20.5.23

TOULOUSE LAUTREC

Salon de la Rue des Moulins - 1894     /  fotos com zoom


          - Tais Luso de Carvalho


       Henri Marie de Toulouse-Lautrec nasceu em 1864 na cidade de Albi, ao sul da França. Pintor, desenhista, artista gráfico, ilustrador e litógrafo tornou-se um dos mais conhecidos   pintores do mundo da arte – por causa de sua deformidade. Era filho de um rico conde francês.  Após ter quebrado as duas pernas – tinha uma debilidade óssea -,  ficou com os membros inferiores atrofiados, enquanto o resto do corpo cresceu normalmente.  Sua estatura diminuta fez com que Lautrec fosse personagem de várias caricaturas.

Feio, muito baixo, pernas tortas, o Lautrec adulto refugiou-se na marginalidade de Paris com a qual se identificou, devido a seus sofrimentos por ter um aspecto chocante. Fez do cabaré Moulin-Rouge uma espécie de lar, pintando este e outros locais semelhantes, frequentados por gente de toda a espécie , onde se dançava o proibido Cancan.

Seu pai pagou para que o filho fosse estudar artes em Paris e alugou-lhe um atelier. Tornou-se conhecido em Montmartre onde passava as noites desenhando no Moulin-Rouge e em outras casas noturnas.

'Trato de pintar a verdade, não o ideal' – esse foi o lema de Henri Marie de Toulouse-Lautrec, o famoso pintor do submundo parisiense.

Dançarinas, bêbados, prostitutas, foram estas as personagens escolhidas pela angústia de Lautrec. Complexado, sofrendo contínuas dores, Lautrec fazia gosto em reproduzir as deformações morais das modelos, chegando quase à caricatura. As dançarinas Avril e La Gouloue tornaram-se famosas depois de retratadas por ele.

Toulouse não seguiu nenhuma escola artística, mas tirou de cada uma que conheceu, aquilo de que necessitava para reforçar a documentação de tudo que o rodeava. Do impressionismo adotou o emprego das cores puras . Mais desenhista do que pintor, aplicava a cor sobre o desenho. As técnicas de impressão fascinaram o pintor; se tornou o primeiro grande artista gráfico ao realizar cartazes anunciando espetáculos de teatro e do Molin-Rouge.

Costumava desenhar cartazes publicitários para seus lugares preferidos. Prostitutas, cabarés e cervejarias estão associados ao nome de Lautrec por ter levado uma vida boêmia. Adorava as mulheres e passava a maior parte do tempo em bordéis. Não só dormia com prostitutas, mas as retratava em suas pinturas. Suas obras retratam uma visão alegre como em  No Molin Rouge , O Beijo, As Duas Amigas.

Pintou muito em papel-cartão e usava uma tinta a óleo especial ou uma mistura de guache e têmpera. Lautrec foi influenciado por Paul Gauguin, Goya e Degas. Em contrapartida, influenciou outros artistas como sua modelo e amante Suzane Valadon. Lautrec era alcoólatra e sofria de sífilis. Estas duas doenças causavam-lhe longos períodos de depressão levando-o a morrer aos 36 anos.

Por jamais ter se submetido à fórmulas e programas exatos, Lautrec é considerado um dos artistas mais independentes de sua época.

Em todos os lugares Lautrec  desnudava momentos verdadeiros, representando o abandono e a miséria. Seus traços interpretavam momentos psicológicos das modelos revelando-os em sua obra. Porém nem sempre a crítica foi benevolente com Lautrec; alguns o acusavam de ser bizarro e contrafeito, de forçar na degradação, de embrutecer e deformar as fisionomias, enfim, desnudar e catalogar a boemia mostrando almas conflitadas.

Se dizia ausente de qualquer escola, apesar de ter sido um impressionista. Lautrec se impôs como o pai do cartaz moderno; trabalhava sem parar. Pintava, expunha, ilustrava programas de teatro e canções. Colaborava com diversas revistas e realizava coletâneas de litografias sobre a vida das prostitutas.

'Eu pinto e desenho o máximo que posso, até minha mão cair fatigada' – confessou certa vez.

Porém, enfraquecido pela sífilis e alcoolismo caminhou para a decrepitude física e mental. No final de sua vida era visto a perambular sob um guarda chuva, com um cachorro de cerâmica debaixo do braço.

