12.12.23

A MULHER ATRAVÉS DA PINTURA




     - Tais Luso de Carvalho


ATRAVÉS DOS TEMPOS...  

Há milhares de anos o homem faz arte olhando o mundo ao seu redor: paisagem, animais, outros homens. E tira para si algo que tenha significado ou possa transmitir uma ideia ou sentimento. Um livro de arte é como um livro do tempo, pois nos mostra o mundo, o homem através de muitos milheiros.

O homem das cavernas não pintava paisagens, e na arte egípcia e romana elas pouco apareciam. Só no renascimento as paisagens surgem na pintura. Temas e interesses, formas e conteúdos vão se modificando ao longo do tempo, assim como o próprio homem.

Em arte tudo é transformação, porém um tema, o único que sempre esteve presente, desde o período pré-histórico, é a mulher – presente e sempre passando por transformações.

Vênus de Willendorf - Escultura de pedra.

A primeira mulher foi esculpida por um caçador primitivo no período pré-histórico / paleolítico superior há 40.000 anos. Atualmente se encontra no Museu de História Natural de Viena. Tem 11 cm de altura e foi esculpida em calcário Oolítico. Foi encontrada em 1908 na Áustria.



Deusa das Serpentes / Creta 1800 a.C.

Com o passar dos séculos surge a mulher de vestido longo e seios à mostra, a figura esguia da Vênus pré-histórica – Deusa da Serpente. Como é uma deusa, embora tenha corpo humano, é distante e severa na postura e no olhar. Mede 29.5 cm de altura e encontra-se no Museu Arqueológico de Heraclião / Grécia.



Retrato da Esposa / 1350 a.C - Fig Egípcia

As figuras egípcias são de uma elegância aristocrática. Essa mulher é leve, magra e com roupa. O olho de frente e o rosto de perfil; o corpo de frente, as pernas e braços de lado. Durante séculos o Egito representou dessa maneira as figuras humanas por força de uma tradição ligada a valores religiosos. Durante muito tempo a arte do Egito foi esquecida da Europa. A partir do século XIX é que a arte dos egípcios foi descoberta, passou a inspirar os artistas e ser admirada.



Vênus de Milo / séc II a.C. - Grecia

A Grécia nos deixou um mundo povoado por mulheres ideais e homens perfeitos. Na exaltação de Afrodite, a Deusa do amor e da beleza, o artista buscou a harmonia formal: graça na postura, suavidade nos contornos, proporção nas formas: livre, solta e bela. Por isso encantou gerações de artistas, inspirando o Renascimento no século XV e o Neoclassicismo no século XIX.



Flagellato e la Baccanti / séc I - Roma

A pintura romana chegou até nós graças a um terrível acontecimento: as cidades de veraneio Pompéia e Herculano ficaram por muitos séculos soterradas sob as lavas de um vulcão. Só no século XVIII é que foram descobertas as ruínas das duas cidades que guardavam, pelas lavas ressecadas, grandes exemplos da pintura romana. A arte de Pompéia guardou um caráter misterioso e particular por estar ligada a uma série de ritual que só as mulheres tinham acesso. Através dessas obras encontradas é possível imaginar como seriam as pinturas gregas e dos povos sob sua influência que se perderam no tempo e não pudemos conhecer. Embora mais realista, suas figuras são mais pesadas, as mulheres mais volumosas e menos preocupadas com os deuses.



Imperatriz Teodora / séc. I – Bizâncio


Os deuses e nobres estão distantes dos homens comuns. A lição grega aprendida pelos romanos já não interessava mais. É outra gente, outra época em contato mais estreito com o oriente. As obras desse período são frias, distantes, sagradas. Brilha mais o ouro no mosaico que o olhar dos santos. No luxo das roupas, um símbolo do poder.



Período Românico – séc XII

São raras as figuras femininas no período românico. A própria vida da mulher na sociedade medieval é apagada e reclusa, pois valores da religião cristã impregnaram todos os aspectos da vida medieval. A igreja como representante de Deus na terra tinha poderes ilimitados e assim glorifica mais o Cristo do que a Virgem. A noção do mal e do bem orienta a arte e predomina a ideia de que a mulher representa o pecado. Invariavelmente numa manifestação românica, ela é santa ou pecadora e tem o corpo maltratado. Santa ou pecadora –, mas nunca uma simples mulher.




