19.8.19

O MURALISTA DIEGO RIVERA



Diego Rivera




Pintor mexicano, nasceu em 1886 em Guanajuato, no México e faleceu em 1957 deixando um importante trabalho na arte moderna, em geral. Estudou na Academia de Bellas Artes de San Carlos, no México.

Com uma bolsa de estudo, partiu para a Europa - 1907 / 1921 -, onde se familiarizou com os movimentos modernos, tendo experimentado, também, o cubismo, ao conhecer Picasso. Teve contacto com vários pintores: Salvador Dalí, Juan Miró e o arquiteto catalão Antoni Gaudí.

Como ativista político, revolucionário, mulherengo e boêmio, tornou-se amigo de Modigliani, Hemingway, e Trotsky. Foi em Paris que se ligou aos vanguardistas europeus, levando para o México e Estados Unidos uma forte experiência.

Porém sua arte enraizou-se na tradição mexicana. Foi em 1921, que Álvaro Obregón, amante da arte e reformista político, eleito presidente do México, deu início a um programa de pintura em murais destinados a homenagear o México e seu povo.

Estudou os afrescos italianos, de Tiziano a Miguel Ângelo, aprendendo a moldar a figura humana das massas em movimento. Adaptou os painéis clássicos ao mundo latino. Junto com Orozco e Siqueiros fundou a mais poderosa escola de pintura no novo mundo.

O muralismo é uma arte complexa, com conteúdo social forte e misturando religiosidade com utopias socialistas e agrárias.

Rivera era um homem de personalidade extremamente forte, suas obras são vistas em edifícios públicos, no Palácio Nacional, encontrando-se incompleto pelo motivo de sua morte.

Entre 1930 e 1934 trabalhou nos Estados Unidos. ‘Homem numa Encruzilhada’, no Rockfeller Center, em Nova York, ocasionou polêmica por haver um retrato de Lênin, e foi substituído por um mural de Brangwyr.

Sua principal obra nos Estados Unidos foi uma série de afrescos sobre A Indústria de Detroit, 1932. Trabalhou sobre cavalete, com a técnica de encáustica, porém não era de seu gosto por achá-la uma obra burguesa, ficava apenas em recintos fechados, longe do povo que precisava levantar sua auto-estima e resgatar sua história.

Era um homem grande, com quase 2 metros de altura, feio e com mais de 120 quilos, porém exercia uma forte atração sobre as mulheres. Casou-se por 3 vezes, a segunda, com a pintora Frida Kahlo em 1929, um casamento tumultuado, ela com 21 anos e bissexual, mantinha ainda um relacionamento com Leon Trotski, ele, por sua vez, mantinha um relacionamento com a irmã de Frida, Cristina. Foi uma união muito complicada, uma longa e triste história que não cabe relatar aqui, pois o homem diferencia-se do artista e de sua obra, que é o que fica.

Rivera pintou mais de 4 mil metros de murais, destacando-se os painéis de Rockfeller e a série da ‘Criação do Mundo, onde deuses foram substituídos pelos reformadores. Seus trabalhos beiram a 5 mil desenhos e dois mil quadros. Vê-se em sua obra a influência dos mestres Picasso, Dali, Miro e outros vanguardistas.



 
            Zapata - Lider agrário-1931


Mural de D. Rivera

Detroit Industry / 1932

Mural em São Francisco


21.5.19

MICHELANGELO MERESI DA CARAVAGGIO


A cabeça de  Medusa / 1597  (Galeria Uffizi  - Florença)



    - por Tais Luso 

Michelangelo Merisi da Caravaggio nasceu em 1571, Caravaggio, Itália. Não era propriamente genial como pessoa; era um jovem de temperamento violento, arruaceiro, mente instável, de muitas bebedeiras, dívidas, amigos duvidosos, várias prisões, uma acusação de assassinato no jogo da péla. Era um frequentador do submundo.

Caravaggio foi o mais original e influente pintor italiano do século XVII. Recrutava seus modelos nas ruas e os pintava à noite, entre luzes e sombras. Eram telas com fortes contrastes, jovens com caras viciadas, bêbados, gente de toda a espécie se entrelaçando em suas telas.

Caravaggio era filho de um arquiteto, que morreu ainda quando o pintor era criança. Sua mãe morreu quando ele era ainda jovem. No início de sua carreira, ao viajar para Roma, Veneza, Roma, Cremona e Milão Caravaggio já era um órfão individado.

