5.7.20

ARTE BIZANTINA & ROMÂNICA

Mosaico: Imperador Justiniano e sua corte / Igreja San Vitale, Ravena


 - Tais Luso de Carvalho


Nos primeiros séculos depois da oficialização do cristianismo, essa primitiva pintura cristã dividiu-se em dois grandes ramos: 
um oriental, outro ocidental.


O ramo Oriental é a Pintura Bizantina.

A arte Bizantina surgiu na cidade de Bizâncio,  hoje Istambul. Na época, era capital do Império Romano do Oriente. O gosto do povo bizantino era inclinado ao luxo e esplendor, expressavam-se abundantemente na sua arte. Expressavam-se, sobretudo, na técnica dos majestosos e cintilantes murais de mosaicos, feitos de pequenos cubos de pedra ou artificiais, embutidos na parede com argamassa e também nos ícones, quadros religiosos pintados com têmpera ou encáustica, com incrustações de pedras preciosas, metais valiosos e matérias raras. Não eram contudo, um mero emblema de deleite, mas mostrava-se profundamente condicionada pelos ideais peculiares à própria civilização. 

Por exemplo, a forte corrente para alcançar a espiritualidade, proibia a glorificação do homem, em consequência disso a escultura não teve grandes possibilidades de desenvolvimento. A arte que mais se destacou foi a arquitetura, que teve que ser mística e extraterrena.

Como a civilização bizantina era um composto de elementos romanos e orientais, era inevitável que a sua arte combinasse o amor à grandiosidade e o talento da engenharia romana com a variedade de colorido  e a riqueza de detalhes característicos do oriente. 

Também, à serviço da religião, a pintura bizantina obedecia à lei da frontalidade, sob formas diferentes da egípcia. Desse modo era também uma arte dirigida. Na execução dos mosaicos, afrescos, ou ícones os artistas obedeciam a verdadeiros formulários prescritos pelos padres e aprovados nos Concílios, pois a pintura tinha como principal finalidade a propagação das verdades da fé e da História Sagrada, entre as populações iletradas da Idade Média.

A suprema obra artística da civilização bizantina foi a igreja de Santa Sofia, construída com enorme dispêndio de dinheiro pelo imperador Justiniano.


Seu ponto máximo foi a arquitetura, e cuja características foram:


- Uso de mármore em abundância.
- Decoração utilizando a flora e fauna como motivos principais.
- Torres com minaretes.
- Uso de arcadas sobre colunas e cúpulas pendentes.
- Uso do arco romano e do arco ogival ao mesmo tempo.


São desse período, entre outras, as seguintes obras arquitetônicas:
- Basílica de São Marcos, em Veneza.
- Basílica da Natividade, em Belém
- Igreja de Santa Sofia,  em Constantinopla
- Igreja de Santa Sofia, Rússia


Basílica de São Marcos - Veneza


Na pintura as principais características eram:

- Ausência de perspectiva e de volume
- Figuras sacras ou de imperadores
- Figuras alongadas, magras, pés, mãos e cabeça pequenos
- As figuras eram todas do mesmo tamanho, destacando-se algumas, apenas.
- Ausência de paisagem ao fundo
- Uso de ícones e das iluminuras
- Predomínio do mosaico
- Uso do azul, vermelho e muito dourado.

As outras artes bizantinas incluíam a escultura em marfim, os objetos de vidro com relevos, os brocados, as iluminuras em manuscritos, a ourivesaria e a joalheria, e muita pintura. Esta, porém não se desenvolveu tanto como as outras artes.  Os artistas bizantinos, em geral, preferiam os mosaicos. Eram desenhos conseguidos pela combinação de pequenos pedaços de vidro ou de pedra coloridos, formando padrões geométricos, figuras simbólicas de plantas e animais, ou mesmo uma cena rebuscada de significado teológico.
As representações de santos ou de Cristo eram comumente deformadas para criar a impressão de intensa piedade.


A pintura Bizantina se desenvolveu por mil anos, por todo o Império Bizâncio, destruído pelos turcos em 1453.



Abaixo: 
Mosaico descoberto sob a camada de tinta sobreposta pelos mulçumanos.
O mosaico representa o imperador Justiniano (à esquerda) oferecendo a igreja, e o Imperador Constantino oferecendo a cidade de Constantinopla à Virgem e seu filho. (Bizantine Institute).