Virgem com o Menino e os anjos / séc XIV 
Período Gótico

Lentamente vão surgindo o sorriso e a 'mulher'. Aparece aqui nesse período a riqueza das roupas, a harmonia da postura, a graça e elegância dos contornos. Nesse período a imagem da Virgem é exaltada, reabilitando a mulher que não é mais pecado e pode ser bela.
Essa obra é do artista italiano Cimabue. (afresco da igreja S. Francisco de Assisi - 1280)



O Nascimento de Vênus / séc XV - Renascimento

Em imagens religiosas ou profanas a beleza da mulher é outra vez enaltecida. Os artistas retomam a lição dos gregos. Fatores de ordem econômica e social contribuíram para uma nova visão do mundo. Dominando o conhecimento científico o homem se coloca no centro do Universo. Desvinculando-se dos laços que a atavam à religião, a arte respira um ar de liberdade e a natureza passa a ser o foco das atenções. Procura-se a harmonia, a proporção das formas. A pintura consegue dar às figuras uma ilusão de vida, de volume. E as paisagens um sentido de profundidade, graças à perspectiva. E o artista modela os rostos e os corpos femininos, buscando outra vez uma beleza ideal, a perfeição absoluta. 



Escultura Africana  / séc XX 

Aqui, já são outras as proporções e significados. É visto na arte africana, que a obra tem de corpo magro e cabeça grande demais em relação aos padrões Ocidentais. Mas isso pouco importava diante da coerência e da força expressiva que impressionava na obra. Há muito tempo a arte africana era conhecida, embora desprezada pelos europeus. Apenas no início do séc. XX, artista como Picasso buscou inspiração na África, reabilitando essa arte.




Barroco – O rapto das filhas de Leucipo 
séc. XVII - Rubens

Aqui as mulheres são loiras, gordas e sensuais, aparecendo entre espirais e arabescos. Pintura explosiva, sensual que fala ao sentido com suas figuras tão distantes das imagens sagradas de Bizâncio. E das formas do Românico. Os nus de Rubens são exuberantes.



Condessa de Howe / Gainsborough - séc XVIII

Aqui nas obras de Gainsborough, as mulheres são de uma síntese inglesa de elegância, requinte e boas maneiras. As figuras se mostram sóbrias, calmas e recatadas. Até na cor há sutileza com tonalidades de outono. O artista criou uma delicada harmonia. Nada é exaltação. Se existe alguma é no capricho das rendas. Uma graça discreta.



Mulher puxando as meias / Toulouse Lautrec – 1894

Lautrec cria uma mulher mais humana do que bela; não é mais cantada a beleza da modelo. Está muito distante dos nus de Ingrés ou da exaltação renascentista. A mulher também não é mais um símbolo religioso. Agora é focalizada sua intimidade. Um desenho forte, marcante e ágil, por vezes até caricatural, define a figura. A cor e o modelo tem menos importância. A mulher pode ser fria e triste, mas sempre vista naquilo que tem de mais humano e sofrido.



Mulher ao espelho / Picasso – 1932

Para Picasso a mulher importa pouco, a realidade também. Ambas são pretexto para uma fantasia de formas e cores. Olhando-se essa obra se procurarmos simplesmente pela mulher, não teremos resposta. Mas se procurarmos a pintura, encontraremos a riqueza das formas, a força das cores, a emoção oferecida por um desenho fluído que descreve mil espirais. É também a mulher, mas pretexto para uma festa colorida de Picasso.



Marilyn / Pop-art – Andy Warhol

Com várias nuances de cor, Marilyn virou coqueluche. A pop art começou com a apropriação de objetos que, para surtir efeito precisava multiplicar-se, nos mesmos moldes da publicidade, da imprensa e da indústria das celebridades. Este era um dos segredos. Ainda mulher, mas esquematizada, transformada em símbolo gráfico. A cultura das massas, contemporânea, a partir de 1950. Embora simplificada para facilitar a repetição e a reprodução em larga escala, essa mulher ainda é capaz de transmitir sentimentos e ideias. O que de fato muda no passo rápido da evolução e do progresso é a maneira de representá-la com as mãos da arte, universal e terna e com os olhos de cada época.



A obra depois de criada se liberta do seu autor, do lugar onde surgiu, e passa a viver autônoma no mundo da arte.







12.11.23

ARNOLD BÖCKLIN - A Ilha dos Mortos

- 1880 - (em cinco versões)

- Tais Luso de Carvalho

Nascido na Suíça, em Basiléia / 1827, Arnold Böcklin aparece junto com Ferdinand Hodler, como o mais importante pintor suíço do século 19. Nas décadas de 1980 e 1890 foi o artista mais influente do mundo germânico ainda que, desde 1850 tenha passado a maior parte de seu tempo na Itália.