Seus primeiros trabalhos foram marcados por retratos inigmáticos. Seu autoretrato como Baco (1593/1594), também exibe um extraordinário talento para natureza morta.


Ressurreição de Lázaro (restaurada)

Pequeno Baco doente

Com muitos trabalhos em Roma, Caravaggio levou para as telas a vulgaridade humana, exibida nas suas figuras de vestes surradas e sujas e nos seus rostos maltratados.

Em seu quadro, A Morte da Virgem Maria pintou imagens sem gloria e sem o esperado explendor causando enorme desconforto e rejeição da igreja. Seria uma encomenda destinada a Igreja de Santa Maria de La Scalla. Cogitou-se que a modelo requisitada para a obra teria sido uma cortesã de vestido vermelho e que, pelo seu ventre inchado, já estaria morta.

Durante muito tempo foi considerado indigno para participar de exposições, igrejas e salões da nobreza. Era chamado pelos seus contemporâneos de anticristo da pintura, de artista pé sujo. Requisitava as prostitutas e mendigos para seus modelos de santos; os apóstolos em trajes velhos e sujos, ou ainda representar os momentos da história cristã como fato simples do cotidiano foram alguns dos pecados de Caravaggio. Assim mesmo sua obra foi tocada pela anormalidade do gênio, criativa e desesperada.

Caravaggio ainda trabalhou nas obras  O Sepultamento, A Virgem de Loreto, A Virgem dos Palafreneiros e A Morte da Virgem. As duas últimas recusadas, por incorreção teológica.

Ao romper com as representações sacras, deixa o caráter celestial, de personagens sagrados e volta a retratar o cotidiano mundano, com fundos escuros, valendo-se de sua técnica claro-escuro na qual foi mestre.

Duas fases se distinguem em sua carreira: um primeiro período experimental  1592 / 1599 e um período de maturidade (1599 / 1606). Suas primeiras obras foram pequenas figurações de temas não dramáticos, como naturezas-mortas, figuras de meio corpo como O rapaz com uma cesta de frutas, Florença, O jovem Baco. Mais tarde suas figuras tornaram-se mais articuladas, com cores mais ricas, com sombras acentuadas, como na Ceia de Emaús.

O segundo período, o da maturidade, Caravaggio iniciou com uma encomenda para a Capela de Contarelli. Na obra São Mateus e o Anjo, desenvolveu  uma ação dramática, com maestria no uso das tintas que com muito esforço foram conseguidas - vista num estudo através de raios-X. Porém, foi rejeitada por ser considerada indecorosa, mas comprada mais tarde pelo Marquês Vincenzo Giustiniani, um dos mais importantes mecenas de Roma, que também pagou pelo retábulo substituto.

No período em que fugiu de Roma - em 1606 -, passando os 4 últimos anos de sua vida perambulando de Nápoles para Malta e Sicília, continuou a pintar obras religiosas, mas com um novo estilo, buscando apenas o essencial: poucas cores, tinta aplicada em finas camadas e o drama das obras anteriores, substituídas por um silêncio contemplativo.

Sua atividade não foi longa, mas foi intensa. Caravaggio apareceu numa época em que o realismo não estava tão em moda, em que as figuras eram retratadas de acordo com as convenções e os costumes, mais romantismo e graciosidade do que as exigências da verdade, fazendo com que o belo perdesse seu valor.

O interesse por Caravaggio declinou no séc XVIII, mas voltou à baila na metade do séc XIX onde todos viam em sua pintura uma rejeição à beleza e a busca pelo horror, à feiura e ao pecado.

Teve uma morte prematura aos 39 anos e morreu tão miseravelmente quanto viveu, colocado numa cama, sem ajuda , sem amigos. Morreu de malária, em 1610, em Porto Ercóle, Itália.


CARAVAGGISTI

Era a denominação dada a pintores do início do séc XVII que imitaram o estilo de Caravaggio. O uso do claro e escuro para conseguirem mais dramaticidade e realismo. Estes exerceram muita influência em Roma no princípio do séc XVII. O Caravaggisti foi um fenômeno de grande importância, o mundo talvez não tivesse um Rembrandt, um Delacroix, um Manet, Rubens ou Velazquez se não fosse a influência de Caravaggio.