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O ramo Ocidental é a Pintura Românica. 

Período que teve início no século V. Era uma pintura sobrecarregada de expressão pela intervenção de fortes sentimentos religiosos e, por isso mesmo, bastante deformadora das imagens visuais, rudimentar de técnica, muitas vezes ingênua e de inspiração popular. Desconhecia a perspectiva, o claro e o escuro, não representando a ilusão de espaço e de volume.

Destinava-se a traduzir sentimentos e distinguia-se pela vivacidade das cores. Sua técnica mais constante era a do mural afresco, no interior das pesadas igrejas românicas. Esta pintura evoluiu a partir do ano de 1200 para novas técnicas que iriam constituir a pintura gótica.




Arte Românica


Afresco Românico

Os pintores românicos caracterizaram-se não como criadores de telas de pequenas proporções, mas como muralistas. A pintura românica desenvolveu-se nas grandes decorações murais, favorecidas pelas formas arquitetônicas: as abóbadas e as paredes laterais com poucas aberturas criavam grandes superfícies. Na pintura mural era utilizada a técnica do afresco.

Os murais tinham como modelo as ilustrações dos livros religiosos, pois naquela época era intensa, nos conventos a produção de manuscritos eram decorados à mão com cenas bíblicas.

Os motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. A pintura românica não registrou assuntos profanos. Para as igrejas e os mosteiros geralmente eram escolhidos temas como a criação do mundo e do ser humano, o pecado original, a arca de Noé, os símbolos dos evangelistas e Cristo em majestade.

A deformação, na verdade, traduzia os sentimentos religiosos e a interpretação mística que o artista fazia da realidade. Não havia nenhuma intenção em imitar a natureza.

Basílica de Saint-Sernin, Toulouse / França
Torre de Pisa / arquitetura românica



Referências:
História da Arte - G.Proença
História da Arte - Duílio Battistoni Filho
Civilização Ocidental - McNall Burns





27.4.20

FRANCISCO BRENNAND


     -  Tais Luso de Carvalho

Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu em junho de 1927, na cidade do Recife – Brasil. Ceramista, escultor, desenhista, pintor e gravador.

Em novembro de 1971, o artista começou a reconstruir a velha fábrica de cerâmica São João da Várzea, fundada pelo seu pai em 1917. Inicia a restauração do conjunto e o transforma em um grande atelier, com áreas fechadas para exposição e também em áreas em que as obras ficam expostas a céu aberto.

Hoje, após mais de 34 anos de trabalho intenso e obsessivo, confrontamo-nos com esse complexo escultórico, cujo significado dá relevo a um sentido da arte mitológica e religiosa sonhado por Francisco Brennand.

Em sua obra, Brennand conta que existem várias mulheres da mitologia greco-romana, sobretudo latina, permeadas por outras figuras femininas que o atraíram por serem mulheres desafortunadas. Esse infortúnio parece que acompanha a história da mulher, principalmente como um centro de gravidade de um universo passional.

Brennand fez sem grande esforço uma coleção de esculturas onde várias delas são mulheres muito infelizes, angustiadas, quase histéricas, usando grandes cabelos negros e cujas cabeças são lançadas para trás, ressaltando as gargantas inchadas e salientes, o que lhes dava a aparência de pescoços mutilados.

Antes de qualquer obra há um esboço de desenho e qualquer de seus trabalhos são contínuos e obsessivos.

'Quando pinto, sou um artista ocidental. Quando faço cerâmica minha pátria é um abismo pelo qual vou resvalando sem saber o que encontrarei no fundo'.

Em suas pinturas vinham sempre pensamentos cartesianos, planejamentos estruturados, intenções précias sobre a composição, a geometria e, finalmente a matéria que só o pincel isolado pode criar e isso tudo sem a definitiva ajuda mágica do fogo.

Desde a juventude Brennand foi atraído tanto pela pintura como pela literatura. Portanto livros de Dostoievski e de Emily Brontë tiveram sobre sua formação de artista o mesmo peso da descoberta dos mestres da pintura como Gauguin, Cézanne ou Van Gogh. E, estando na Europa essas influências foram multiplicadas por dez. Nenhum jovem estudante de pintura poderia escapar da influência de Pablo Picasso. Entre 1940 e 1950 estudou em paris e Barcelona.

