12.7.21

ARTE GREGA ANTIGA

Partenon - na Acrópole grega, construído entre 447 e 438 a.C
          
        
         - Tais Luso de Carvalho
          
          DO POVO

A cultura Grega foi o ponto de partida para boa parte da cultura do mundo ocidental atual. As contribuições deixadas por eles estão presentes na arte, nas escolas de todos os níveis, e até mesmo nas palavras que usamos. 
Muitas são de origem grega. Foi uma civilização - especialmente em Atenas -, que procurou os ideais de liberdade, de otimismo, de secularismo, de racionalismo de glorificação tanto do corpo como do espírito e de grande respeito pela dignidade e mérito do indivíduo. 
O Ocidente tem suas raízes na Grécia. O grego era um povo alegre e idealista. Era voltado para a arte do pensar, a filosofia. Entre eles surgiram os filósofos Sócrates, Platão, Aristóteles entre outros. Platão apresentou uma teoria que dividiu o mundo em dois: o real e o ideal. O mundo real é nossa vida diária, o mundo ideal, é o mundo das ideias, o mundo perfeito, onde através do predomínio da inteligência, tudo representa perfeição, equilíbrio e ritmo.
Foi buscando alcançar esse mundo ideal que o povo grego criou uma civilização na qual predominou a perfeição.

Os historiadores costumam dividir a história grega em três períodos:
– O Arcaico (séc XII a VII a.C.)
– O Clássico ( séc VI, V e IV a.C.)
– O Helênico vai desde a morte de Alexandre (323 a.C.) até a Instituição do Império Romano (30 a.C.)

Todas as mudanças históricas desde o período helenístico, iniciada sob o poder de Alexandre até o domínio da Grécia pelos romanos, sofreram transformações, sobretudo o desaparecimento das cidades-estados, e isso interferiu imensamente na 'arte grega'.

A ARQUITETURA

A arquitetura da Grécia era grandiosa e caracterizava muito bem os períodos em que três povos distintos se destacaram: os dórios, os jônios e os coríntios. Em cada um desses ciclos de governo encontramos um estilo diferente.
O monumento típico da arquitetura clássica grega é o Pártenon, dedicado à deusa Atenéa Pártenos construindo durante o governo de Péricles, na Acrópole, colina rochosa situada no centro de Atenas. Esse Templo dórico, majestoso, foi levantado para se comemorar a vitória dos gregos sobre os persas.
Sua construção data da época de Sólon e seus arquitetos foram Ictíno e Calícrate, sob a direção de Fidias. O templo é uma obra-prima em arquitetura. Construído em estilo dórico, foi trabalhado em tal forma em suas colunas que a ilusão de ótica fica eliminada. Ela é perfeito visto de todos os ângulos..
Hoje o Partenon está em ruínas, pois feito em mármore, não aguentou a ação do tempo e das guerras.


Pórtico das Cariátides, lado sul do Erecteion


A ESCULTURA

A escultura grega foi muito trabalhada, tendo na estatuária seu ponto máximo. Suas características são:
-Expressão corporal
-Movimento
-Técnica ante frontal.
O estudo anatômico da estatuária grega é insuperável. A Grécia apresenta um número grande de escultores, entre eles Dédalo, Fídias, Policleto e Miron.
A escultura do séc IV a.C. apresentava traços bem característicos como a paz, o amor, a liberdade, a vitória, etc. Outro traço marcante foi o surgimento do nu feminino, pois nos períodos arcaicos e clássico, representava-se a figura feminina sempre vestida. Praxiteles esculpiu uma Afrodite nua que acabou sendo sua obra mais famosa.

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     Vênus de Milo - séc II a.C  /    Discobolo de Miron - 450 a.C / Afrodite de Praxiteles 370 a.C                                                                                                                                                                                                                                      

PINTURA

O período arcaico deu origem à plástica grega, tanto à escultura quanto à pintura. Também aos pequenos bronzes geométricos e as primeiras estatuetas de marfim e as terracotas denominadas dedálicas – séc VIII a.C.

