18 de maio de 2009

EDVARD MUNCH

 O Grito - 1893,  representa uma figura torturada pelo horror. 
É seguramente a mais conhecida e a mais expressiva.

Munch, pintor norueguês, um dos precursores do expressionismo, nasceu na cidade de Löyten, no ano de 1863. Pintor, água-fortista, litógrafo, xilógrafo foi um dos poucos pintores escandinavos a ter sucesso mundial.

Teve uma infância traumática – o pai era exageradamente devoto, beirando a demência, e a mãe e irmã mais velha morreram de tuberculose, quando ainda pequeno.

Deixava a perspectiva social (fase naturalista, década 1880), para mergulhar numa profunda reflexão sobre a condição e o destino humanos. O resultado foram obras de um expressionismo especial, marcado pela condição de um artista atônito, angustiado, participante do sofrimento e do aviltamento das pessoas.

'Já é tempo de pararmos de pintar cenas de interiores, com pessoas lendo ou mulheres fazendo meias. Devemos criar pessoas vivas que respiram, sentem, sofrem e amam'. Essas palavras expressas em um diário do pintor, dão a medida da forma com que Edvard Munch encarava sua obra. Procurou pintar a vida sem falsos pudores.

Munch aprofundou-se na sordidez, no mundo dos degenerados, dos loucos, da miséria; viveu uma época trágica. Assistiu à ascensão e as primeiras vitórias do nazismo e foi perseguido preso e espancado. Denunciou, em seus quadros, o totalitarismo e a guerra.  Apesar de não podermos classificar a pintura de Edvard Munch num único movimento, ele é geralmente considerado um pioneiro do Expressionismo.

Foi influenciado por Bosch, Bruegel, El Greco, Van Gogh e Goya, tornando-se o gigante desse movimento - Expressionismo - estilo que representa as sensações subjetivas d’alma, as expressões e não expressões, transmitidas à realidade.

Certos temas como a inveja, a doença, o despertar do desejo sexual aparecem em suas pinturas com uma intensidade, muitas vezes, próximas do delírio.

Na década de 1890 trabalhou na série 'Friso da Vida' – um poema de vida, amor e morte, sendo a mais famosa pintura dessa série 'O Grito'.

Sobre sua mais importante obra 'O Grito', diria que é um trabalho de profundo desespero existencial, uma das mais importantes obras do expressionismo.

Em 1892 expôs mais de 50 pinturas na Kunstlerverein – União dos Artistas de Berlim -, causando tanta comoção que a exposição teve de ser suspensa. O conjunto de obras retratava as manifestações da vida humana, com rostos lineares, desesperados. Viveu em Berlim de 1892 a 1908.

'A doença, a loucura e a morte foram os anjos negros que vigiaram sobre meu berço'. Escrevia enquanto suas pinturas mostravam a neurose que o atormentava.  Para ele, a pintura consistia num ato de libertação individual. 

'Eu não me desfaria da minha doença, pois há muita coisa em minha arte que devo a ela.' 

Porém logo em seguida dedicou-se à sua cura abandonando o imaginário familiar. A angústia de sua obra desapareceu dando lugar a uma pintura mais extrovertida, como paisagens, retratos, figuras de trabalhadores na neve. Em suma, uma pintura mais calma, de colorido mais leve e claro.

Suas exposições sempre foram tumultuadas. Assim mesmo influenciou toda uma época, inclusive os brasileiros Oswaldo Goeldi e Lazar Segal. Suas telas, além de trágicas e depressivas, são misteriosas, vê-se isso nas telas ‘Puberdade’ – a dúvida de uma adolescente; 'O Dia Seguinte', onde mostra uma prostituta esmagada pela sociedade vendendo seu corpo desengonçado, entre tantas outras.

Entre tantas telas de igual importância cito: A menina doente, Amor e dor, Cinzas, Entre o relógio e a cama, O tronco amarelo, Madonna, Ansiedade, Morte na enfermaria, Vermelho e branco, Auto-retrato com garrafa de Vinho...

Em 1916 passou a levar uma vida solitária, mas criando vários auto-retratos. Veio a falecer em sua propriedade de Sköyen / 1944, aos 81 anos. Legou todas as obras, que ainda possuía à cidade de Oslo, hoje no Museu Munch.

Destacou-se como um dos mais importantes artistas europeus, Munch só obteve reconhecimento ao fim de sua vida e depois de sua morte. O expressionismo moderno desenvolveu-se, como escola definida, a partir dele e de Van Gogh.

Em 1908 sofreu um colapso mental, ocasionado pelo álcool, pelo excesso de trabalho e por um frustrado caso amoroso com uma mulher casada. Foi internado numa clínica de Copenhague. Saiu meses depois e voltou para Noruega onde morou até falecer.

Como Leonardo da Vinci estudou a anatomia humana e dissecou cadáveres, Munch procurou dissecar as almas. Em 23 de Janeiro de 1944 morreu tranquilamente em Ekely. Deixou  sua propriedade à cidade de Oslo, a qual abriu o Munch-Museum em 1963 para celebrar o centenário de seu nascimento.



Separação / 1896


Ansiedade / 1894
'Na verdade, a minha arte é uma confissão feita da minha própria e livre vontade, uma tentativa de tornar clara a minha própria noção de Vida…no fundo é uma espécie de egoísmo, mas não desistirei de ter esperança de que, com a sua intervenção, eu possa ser capaz de ajudar os outros a atingir a sua própria clareza.'

Auto-retrato / 1895