Brennand conquistou o prêmio de melhor documentário da Mostra Internacional de São Paulo de 2012 e o troféu de melhor filme Nacional da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).
Aos 85 anos conceituado escultor e pintor pernambucano, instalou numa olaria herdada de seu pai, mais do que um santuário de criação, um parque temático, rodeado por belas e curiosas esculturas gigantes.



Pinturas
Oficina - atelier Brennand
Sofrimento 


Salão de esculturas

            
                        
Veja os vídeos da história da oficina Brennand (até o final)

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Entrevista de Brennand ao Jornal do Comércio - agosto 2008. 
Caderno de Arte ZH março 2013
História da Arte / Graça Proença
Site oficial Brennand




Clique: Instituto 'Ricardo Brennand' ( um tour maravilhoso)

21.2.20

ARTE BARROCA - VÁRIAS IMAGENS


por Tais Luso /  Imagens 90 cm  


Há muitos anos me dedico a ensinar esta arte, desenvolvendo várias técnicas com pouco envelhecimento para que o estilo Barroco conserve as características do luxo e da beleza, mantendo em minhas imagens as feições delicadas e ternas, como eram originalmente as Imagens Sacras.

Meu objetivo é transmitir emoção, através de traços que possam levar esperança, conforto e ternura, independente de  posturas religiosas.

Trabalho pensando em quem tem fé ou em alguém que esteja em busca dela.
Durante muitos anos ensinei a técnica do barroco e sua história. Vi, então, como é forte o sentimento religioso das pessoas; pude constatar o fervor e a necessidade de fé. E isso é muito bom.

O trabalho para mostrar o luxo e a grandiosidade da época Barroca estava de acordo com suas aspirações, pois a soberania europeia aspirava por um estilo que exaltasse seus reinos, demonstrando com isso todo o poder que tinha a Igreja Católica.

Santo Antônio 60 cm


Jesus e Nossa Senhora da Conceição - 90 cm

(3)  São Francisco / no centro - 1 metro / método de revestimento 

Jesus, Nossa Senhora Conceição e  Santo Antonio  -  90 cm
















Nesse blog  < aqui >  a técnica do Barroco


27.1.20

ARTE GÓTICA / pintura séc XIII ao XV

Maestà / Simone Martini

        - Tais Luso de Carvalho


A era do Gótico abre um novo capítulo na história da arte, uma época que marca o início da pintura secular e a transição da Idade Média para o Renascimento. Os artistas góticos procuravam suas inspirações no presente em que viviam, alcançando desta forma um novo realismo, alegre e colorido.

Os detalhes, coloridos e luminosos aliados à uma técnica perfeita tornaram-se características típicas da época e do novo estilo, espalhando-se por toda a Europa, atingindo seu ponto alto com os afrescos e os painéis de Giotto, de Duccio, dos irmãos Lorezetti, de Simone Martini e Fra Angélico, em Florença e Siena.

Marcaram muito os vitrais, na França e os retábulos de Jan Van Eyck e Rogier van der Weyden nos Países Baixos; também as iluminuras, executadas pelos irmãos Limburg e outros miniaturistas, enquanto os painéis em estilo suave eram produzidos pelos alemães e nos trabalhos de Stefan Lochner.

O Gótico, inicialmente, era um termo depreciativo. Só muito mais tarde apareceu como definição de uma época. Foi um termo criado pelos teóricos italianos do séc XV para algo que devia ser destruído.

O Gótico permaneceu, por mais tempo, em muitas zonas diferentes da Europa, durou mais tempo que o estilo Românico que o antecedeu, e consideravelmente mais que o Barroco que lhe seguiu.

Giotto é um dos maiores representantes do estilo gótico. Sua principal característica é a aproximação dos santos com a do ser humano. Assim, a pintura de Giotto dá uma humanização do mundo até a chegada do Renascimento. Suas maiores obras são os Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis na (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os Pastores.

A pintura gótica tem as mesmas características da pintura bizantina e românica e é, na sua maior parte, substituída pelo vitral, maravilhosa criação do espírito medieval. A arte gótica é também chamada de Arte das Catedrais ou arte das Ogivas. Surge no final do século XII, na França. É Uma fusão de elementos clássicos, bizantinos e bárbaros.