Logo enquadrou-se no Movimento Simbolista, da época, porém não se deixou influenciar pelos artistas franceses. Começou a pintar paisagens românticas. Depois suas obras inspiraram-se muito em figuras mitológicas, porém sua obsessão era com a morte; era ignorar a realidade e realçar a fantasia. Consolidou sua reputação com a obra 'Pan entre os Juncos' (1857), que marcou o momento que voltou ao mundo das ninfas, dos sátiros náiades e dos tritões, obtendo por vezes resultados absurdos.

Para ele o mundo era um sonho alucinatório, povoado dessas ninfas, sereias e faunos que traduzia a inquietude do homem. Sua tendência ao fantástico acentuou-se ainda mais após uma visita à Roma onde entrou em contato com as lendas e as mitologias locais dos quais extraiu o repertório para suas produções.

Posteriormente seu estilo tornou-se mais sombrio e carregado de sentimento místico como expressa em sua obra mais conhecida, A Ilha dos Mortos, perto de seu estúdio e onde enterrou sua pequena filha Maria. Essa obra, de 1880, encontra-se, atualmente, no Metropolitan Museun de Nova York. Ao todo são 5 versões - no qual o barqueiro dos infernos, Caronte, transportava as almas para outro mundo. Suas imagens mórbidas instigaram os surrealistas. O artista descreveu a primeira versão da obra A Ilha dos Mortos de uma maneira muito peculiar:

Aqui têm, como desejaram, um quadro para sonhar. Ele terá de parecer tão silencioso que nos assustamos se alguém bater à porta. - Böcklin.

O próprio Böcklin tinha intitulado seu quadro como Um Quadro Para Sonhar. Seu negociante de arte,  Gurlitt, que conhecia o gosto da época, interferiu e lhe deu o nome de A Ilha dos Mortos. É uma obra dramática e, na sua quinta versão aparecem trovoadas que tornam a cena mais clara e pesada. Mesmo assim a Ilha apresenta uma calma misteriosa e inquietante. Será um lugar de culto ou  jazigo? Vemos fantasia, tranquilidade, despedida e nostalgia.

Intensamente criativo, Böcklin transformou-se no decorrer de sua carreira, num pintor extremamente preocupado com os detalhes. Foi como se quisesse, através desses cuidados, dar uma consistência mais objetiva às suas inquietantes fantasias.

Trabalhou em Dusseldorf, Roma, Weimar, Basiléia, Zurique, Munique e Florença. Exerceu influência sobre Max Ernest, Salvador Dali e Giorgio De Chirico. A melhor coleção de Böcklin está em Kunstmuuseum da Basiléia, sua cidade natal. O atelier mostrado abaixo é em Zurique.
Veio a falecer em 1901 - em Fiesole.

Algumas Obras:

Despontar da Primavera 1880 - Jovem com Flores 1866 - Auto-retrato - Brincando nas Ondas 1883 -Triton e Nereida - Ulisses e Calipso 1883 - Mar Calmo  1887 - A Ilha dos Mortos (em 4 versões) - Pan entre os Juncos  1858 - Ataque de Piratas 1886 - Medusa - Santo Bosque - Capela - Ruínas do Mar, entre tantas outras.

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Outra versão de A Ilha dos Mortos


Fontes:
Dicionário Oxford
Arte nos séculos – abril cultural
História da Pintura - Könemann

Arnold Böcklin

15.10.23

FOLHEAÇÃO COM OURO


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Como recebi vários e-mails - devido a postagens dos santos barrocos - pedindo uma técnica simples e fácil com folhas de ouro, aí está uma técnica básica para cobrir parte ou salientar detalhes de uma peça.

Está aí,  uma amostra de folheação numa peça que cobri com a técnica de grafite – um pó que se usa para fechaduras e engrenagens. E coloquei o ouro apenas como detalhe. E essa técnica é a mesma que se aplica em vestes de santos, sobre a tinta a óleo - clique aqui para ver.


Goma laca incolor
Purpurina cor ouro velho para retoques mínimos.
Verniz mordente
Folhas de ouro
Solvente
Álcool
Pincel largo e macio
Betume da judeia

1 - Prepare o betume dissolvido em pouco solvente e passe em partes pequenas da peça. Antes que seque vá passando o pó grafite em movimentos circulares com o dedo em cima onde aplicou o betume. Você verá que o grafite vai abrindo o brilho na medida em que você aplica.

