29.4.12

RENASCIMENTO E PINTORES / 2ª PARTE

Nesta obra Botticelli  mostra ritmo, movimento e leveza

Tais Luso de Carvalho


Na antiguidade a pintura era vista como um ofício, o que era comum em todas as artes. Os mestres pintores recebiam encomendas importantes e tinham de executar quadros num tempo limitado, com conteúdos pré-definidos e destinados a um fim pré-determinado. Mas, há cerca de 700 anos os pintores começaram a lutar pela liberdade criativa,   a  lhes emprestar um conteúdo que não se limitasse ao motivo principal, apenas.

Na Renascença, a pintura é enriquecida de novo processo técnico – o processo a óleo, mais prático do que os processos conhecidos dos afrescos, têmpera e encáustica. O homem desta época já é um homem moderno, de espírito racionalista e mentalidade científica. Enquanto a ciência da Idade Média era a Teologia, isso é, o estudo e o conhecimento de Deus, a ciência da Renascença era o Humanismo, o estudo e o conhecimento do homem. Esta visão encontra-se documentada pela primeira vez na pintura de Giotto di Bondone.

A pintura renascentista caracteriza-se pela aplicação de leis matemáticas e princípios geométricos na composição; vemos isso na 'Ceia' de Leonardo e na 'Transfiguração' de Rafael. Pelo realismo visual e pelo reaparecimento da representação do espaço e do volume, através da perspectiva científica e o claro-escuro, ignorados desde a antiguidade.

Embora representando temas religiosos a pintura renascentista não é mística, simbólica nem deformadora, mas realista e de inspiração realista e profana. As teorias artísticas renascentistas fundaram-se no conhecimento e estudo das obras da antiguidade clássica greco-romana que na época começaram a ser descobertas e admiradas pela iniciativa de príncipes e papas protetores das artes.

O espírito do humanismo, a atenção e o interesse que começava a manifestar no povo, também se fez sentir no aparecimento de um novo gênero: 'o retrato'. Os pintores renascentistas começaram por se concentrar na possibilidade de individualização: ou seja, do rosto. Os pormenores eram registrados fielmente. A utilização mais usada, a princípio, era o perfil, pois partia-se do princípio que era a forma que oferecia menos possibilidades de variar e atenuar, podendo corresponder à maior exatidão. Assim foram os primeiros retratos renascentistas, muito parecidos com as moedas e medalhas antigas, que os artistas da época estudavam exaustivamente.

Masaccio foi o primeiro pintor a reconhecer o que a descoberta da perspectiva significava para a pintura. Em 1427, executou na igreja Santa Maria Novella, um fresco da Santíssima Trindade que chocou os fiéis. A ilusão de espaço que parecia real contrariava totalmente os hábitos visuais vigentes até então. Os fiéis pensavam que o pintor tinha feito um buraco na parede que mostrava uma capela vizinha.

Piero della Francesca, também foi um dos primeiros pintores do Renascimento italiano a reconhecer o poder harmonizante da luz e a sua importância para os fenômenos materiais e da cor.
Com a Flagelação de Jesus Cristo mostra que a ação principal se desenrola num salão com colunas ao fundo do quadro, enquanto que em primeiro plano se vê um grupo de homens.

Sandro Botticelli mostra que sua pintura deixa de ser estática, ganhando movimento de uma forma nunca vista. Nascimento de Vênus, representa um tema mitológico, nascida da espuma das ondas – deusa da beleza e do amor -, ergue-se de uma concha (símbolo da fertilidade), conduzida pelos deuses do vento sobre o mar movimentado até a margem onde é envolta num manto vermelho por Flora, deusa das flores. Os cabelos esvoaçantes e os trajes dão uma leveza agitada ao quadro.

Andrea Mantegna, com 'A Deposição de Cristo', é igualmente a prova como os pintores do Renascimento contribuíram para esse desenvolvimento alucinante que só levou um século, elevando-se em voos artísticos cada vez mais audazes. O que é fascinante nessa obra é a inserção do observador na composição. Mostra um Cristo dramático, escorço. O corpo parece alongar-se para dentro do espaço.