Durante um período de isolamento, em que estava numa Clínica, Lautrec mandou um bilhete ao pai:
'Papai, você tem a oportunidade de agir como um homem honesto, se eu permanecer trancado, morrerei'.

Com a liberdade reconquistada, Lautrec retomou seu cavalete e trabalhou o máximo que pôde. Depois voltou a morar com a mãe onde morreu em consequência de um derrame cerebral em 1901.

Ficou em Albi, o Museu Toulouse-Lautrec.


Fotos com zoom
Baile em Molin-Rouge - 1890
Dança de Avril                        Inspeção médica no prostíbulo

  



Referências:
Grandes Artistas ed Sextante
Arte nos Séculos ed Abril Cultura.
Dicionário Oxford 

11.4.23

PICASSO - A IMPORTÂNCIA DO ARTISTA

A Passadora / 1904

- Tais Luso de Carvalho

Picasso é talvez o mais importante artista plástico do século 20. Produziu um vasto número de pinturas, desenhos, gravuras e esculturas, e a maioria de museus de arte moderna do mundo exibem seus trabalhos.

Os historiadores de arte da atualidade colocam seu nome ao lado de figuras como os italianos Giotto e Michelangelo porque, como a deles, a obra de Picasso representa uma mudança radical no curso da arte do ocidente.

Costuma-se dizer que ele libertou os pintores da tirania da arte representativa, ou seja, que ele tornou possível para aqueles que vieram depois, desenvolver a arte não-representativa ou abstrata, e Picasso ajudou a consolidá-la.

A vasta obra de Picasso abrange muitos estilos. Ele desenvolveu o cubismo juntamente com Braque, inventou a colagem, ajudou a desenvolver também o surrealismo e, claro, a arte abstrata.

Aos poucos sua pintura foi se modificando, se deformando. Obcecado por novas formas, mergulhou na arte africana, descobriu máscaras polinésias e chegou à arte das cavernas. Nascia a revolução cubista que iria subverter toda a pintura até então solidificada. Picasso foi líder absoluto do cubismo. Seus trabalhos decompõem a realidade em elementos distintos, como por exemplo, que uma cabeça pudesse ser vista em diferentes ângulos ao mesmo  tempo, em superfícies  tridimensionais. O invisível se tornava visível.

Criou uma nova organização dos espaços e das estruturas. Ele geometrizou as formas naturais. Seus  volumes coloridos expressam suas emoções. Fragmentou o universo visual mas nunca esqueceu o ser humano. Por vezes tomado de compulsão erótica, pintava cenas de sexo que chacoalhavam os salões de artes. Depois de ter tentado recriar o mundo com suas experiências estéticas, Picasso criou uma ética: a defesa da liberdade em todos os setores.

Os primeiros comentários sobre o trabalho de Picasso apareceram na imprensa parisiense em 1900, quando suas pinturas foram exibidas na galeria de Vollard. O crítico Felicien Fugus, cobriu-lhe de elogios na publicação La Revue Blanche – e Picasso, com 19 anos já, começava a ganhar o mundo.

Picasso criou um estilo próprio, mas sempre aberto à novas idéias e influências. Sua obra era variada demais para ser rotulada por um único estilo. O furor causado em 1907 por As Senhoritas de Avinhão trouxe reprovações não apenas da crítica especializada mas também de seus amigos mais próximos.

No entanto, Picasso tinha absoluta convicção do que estava fazendo. Mais tarde os críticos reconheceram que o quadro foi revolucionário e influenciou o curso da arte do século 20.

No final da vida Picasso considerava a si mesmo parte de uma tradição muito antiga de pintores como Velázquez e Manet, e não das novas gerações, cuja obra nunca poderia ser comparada à de Picasso, o mestre.

Ao longo de toda a história da arte, os artistas sempre lutaram para viver de suas obras, e muitas vezes dependendo de recursos privados para financiar seu trabalho. O gênio extraordinário de Picasso foi instantaneamente reconhecido, propiciando ganhos que, com o correr do tempo, somaram uma considerável fortuna.

Picasso nasceu e 25 de outubro, em Málaga / Espanha e morreu em 8 de abril de 1973, aos 92 anos.