2 – Faça isto em toda a peça. Deixe secar.


3 – A seguir, dê uma passada de verniz mordente, só nas regiões que você quer o ouro. Aguarde o ponto de  grude, e comece a folheação, usando um pincel macio para alisar.


4 – Após ver que tudo está seco, remova o excesso do ouro com um pincel limpo, seco e macio.

5 – Passe uma vez, em cima do ouro, goma laca incolor para impermeabilizar, para que o ouro fique com a cor original que você fez. Este é o segredo para que a peça não escureça com o betume que virá após. Não deixe o betume muito pastoso, dilua com solvente. O ouro mais claro ficará melhor. Passe e retire suavemente.

Para cada material, seja em madeira, gesso ou resina as variações são muito pequenas.

Há outros tipos de folheações: com oxidação, em peças policromadas, em découpage e outras. Mas  esta é a básica. E a mais fácil.


Caso queira folhar toda a peça, o esquema é outro: cubra a peça toda com purpurina cor ouro velho dissolvida na goma laca – esta, compra-se pronta.


Depois entre com o verniz mordente, espere o ponto de grude, coloque as folhas e impermeabilize com uma de mão de goma laca incolor. Passe o betume e retire um pouco, suavemente. Qualquer falha, a pintura que estará por baixo garantirá a uniformidade. Ou se quiser um efeito desgastado, deixe com falhas (foto).


Este tipo de folheação pode ser aplicado em detalhes de móveis, peças em madeira, molduras, gessos, beiradas de vasos de cerâmica, resinas, e outros materiais que aceitam bem.

E existem folhas de ouro que já são desenhadas. Dão um efeito bonito sobre mantos de santos.










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29.7.23

MARC CHAGALL

O Carro Voador / 1913





         - Tais Luso de Carvalho


Marc Chagall, judeu russo, nasceu em Vitebsk, hoje Bielo-Rússia, no ano de 1887. Na arte de Chagall, o contra-senso e o sonho constituem o centro de toda a sua obra.

Viveu a maior parte de sua vida na França, onde chegou em 1910, após uma estada em Petersburgo, onde achou impossível de viver.

'Nem a Rússia Imperial, nem a União Soviética precisam de mim. Sou um mistério, um estranho para eles. Talvez a Europa me ame, e com ela minha Rússia'. 
Essa dupla personalidade moldaram sua obra. Estudou em São Petersburgo, Paris e Berlim.

Quando esteve em Paris, em 1910, e consequentemente no Louvre, teve a certeza de que nenhuma academia poderia lhe dar o que via em Paris: várias exposições, suas vitrines, seus museus... E foi em Paris que manteve contato com grandes nomes da vanguarda cultural da época de movimentos como o cubismo e o modernismo, respectivamente com Robert Delaunay e Apollinaire, escritor francês de quem era grande amigo e que ajudou a promover sua primeira exposição em 1914 na Galeria Sturm, em Berlim. Ele e outros escritores apreciavam a fantasia e as cores de Chagall.

Tomando conhecimento de tais movimentos, aproveitou alguns elementos, porém sem nunca perder sua individualidade. A passagem de Chagall pelo cubismo pode ser observada na obra 'Eu e a Aldeia'. O estilo romântico e simbólico de Chagall deixou uma rica obra pictórica sobre a tradição judaica, mística e sonhadora, que o impulsionava à infância, ao mundo inconsciente e ao mundo de seus sonhos. Sua marca é bem definida, cheia de fantasia, camponeses e animais, muitas vezes sobrepostas.

Nenhum vínculo o ligou aos círculos oficiais da pintura russa da época, nem aos movimentos de vanguarda liderados pelo objetivismo do pintor Malevitch. Nada abalou o otimismo de sua arte. Com isso, André Breton o viu como um dos precursores do surrealismo.
Com o início da Guerra, Chagall voltou à Vitebsk, onde encontra Bella que se tornou sua esposa em 1915. Esse encontro foi importante para o desenvolvimento da obra artística de Chagall. Novo tema aflora: o amor. Em seguida ocupou o cargo de diretor de Vitebsk Art School, após a Revolução Russa. Porém, logo deixou a academia por divergências de opinião com Kazimir Malevich, e tornou-se diretor do Teatro do Estado judeu em Moscou em 1919. Depois de realizar alguns trabalhos em Moscou, voltou à Paris em 1923 onde a 'fama' o esperava.