Os retratos pouco foram trabalhados pelos gregos, pois suas obras procuravam a perfeição e o retrato exigiria a fidelidade ao modelo, inclusive dos defeitos.

O tempo e as guerras se encarregaram de destruir quase toda a pintura grega e muito pouco chegou até nós. Os gregos trabalharam muito os afrescos, e em muitos casos utilizaram o mosaico para substituir a pintura.

Historiadores encontraram relatos de pinturas lindíssimas por toda a Grécia e salientam, como mestres da pintura grega os nomes de Parrásio, Apeles, Timantes de Citnos, Colotes de Teos, entre outros.

As primeiras manifestações da pintura grega estão contidas nos vasos de cerâmica, com uma forte decoração linear ou de figuras geometrizadas. Não restaram obras originais da pintura grega nos períodos arcaico e clássico. Desse modo para estudá-la, temos de nos valer de fontes indiretas, entre as quais estão, em primeiro lugar, as decorações dos vasos.

A segunda fonte de informações indiretas está nos afrescos e mosaicos romanos. Os pintores romanos inspiravam-se nos gregos e mesmo os copiavam. Numerosos artistas gregos trabalhavam em Roma e noutras cidades da Itália. Os mosaicos e afrescos de Pompeia , serviram para o melhor conhecimento da pintura grega arcaica e clássica.

Aos poucos foram surgindo as pinturas de cavaletes que começa a ser gradativamente comercializada. Por outro lado os pintores passam a se preocupar com as alegorias literárias e de sentimento mais aristocrático. Também realizam certas conquistas na imitação da realidade, a ilusão do espaço com a aplicação de regras da perspectiva e de volume, através do claro e escuro.

Os maiores pintores do classicismo grego foram Zêuxis, cuja habilidade nas sombras do colorido fizeram dele o mais famoso dos atenienses. Apeles destacou-se pela liberdade de inspiração, pelas inspirações anatômicas, interpretação da realidade e originalidade do colorido. Sua obra foi muito apreciada pelos romanos, sendo que existem cópias em pompeia e herculano. Entre suas obras mais famosas se destacam Afrodite e Calúnia.

A pintura helenística é voltada para a natureza e a realidade ambiental. Nos fins do século I a.C.ela adquire elegância de desenho e sentimento aristocrático. Dentre os pintores destaca-se Timônacos de Bizâncio.


                                                                                            
                                                                                        Fayun - séc II                                                                                              


Afresco Ifigênia levada para o sacrifício 
- Museu arqueológico de Nápolis - séc I


      A CERÂMICA

É na cerâmica que vamos encontrar vários exemplos da pintura, vascular, com motivos de guerra, cenas da vida cotidiana, o mar e seus animais marinhos. No início os gregos apresentavam uma pintura vascular simples, com esmaltes desmaiados e sem brilho. Os vasos eram quase sempre vermelhos, com as figuras em preto.
Evoluindo, a cerâmica passa por grandes transformações, seja quanto á forma, seja quanto à pintura.. Aos poucos os vasos começam a apresentar o fundo em preto e as figuras em vermelho, numa tentativa de conseguir o volume, a terceira dimensão na pintura. Os esmaltes são aprimorados e, no final da história da Grécia antiga, a cerâmica é belíssima, com fino acabamento e uma técnica perfeita.


  

             Museu Louvre  360 - 35- a.C       Museu Gregoriani, Roma 540 a.C.




O MOSAICO

O mosaico grego fez imenso progresso na expressividade, mediante o uso de pedras coloridas, especialmente talhadas, usadas em ricas residências que, conforme as divisões e seu uso, ofereciam ornamentos geométricos, naturezas-mortas, animais ou cenas mitológicas.


Mosaico de Alexandre magno encontrado em Pompéia


período helênico

                                      fim do séc VI                                                    


Encerrando, deixo as palavras do filósofo grego Sócrates:
'O mal é provocado pela ignorância e à medida que o homem tem conhecimento, procura sempre fazer o bem'.


