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| El Desfile / 2000 |
É impactante a exposição de Fernando Botero 'As Dores da Colômbia' que visitei em Porto Alegre no Centro Cultural Erico Verissimo. Fernando Botero completará 8o anos em abril, um dos artistas - em atividade - mais prestigiados no mundo. Botero não é apenas o criador dos famosos, inconfundíveis e simpáticos gordinhos, representados nas suas pinturas, desenhos e esculturas; é mais; é um artista que se propôs a doar várias obras ao Museu Nacional da Colômbia para registrar as dores de seu país, dores que ninguém fica indiferente; a barbárie, a crueldade premeditada, a dor profunda do ser humano quando acossado e oprimido, quando é arrancada sua liberdade e seus direitos, sejam por guerrilhas, narcotráfico, manobras políticas ou pelos grupos paramilitares acontecidos na década de 1990.
'Não vou fazer negócio com a dor da Colômbia', declarou Botero ao anunciar, no ano de 2000, a sua decisão de doar esta coleção de obras ao Museu, Instituição que há muito tem sido objeto de sua generosidade. Com essa série de obras o artista não tem a pretensão de pôr fim ao conflito. O olhar do artista é compassivo e solidário, não almeja a mobilização, porque não acredita nela. Quer apenas chamar a atenção do mundo e 'dar seu testemunho' - como afirma.
'O material de sua triste leitura são massacres reais noticiados em todo o mundo. Aprisionamentos, corpos abatidos após o combate, lágrimas e sangue. O silêncio domina e o pesar é resignado. As cenas são como flagrantes individuais escolhidos em meio a uma tragédia que está por toda a parte e cuja extensão não é possível alcançar. Sobre suas vítimas Botero lança suas vibrantes cores, criando um contraditório e dramático material'. (Centro Cultural CEEE Erico Verissimo).
'Sou contra a arte como arma de combate. Mas em vista do drama que atinge a Colômbia senti a obrigação de deixar um registro sobre um momento irracional de nossa história'. (Botero)
Botero não tem a preocupação em pintar coisas especiais, mas de transformar a realidade em arte. E assim é. Estas obras expostas no Centro Cultural Erico Verissimo – que fica até 8 de março de 2012 -, mostram sob vários ângulos uma história impossível de ocultar e de esquecer. O mesmo se viu em obras de Goya (Desastres da Guerra) e Picasso (Guernica), o relato, para não esquecer do horror.
Apesar de Botero ter deixado sua terra natal há mais de 40 anos, mostra-se conectado ao seu país pintando não só seu lado agradável, mas também o que foi o lado terrível e violento. Cada quadro marca uma história, um lado peculiar e intimidador da violência que deságua na dor mais profunda do ser humano: perdas de filhos massacrados diante da mãe, esquartejamentos, fuzilamentos diante da família, atos no mais alto grau de violência e que a impiedade pode alcançar.
Esta exposição, que seguirá à outras cidades e países, é composta de 25 pinturas, 36 desenhos e 6 aquarelas. Todas as obras foram doadas em 2004 e 2005 e já percorreu cidades europeias e latino-americanas.
Esta exposição ficará em Porto Alegre até o dia 8 de março de 2012. Vale uma visita: além de vermos características plásticas próprias da obra de Botero, servirá para uma reflexão. E poder sentir, quem sabe, os horrores; a que ponto chegamos e o que somos capazes de fazer à nossa própria espécie.
Estes quadros são uma forma de repudiar a violência. (Botero)
El Cazador / 1999
El Masacre / 2000
Motosierra / 2004
Tais - junto ao painel da entrada
Mais sobre Botero e vídeo aqui, neste blog.
Fontes:
Algumas fotos e material me foram enviadas, gentilmente, pelo jornalista Paulo Camargo do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. Meus agradecimentos.
Fotos: Reprodução / divulgação do Museu Nacional da Colômbia
Patrocínios:Grupo Bradesco Seguros
Aori Produções Culturais
Museu Nacional da Colômbia










15 comentários:
Ainda não havia visto esses quadros, onde Botero representa muito bem a dor, digo que serve para o momento de vida em que estamos vivendo, onde os valores estão se acabando, pessoas matando, a maldade imperando...enfim...nada tão justo expor tudo isso, talvez como "protesto"e um chamamento ao lado humano que todos nos temos, e que devemos deixar vir a tona, antes que tudo se acabe.