Considerado o maior pintor judeu do século XX, aceitou a encomenda para ilustrar a Bíblia na década de 1930, convidado pelo marchand francês Ambroise Vollard, porém, pelo fato de ainda não dominar a técnica totalmente, os que depreciavam sua arte aproveitaram-se da ocasião – como o pintor Georges Rouault – para destilar seu veneno nas rodas dos modernistas de Paris. Porém não foi o que aconteceu: essa sua ilustração foi um dos pontos altos de sua carreira.

Segundo Chagall, no entender dos cubistas, a pintura era uma superfície coberta com formas em determinada ordem; pra ele, a pintura era uma superfície coberta com representações das coisas, em que a lógica e a ilustração não tinham importância.

Chagall produziu muito, como pintor, ilustrador literário, como ceramista, também no mosaico, no desenho de vitrais, dentre elas a Catedral de Metz, a Sinagoga, e a Universidade Hebraica Hadassah Medical Center, em Jerusalém.

A partir de 1935 o clima de guerra e de perseguição aos judeus repercutiu em sua pintura, na qual os elementos dramáticos, sociais e religiosos passaram a tomar vulto. Seu belo trabalho 'crucificação branca - 1938' – mostra seu temor pelos acontecimentos do mundo. Conquistou a admiração de um seleto público na Alemanha, formado por galeristas, colecionadores e diretores de museus da República de Weimar. Em meio ao horror da Guerra e da Revolução russa, Chagall pintou 'Duplo Retrato com um Copo de Vinho, um extraordinário cântico de alegria e de amor.

Em 1941, como judeu vivendo numa Paris ocupada pelos nazistas, fugiu para os Estados Unidos com sua família. Voltou para a França em 1948 se estabelecendo em Riviera. Daí em diante viajava pelo mundo para executar encomendas importantes de obras públicas. Um Museu dedicado a Chagall foi aberto em Nice no ano de 1973.

Não lhe interessou os debates literários, o sectarismo; bastaram-lhe a pintura e Bella, sua esposa. A preocupação de Chagal era pintar quadros onde elementos literários e polêmicos eram postos à margem. Sua reputação internacional foi estabelecida após uma retrospectiva de sua obra no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Marc Chagall nasceu em Vitebsk (RUS) em 1887 e morreu em Saint Paul de Vence (FR) em 1985 aos 97 anos.

SOBRE SEU CASAMENTO...

Foi em 1915 que Chagal casou-se com sua namorada de infância, Bella Rosefeld, filha de um rico comerciante. Bella lhe inspirou muitas de suas obras, mas morreu em 1944 enquanto viviam em Nova York. Sua lembrança continuou a inspirar Chagall. Muito deprimido nos anos que se seguiram chegou a ter um filho com virginia Haggard, mas nunca se casou com ela.

Eu e a Aldeia / 1911
 
O Espelho
Aldeia russa sob a Lua / 1916
Crucificação Branca / 1938
Paris através da Janela / 1913
Calvário / 1912
The Sabbath / 1910
O negociante de gado / 1912
A Guerra / 1964

auto-retrato / 1914

Referências:
Grandes Artistas / ed. Sextante
Tudo sobre arte / ed Sextante
Arte Contemporânea / Abril cultural

13.7.23

DIMAS FLORÊNCIO E SUAS ELEGANTES MULHERES

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- Tais Luso de Carvalho

Faz tempo que admiro os trabalhos de Dimas Florêncio e agora trago ao Das Artes para dividir com vocês os belos traços deste artista que retrata as mulheres com muita elegância e beleza.

Natural de Ronda Alta/RS veio para Porto Alegre em 1987 dedicando-se à pintura. Autodidata, aos 9 anos de idade manifestou seu interesse pela arte, expressando-a através do desenho e da pintura. Ministra cursos e seminários desde 1990 em seu atelier em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Artista premiado e com exposições no Brasil, Uruguai, Itália, França, Suíça, Portugal, Argentina e México, onde em alguns destes países também ministra aulas.

A leveza de suas obras, as cores luminosas, suas mulheres com belos traços e sua alegria em lecionar em vários países, fazem de Dimas um vitorioso, um autodidata realizado. 

Passeia pelo figurativo com desenvoltura e atento aos detalhes. Nada mais pretende a não ser evoluir dentro de sua arte e passar sua arte aos que o procuram. É um artista bem sucedido.