Referências:
Historia da Arte / Graça Proença
O melhor da Arte Grega G e Z Edições - Lisboa
História da Civilização Ocidental - Mac Nall Burns)



29.4.21

ARTE DOS ÁRABES / IDADE MÉDIA



- Tais Luso de Carvalho

Arábia foi o centro de uma notável civilização que rapidamente se difundiu pelo Oriente, criando um grande e poderoso império. Bastante influenciados pela arte cristã, os muçulmanos criaram também a sua arte;  acrescentaram novos elementos trazendo uma riqueza e um luxo diferente.

Além a influência bizantina predominante, a arte muçulmana acolheu sugestões de alguns países onde se instalou. Na Ásia não foi insensível às idéias persas. Na Espanha filtrou elementos dos visigodos germânicos que a haviam ocupado.

Dando às abóbodas feitio e construção diversa, produziram efeitos imprevistos com o sistema de estalactites, designação o qual ficaram sendo conhecidas. A decoração árabe é singularmente original pelo relevo dos seus motivos e pela inesgotável fantasia geométrica de que as compõe, revelando excepcional riqueza e criatividade.

Devido a uma cláusula especialmente expressa no Livro Sagrado Alcorão que proibia a representação de seres vivos, a pintura decorativa dos árabes só empregava temas geométricos, figuras abstratas, animais estilizados e estes, de tal modo que se tonavam muito difícil reconhecer-lhes a natureza no meio da composição em que se encontravam. As próprias linhas floreadas da escrita árabe adquiriram um alto valor decorativo.

A cerâmica também é bastante original, tendo adquirido grande fama as manufaturadas, conhecidas por majólica.

Caixa de marfim

Arabescos
A arte islâmica não é a arte de um país ou de um povo em particular; é a arte de uma civilização formada por uma combinação de circunstâncias históricas: a conquista do mundo antigo pelos árabes, a unificação forçada e que por sua vez foi invadido por vários povos estrangeiros.

O elemento árabe é provavelmente, em todos os tempos, o mais importante. Ele forneceu a base para o desenvolvimento da arte islâmica através da mensagem do islã, a língua de seu livro sagrado e a forma árabe da escrita. Esta última transformou-se na mais importante característica isolada de toda a arte islâmica, levando ao desenvolvimento de uma infinita variedade de ornamentação abstrata e de todo um sistema de abstração linear, peculiar às diversas formas de arte islâmica, que de uma maneira ou de outra poder ser reconhecida como de origem árabe.


AS MESQUITAS

Ao contrário da igreja cristã, a mesquita não é a morada de Deus, mas apenas o lugar de encontro dos fiéis, onde se pode orar em paz, com a cabeça voltada para a quibla, pedra que indica a direção de Meca.

 Mas o fator principal de sua originalidade sempre foi a religião maometana que se exprimiu, desde logo, no seu local de culto: a mesquita.

Os Templos chamados Mesquitas tiveram grande vastidão, mostrando no interior a enorme floresta de colunas superiormente ligadas por meio de arcos, mas de arcos cuja trajetória excedia as normas vulgarmente usadas até ali, com a forma de ferradura.

Uma das principais características é a ausência de espaços vazios. Os monumentos religiosos são constituídos pelas Mesquitas cujo protótipo é a de Córdoba, na Espanha, que tem oitocentos e cinquenta colunas de mármore. Em outras arquiteturas notam-se os palácios, como o de Alhambra, em Granada  mundialmente conhecido pela opulência da sua decoração interna, que torna assombrosa a  Sala dos Embaixadores.

O mais antigo templo islâmico El Acsa está em jerusalém, e foi erguido no fim do séc. VII. 

A Mesquita de Córdoba, tem mais de mil anos, e foi transformada em Catedral Católica desde a conquista da cidade pelos cristãos, no século XIII - é uma das mais belas obras da arquitetura árabe na Península Ibérica.

