2 de janeiro de 2015

POLLOCK - O EXPRESSIONISTA ABSTRATO

Convergence 1952 / uma enorme e multicolorida 'pintura de ação'.

Jackson Pollock, pintor americano, nasceu em Cody – perto de Nova Iorque em 1912. Era filho de um granjeiro, tinha parte de sua origem irlandesa e parte escocesa. Inicialmente viveu em contato com solo americano, nos Estados de Wyoming, Arizona e California. Sua vocação artística revelou-se a partir de 1925 quando se inscreveu na Manual Art School de Los Angeles. Em 1929 foi estudar em Nova Iorque no Atelier de Thomas Hart Beton, pintor folclórico.

Descobriu em seguida a pintura em areia dos índios americanos e os pintores mexicanos de afrescos. Todavia, seu desenho inspirou-se nos mestres do barroco europeu. Em 1936 pintou telas violentamente expressionistas. Em 1940 executou trabalhos mitológicos, um pouco influenciados por Picasso, onde as formas se deslocam no espaço: Pasiphaé - 1943 / Totem – 1944.

Desde então desenvolveu pinturas automáticas que resultaram, em 1947, no completo domínio de sua técnica. Inventou processos originais aplicando imensas telas contra a parede ou no chão. Em vez de usar pincel e paleta, praticava o dripping  passeando sobre a tela com latas furadas, de onde escorria tinta.

Ainda que Max Ernst tenha reivindicado a autoria desta técnica, foi Pollock quem a desenvolveu e dela tirou os resultados mais significativos: Catedrais - 1947, Verão – 1948, Bruma de Lavanda – 1950, Ritmos de Outono – 1950.

Estas telas gigantes apresentam um emaranhado de linhas, de espessura variada, que ocupam toda a superfície e com movimentos furiosos. Os últimos trabalhos desta série, pintados sobre vidro, misturam à tinta, conchas, pregos e pedaços de tela de arame.

Em 1950 a 1952 Pollock pintou em preto e branco, praticando um expressionismo abstrato delirante - Echo, 1951. Sua tela Abismo apresenta um buraco preto sobre um fundo branco. Depois voltou às formas circulares, onde alguns encontram analogia com os ritmos do Jazz: Oceano cinzento

Criador da Action Painting, Jackson Pollock encarna a fúria de uma raça embriagada por grandes espaços e o drama de uma civilização desencadeada. Sua obra deu consciência à pintura americana de sua autonomia e representa a afirmação da escola de Nova Iorque.

Embora alguns críticos europeus e norte-americanos tivessem ironizado a obra de Pollock como um exibicionismo vazio, a Pintura de Ação encontrou  na década de 1950 numerosos adeptos na Europa.

O exemplo de Pollock afetou não só os artista mais jovens; pintores contemporâneos e mais velhos, foram capazes de rechaçar as inibições convencionais e ingressar em terrenos semelhantes. 

Pollock travou uma grande batalha contra o alcoolismo e a depressão. Em 1937 internou-se por 4 meses num hospital psiquiátrico onde se submeteu à tratamento químico e  a uma análise. 

Em seguida numa guinada rumo à abstração, incorporou em sua pintura elementos dos modernistas Picasso e Miró, assim como técnicas aprendidas com Siqueiros. Sua primeira obra de grande dimensão foi Mural – 1943 / 1944.

Entre 1947 a 1951 criou a série que abalaria o mundo das artes. Alguns viam nele apenas um criador de peças caóticas e isentas de qualquer sentido – a Revista Time chegou a apelidá-lo de Jack, o Gotejador. Outros, como Greemberg aclamavam-no como o mais vigoroso pintor da América Contemporânea. Mas, contudo, deixou seu nome como um marco nas artes do século XX. 

Levado por um processo criador devorante, Pollock, de temperamento frenético, passou por períodos de angústia e inércia, terminando por morrer tragicamente em um acidente de carro, com velocidade acima do normal. Faleceu em 1956, Estados Unidos com 44 anos neste acidente.

Algumas obras primas:

Macho e Fêmea - 1942
A mulher-lua corta o círculo - 1943
A Loba - 1943
Mural - 1943,1944
Névoa Noturna - 1945
The Key - 1946
Full Fathom Five - 1947
Catedral - 1947
Verão:número 9A - 1948
Mastros azuis - 1952
Convergência - 1952

'Quando estou na minha pintura não tenho consciência do que estou fazendo. Só depois de uma espécie de período para 'travar conhecimento' é que me dou conta daquilo em que estive me envolvendo'.


Jackson Pollock
Mural / 1943
The Key 1946
One number 31

The She Wolf  1943 (A loba) - MOMA - Nova York


Filme:
A saga do pintor do expressionismo abstrato