Diria que a arte de Dimas não precisa ser entendida, apenas amada; é ótimo poder imaginar e sentir o que sai de seu coração para levar vida a uma tela branca e fria. Estão aí os resultados






Dimas Florêncio


12.6.23

FERNANDO BOTERO E AS 'DORES DA COLÔMBIA'

El Desfile / 2000
- Tais Luso de Carvalho



É impactante a exposição de Fernando Botero 'As Dores da Colômbia' que visitei em Porto Alegre no Centro Cultural Erico Verissimo. 
Fernando Botero (nasceu em Medellín, 19 de abril de 1932), é um dos artistas em atividade  mais prestigiados no mundo. Botero não é apenas o criador dos famosos, inconfundíveis e simpáticos gordinhos, representados nas suas pinturas, desenhos e esculturas; é mais; é um artista que se propôs a doar várias obras ao Museu Nacional da Colômbia para registrar as dores de seu país, dores que ninguém fica indiferente; a barbárie, a crueldade premeditada, a dor profunda do ser humano quando acossado e oprimido, quando é arrancada sua liberdade e seus direitos, sejam por guerrilhas, narcotráfico, manobras políticas ou pelos grupos paramilitares acontecidos na década de 1990.

'Não vou fazer negócio com a dor da Colômbia', declarou Botero ao anunciar, no ano de 2000, a sua decisão de doar esta coleção de obras ao Museu, Instituição que há muito tem sido objeto de sua generosidade. Com essa série de obras o artista não tem a pretensão de pôr fim ao conflito. O olhar do artista é compassivo e solidário, não almeja a mobilização, porque não acredita nela. Quer apenas chamar a atenção do mundo e 'dar seu testemunho' - como afirma.

'O material de sua triste leitura são massacres reais noticiados em todo o mundo. Aprisionamentos, corpos abatidos após o combate, lágrimas e sangue. O silêncio domina e o pesar é resignado. As cenas são como flagrantes individuais escolhidos em meio a uma tragédia que está por toda a parte e cuja extensão não é possível alcançar. Sobre suas vítimas Botero lança suas vibrantes cores, criando um contraditório e dramático material'. (Centro Cultural CEEE Erico Verissimo).

'Sou contra a arte como arma de combate. Mas em vista do drama que atinge a Colômbia senti a obrigação de deixar um registro sobre um momento irracional de nossa história'. (Botero)

Botero não tem a preocupação em pintar coisas especiais, mas de transformar a realidade em arte. E assim é. Estas obras expostas no Centro Cultural Erico Verissimo – que fica até 8 de março de 2012 -, mostram sob vários ângulos uma história impossível de ocultar e de esquecer. O mesmo se viu em obras de Goya (Desastres da Guerra) e Picasso (Guernica), o relato, para não esquecer do horror.

Apesar de Botero ter deixado sua terra natal há mais de 40 anos, mostra-se conectado ao seu país pintando não só seu lado agradável, mas também o que foi o lado terrível e violento. Cada quadro marca uma história, um lado peculiar e intimidador da violência que deságua na dor mais profunda do ser humano: perdas de filhos massacrados diante da mãe, esquartejamentos, fuzilamentos diante da família, atos no mais alto grau de violência e que a impiedade pode alcançar.

Esta exposição, que seguirá à outras cidades e países, é composta de 25 pinturas, 36 desenhos e 6 aquarelas. Todas as obras foram doadas em 2004 e 2005 e já percorreu cidades europeias e latino-americanas.

Esta exposição ficará em Porto Alegre até o dia 8 de março de 2012. Vale uma visita: além de vermos características plásticas próprias da obra de Botero, servirá para uma reflexão. E poder sentir, quem sabe, os horrores; a que ponto chegamos e o que somos capazes de fazer à nossa própria espécie.


Estes quadros são uma forma de repudiar a violência. (Botero)

Madre e hijo / 2000

Viva la Muerte / 2001

El Cazador / 1999

Matanza de los inocentes / 1999

El Masacre / 2000

Una Madre / 2001



Masacre en Colombia / 2000

Motosierra / 2004

Botero e as 'Dores da Colômbia'


Taís / painel de entrada
Mais sobre Botero:   aqui, neste blog.


Fontes:
Algumas fotos e material  me foram enviadas, gentilmente, pelo  jornalista Paulo Camargo do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. Meus agradecimentos.
Fotos: Reprodução / divulgação do Museu Nacional da Colômbia
Patrocínios:
Grupo Bradesco Seguros
Aori Produções Culturais
Museu Nacional da Colômbia