OBRAS PRIMAS:

Baco / Jovem com um Cesto de Frutas / Menino mordido por um Lagarto / Repouso na fuga para o Egito / A cabeça da Medusa / A Morte da Virgem / A Ceia de Emaús / O martírio de São Mateus / O Sepultamento / A Decapitação de São João Batista / A Ressurreição de Lázaro.

Ceia em Emaús        - clique foto -
Cesta de Frutas

Crucificação de São Pedro
O enterro de Cristo
A morte da Virgem
Baco / 1593 - 94
Os trapaceiros / 1594

São Francisco
Fontes:
Grandes Artistas - ed. Sextante
D.Oxford de Arte
501 Grandes Artistas 


30.4.19

CATEDRAL DE NOTRE-DAME - VÍDEO COMPLETO


Agradeço a querida  amiga de Portugal  Maria Caiano Azevedo (Mariazita)  que, a meu pedido,  teve o carinho  de passar para vídeo essa bela matéria (com os devidos créditos no final)  sobre  a Catedral de  Notre-Dame, um dos  principais símbolos  de Paris e da Igreja Católica. Um beijo,  amiga.


Blog de Mariazita: A Casa da Mariquinhas

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4.4.19

JACEK YERK E SUA OBRA SURREALISTA

Outono - Jacek Yerka

Yerka nasceu em Torun (cidade no norte da Polônia) em 1952. Trabalha e reside, com sua família - esposa e 4 filhos - em um enclave rural de sua terra natal. Estudou arte e ilustrações antes de se tornar um artista em tempo integral, em 1980.

Yerka resistiu às pressões constantes de seus instrutores para adotar as técnicas com menos detalhes e rumar para a arte contemporânea. Porém sentiu que perderia o fascínio pela pintura, pela criação. O que aconteceu foi a constatação de seus professores em acreditar na arte maravilhosa de Yerka proveniente de seus sonhos de infância, de sua imaginação.

Sua família era de artistas. Seu pai era responsável pelas ideias, enquanto sua mãe elaborava com perfeição tais ideias. E foi nesse meio que Yerka cresceu.

Foi uma criança muito reativa, com problemas de adaptação com seus colegas de colégio, não participava de jogos ao ar livre, gostava de desenhar, trazer à tona seus sentimentos, a sua realidade íntima, seus sonhos. Era uma fuga da realidade..

Pensava em estudar astronomia ou medicina. Em 1980 já trabalhava para várias galerias de arte em Varsóvia, como também aceitando encomendas, dedicando-se quase que exclusivamente à pintura.

Em 1995, o artista foi premiado com o renomado World Fantasy Award como o melhor artista. Suas obras estão presentes na Polônia, Alemanha, França, EUA, entre outros tantos países. Tornou-se conhecido no mundo inteiro com seu surrealismo fantástico.

Low cost airlines

Espuma - Jacek Yerka

Tectonic - Jacek Yerka

Barragem Bíblia
A cidade está pousando
Cloudbreaker

Movimento Surrealista - clique aqui.


12.2.19

ARTE NÃO SE LIMITA - Érico Santos

- Bananais -

     Após ter lido um dos livros escritos pelo artista Érico Santos - Arte: emoção e diálogo, fisguei um dos seus textos  que achei de muita relevância.  Um texto em que o artista fala com muita propriedade, pois sua palavra é digna de crédito, pelo conceituado artista que é, atuante no mercado de Arte desde 1974, com estúdios em Porto Alegre e Milão/Itália.
    Érico realizou inúmeras exposições individuais e bem mais de 200 exposições coletivas no Brasil, México, Estados Unidos, Espanha, França, Inglaterra e Itália, onde obteve diversos prêmios e comendas. Começou nas artes como desenhista publicitário, ilustrador e cartunista. Também formado em Direito, profissão que atuou por vários anos. Transcrevo na íntegra, seu artigo:

ARTE DEMAIS    ( por Érico Santos)

Certo domingo, li num jornal uma matéria de um especialista em decoração de interiores que versava sobre o que, atualmente, é chique ou em desuso na arrumação das paredes da casa. Estarreceu-me a afirmação de que não se deve colocar muitos quadros: numa parede grande, apenas um é suficiente para dar aquele toque de bom gosto.

