11 de setembro de 2008

ARTE BIZANTINA & ROMÂNICA

Mosaico: Imperador Justiniano e sua corte / Igreja San Vitale, Ravena


 - Tais Luso de Carvalho


Nos primeiros séculos depois da oficialização do cristianismo, essa primitiva pintura cristã dividiu-se em dois grandes ramos: 
um oriental, outro ocidental.


O ramo Oriental é a Pintura Bizantina.

A arte Bizantina surgiu na cidade de Bizâncio,  hoje Istambul. Na época, era capital do Império Romano do Oriente. O gosto do povo bizantino era inclinado ao luxo e esplendor, expressavam-se abundantemente na sua arte. Expressavam-se, sobretudo, na técnica dos majestosos e cintilantes murais de mosaicos, feitos de pequenos cubos de pedra ou artificiais, embutidos na parede com argamassa e também nos ícones, quadros religiosos pintados com têmpera ou encáustica, com incrustações de pedras preciosas, metais valiosos e matérias raras. Não eram contudo, um mero emblema de deleite, mas mostrava-se profundamente condicionada pelos ideais peculiares à própria civilização. 

Por exemplo, a forte corrente para alcançar a espiritualidade, proibia a glorificação do homem, em consequência disso a escultura não teve grandes possibilidades de desenvolvimento. A arte que mais se destacou foi a arquitetura, que teve que ser mística e extraterrena.

Como a civilização bizantina era um composto de elementos romanos e orientais, era inevitável que a sua arte combinasse o amor à grandiosidade e o talento da engenharia romana com a variedade de colorido  e a riqueza de detalhes característicos do oriente. 

Também, à serviço da religião, a pintura bizantina obedecia à lei da frontalidade, sob formas diferentes da egípcia. Desse modo era também uma arte dirigida. Na execução dos mosaicos, afrescos, ou ícones os artistas obedeciam a verdadeiros formulários prescritos pelos padres e aprovados nos Concílios, pois a pintura tinha como principal finalidade a propagação das verdades da fé e da História Sagrada, entre as populações iletradas da Idade Média.

A suprema obra artística da civilização bizantina foi a igreja de Santa Sofia, construída com enorme dispêndio de dinheiro pelo imperador Justiniano.


Seu ponto máximo foi a arquitetura, e cuja características foram:


- Uso de mármore em abundância.
- Decoração utilizando a flora e fauna como motivos principais.
- Torres com minaretes.
- Uso de arcadas sobre colunas e cúpulas pendentes.
- Uso do arco romano e do arco ogival ao mesmo tempo.


São desse período, entre outras, as seguintes obras arquitetônicas:
- Basílica de São Marcos, em Veneza.
- Basílica da Natividade, em Belém
- Igreja de Santa Sofia,  em Constantinopla
- Igreja de Santa Sofia, Rússia


Basílica de São Marcos - Veneza


Na pintura as principais características eram:

- Ausência de perspectiva e de volume
- Figuras sacras ou de imperadores
- Figuras alongadas, magras, pés, mãos e cabeça pequenos
- As figuras eram todas do mesmo tamanho, destacando-se algumas, apenas.
- Ausência de paisagem ao fundo
- Uso de ícones e das iluminuras
- Predomínio do mosaico
- Uso do azul, vermelho e muito dourado.

As outras artes bizantinas incluíam a escultura em marfim, os objetos de vidro com relevos, os brocados, as iluminuras em manuscritos, a ourivesaria e a joalheria, e muita pintura. Esta, porém não se desenvolveu tanto como as outras artes.  Os artistas bizantinos, em geral, preferiam os mosaicos. Eram desenhos conseguidos pela combinação de pequenos pedaços de vidro ou de pedra coloridos, formando padrões geométricos, figuras simbólicas de plantas e animais, ou mesmo uma cena rebuscada de significado teológico.
As representações de santos ou de Cristo eram comumente deformadas para criar a impressão de intensa piedade.


A pintura Bizantina se desenvolveu por mil anos, por todo o Império Bizâncio, destruído pelos turcos em 1453.



Abaixo: 
Mosaico descoberto sob a camada de tinta sobreposta pelos mulçumanos.
O mosaico representa o imperador Justiniano (à esquerda) oferecendo a igreja, e o Imperador Constantino oferecendo a cidade de Constantinopla à Virgem e seu filho. (Bizantine Institute).


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O ramo Ocidental é a Pintura Românica. 

Período que teve início no século V. Era uma pintura sobrecarregada de expressão pela intervenção de fortes sentimentos religiosos e, por isso mesmo, bastante deformadora das imagens visuais, rudimentar de técnica, muitas vezes ingênua e de inspiração popular. Desconhecia a perspectiva, o claro e o escuro, não representando a ilusão de espaço e de volume.

Destinava-se a traduzir sentimentos e distinguia-se pela vivacidade das cores. Sua técnica mais constante era a do mural afresco, no interior das pesadas igrejas românicas. Esta pintura evoluiu a partir do ano de 1200 para novas técnicas que iriam constituir a pintura gótica.




Arte Românica


Afresco Românico

Os pintores românicos caracterizaram-se não como criadores de telas de pequenas proporções, mas como muralistas. A pintura românica desenvolveu-se nas grandes decorações murais, favorecidas pelas formas arquitetônicas: as abóbadas e as paredes laterais com poucas aberturas criavam grandes superfícies. Na pintura mural era utilizada a técnica do afresco.

Os murais tinham como modelo as ilustrações dos livros religiosos, pois naquela época era intensa, nos conventos a produção de manuscritos eram decorados à mão com cenas bíblicas.

Os motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. A pintura românica não registrou assuntos profanos. Para as igrejas e os mosteiros geralmente eram escolhidos temas como a criação do mundo e do ser humano, o pecado original, a arca de Noé, os símbolos dos evangelistas e Cristo em majestade.

A deformação, na verdade, traduzia os sentimentos religiosos e a interpretação mística que o artista fazia da realidade. Não havia nenhuma intenção em imitar a natureza.

Basílica de Saint-Sernin, Toulouse / França
Torre de Pisa / arquitetura românica



Referências:
História da Arte - G.Proença
História da Arte - Duílio Battistoni Filho
Civilização Ocidental - McNall Burns