20 de setembro de 2012

DEBRET – ESTILO INCONFUNDÍVEL


Ponte de Santa Ifigênia

- Tais Luso de Carvalho

Jean Baptiste Debret nasceu em Paris no ano de 1768, oriundo de uma família que já se interessava pela arte. Seu pai tinha entre seus amigos figuras de projeção do mundo artístico, entre eles Demaison – arquiteto real, e David, chefe do movimento neoclássico francês e mais tarde pintor da epopeia napoleônica. E foi nesse ambiente que Debret resolveu dedicar-se à arte, iniciando seu aprendizado com David, que exerceu uma grande influência em sua obra.

Em 1785 ingressou na Academia de Belas Artes. Porém, a guerra e a invasão do território francês acentuaram no governo a preocupação com a segurança nacional e os melhores alunos da Academia – entre eles Debret - foram transferidos para a Academia de Pontes e Calçadas, para estudar 'fortificações'.

Essa interrupção na sua carreira de artista não prejudicou sua obra. À partir de 1798, no Salão Oficial, mostrou, já, um estilo que começou a se definir - neoclássico – documentando acontecimentos históricos através de uma forma artística elaborada.

À partir de 1806, sensibilizado pela glória de Napoleão, passou a retratar episódios da vida do imperador. Em 1815, um novo abalo e uma nova interrupção na sua arte. A morte de um filho provoca nele o desejo de se afastar da França.

Acompanhando uma missão artística destinada a fundar uma Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro, Debret chegou ao Brasil em 1816. Mas apenas em 1827 foi inaugurada a Imperial Academia de Belas Artes. Logo o Imperador D. Pedro I reconhece o valor de sua arte e Debret passou a ser o pintor oficial da côrte brasileira. 'Coroação de D. Pedro I', o 'Desembarque da Imperatriz Leopoldina', cenários do Teatro Imperial e alegoria do segundo casamento de D. Pedro I, são obras desse período.

A obra que realizou no Brasil foi imensa: cenas brasileiras, retratos de família, pinturas para o cenário do Teatro São João, , trabalhos de ornamentação para a cidade do Rio de Janeiro para festas públicas e oficiais, assim como solenidades da aclamação de D. João VI. Também foi professor da pintura histórica na Academia Imperial de Belas Artes e realizador da primeira exposição de Arte no Brasil, inaugurada em 2 de dezembro de 1829.

É, certamente, o artista da Missão Francesa mais conhecido pelos brasileiros, por seus trabalhos que documentam a vida no Brasil durante o século 19  e muito reproduzidos nos livros escolares.

A pintura Ponte de Santa Ifigênia (acima) se destaca pela impressão de profundidade da ponte e das pessoas. A presença de poucas casas e muita vegetação, hoje está numa área central de São Paulo, das mais movimentadas.

Mais desenhista do que pintor sua arte mostrou toda a fidelidade dos ensinamentos acadêmicos neoclássicos. 

Voyage Pittoresque et Historique au Brésil, é uma obra em 3 volumes, no qual focaliza a vida da côrte e do campo no Brasil, os escravos e os índios do reino. 

Cita-se essa obra como a  mais importante onde encontramos todas as ilustrações de Debret - desenhos e aquarelas - onde documenta os usos e costumes da época dos indígenas à sociedade do Rio de janeiro e assuntos diversos, como paisagens naturais e urbanas, retratos, estudos de condecorações, peças de vestuário e acessórios de montaria.

O estilo de Debret é inconfundível e alia-se a uma grande fidelidade nas informações.
Em 1831, após a abdicação do imperador, regressa à França onde morre em 1848.

Cenas brasileiras
Os Calçadores
Coroação de D.Pedro I
O caçador de escravos
Um jantar brasileiro
Desembarque de Leopoldina
O velho Orfeu africano