 OBRAS MONOCROMÁTICAS

La Repasseuse (engomadeira) 1904

Busto de Fêmia / 1922

Face e perfil / 1931

O Beijo / 1969

O Rapto das Sabinas / 1962

Esboço de Guernica / 1937


O Museu Guggenheim, em Nova York, reuniu obras monocromáticas que abrangem toda a carreira do gênio espanhol Pablo Picasso. Em preto e branco apresenta 118 obras reunidas numa exposição que começou em 4 de outubro de 2012 até 23 de janeiro de 2013.

São obras reunidas de 1904 a 1971. Empréstimos significativos provenientes de coleções públicas e privadas de toda a Europa e dos Estados Unidos, cinco dos quais nunca antes exibidos ou publicados.

Obras como A passadora, uma pintura a óleo de 1904 até O beijo, todo em cinza e negro, pintado décadas depois. Entre as obras reunidas está um esboço para o que talvez seja a obra mais famosa do mestre espanhol: Guernica.




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fontes : 
Picasso - Quebrando as Regras - David Spencer-Cia Melhoramentos, SP
Grandes pintores / Paulo R. Derengoski


25.2.23

EGITO: PINTURA - ESCULTURA - PIRÂMIDES

Máscara mortuária de Tutankhamon
Tutankhamon, faraó do Egito Antigo, faleceu ainda na adolescência. Era filho e genro de Akhenaton com Kiya – esposa secundária. Casou-se aos 10 anos com sua meia-irmã Ankhesenamon vindo a assumir o trono com apenas 12 anos. Morreu em 1324 a.C aos dezenove anos de malária – segundo o Secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito. 


A pintura de maior interesse do início da história e merecedora de nossa atenção foi a egípcia. Durou de 3 a 4 mil anos, dentro das mesmas formas técnicas e expressivas; uma maneira peculiar de representar a figura humana: o rosto de perfil, com o olho de frente, o tronco de frente, as pernas e os pés de perfil. Embora figurativa, a pintura egípcia na essência é abstrata, porque não revela a observação direta da realidade. Os egípcios foram constantes e expressivos deformadores.

A arte do Egito foi basicamente à serviço dos faraós, dos deuses e da religião. Teve formas muito variadas, dentro de um estilo monumental, fascinante, pela sua personalidade em que o religioso, o mágico e o funerário presidiam qualquer manifestação criativa.

Essa personalidade foi favorecida pela própria configuração geográfica do país, que demorou muito a abrir-se a outras civilizações, e pela grande qualidade de seus arquitetos - que eram reconhecidos - e dos seus artistas, na maioria anônimos e que se concentraram na utilidade e duração da obra de arte. Tinham uma concepção utilitarista e a rígida observação dos preceitos teológicos, motivando a imagem de homogeneidade que se vê em quase todas as criações artísticas.

A arte egípcia divide-se em três grandes fases: Menfita, Tebana e Saíta, que coincidem com os chamados Impérios Antigos, Médio e Novo. E Época Baixa, precedidas por uma formação Tinita e encerrada pela decadência – a greco-romana.
A arte nacional, por excelência foi a arquitetura, enquanto que a escultura, a pintura e as artes industriais foram meras auxiliares.


A arte egípcia era muito sintética no desenho e no colorido; não utilizava o claro e o escuro, impedindo de transmitir a ilusão de volume e perspectiva impedindo a sensação de espaço e profundidade. De excepcional habilidade técnica e de criação os egípcios foram os primeiros a utilizarem as flores e afrescos.


Os gansos de Medum remontam a mais de 2 mil anos antes de Cristo.   Detalhe num friso pictórico na antiga cidade de Medum.

Os gansos de Medum remontam a mais de 2 mil anos antes de Cristo. 
 Detalhe num friso pictórico na antiga cidade de Medum.


Os Egípcios antigos contemplavam, então, suas estátuas não com sentimentos artísticos, mas sempre religiosos. A estátua era algo sagrado. Um corpo novo e duradouro, destinada a receber o espírito eterno do morto. Se a estátua fosse mutilada, o espírito do morto ficaria sofrendo no resto da eternidade.


Colheita
Porém, com o velho Egito dá-se uma coisa curiosa: por causa das múmias, dos hieróglifos e do frio abstracionismo das pirâmides, tem-se a impressão de que os egípcios foram um povo preocupado exclusivamente com a morte. Nada mais falso. Eles viviam preocupados com a vida e seus inúmeros problemas. Eram alegres, gostavam de viver e talvez, de toda a antiguidade, foi o povo com mais sensibilidade artística. 