O que distingue a pintura Gótica é a predominância do traço, ondulante ou interrompido, mas também o ornamento ligado ao plano. Podemos ver nas dobras dos trajes das pinturas e esculturas da França de 1300, como também os cabelos ondulados e os braços dobrados vistos nas figuras de perfil. As túnicas são mais finas e justas; os penteados e as barbas são caracterizados por regulares caracóis. O rosto, geralmente, é magro e oval.

Na transição da pintura gótica para a pintura renascentista ocorreram acontecimentos de enorme consequência na técnica de pintar: descobriram e aperfeiçoaram a pintura a óleo dissolvidas no óleo de linhaça.

O pintor gótico do norte da Europa era bastante analítico e, pela veemência do sentimento religioso, era muito simbólico e formador de imagens da realidade. Porém estava voltando, gradualmente, à observação da natureza, à representação realista do mundo à base de sensações. Não era mais o místico bizantino ou românico que representava a realidade à base de ideias religiosas carregadas de simbolismo. Era período voltou a transmitir a ilusão de espaço e do volume, aplicando a perspectiva, o claro e o escuro, assim com maior realismo na paisagem e nos movimentos do corpo.

Na última fase da pintura gótica, nos anos de 1400 a 1500, apareceram os pintores pré-renascentistas. Distinguiam-se pela progressiva libertação do convencionalismo bizantino e da minúcia oriunda das miniaturas. Os italianos Giotto e Masaccio antecipam essa libertação.

Ana e Joaquim na Porta Dourada / Giotto

Na Espanha

Beijo de Judas / Giotto
Santos / Fra Angelico

Retrato de uma senhora / Petrus Christus
Madonna ruccelai / Duccio


Fontes:
Gótico / Robert Suckale - Matthias Weniger & Manfred Wundram (ED.)
História da Arte / Kenia Pozanato & Mauriem Gauer


25.11.19

ANTONIO PARREIRAS

Antonio Parreiras - Pinacoteca de São Paulo


- Tais Luso de Carvalho

Antonio Diogo da Silva Parreiras nasceu em Niterói, Estado do Rio de Janeiro, no ano de 1860. Ainda na infância, Parreiras estudou desenho com o Visconde do Canto, e em 1883 matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes. No ano seguinte abandonou a Academia para integrar-se ao grupo de alunos de Georg Grimm, como Castagneto, Caron, Garcia y Vasquez entre outros, tornando-se seu discípulo. Foi influenciado pelo impressionismo.


Incentivado, também, por Vitor Meireles, dedicou-se desde o início do século XX à pintura histórica: Proclamação da República de Piratini, Anchieta, Fundação de Niterói, Fundação do Rio de Janeiro, A Conquista do Amazonas. Recebeu numerosas encomendas oficiais, viajando por diversas vezes à França, onde manteve ateliê permanente em Paris.  Já em 1909 passou a interessar-se pelos nus, participando nos salões de arte francesa.

Em 1926, já consagrado como grande artista, publicou suas memórias com bastante sucesso literário. No princípio de 1930 voltou à pintura das paisagens, com a mesma dedicação do início de sua carreira.

Foi no ano de 1885 que inaugurou a sua primeira individual, e na sua própria residência, em Niterói. Em 1888 embarcou para Veneza onde estudou na Academia de Belas Artes, retornando ao Brasil no ano seguinte para participar da Exposição Geral de Belas Artes de 1890, a primeira da República recém proclamada, obtendo uma medalha de ouro e prêmios de aquisição (3 telas).

Em 1917 obteve a grande medalha de ouro e nesse mesmo ano foi contratado para a cadeira de Pintura de Paisagem na Escola Nacional de Belas Artes. Recebeu, também, medalha de ouro na Exposição Universal de Barcelona, no ano de 1929. várias de suas obras são casas ensolaradas, árvores e mata nativa, cores intensas.

Em 1953, na II Bienal de São Paulo, foram selecionadas 5 obras suas para participação na Exposição 'A Paisagem Brasileira até 1900'. Sua residência em Niterói foi transformada no Museu Antonio Parreiras no ano de 1941.

Parreiras foi um artista de incontestável talento, audacioso e impulsivo. Foi o maior pintor do cenário natural brasileiro e seus trabalhos foram expostos no Brasil e em diversos países da Europa. Foi um dos poucos artistas nacionais que viveu dos resultados de sua arte.