Leonardo Da Vinci é o protótipo do homem criativo renascentista, o homem universal. Não só foi o inovador da pintura, como também possuía vasto conhecimento relativamente a todos os campos das ciências da época, assim como da técnica e da arquitetura. As suas obras influenciaram muitos artistas através dos séculos. Cito sua Mona Lisa – pequeno quadro, 77 x 53 cm, pintado em 1503.

Miguel Ângelo Buonarroti é o espírito que aperfeiçoou o Renascimento e cuja obra mostra a grandeza e o drama da época como em nenhum outro artista. Seus trabalhos de pintura, escultura e arquitetura constituem uma unidade cuja figura central é o ser humano criador, a sua força e o seu sofrimento. Para Miguel Ângelo a criação artística era uma espécie de religião universal, um instrumento para a percepção do homem como ser e do mundo que o envolve. Cito 'A Criação de Adão' , Capela Sistina / 1508.

Ticiano, em 'A Vênus de Urbino' mostra o contraste com o fundo escuro. Os traços individualizados da modelo, representação viva do corpo na pintura de tons quentes, reveste a obra de um caráter extremamente íntimo.


Antonio Del Pollaiuolo / séc 15 - perfil
Santíssima Trindade / Masaccio - 1427
 Federico Montefeltro / Sandro Botticelli
A Transfiguração / Rafael Sanzio

de Giovanni Bellini  
Retrato 'O Doge Leonardo Loredan' - 1505

Ticiano / Vênus de Urbino - 1538


O RENASCIMENTO / 1ª PARTE

Referências: História da Pintura / ed. Hönemann
Renascença / História Universal - ed. José Olympio
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22.3.12

PAUL CADDEN / O Hiper-realista

São 'desenhos' a lápis

Paul Cadden nasceu em Glasgow / Escócia - de 48 anos. Atualmente está com exposição numa galeria de Londres – Plus One. Sua obra é hiper-realista, tão realista que se confunde com fotografia.

Estudou desenho em Glasgow College of  Building and Printing de 1982 a 1986.
De 2001 a 2003 estudou Animação e Ilustração em James Watt College.

Desenha desde os 6 anos e diz, em seu site, que seu objetivo é intensificar o real. Verifiquem os detalhes nos rostos das pessoas...

O  desenhista Paul,  desenha a lápis ou grafite; seus trabalhos se parecem com fotos e cada um leva de 3 a 6 semanas para ficar pronto.

Embora os desenhos que faz são baseados em fotos, vídeos, alambiques etc, a ideia é ir além da fotografia acentuando os detalhes imperceptíveis ao olho nu. Ele intensifica, sai da normalidade vista; transpõem-se à fotografia.

Esses objetos e cenas em seus desenhos são meticulosamente detalhados para criar a ilusão de uma nova realidade nunca vista em foto original. O estilo hiper-realista se concentra muito mais na sua ênfase, no detalhe dos sujeitos retratados.

Seu trabalho, em pinturas e esculturas não são rigorosas interpretações de fotografias, nem são ilustrações literais de uma determinada cena ou assunto. Em vez disso, ele utiliza adicionais, muitas vezes sutis, elementos pictóricos para criar a ilusão de uma realidade que na verdade não existe ou não pode ser visto pelo olho humano.

Serve-se de problemas emocionais, culturais e políticos para composição de suas obras.
Um porta-voz da galeria disse ao jornal que, à primeira vista, as imagens parecem mesmo com fotografias. 'Mas, vendo-as ao vivo, de perto, você percebe que é um desenho. Os detalhes são incríveis'. Algumas de suas obras custam perto de R$ 15 mil .


clique nos desenhos


Lápis... Olhe os detalhes...
Desenhos com lápis
clique ...

Plus One Gallery (Londres) onde estão seus trabalhos.