Adoravam gatos, jacarés e besouros, mas foram os primeiros a estilizar as flores. Construíram as pirâmides colossais, mas inventaram o esmalte. Levantaram os gigantescos templos de Carnac e Luxor, mas deixaram jóias delicadas, originais e requintadas. Adoravam seus governantes, os faraós sagrados, como se fossem deuses, mas deixaram graciosas silhuetas femininas. Pintavam a figura feminina esbelta, gentil, meiga e de busto pequeno. Era um povo que admirava suas mulheres e acreditava na sua inteligência. Os monumentos históricos egípcios foram os maiores e mais duráveis que se construíram na antiguidade.

Cabeça de estátua do Rei Sesóstris
12 Dinastia - 1840 a.C

Busto da Rainha Nefertite  
Dinastia 18 - 1340 a.C

O Escriba Sentado / IV dinastia, Império Antigo
Máscara de múmia de um homem romano
séc 1 a.C


Vaso usado para fins medicinais


TEMPLOS

Os templos eram verdadeiras casas dos deuses, obedeciam a uma planificação rígida, que ao longo dos anos eram aumentadas, ficando com dimensões extraordinárias, por vezes com mais de um quilômetro e meio de comprimento.
Haviam outros tipos de templos, os Speos (covas) escavados no interior das montanhas. Havia também os Hemispeos, vários setores eram trabalhados a céu aberto e com salas abertas nas rochas.
Os templos Solares apresentavam uma tipologia diferente, eram totalmente ao ar livre, nas quais o vertical e elegante obelisco simbolizava a imagem do sol.

Alguns Templos: Templo de Amon, Templo de Karnak, Templo da deusa Mut, Templo de Luxor entre outros tantos de outras dinastias. 


Templo funerário de Hatshepsut em primeiro plano 
e de Mentuhotep II ao fundo, em Deir el-Bahari
TÚMULOS

A crença era a vida pós-morte, junto de Osíris. Assim criaram-se diferentes tipos de túmulos: mastabas (túmulos particulares destinados à nobreza), as pirâmides evolução das mastabas, exclusivamente túmulos reais) e os hipogeus – que agrupavam-se em verdadeiras necrópoles debaixo da terra, destinados aos reis e seus familiares como à nobreza e indivíduos poderosos. Eram constituídos por imensos corredores lineares escavados na rocha, mas contavam com os mesmos componentes que as mastabas: capela, poço e câmara funerária. O luxo era imenso. O mais famoso era o de Tutankhamon, no Vale dos Reis. Eram sempre escondidos para evitar a sua profanação e os saques dos ladrões. Apesar dos cuidados, a maioria foi saqueado já nos tempos antigos.

Trono encontrado na tumba de Tutankhamon

Grande túmulo de Nefertari, o mais bonito do Vale das Rainhas
 XIX dinastia.


O deus Anubis cuida da múmia de Sennedjem / XIX dinastia


PIRÂMIDES

As pirâmides foram construídas de acordo com fórmulas que eram fruto de longos estudos matemáticos,  geométricos e técnicas – ainda hoje desconhecidas – que tiveram como resultado quatro tipologias diferentes: a pirâmide escalonada, a romboidal, a regular. Cada uma tinha seu nome próprio, formado pelo do rei ou por uma das características construtivas ou estéticas.

Estas imponentes construções também devem ser valorizadas como arquitetura de caráter religioso, como lugar de contato entre o faraó e o mundo dos deuses. A pirâmide, de linhas simples, mas majestosas, foi apenas mais um elemento do conjunto funerário.

AS PIRÂMIDES DE GIZÉ

A mais famosa das pirâmides foi a edificada por Queóps, que escolheu a meseta de Gizé para construir a sua extraordinária pirâmide, que desde então tem sido o monumento mais visitado e admirado do mundo.
Apresenta no seu interior impressionantes corredores, galerias e câmaras, fruto de sucessivas mudanças de planos construtivos que culminam na câmara funerária com teto triangular de descarga, e na qual ainda se pode ver o enorme e simples sarcófago do rei.

Ao lado dela está a pirâmide de Quéfren, de menor proporção e apresenta algumas diferenças técnicas em relação à de Quéops. A câmara do sarcófago está escavada ao nível do chão e a estrutura é completamente maciça, conservando ainda hoje o revestimento de calcário do seu vértice, o que a torna inconfundível.