Vê-se assim, como a arte é vista de formas diferentes conforme as diversas concepções de cada pessoa. No caso, esse decorador, tão imiscuído na finalidade da sua tarefa – tornar ambientes agradáveis – deturpou totalmente o propósito das obras de arte, reciclando-as para apenas quadros. A arte deixa de existir em si para se transmutar em elemento de um conjunto. Retirou-lhe o espírito para que se tornasse um corpo num ambiente. Lembrou-me, aliás, aqueles que compram livros bem encadernados, a metro, para enfeitar a estante nova.

Estarreceu-me aquele artigo, não pela ignorância artística daquele profissional, porque a falta dela é ainda, um privilégio de poucos, mas sobretudo pela insensibilidade que, aos seres de alma, não se justifica. Sua afirmativa foi grotesca porque para aquelas pessoas pouco dotadas de conhecimento artístico e, pior, sensibilidade, é um estímulo a se desfazerem de seus quadros para esvaziar as paredes. Não seria o mercado de arte o grande derrotado, mas o espírito. Os bem-dotados de alma continuarão a comprar obras de arte, porque as veem para o espírito, e não para as paredes. E se decoração é tornar ambientes agradáveis, com certeza para essas pessoas, paredes abarrotadas de quadros só lhes farão bem. Aos demais, recomendo que troquem a cada ano aquele único quadro, porque decorar só por decorar cansa, além de ter que se subjugar a modismos.

Os bons decoradores sabem o quão agradável é entrar numa casa cujos livros se amontoam nas estantes, por toda a parte, e obras de arte se acumulam com a desafetação nas paredes. Transmite instantaneamente, não apenas uma aura de bem-estar, como também um requintado estilo de vida que só os que sabem viver – e não necessitam provar nada a ninguém – conhecem.

Para concluir: não se deve quantificar o uso de uma obra de arte, assim como não se deve limitar a leitura de livros, a audiência a concertos, a assistência a peças de teatro, etc. A arte pode servir como decoração, mas subsidiariamente; assim como há quadros com o único propósito de decorar e não são vistos como obras de arte pelo seu usuário. Porém, se o autor da matéria não se referiu a quadros como obras de arte, retiro tudo o que foi dito. Nesse caso será que uma bela moldura vazia, solitária, no meio de parede, não cumpriria sua finalidade?

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Arte: emoção e diálogo / Érico Santos – Porto Alegre: Uniprom 1999. pág 19

Chaleira e cuia sobre pelegos


Cena urbana / Bric da Redenção - Porto Alegre
Parque Farroupilha - Porto Alegre
Casa Cor 2014 / São Paulo - Sig Bergamin

23.12.18

O BARROCO E A IGREJA CATÓLICA

Igreja Sant'Andrea al Quirinale / Lorenzo Bernini
A Igreja Católica, ao contrário dos Protestantes - que aboliram os santos de suas Igrejas - atribuiu um papel especial às artes: representar a história da religião cristã através da arte seria de maior eficácia do que contá-la. Porém os estilos artísticos da época eram estáticos, rígidos e incapazes de transmitir as novas características que a Igreja queria dar ao Catolicismo. A arte teria de contribuir para despertar uma religiosidade de cunho mais profundo.

A Igreja encontrou, então, um estilo adequado que já vinham das formas clássicas do Renascimento. Tornou o interior de suas Igrejas bem mais ricos e coloridos.

As imagens dos Santos, da Virgem Maria, do Cristo passaram a emocionar através de expressões de agonia, ternura e compaixão. Segundo um estudioso do tema 'a arte foi utilizada para propagandear em suas imagens as idéias religiosas revitalizadas e concebidas segundo o novo espírito e para transmitir sentimentos e estados de ânimo às massas devotas'.

A igreja não inventou o barroco, e sim se aproveitou das novas tendências que já vinham se desenvolvendo. O barroco pode ser considerado como a arte da Contra-Reforma. Muito luxo, colorido e ouro foram usados no interior das igrejas.

Um aspecto de muita importância do barroco é o seu caráter didático, uma vez que a maioria da população era analfabeta. O uso de imagens para reprodução da Bíblia e da vida dos Santos era um recurso poderoso para a assimilação e o entendimento. Daí tanto empenho dos papas às artes.