Adorei a postagem!
Bjos pra vc.
WaleriaLima
Os quadros são realmente impressionantes. O estilo de desenho e as cores que lembram um pouco desenhos infantis contrastam e destacam de modo aterrador a temática.
Legal também a postura do artista em não querer fazer dinheiro com esses quadros.
Taís, publiquei um conto no meu blog, chama-se "O Beijo Prometido". Se possível por favor leia e me dê sua opinião (desculpe te encher a paciência com os meus textos, mas eu realmente gosto quando você os comenta).
http://reflexoesdo719r.blogspot.com
Abraço.
Olá Taís,
ótima exposição! Tomara que venha para o Rio... O texto, como sempre, muito bom, leve e enriquecedor.
Eu aindã não tinha visto essa fase do Botero. Muito boa!
Beijos do atelier
Ola Tais:
Em primeiro lugar quero agradecer por compartilhar conosco esta tua visita ao museu de Porto Alegre para ver as obras de Fernando Botero..
As tuas analises e comentários são muito bem elaborados.
Estas obras de Botero eu não conhecia,elas são contundentes.
O contraste das cores suaves e pacificas de Botero ganham força de denuncia e inconformismo perante a realidade cruel das imagens que ele registrou!
Como o proprio Botero disse ,o papel do artista não é o de arrigentar correligionarios para movimentos politicos ou ... etc...
porem o papel do artista é mostrar
para o espectador e a sociedade de forma geral aquilo que todos nós criamos ou contribuimos para que sejam criadas .
Desta forma temos que reverenciar e agradecer este incrivel artista Fernando Botero
Grande abraço
Bom domingo
Amiga Taís,
Estive revendo um filme que amo,Frida,agora mesmo e vim te fazer uma visita...deparo com a obra de Botero,obra esta que tem a mesma força e crueza da obra de Frida,ela a respeito de sua dor e ele sobre as dores de seu país.
Excelente postagem,amiga.Obrigada pela partilha.
Bjsssssss
Leninha
Obrigada pela visita ao Espelho Sem Aço.
Valeu, "moça bonita"( Gabriela: Jorge Amado)
Coloquei seu link no meu Blog ok?
OK, Zazá, muito obrigada!
beijos pra você.
Tais
Tais,uma arte forte, chocante mas muito linda!Eu gostei muito,especialmente de saber mais sobre a vida de Botero que não conhecia!bjs e bom fim de semana!
Um repórter pintor! Deve ser difícil pintar o sofrimento.
Uma exposição muito justa com mensagens para refletirmos.
Bj
Todo artista é um grande político. E você, uma excelente professora de artes, amiga! É uma aula maravilhosa!
Beijocas, muitas!
Botero para além de pintor, é um missionário que utiliza os seus pincéis como "armas" de justiça, de luta, de paz,apesar da crueldade que pinta e denuncia!
Gostei muito desta crónica tão explicita e completa.
Beijo
Graça
Taís, demorou ,mas vim aqui comentar essa postagem. Eu já havia lido-a e achei emocionante! É sempre comovente ver um artista usando a arte como uma ferramenta do bem, como um veículo para mostrar ao mundo toda sua tristeza.
Vi aqui algumas obras que ainda não conhecia e pude ver o sentimento do ser humano antes do artista. Eu, acostumada a ver seus gordinhos tão simpáticos, que até fiz algumas releitura deles, não tinha como não me impressionar.
Falar do capricho das suas postagens, da estética impecável e da matéria clara e atraente, nem precisava, todos já sabem! Vc nasceu pra coisa rsrs.
Bjo grande.
Taís, o Urbanascidades convida voce e seus leitores para o seu 2° aniversário dia 21 de março. Sarau cultural com música, literatura e poesia, e convidados muito especiais. Não perca!
Um abraço,
Paulo Bettanin
Querida amiga
Diante do belo,
só nos resta
a contemplação...
Desejo que a alegria
faça folia em sua vida.
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