A pirâmide de Miquerinos é a mais bonita das três e teve de ser acabada precipitadamente. O seu menor volume deve-se à crise política e econômica e religiosa que a IV dinastia atravessou nos seus momentos finais.

Não é preciso dizer que estas três pirâmides são classificadas como a 'primeira maravilha do mundo'. Impressionante, também, é a Esfinge de Gizé, escultura de 20 mts de altura e 57 de comprimento, talhada na rocha natural, com corpo de leão e cabeça humana.




Pirâmides  Quéops - Quéfren - Miquerinos


Esfinge de Gizé




Fontes: O melhor da Arte egípcia - G & Z ed. LDA
Museu do Egito
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21.12.22

PABLO PICASSO / Suas Mulheres

     


    
       - Tais Luso de Carvalho

Picasso nasceu em Málaga, cidade de Andaluzia, sul da Espanha, em 25 de outubro de 1881. Mais tarde preferiu usar o sobrenome da mãe: Picasso – e não o do pai, Ruiz.

Picasso se parecia com a mãe, Maria Picasso Lopez, uma pequena andaluza, de olhos e cabelos negros. Seu pai, um homem alto e ruivo foi quem encorajou Picasso a pintar desde cedo. Era professor de desenho numa escola de arte local e completava o salário modesto com outros empregos, como curador do museu da cidade e restaurador. Ele tinha duas irmãs mais novas, Lola e Concepción – esta morreu de difteria aos oito anos.

Quando Picasso estava com 10 anos o museu fechou; seu pai josé, conseguiu o cargo de professor na Escola de Belas-Artes no porto atlântico de la Coruña. Mudou-se com toda a família. Pouco depois José reconheceria o talento do filho para a arte e decidira desistir ele próprio da pintura para dedicar-se a desenvolver a carreira artística de Pablo.

O JOVEM PICASSO

Picasso foi à Paris em outubro de 1900, com seu amigo Carlos Casagemas. Foram morar em Montmartre no estúdio do artista espanhol Isidro Nonell, que decidira retornar à Espanha. Lá, permaneceu apenas o tempo suficiente para encontrar um marchand que se oferecesse para vender seu trabalho. Após, voltou à Espanha para passar o natal com a família.



Picasso pintou essa obra aos 14 anos. A modelo é desconhecida, mas claramente uma garota de seu tempo. Uma pintura surpreendente para alguém de sua idade, uma das preferidas de Picasso. Pode ser que lhe recordasse sua irmã, Concepción, que morreu naquele ano.

A ARTE NA ÉPOCA DE PICASSO

Em sua primeira visita à Paris em 1900, Picasso penetrou numa cidade povoada de artistas à procura de novas e diferentes concepções para a pintura. O impressionismo já era bem conhecido, e um de seus expoentes, Claude Monet, já tinha prestígio internacional. Grupos dissidentes, como os pontilhistas - uma forma de pintura em que pequenos pontos de cores primárias são usados para gerar as cores secundárias - competiam com os impressionistas.

Edgar Degas e Auguste Renoir seguiam caminhos próprios. Solitários como Paul Gauguin e Vincent van Gogh haviam desenvolvido estilos bastante individuais.

Picasso fez experiências a partir de todas estas novas experiências, mas rapidamente fixou um padrão próprio de pintura que logo conquistaria seguidores conhecidos.

Por volta de 1905 um novo estilo chamado 'fauvismo' desenvolveu-se, liderado por Henri Matisse – o principal objetivo do fauvismo era usar a cor como meio de expressão. Matisse e Cézanne influenciaram enormemente o curso da pintura no começo do séc. XX, mas nenhum contribuiu tanto quanto Picasso, que sempre manteve sua individualidade, mesmo trabalhando paralelamente a movimentos como o cubismo, o surrealismo, o expressionismo, o futurismo e muitos outros 'ismos'.

SUAS MULHERES...

Parecia impossível a Picasso ser fiel a uma mulher. Depois que Fernande o abandonou, em 1911, ele começou a cortejar uma amiga dela, Marcelle Humbert o qual chamava de Eva, querendo dizer que era seu primeiro grande amor. Foi nessa época que começou a aparecer em seus quadros as palavras Ma Jolie (minha bela) apareciam em quase todos seus quadros. Porém Eva morreu, tragicamente de uma doença em 1915.