Reconhecida como a terceira maior Mesquita do mundo, sendo apenas  superada pelas de Meca e de Casablanca. Naquele tempo Córdoba era considerada a cidade mais próspera da Europa.

Sala dos Embaixadores / Palácio de Alhambra

Interior Mesquita Omíada - 705 / 715


Arabescos árabes

Os arabescos e azulejos dão bem a nota discreta e fina da decoração árabe, onde, graças a esses pitorescos desenhos e engenhosa disposição de linhas não parece fazer falta a representação da criatura humana vedada pela religião muçulmana. A arte como a poesia, entre os árabes, deve muito à influência imaginativa dos persas. Nas cidades árabes medievais, ao contrário da maior parte das cidades europeias, haviam escola, universidades e bibliotecas. Foram grandes desenvolvedores nas áreas da medicina, da filosofia, da matemática, da geometria e da arquitetura.





Referências:
Mundo Islâmico 
Estilos Artísticos / Armando de Lucena 
Arte nos séculos

25.4.21

GIOTTO DI BONDONE

Lamentação - 1303 / 1305



                     -  por Taís Luso de Carvalho                     


Giorgio Vasari conta que o talento de Giotto foi descoberto por Cimabue, que o viu desenhando um cordeiro numa pedra e levou o jovem aprendiz para Florença, a fim de educá-lo como pintor.

Uma boa medida da magnitude de suas habilidades é o fato de seus talentos terem sido reconhecidos em vida.

Dante Alighieri, por exemplo narra em uma passagem do Purgatório (1308-1321) que a fama de Cimabue foi ofuscada pela de seu jovem aluno.

Os afrecos de Giotto na Cappella degli Scrovegni, (Capela Arena) em Pádua, que narram a vida da Virgem, de Cristo e da Paixão compreendem o mais antigo trabalho a ele atribuído. Eles foram pintados entre 1305 e 1313.

Em vez de deter apenas no repertório padronizado de tipos iconográficos religiosos, Giotto assimilou elementos de gêneros de pintura estabelecidos em especial a arte bizantina, aproximando os afrescos do estilo naturalista e criando um efeito irresistível. Essa característica é imediatamente identificável no tratamento que o artísta dá aos personagens que aparecem nos vários episódios bíblicos retratados dentro da capela – eles estão imbuídos de psicologia e vida interior. Giotto permitiu que motivações e vulnerabilidades dos personagens pudessem ser sentidas pelo expectador.

A autoria dos trabalhos de Giotto feitos depois dos afrescos da Capela Arena, é motivo de debate, visto que a maior parte de sua obra, incluindo tudo o que ele produziu como pintor da Corte do Rei Roberto de Anjou, de Nápolis, se perdeu.

Entretanto a enorme Madonna (c.1310) feita para a Igreja Ognissanti e os afrescos das Capelas Bardi (c1320) são consideradas obras de Giotto.

A abrangência dos talentos de Giotto foi reconhecida por muitos. Leonardo da Vinci dizia que Giotto superou seus contemporâneos e também os artistas da Antiguidade.

Obras Primas:

Cappella degli Scrovegni – 1305 (Pádua-Itália)

Pentecostes - c.1306 – 1312 (National Gallery alondres)

Madonna de Ognissanti - c. 1310 (Galeria Uffizi - Florenza)

Apresentação de Jesus ao Templo – c.1320 (Museu Isabella Stewart Gardner).

A epifania – c. 1320 (Metropolitan Museum EUA)

Igreja da Santa Cruz – c. 1320 (Capela Peruzi - Florenza)

A Virgem e o Menino c.1320 – 1330 (Gallery of Art EUA)

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A traição de Cristo - 1304 / 1306

Adoração dos Magos - 1306

Pentecoste

A Morte da Virgem - 1310

Madonna Ognissanti - 1306





_______________________________________________

     Referência:

501 Grandes Artistas – ed. Sextante 2009 RJ - pag 16/17

(501 Great Artists) ed. Quintessence Editions Lttd 2008 / London



19.4.21

ARTE CONCEITUAL

Merda d'artista / 1961 - Piero Manzoni 
( leia abaixo a história das Latinhas...)

