por nos indicares o caminho...
    Bj

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  12. Amei...
    seu blog...
    com certeza vou voltar...
    Adoro "Bananeiras"...
    de Lasar Segall...

    Beijos
    Leca

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  13. adorei e deixo...poesia...

    beijinhos


    TELEFONE



    Toca o telefone...
    Toca sem parar
    Deixo-o tocar
    Mas depois...
    Vou...
    E quando lhe pego
    Nunca mais toca...
    Alguém estava...
    Mas não queria estar...
    Do outro lado de lá
    Ouvi suspirar...
    E fiquei a pensar...
    Porque será?
    Que se passará?
    E continuo à espera...
    Que ele volte a tocar!...


    LILI LARANJO

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  14. Gostei muito do seu blog. É bem organizado e sua escrita é, realmente, muito boa. Parabéns. Aguardo o próximo post e sua visita.

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  15. Hello. Como, então, é você? Temos muito bons. O tempo é instável. Calor não. Mas por outro lado, está quente para o banho. Para você no Brasil é definitivamente melhor. Ola Radka.

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  16. Taís,
    Estive em São Paulo durante o recesso escolar e pude entrar em contato com alguns quadros do Lasar. Apreciei sem muita informação sobre o pintor. Seu texto acrescentou o que faltava ao entendimento de uma obra instigante e que se move por diferentes temas. Grande abraço.

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  17. obras maravilhosas...dias deluz e sombras nas visões deste artísta

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  18. Taís,
    Imagine que coincidência: descobri que Segall ilustrou o livro "Canção da Partida", 1945, de Jacinta Passos, poeta baiana que pretendo postar em meu blogue "Literatura em vida 2", brevemente. Farto-me de imagens e boa informação, sempre que venho aqui.
    Eliane F.C.Lima

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  19. Anônimo16:27

    muito legal essa História!!!!!!!!!!beijinhos de DANY E CELLY!!!!!

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