  
Em 1918 que ele casou-se com Olga Khoklova, filha de um general russo e uma das dançarinas do famoso balé russo. Nasceu Paulo em 1921. Por algum tempo, Picasso foi um pai dedicado e sempre se deliciava em fazer esboços e pinturas do filho. Porém a estabilidade não durou muito, em poucos anos estavam separados.



Mesmo não obtendo o divórcio de Olga, Picasso conhece - em 1927, nas ruas de Paris - Marie-Thérèse Walter, uma garota de dezessete anos. Nasce a filha Maya. Em 1936 a Guerra Civil eclodiu na Espanha. O retrato da filha de três anos parece quase sinistro. É como se o trabalho de Picasso fosse assombrado pelos horrores da guerra, tivesse se tornado incapaz de recuperar a inocência da infância.



Desde o rompimento com Olga, Picasso viveu sozinho, passando apenas os finais de semana com Marie-Thérèse e pequenos períodos com Dora Maar. Com Françoise Gilot o pintor sentiu-se diferente; conheceu-a na Paris ocupada pelos nazistas em 1943. Quando a guerra terminou, Picasso aos 64 anos e Françoise 40 anos mais nova, eram amantes. Foram morar juntos em Antibes, onde em 1947 Françoise teve um filho chamado Claude. Pouco tempo depois tiveram uma filha a quem deram o nome de Paloma.



Jaqueline Roque tornou-se a segunda esposa de Picasso. A morte de Olga, em 1955, deu a Picasso a liberdade de casar-se. A casa onde moraram, em Cannes, era ampla, com imensos ambientes e vista para a baia de Cannes, tornou-se um enorme estúdio onde Picasso prosseguia com sua imensa produção de pinturas e de esculturas. Jaqueline tornou-se os temas de suas pinturas assim como de todas as mulheres de sua vida. Ele a pintou obsessivamente, reduzindo a forma a contornos e cores, linhas e texturas. A vida em La Californie era agitada e diversificada. Interessado em política, Picasso atiçou o debate quando os tanques soviéticos invadiram a Hungria.


    
Jaqueline tornou-se secretária, agente, enfermeira e protetora do pintor. Era obcecada pelo marido, afastando-o um pouco dos amigos e da família. Foi a mulher, a musa mais pintada por Picasso. Embora o artista tenha deixado uma fortuna ao morrer, isso não a poupou de suicidar-se em 1986 com um tiro na cabeça. Deixou dito que a vida não tinha sentido sem ele.

    

fontes:
título original- Picasso Breaking the Rules of Art
trad. Luiz Antonio Aguiar / Marisa Sobral
Cia Melhoramentos de São Paulo
Grandes Pintores / Paulo Ramos Derengoski


6.12.22

PIET MONDRIAN 1872 / 1944



   Se houve alguém que influenciou a moda, através de seus traços, de suas cores, foi Pieter Cornelis Mondrian, pintor holandês modernista, nascido em Amersfoort / Holanda. Concebeu a maior parte de sua obra sobre o básico da formação da imagem: linha, plano e cores primárias; linhas verticais e horizontais. Foi desta maneira que o pintor holandês tornou-se uma das figuras mais importantes no desenvolvimento da arte abstrata, com suas pinturas quadriculadas.
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Suas primeiras pinturas eram naturalistas, delicadas e coloridas, embora predominassem os cinzas e verdes-escuros - Paisagem com Moinho. Entre 1907 e 1910 sofrendo a influência de Toorop, sua obra adquiriu um caráter simbolista e Mondrian deu início ao seu trabalho usando cores primárias.
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Em 1911, estando em Paris, entrou em contato com o cubismo onde realizou uma série de pinturas, também muito conhecidas, tendo como tema uma árvore em que a imagem ia se tornando progressivamente mais abstrata, ‘Macieira em flor’.

Em 1914, já de volta à Holanda, e onde permaneceu durante a guerra, continuou seu estudos sob a abstração, desenvolvendo teorias acerca dos eixos horizontal e vertical. Junto com Theo van Doesburg, fundou em 1917 o periódico De Stijl ( O Estilo), e tornou-se o principal expoente deste novo tipo de pintura, rigorosamente geométrica, que chamou de neoplasticismo – em que figuravam formas retangulares, empregando as três cores primárias mais o preto, o branco e o cinza.