 Catedral de Toledo - Narciso Tomé
 Clique para zoom / Barroco brasileiro



Ordem Terceira São Francisco da Penitência / R. Janeiro


Capela dos Noviços / Recife


Clique 'AQUI' para abrir

Salvador / Brasil

25.11.18

EXPRESSIONISMO

Igreja de Auvers-sur-óise / Vincente Van Gogh

             - por Taís Luso


O Expressionismo surgiu na Alemanha, no qual os valores emocionais predominam e, encontraremos em diferentes épocas, escolas, artistas do passado tendências ou afirmações Expressionistas. As artes arcaicas , as dos selvagens e dos artistas populares, pela liberdade da técnica, deformação da imagem, exasperação da cor, recusa do realismo visual, natureza simbólica e dramaticidade, são geralmente Expressionistas. Assim como segue esta linha as pinturas de crianças e de alienados mentais.   

É a primeira grande tendência da pintura moderna. Suas manifestações iniciais datam de 1905 sob a influência de Van Gogh e do norueguês Edward Munch  /1863-1944.

Alguns artistas originais do passado, entre os quais estão Matias Grünewald (1470-1528), Jerônimo Bosch (1462-1516), El Greco (1548-1614), Goya (1746-1828), podem ser considerados como precursores do moderno Expressionismo.

As farpas de George Grosz – 1893, os murais  de Diego Rivera são obras clássicas do expressionismo moderno. Os pobres e os cangaceiros do brasileiro Portinari estão na mesma linha, saturados de críticas sociais.

Mas, no ano de 1905, na cidade alemã de Dresden, reuniram-se vários pintores: Ernst Ludwig Kirchner, Eric Henckel, Karl S.Rottluff, Max Pechstein e Emil Nolde. Organizaram-se num grupo - Die Brücke – uma denominação simbólica que significava ‘A Ponte’, algo entre o visível e o invisível. Mais tarde recebem a denominação de Expressionistas, dada pelo editor e poeta H. Walden.

Realizaram diversas exposições até 1913 quando por dissidências internas e aproximação da Primeira Grande Guerra o grupo se dispersou.

Depois da guerra, os Expressionistas alemães ressurgem mais numerosos. O advento do regime nazista, em 1933, decreta-lhes o desaparecimento. Suprimindo todas as liberdades, Hitler suprimiria, também, a da criação artística. Considera-os degenerados, expressão da decadência capitalista, dando início a uma perseguição e expulsando-os da Alemanha.

Terminada a segunda guerra e destruído o nazismo, reapareceram as tendências Expressionistas alemãs, inclusive e, sobretudo, nas formas abstratas.
O pintor Expressionista é o contrário do Impressionista: o seu conhecimento e interpretação do mundo fazem-se à base de sentimentos, não de sensações. Aparecem sentimentos de amargura, interrogações espirituais, pessimismo, críticas sociais e políticas. Não tem por objetivo representar visualmente as aparências da natureza ou as imagens exteriores, mas utilizá-las para expressar suas realidades interiores, de modo direto e intenso. Era o que Van Gogh fazia.

Por esse motivo, pela veemência dos sentimentos do artista, o Expressionismo é uma pintura deformadora das imagens da realidade. A deformação torna-se, portanto, a característica mais geral da pintura expressionista. Para melhor exprimir sentimentos intensos e geralmente dramáticos a pintura Expressionista não pode ter maiores preocupações com a criação de valores predominantemente estéticos, isto é, valores rítmicos de composição, valores plásticos de formas e cores ou valores baseados na regularidade da forma e no equilíbrio das proporções. O Expressionismo não permite princípios tradicionais de beleza. É a explosão da emoção.

O Expressionismo recusa o aprendizado técnico, no sentido tradicional; cada pintor cria uma técnica pessoal, adequada aos seus fins expressivos, realmente intransferível. O pintor expressionista é um solitário, desenhando e pintando de acordo com as exigências de sua sensibilidade.

Os Retirantes / Portinari

Antonio Veronese

Solo / Max Weber 1918
Die Eltern des Künstlers / Otto Dix - 1926
O Grito / Edvard Munch





11.8.18

LUCIAN FREUD



Reflection - 1985  / Clique nas obras

Tais Luso de Carvalho

O pintor Lucian Freud, neto de Sigmund Freud, é um dos pintores mais importantes da arte contemporânea figurativa do Reino Unido. Suas pinturas causam polêmica por serem impactantes. Retratos e nus perturbadores, crus, nada sensuais, e geralmente  Lucian  usava  seus amigos como modelos.