Fontes: BBC   
Site do Artista: aqui 

30.11.11

ENTENDENDO SALVADOR DALÍ


Salvador Dalí pintou suas obras mais famosas na década de 1929 / 1939, usando um 'método crítico paranóico' que ele mesmo imaginou. Este método envolvia várias formas de associações irracionais, notadamente imagens que variam conforme a percepção do observador. Uma característica distinta de Dalí é que, apesar das imagens serem fantásticas elas eram sempre pintadas com uma técnica acadêmica, impecável e precisão fotográfica que a maioria dos artistas de vanguarda contemporâneos considerava fora de moda.


A FACE DA GUERRA
1940



Esta obra foi pintada nos Estados Unidos onde Dalí viveu por oito anos e onde lá alcançou o auge de sua fama e sucesso mundial.
O significado da pintura foi para Dalí extraordinariamente franco e honesto, empregando o simbolismo em vez de associações irracionais do 'método crítico paranóico'. Uma cabeça parecendo uma caveira rodeada de longas e sibilantes serpentes, tem todos os orifícios repletos de esqueletos; cada um contém esqueletos-dentro-de-esqueletos, de forma que a cabeça está recheada de morte infinita, um símbolo potente da era dos Campos de Concentração e assassinatos em massa.


A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA
1931



Este quadro tão pequeno (24x33 cm) é provavelmente a obra mais conhecida de Dali. A flacidez dos relógios dependurados e escorregando é um conceito brilhante, mais eficaz para abalar a nossa crença em uma ordem natural das coisas, presa à regras estabelecidas, do que muitas deformações mais sensacionalistas. As imagens chegam ao inconsciente evocando a preocupação humana, aparentemente universal, com o tempo e a memória.

O próprio Dali está presente na forma da cabeça adormecida que já havia aparecido em O Jogo lúgubre e outros quadros. Caracteristicamente ele alegou que a ideia para o quadro lhe ocorreu enquanto meditava sobre a natureza do queijo Camenbert. O fundo do Port Lligat já estava pintado, portando foram necessárias apenas umas duas horas para terminar a pintura.

O GRANDE PARANÓICO
1936



Uma das imagens duplas mais surpreendentes de Dalí, foi pintada depois de uma discussão do artista com um colega, José Maria Sert, sobre o trabalho do famoso pintor milanês do século 16, Giuseppe Arcimboldi, famoso por seus retratos cujos temas eram compostos totalmente de objetos relacionados (frutas, por ex. ou armas). No mesmo estilo, mas com resultados mais dinâmicos o Paranóico Sorridente de Dalí se dissolve em uma cena turbulenta em que homens e mulheres assumem atitudes de tristeza ou desânimo.

À direita, contrastando, um grupo de figuras exaustas parece estar tentando arrastar um barco sobre a areia, talvez representando um delírio que fervilha na mente do Grande Paranóico.

SONO
1937



Dalí recriou o tipo de cabeça grande e mole e o corpo inexistente que aparecia com tanta frequência nos seus quadros por volta de 1929. Sono e sonhos são, por excelência, o domínio do inconsciente e portanto de especial interesse para a psicanalistas e surrealistas.

A personificação do sono, está adequadamente perturbado e é necessariamente uma quantidade extraordinária de muletas para apoiar a cabeça e posicionar exatamente cada um dos traços. Muletas sempre foram a marca registrada de Dalí, sugerindo a fragilidade das escoras em que a realidade se apoia, mas aqui nada parece estável e até o cachorro precisa ser sustentado. Tudo, nesse quadro, exceto a cabeça está banhado por uma luz pálida azulada, completamente a ideia de alienação do mundo, da luz e da racionalidade.

IMPRESSÃO DA ÁFRICA
1938



Este quadro é notável pelo auto-retrato de Dalí diante de seu cavalete, olhando fixo, num esforço para convocar as imagens do seu inconsciente e transferi-las direto para a tela. Sua mão em 'escorço', estendida para o observador, lembra o pintor do séc.17 Caravaggio, um dos mestres italianos que Dalí estudou com tanto afinco no final da década de 1930.