Mondrian teve larga influência não só no meio artístico com o qual tinha afinidade mas também influenciou a arte industrial, decorativa e de propaganda da década de 30 em diante. Além de importantes artigos para a revista De Stijl, escreveu, também Neo-Plasticisme – Paris 1920, entre outros. Sua coleção de ensaios foi publicada em Nova York sob o título Piet Mondrian: Plastic Art and Purê Plastic Art – 1917.

Yves Saint Laurent lançou, em 1965, um vestido inspirado nas mesmas composições de sua obra; a Nike lançou seu tênis Dunk Mondrian, artefatos de decoração e até residências foram pintadas inspiradas em obras de Mondrian. A moda trazendo a arte para as ruas. Ou a arte influenciando a moda.



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Viveu em Paris de 1919 a 1938, unindo-se ao grupo Abstraction-Création. Entre 1938 e 1940 morou em Londres e em 1940 fixou-se em Nova York até seu falecimento.

Obras primas: Moinho perto da água / Moinho de vento sob a luz do sol / A árvore vermelha / Composição 10 em preto e branco / Composição C / Composição em vermelho, amarelo e azul / Composição em amarelo, azul e vermelho / Broadway Boogie Woogie.




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O MINIMALISMO / FORMAS ELEMENTARES

Dan Flavin / nasc. 1933 – 
Obra em luz, ligando tubos fluorescentes à parede em rígidos desenhos geométricos 
que criam campos de cor.

          

              - Tais Luso de Carvalho


Os fundadores do Minimalismo foram os escultores americanos da década de 1960/1970 em Nova Iorque, e que definiram como uma arte que buscou livrar-se de tudo que as pessoas costumavam achar não essencial à arte.

Portanto, Minimalismo, é um estilo em que, na arte, quer dizer: reduzir ao mínimo o emprego de elementos ou recursos, tornando tudo o mais simples possível. É uma ausência da grandeza; apenas uma interação entre objeto, expectador e espaço. Os minimalistas tal como os pintores hard edge erradicaram a marca pessoal, toda emoção, toda imagem e mensagem.

É uma arte de puro e simples objetos materiais não portadores e nem condutores de emoção e ideias. Para obterem um efeito tão puro e anônimo usavam materiais pré-fabricados em formas geométricas simples, como caixas de metal e tijolos.

O Minimalismo foi uma reação contra a presunção do Expressionismo Abstrato e a vulgaridade do Pop-art – segundo a historiadora de arte americana Carol Strickland.

Tendo eliminado a personalização e o consumismo, o legado dos minimalistas foram formas mecânicas frias para o expectador fazer delas o que os artistas fariam. Prateleiras de metal numa parede ou vidraças no chão da galeria e uma prancha encostada na parede são arte minimalista.

A exposição minimalista definitiva foi a do artista francês Yves Klein, que mostrava absolutamente nada, apenas as paredes da galeria caiadas de branco, contendo objeto algum e tela alguma. Dois patrocinadores compraram quadros não existentes e Klein exigiu o pagamento em ouro. Comparado a eles, Mondriam é expressionista – disse o marchand Léo Castelli.


Carl Andre / nasc. 1935 – foi para o extremo oposto da escultura vertical tradicional, figurativa, sobre pedestal. Fez arranjos de tijolos, blocos de cimento e Lages lisas no chão em configuração horizontal, como em sua fileira de 7 metros de tijolos no chão.

Robert Morris / nasc.1931 – é conhecido por esculturas de grandes proporções geométricas e Hard Edge, como maciços ângulos retos. 
Formas unitárias não reduzem relacionamentos, mas os ordenam – disse ele. Também faz esculturas anti-forma em materiais macios, pendentes como feltro.
 As peças escorrem pela parede, esculpidas pela gravidade.

Sol Lewitt / nasc.1928 – cria formas simples em série, 
como cubos brancos ou pretos, 
abertos ou fechados.

Richard Serra / nasc.1939 – sua obra foi reprovada, uma imensa escultura de metal (Arco Inclinado) colocada numa praça pública de Nova Iorque - foi removida em 1989.

Donald Judd/ nasc.1928 – fez caixas de aço inoxidável industrializado, 
colocadas em fileiras verticais na parede.