 
- Tais Luso de Carvalho


Arte Conceitual surgiu na década de 1960, como um desafio às classificações impostas à arte por museus e galerias. As galerias afirmavam categoricamente ao público: 
Isso é arte
Já a arte Conceitual buscava questionar a própria natureza da arte perguntando: 
O que é arte?

O primeiro a empregar a expressão arte-conceito foi o escritor e músico Henry Flynt em 1961 em meio às atividades associadas ao grupo Fluxus, de Nova Iorque, querendo dizer com isso que a arte conceitual é um tipo de arte que o material é a linguagem.

Os artistas conceituais tinham como meta popularizar a arte; fazer com que ela servisse como veículo de comunicação. A arte conceitual foi importante para debates e abriu caminhos para outros tipos de artes, como para as instalações e arte performática. 

Na  década de 60 e 70, o nome conceitual foi empregado para designar uma multiplicidade de atividades com base na linguagem, na fotografia e processos nos quais se equivaliam num embate que se efetuava entre a arte minimalista e várias práticas antiformais, num crescente radicalismo cultural e político.

Portanto a ideia e o conceito da obra era mais importante que o produto acabado. Do que a estética. Essa noção remonta a Duchamp, mas só se estabeleceu no mundo artístico a partir de 1960, quando se tornou um fenômeno internacional de grande importância. Duchamp marcou sua posição com um suporte para garrafas, uma pá de neve e um urinol, embora tenha usado esta linguagem como uma crítica à arte. Em suas obras, trocadilhos e brincadeiras estes artistas levantaram sérias questões sobre as fronteiras da arte.

Muitas iniciativas surgiam diretamente das formas de uma arte conceitual politizada, embora os envolvidos se vissem, depois do rompimento com o exercício da arte enquanto tal, totalmente desvinculados dessa esfera, em nome de um envolvimento mais prático com as mais amplas instâncias sociais.

A característica comum de toda a obra chamada e vista como conceitual não é ver o objeto, sua plástica, mas sim seu recado, a discussão de um assunto, a comunicação, passar a ideia, a interação entre o artista e o espectador. Levantar discussões e reflexões.

A obra vem para apresentar no tempo e no espaço, certas situações ou acontecimentos. Comunicação. Os artistas sentiram-se livres da representação pictórica, e declararam o processo mental como obra de arte. Nada era mais importante do que isso.

Logicamente muitos artistas apresentam obras desinteressantes, comuns, triviais do ponto de vista visual: mapas, diagramas, fitas de som e de vídeo, fotografias, textos etc.

Um exemplo conhecido é a obra Uma e Três Cadeiras, de Joseph Kosuth (Museu de Arte Moderna em Nova Iorque / 1965) que combina uma cadeira real, a fotografia da cadeira e uma definição de cadeira  – dada pelo dicionário.

A abordagem de Joseph Kosut fez-se cada vez mais aguçada, forçando o ritmo em uma série de obras que se tornaram ícones da arte conceitual.

O Conceitualismo assumiu uma dupla identidade: uma arte conceitual analítica é rebaixada, como arte feita por homens brancos racionalistas, atolados no próprio modernismo que almejavam criticar. 


História das Latinhas de Manzoni


Como a arte conceitual também era uma arte que tinha por meta reagir à arte como mercadoria, o artista italiano Piero Manzoni produziu, em 1961, 90 latinhas com o rótulo de Merda d'artista. Cada lata, supostamente, continha fezes do artista e valia seu peso em ouro. Como se acreditava que,  abrindo as latas significaria destruir o valor da obra, durante muito tempo não se soube ao certo o que as latinhas continham de fato. Porém, em 2007, depois que algumas latas foram vendidas pelo valor de US$ 80 mil, o colaborador de Manzoni, Agostino Bonalumi afirmou a um jornal italiano que as latas continham gesso!