Imagens duplas se acumulam ao fundo, inclusive sua mulher Gala e uma imagem de um padre que parece ter cabeça de macaco. O aspecto africano do trabalho pode ser avaliado com base na afirmação de Dalí de que a 'África tem algum significado no meu trabalho, porque sem nunca ter estado lá, lembro-me tão bem de tudo!'

CABEÇA AO ESTILO DE RAFAEL
1951



As formas fragmentadas que aparecem nesse quadro, origina-se do estudo da física nuclear por Dalí. Profundamente impressionado com as descobertas que levaram ao desenvolvimento da bomba atômica, ele abraçou a 'pintura nuclear' e o 'misticismo nuclear'.

A cabeça é como de uma Madona de Rafael, classicamente pura e serena. Ao mesmo tempo incorpora o interior do domo do Panteon em Roma, com a luz brilhando através dela. Ambas as imagens são perfeitamente claras, apesar da explosão que destruiu toda a estrutura em pequenos fragmentos na forma de chifres de rinocerontes.

CRISTO DE SAN JUAN DE LA CRUZ
1951



Um quadro famoso e popular embora tenha havido muitas controvérsias quando a Glasgow Gallery resolveu comprá-lo em 1952. Mostra a crucificação de uma maneira bastante inusitada, vista de cima, e, segundo Dalí, isto  fundia o seu próprio 'sonho cósmico', envolvendo uma esfera dentro de um triângulo (cabeça, braços e cruz formam um triângulo). 

A crucificação ocorre no alto das rochas, à beira mar, perto da casa de Dalí.


AUTO-RETRATO
1921



Este quadro foi pintado quando Dalí tinha 17 anos, embora tenha se retratado um pouco mais velho e estranhamente sério. O pescoço é ao estilo de Rafael. O ano de 1921 foi o da morte de sua mãe e o ano em que ele saiu de casa pela primeira vez para estudar na Academia de São Fernando, em Madri. Este retrato tem um ar sério e desafiante, um falso ar machista, para esconder, provavelmente, a extrema timidez de Dalí.

A técnica da pintura, embora perfeita, ainda não é a original, as pinceladas e o esquema de cores mostram a influência do Impressionismo, do Pontilhismo e de outros movimentos modernos que Dalí logo rejeitaria preferindo um estilo acadêmico, meticulosamente preciso.


MADONA DE 'Port Lligat'
1949



De volta à Espanha, em 1948, Dalí começou a pintar a Madona, terminando em 1950 – marcando o início de sua fase religiosa. Esta Madona foi abençoada pelo Papa Pio XII. A influência da arte renascentista sobre as obras de Dalí estava no seu auge. A fragmentação no seu quadro reflete o 'misticismo nuclear'.




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Fonte: Vida e Obra de Dalí / Nathaniel Harris
Ediouro / Tradução Talita M.Rodrigues

24.11.11

PINTURA SURREALISTA

O Enígma / 1929 - S.Dali

- Tais Luso de Carvalho

Terminada a guerra em 1918, o dadaísmo evoluiu, em Paris, para o Surrealismo. Perdia o seu caráter anárquico e destruidor. Em 1924 o poeta André Breton - adepto e experimentador dos métodos psicanalíticos de Freud - publicou em Paris o primeiro manifesto do novo movimento artístico. Este propunha aos artistas e escritores a manifestarem seus pensamentos de uma maneira livre, espontânea e irracional; que deixassem as manifestações do subconsciente aflorarem, sem qualquer interferência de reflexão intelectual, por mais absurdas e ilógicas que pudessem ser. O subconsciente é o marco do surrealismo.

O movimento tinha como objetivo superar as limitações da vida consciente, que se constituíam de preconceitos filosóficos e políticos, crenças religiosas, legítimas inibições da personalidade, impostas pela educação e cultura. Refugiando-se em si mesmo, graças aos sonhos e ao maravilhoso, o homem poderia viver na mais completa liberdade. Então, as associações, o estudo psicanalítico do inconsciente e do sonho deviam permitir  a expressão do irracional, do intocável.