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Referências:
Arte Comentada - Carol Strickland e John Boswell / ed Ediouro - 2004



13.11.22

AUGUSTE RENOIR

O Jardim


 - Tais Luso de Carvalho

Pierre Auguste Renoir, nasceu em 1841 na região de Limoges / França. Foi o pintor impressionista de maior popularidade e teve o reconhecimento da crítica ainda em vida. De uma pintura alegre e otimista, seus trabalhos retratam a vida parisiense do século XIX, onde as pessoas se movimentavam num ambiente feliz e cheio de cores. Tudo era festa; tudo alegria. Mostra, em algumas telas, certa influência do rococó.

Aderiu claramente ao impressionismo com a obra La Grenouillière, onde retrata a luz do sol de um dia alegre. Esse quadro também foi pintado por Monet, dando assim destaque e fama às duas telas, mostrando como os dois artistas davam importância aos reflexos de luz.

La Grenouillière era o nome de um restaurante, em Paris, muito frequentado aos domingos. Renoir e Monet pintaram esta mesma cena, e tanto nas diferenças como nas semelhanças ganham destaque. Renoir ressalta mais as pessoas se divertindo, enquanto Monet ressalta mais a natureza, tirando da luz solar claridade e sombra. Menos alegre, mas não menos bonito.

Com os impressionistas veio o fim das atitudes fixas e do protocolo. Porém não eram muito aceitos, o povo ria de suas tolices. Isso não levou muito a se desfazer, uma vez que após a guerra franco-prussiana, em 1870, com tamanha carnificina, os impressionistas retratavam os parques, as flores e a alegria de viver. Renoir apostou no efeito descritivo da cor; com pinceladas curtas e suaves matizes de cores apuradas, criou contornos delicados e pouco nítidos. Assim todos os elementos do quadro se confundem e parecem desvanecer-se. 

Por detrás destes véus de cor escondem-se detalhes já quase imperceptíveis, pouco nítidos, o chamado sfumato, desenvolvido por Leonardo da Vinci. Foi assim um precursor da pintura abstrata do séc. 20. Depois de 1880, Renoir abandonou a pintura da impressão pura e orientou-se cada vez mais pelas obras de Ingres e de outros pintores do Classicismo, que dotavam os seus quadros de uma estrutura consciente e clara. Renoir só regressou à livre pintura impressionista  nos últimos anos de sua criação artística.

Ainda, por volta de 1890, começou a sofrer de reumatismo, perdendo a liberdade de movimentos e, em 1903 mudou-se para o sul da França. Em 1912, mesmo já confinado em uma cadeira de rodas, continuou pintando e dedicando-se à escultura até o fim de sua vida. Porém já muito debilitado, veio a contratar assistentes para executar seus projetos.

Mas, à partir de 1890 Renoir já era famoso não só na França mas no mundo. Suas mulheres nuas e opulentas eram disputadas a peso de ouro. 

'Para mim, um quadro tem que ser principalmente belo, encantador e agradável, sim, realmente bonito. Existem suficientes coisas desagradáveis, não precisamos de criar mais' - postulava Renoir. 

Por conseguinte ele foi considerado o pintor dos aspectos agradáveis da vida. O jogo da luz do sol, a representação de reflexos, mas sobretudo as figuras humanas à luz natural são os principais conteúdos dos quadros de Renoir.

Em 1914 acabou-se a  belle époque; acabaram-se os bailes, sumiram as luzes e os quadros alegres. Acabaram-se o otimismo, a vibração das cores, das folhas, momentos de felicidade, dos seios nus, dos sorrisos, das águas claras, das manhãs iluminadas que marcaram um dos maiores momentos de todos os tempos: Renoir falece em 1919 em Cagnes-sur-Mer.



Menina com as espigas

Os remadores

Le Moulin de la galette 
O almoço dos remadores - 1880


Mesmo com as mãos deformadas 1915  (caquexia rematóide )
 Renoir acabou mais de 400 obras

Algumas obras :

 Mulher com sombrinha 
  O Camarote 
Le Moulin de la Galette 
 Madame Georges Charpentier e suas filhas
Remadores em Chatou
Elizabeth e Alice de Anvers 
A dança em Bougival
Mulher amamentando
As grandes banhistas
Menina com espigas
Menina jogando criquet
Ao piano
 Odalisca
Retrato de Claude Renoir 
entre outras...

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