- Suporte para Garrafas - 
Duchamp foi o precursor da Arte Conceitual


- Joseph Kosuth -   
Uma cadeira real, a fotografia da cadeira e uma definição de cadeira. 


 Sindicatos Unidos contra o Racismo - 
 Gregor cullen e Redback Grafixx / 1985


Daniel Buren / Affichage sauvage - 1968


Mala de couro contendo livro, cartas, cópias fotostáticas, pequenos frascos...
Museu de Arte Moderna de Nova Iorque - 1966


Keith Arnatt / Registro de sua própria condição

Robert Rauschenberg / Factum  II - 1957



Fontes:
Movimentos da Arte Moderna - Paul Wood
Tudo sobre Arte - ed.Sextante
Dicionário Oxford de Arte



10.4.21

RENASCIMENTO - PINTORES / Parte I


Leonardo Da Vinci / A Dama com o Arminho

 - Tais Luso de Carvalho


O Renascimento foi um movimento importante, de renovação cultural e artística que se originou na Itália no séc. XIV e marcou a mudança da Idade Média para a Idade Moderna. 

Do teocentrismo Medieval - que via em Deus todas as coisas -, o homem avançou para o Humanismo, uma filosofia surgida no Renascimento e que predominou mais na Idade Moderna. Foi neste período que o homem passou a ser o centro do mundo.

O que veio a proporcionar a ocorrência do Renascimento foram a expansão do comércio pela Europa, o renascimento urbano, a ascensão dos mercadores marítimos que passaram a a viver em castelos e a incentivar e financiar os jovens artistas, tornando-se protetores das artes, e também a queda de Constantinopla, que fez muitos sábios bizantinos fugirem para o ocidente, principalmente encontrando abrigo nos castelos da Itália.

O Renascimento da Vênus / Botticelli   (+zoom)

A arte renascentista tem como características a valorização do homem, a inspiração dos modelos greco-romanos, perfeição das formas, equilíbrio e harmonia, arte para a elite da época e a volta à natureza como fonte de inspiração.

Essa mudança foi causada por uma série de fatores, nem tudo no Teocentrismo era correto; o homem descobriu que a Terra não era o centro do Universo e sim o Sol; que a Terra não era plana, e sim redonda e girava em torno de si mesma; que haviam outros povos que habitavam o planeta, não só os Europeus e Asiáticos, etc.

À busca da verdade levou o homem à pesquisa. Procurou conhecer mais o mundo em que habitava como também a si próprio. O artista, na idade Média era considerado um instrumento da manifestação divina, não tendo méritos próprios. Na Renascença o artista começa a ser valorizado como pessoa, como um criador, como gênio.

É nesse período que a arte ganha autonomia e que conquista seu próprio espaço e não é mais julgada como parte integrante da religião.

Os artistas estudam o corpo humano, procurando harmonia e perfeição nas formas e vão buscar sua inspiração nos povos greco-romanos – os que melhor trabalharam a natureza humana na antiguidade.

O público renascentista aprendeu dos autores clássicos a esperar da pintura um alto grau de fidelidade à natureza e uma busca da forma perfeita no que pretendiam ver.

A criação de Adão / Michelangelo    (+ zoom)
  Masaccio / Cristo e o Tributo (+ zoom)

Fases das artes visuais no Renascimento Italiano:

TRECENTO - 1300 a 1399 - é a transição entre a estética medieval e a renascentista.
QUATTROCENTO - 1400 a 1499 / auge do Renascimento
CINQUECENTO – 1500 A 1550 / no final deste período começa um certo cansaço e a procura por novos movimentos, novas manifestações artísticas.