'Eu pinto pessoas, não precisamente pelo que elas se parecem, não exatamente pelo que elas são, mas como eles deveriam ser ' - dizia Freud sobre seu trabalho.

Um de seus retratos, uma mulher obesa e nua em um sofá, foi vendido em 2008 por US$ 33,6 milhões. Uma das características de Lucian Freud era sua obsessão pelos nus: o corpo que ele pintava era o corpo do homem contemporâneo. Seus nus nunca trouxeram sensualidade ou beleza. Não encobria imperfeições, e os detalhes íntimos causavam um certo desconforto, uma sensação incômoda nos que olhavam as obras. Mas pode ser este o segredo de seu trabalho, o de perturbar.

'As pessoas me interessam muito, como se tratassem de animais primitivos' – disse aos curadores do Museu Britânico Tate, antes de uma retrospectiva.

Segundo uma entrevista de Paulo Pasta ao, artista plástico e professor da Fundação Armando Álvares Penteado, dada ao site CC, Freud conseguia reunir em suas pinturas todas as características do homem contemporâneo como, por exemplo, suas expressões. Outra questão importante é que, enquanto a geração mais nova pinta a partir de foto, ele partia da observação. Freud fazia parte de uma tradição muito inglesa, como Francis Bacon, com a mesma visão desviada do homem, que é mais trágica e solitária da existência humana, como muitos artistas ingleses atuais. Segue essa tradição de mostrar o cinismo, a perversidade presente no mundo.

O que a pintura dele tem de mais contemporâneo - segundo Paulo Paste - é a apreensão da solidão do homem. As figuras são muito solitárias, sofrem uma pressão existencial, lembram as obras de Samuel Beckett com seus homens encarcerados em uma espécie de quarto solitário, nus, despossuídos de tudo, destino. Outra característica contemporânea é a carnalidade de sua pintura. Ele usava tinta óleo, mas era uma tinta densa, contraponto à matéria da carne.

Freud se negava a seguir as tendências da moda na arte, usando seu estilo realista, mesmo quando era criticado pelos colecionadores e críticos. Era um dos pintores mais destacados a nível internacional, sendo reconhecido como um dos mais importantes realistas do século XX e XXI, segundo Brett Gorvy – vice presidente do departamento de arte da Christie's de Nova York.

Outra de suas características conhecidas,: entre uma pincelada e outra limpava o pincel, assim as cores mantinham sua individualidade e integridade.

Lucian Freud vivia para pintar e pintou quase até o dia de sua morte. Nasceu em Berlim em 1922 e se mudou para Londres com seus pais, Ernest e Lucie Freud em 1933, depois que Hittler e os nazistas chegaram ao poder na Alemanha. Naturalizou-se britânico seis anos depois e passou quase toda sua vida trabalhando em seu atelier na capital inglesa, localizado num luxuoso bairro de Holland Park.

Frequentava os mais badalados restaurantes, muitas vezes acompanhado de lindas mulheres, bem mais jovens, como a modelo Kate Moss a quem retratou nua.

Uma das pessoas mais famosas que Freud retratou foi a Rainha Elizabeth II que posou para o artista depois de longas negociações entre o Palácio de Buckingham e o pintor.

O retrato colorido que Freud doou à coleção da rainha causou enorme polêmica. Muitos ficaram chocados com a obra concluída. E a crítica ficou dividida: alguns críticos a veem como uma obra honesta, que transmiti algo de verdadeiro sobre tempo de serviço da rainha, experiência e devoção ao dever; outros acharam que Freud foi um pouco severo em seu naturalismo, em seu esforço para transmitir uma realidade psicológica; Freud tirou da rainha tudo o que é elegante, romântico ou bonito. Ela parece triste e sólida, e seu rosto parece ter a textura de massa de vidraceiro.

O artista nasceu em Berlin, em 1922 e faleceu aos 88 anos, em 20 de julho de 2011, Londres. As causas não foram reveladas.
Mais obras de Lucian Freud no The Museum of Modern Art - Moma


Naked Man - 1992

Suzy Boyt - ex-mulher de Lucian

Leigh Bowery - 1996
   
'Benefits Supervisor Sleeping' - 1995  
Vendido por US$ 33,6 milhões em 2008
          Um homem e sua filha - 1964  /  clique foto
Lucian Freud trabalhando