21 de outubro de 2008

O ACADEMISMO / ARTE


obra de ludovico carracci

Após o desaparecimento dos grandes mestres renascentistas, dos quais Ticiano foi o último, a pintura italiana sofreu sensível decadência surgindo numerosos artistas denominados ‘maneiristas’. Desenhavam e coloriam muito bem, com extrema facilidade, mas eram carentes de poder expressivo. Possuíam apenas a técnica, mas não transmitiam emoção, coisa própria dos artistas. Era o caso desses ‘maneiristas’ que fervilhavam pela Itália. Foi, então, em face disso, que três pintores resolveram fundar na cidade de Bolonha, uma academia de pintura, que mais tarde veio a ficar famosa. Os três eram parentes, os Carracci – Aníbal (1560/1609), Agostinho (1557/1602) e Ludovico (1555/1619).


Em 1585 a academia recebeu o nome de ‘Academia dos Bem Encaminhados’, e aí estão as raízes da pintura acadêmica, apesar de várias delas terem surgido ao longo da história da arte; várias tentativas foram feitas para emancipar os artistas das associações corporativas de operários, artesãos e negociantes. Mas a que primeiro vingou foi essa, a dos Carracci. Segundo a doutrina deles, a pintura se destinaria a representar, temas, assuntos, cenas e acontecimentos de valor elevado, de ordem moral e espiritual. A inspiração deveria vir, portanto, da mitologia grega, das histórias Sagrada e Antiga, buscando sempre idealizar o homem e a vida. Portanto o pintor deveria ser erudito, conhecedor de história, religião, literatura e filosofia. Precisavam conhecer anatomia, porque a essência da beleza estava no corpo humano, corretamente proporcional.
 
Ainda, segundo o programa dos Carracci, os mestres do Renascimento haviam sido insuperáveis em determinadas técnicas e recursos expressivos: Leonardo Da Vinci era mestre na técnica do ‘claro-escuro’; Miguel Ângelo, no desenho; Rafael, na composição; Ticiano, no colorido. Então, para que um pintor produzisse uma obra prima, bastaria reunir todas as qualidades marcantes desses mestres. Porém como esses mestres alcançaram essas técnicas inspirando-se nas obras da antiguidade clássica greco-romana, o programa dos Carracci determinava que o pintor deveria começar a aprender desenho copiando as cópias das estátuas antigas, gregas e romanas, para depois passarem a desenhar diretamente a figura humana, o modelo profissional de atelier, bem proporcionado, bonito, em atitudes copiadas das estátuas clássicas.



As academias, de maneira geral, sustentam a opinião de que se deve exigir de todo o artista, um certo padrão de qualidade técnica e artesanal. Porém, grande parte dos melhores e mais criativos artistas do século XIX colocaram-se à margem das academias e buscaram canais alternativos para exibirem suas obras.
                 William Bouguereau