ARQUITETURA

O maior exemplo da arquitetura renascentista é a Basílica de São Pedro, em Roma, construída em 1506. Bramante, seu primeiro arquiteto, projetou uma planta em forma de cruz grega, com elevada cúpula central. Mais tarde Rafael alterou-a para uma forma retangular. O projeto da cúpula foi obra de Michelangelo  mas foi somente terminada  por Giacomo Della Porta. A famosa Basílica foi consagrada em 1626 pelo Papa UrbanoVIII, após quase 150 anos de trabalhos, quando reinaram mais de vinte papas e colaboraram mais de dez arquitetos. O arquiteto e escultor Lorenzo Bornini desenhou a praça fronteira circular e a monumental colunata tendo ao centro o obelisco egípcio trazido no séc I pelo imperador Calígula. É o maior, o mais importante e o mais rico templo católico do mundo.
Suas caraterísticas são:

Uso das ordens arquitetônicas gregas.
Predomínio da horizontal sobre a vertical.
Uso de arcos, abobadas e cúpulas.
Estátuas no telhado.

Alguns artistas se destacaram: Michelangelo Buonarotti, Angelo Bramante, Bruneleschi e Alberti.

ESCULTURA

Pietá
A escultura no Renascimento volta a ser uma arte autônoma retornando às características da escultura grego e romana.
Uma das mais famosas é a Pietá, de Michelangelo, na qual há uma réplica mo Brasil na igreja São Pelegrino, em Caxias do Sul, RGS. Além de Michelangelo, outros escultores se destacaram, como Bernini, Piero Bonacolsi entre outros.

PINTORES


Giotto                                                   Giorgione - 

Van Eyck                                                  Donatello




PINTORES  DO RENASCIMENTO

Giotto / Afrescos da Basílica de Assis,...
Leonardo da Vinci / com múltiplas habilidades, apresenta Mona Lisa... 
Michelangelo Buonarotti / esculturas Davi, Pietà e afrescos da Capela Sistina,...
Rafael Sanzio / suas Madonas, Escola de Atenas,...
Sandro Botticelli / O Nascimento da Vênus,...
Hieronymus Bosch / O Jardim das Delícias,...
Fra Angelico / Anunciação,...
Masaccio / A Trindade, …
Veronese / Lucrécia,...
Donatello / entre tantos outros das escolas de Florença, Veneza e Roma.
Giovanni Bellini / A agonia no Horto. 1465
Botticelli / O Nascimento de Vênus 
Donato Bramante - projeto de reconstrução da Basílica de São Pedro.
Donatello / revolucionou a escultura para o mais puro estilo clássico.
Eyck /  pintor da corte de Felipe, Duque da Borgonha. O máximo da escola Flamenga.
Lorenzo / Porta do Paraíso.
Giorgione /  Vida de São Francisco, Cenas da vida de Cristo - capela de Arena.
Andrea Mantegna / afrescos do palácio da da família Gonzaga.
Masaccio / afrescos igreja Santa Maria Novella e Capela Brancacci
Piero Della Francesca / 
Ticiano / temas religiosos e Mitológicos, trabalhou para o papa Carlos V e Felipe II.
Verrocchio / trabalhou como escultor dos Médici.
Konrad / Cristo caminhando sobre as águas.


(+ zoom)
A Porta do paraíso - 1452 / Lorenzo

Agonia no Horto, 1465 - Bellini

Lucrécia / Veronese


Santa Ceia - 1495 / Leonardo Da Vinci        (+ zoom)
Na pintura, Leonardo da Vinci aparece como grande destaque. Com novas técnicas, apresenta volume e, consequentemente passa a ser pintura tridimensional, com características a seguir:

Emprego da técnica Sfumato,  e o claro e escuro.
Uso da perspectiva científica.
Uso da paisagem como fundo da pintura.
As pinturas apresentam eixo central – na vertical e horizontal.
A visão da figura feminina como mulher, e não como santa.

Na verdade, o Renascimento representou muito mais do que o simples reviver da cultura clássica, significou a valorização do ser humano, a oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a Idade Média. Resgatou o ser humano e sua essência.


Estudo das proporções humanas / Leonardo Da Vinci
 Mais sobre  Renascentista - 2ª PARTE: clique aqui.



fontes: A História da Arte / Duílio Battistoni Filho
             História da Arte / Kenia Pozanato e Mauriem Gauer
             História da Arte  / Graça Proença