Faleceu em 17 de outubro de 1937, em sua residência de Niterói.
Sua casa, que virou Museu em 1940, em Niterói, abriga várias obras de outros artistas e seu grande acervo.

Casa de Margarida - 1891
Cesteiro- 1927
Ventania -
Arabotam - 1936
Amanhecer no Adriático - 1889
Fantasia - 1909 / Pinacoteca de S.Paulo
Terra Natal - 1923

Veleiros 1912
Museu Antonio Parreiras
Área externa


Referências:
Bolsa de Arte / Rio de Janeiro - 2003
Museu Antonio Parreiras - Memória histórica do Museu Antônio Parreiras. Niterói 
(Cadernos de divulgação cultural do Museu Antônio Parreiras, 2). 
Enciclopédia  Itaú Cultural
PARREIRAS, Antônio. História de um pintor contada por ele mesmo: Brasil - França: 1881-1936.
Koogan Larousse.

19.8.19

O MURALISTA DIEGO RIVERA



Diego Rivera




Pintor mexicano, nasceu em 1886 em Guanajuato, no México e faleceu em 1957 deixando um importante trabalho na arte moderna, em geral. Estudou na Academia de Bellas Artes de San Carlos, no México.

Com uma bolsa de estudo, partiu para a Europa - 1907 / 1921 -, onde se familiarizou com os movimentos modernos, tendo experimentado, também, o cubismo, ao conhecer Picasso. Teve contacto com vários pintores: Salvador Dalí, Juan Miró e o arquiteto catalão Antoni Gaudí.

Como ativista político, revolucionário, mulherengo e boêmio, tornou-se amigo de Modigliani, Hemingway, e Trotsky. Foi em Paris que se ligou aos vanguardistas europeus, levando para o México e Estados Unidos uma forte experiência.

Porém sua arte enraizou-se na tradição mexicana. Foi em 1921, que Álvaro Obregón, amante da arte e reformista político, eleito presidente do México, deu início a um programa de pintura em murais destinados a homenagear o México e seu povo.

Estudou os afrescos italianos, de Tiziano a Miguel Ângelo, aprendendo a moldar a figura humana das massas em movimento. Adaptou os painéis clássicos ao mundo latino. Junto com Orozco e Siqueiros fundou a mais poderosa escola de pintura no novo mundo.

O muralismo é uma arte complexa, com conteúdo social forte e misturando religiosidade com utopias socialistas e agrárias.

Rivera era um homem de personalidade extremamente forte, suas obras são vistas em edifícios públicos, no Palácio Nacional, encontrando-se incompleto pelo motivo de sua morte.

Entre 1930 e 1934 trabalhou nos Estados Unidos. ‘Homem numa Encruzilhada’, no Rockfeller Center, em Nova York, ocasionou polêmica por haver um retrato de Lênin, e foi substituído por um mural de Brangwyr.

Sua principal obra nos Estados Unidos foi uma série de afrescos sobre A Indústria de Detroit, 1932. Trabalhou sobre cavalete, com a técnica de encáustica, porém não era de seu gosto por achá-la uma obra burguesa, ficava apenas em recintos fechados, longe do povo que precisava levantar sua auto-estima e resgatar sua história.

Era um homem grande, com quase 2 metros de altura, feio e com mais de 120 quilos, porém exercia uma forte atração sobre as mulheres. Casou-se por 3 vezes, a segunda, com a pintora Frida Kahlo em 1929, um casamento tumultuado, ela com 21 anos e bissexual, mantinha ainda um relacionamento com Leon Trotski, ele, por sua vez, mantinha um relacionamento com a irmã de Frida, Cristina. Foi uma união muito complicada, uma longa e triste história que não cabe relatar aqui, pois o homem diferencia-se do artista e de sua obra, que é o que fica.

Rivera pintou mais de 4 mil metros de murais, destacando-se os painéis de Rockfeller e a série da ‘Criação do Mundo, onde deuses foram substituídos pelos reformadores. Seus trabalhos beiram a 5 mil desenhos e dois mil quadros. Vê-se em sua obra a influência dos mestres Picasso, Dali, Miro e outros vanguardistas.



 
            Zapata - Lider agrário-1931


Mural de D. Rivera

Detroit Industry / 1932

Mural em São Francisco