O movimento estendeu-se, então, de 1918 a 1939. Muitos surrealistas aderiram ao Partido Comunista e isso trouxe divergências internas ao grupo francês, mais numeroso e atuante. Esse movimento estendeu-se não só à literatura, mas às artes plásticas, cinema, teatro.

'No meu modo de entender nada existe de inadmissível. O irreal é tão verdadeiro como o real. O sonho e a realidade são vasos comunicantes', disse Breton.

Na difusão de suas idéias, os surrealistas também eram agressivos tanto quanto os dadaístas e os futuristas. Lançavam publicações e faziam reuniões e quase sempre eram recebidas com violentas reações do público.

Salvador Dali: 'como querem que os demais compreendam os meus quadros se eu mesmo, que os faço, não os compreendo. O fato de eu mesmo, no momento de pintar não os compreender, não quer dizer que não possuam nenhum significado. Ao contrário, o significado deles é de tal maneira profundo, complexo, incoerente, involuntário, que escapa à análise da intuição lógica...'
  
Duas espécies de surrealismo despontaram na pintura: o Figurativo e o Abstrato.

Uma das imagens duplas mais surpreendentes de Dalí - O grande paranóico - foi pintada depois de uma discussão do artista com um colega, José Maria Sert, sobre o trabalho do famoso pintor milanês do século 16, Giuseppe Arcimboldi, famoso por seus retratos cujos temas eram compostos totalmente de objetos relacionados - frutas, por ex. ou armas.

No mesmo estilo, Dali pinta uma cena turbulenta em que homens e mulheres assumem atitudes de tristeza ou desânimo. A dupla imagem se repete, com variações, ao fundo - esquerda. À direita, contrastando, um grupo de figuras exaustas parece tentar arrastar um barco sobre a areia, talvez representando um dos delírios que se passa na mente de um grande paranóico.


O Grande Paranóico / Dali - 1936
 A pintura surrealista nasceu de três correntes distintas:

Arte Visionária - na qual se destacam Paollo Ucello, pintor italiano que procurou libertar a pintura da imitação da natureza conferindo à realidade um sentido irracional.
Jerônimo Bosch que, com seu sentido fantasmagórico, desenvolve um período exaustivo herdado das excentricidades medievais ao abordar os dragões, demônios, pássaros maiores que homens, ratazanas etc.

Arte Primitiva - os artistas se encantam com o mundo paradisíaco oferecido pela Oceania. As máscaras de cascos de tartaruga, as esculturas de fetos arbóreos, os tambores megalíticos da ilha da Páscoa.

Arte Psicopatológica - procura explorar o inconsciente freudiano ao aceitar o humor como máscara do desespero do homem.

Alguns surrealistas: 

Joan Miró, Yves Tanguy, Hans Arp, Picabia, Max Ernst, Frida Khalo, Victor Bruner, De Chirico, Francis Paul Klee, Magritte, Dalí e muitos outros. Por sua destruição das imagens da realidade, Picasso foi saudado pelos surrealistas como um dos seus.


 Magritte

The Jungle / Edward Burra - 1931


Ocean Sprout / Vladimir Kush



Criança Geopolítica
Assistindo ao nascimento do Novo Homem - Dali 1943

Picabia

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5.11.11

VASCO PRADO

Negrinho com Sol

 Vasco Prado nasceu na cidade de Uruguaiana, no RGS -  Brasil, no ano de 1914. Foi desenhista, gravador e escultor. Adolescente, migrou para Porto Alegre a fim de estudar. Com 14 anos entrou para o colégio Militar onde ficou alguns anos e foi expulso em 1930 por ter feito um enterro simbólico de Washington Luiz.

Autodidata, começou a mexer com barro desde criança até ser reconhecido como um dos maiores escultores do país. Tentou o meio acadêmico em 1940 por achar que poderia aprender alguma coisa, porém, 3 meses depois Vasco abandonou o curso por achá-lo chato e superficial.

Seu início baseou-se nas obras de Auguste Rodin quando em sua primeira exposição ficou evidente a influência do escultor francês.

Mas tarde conseguiu uma Bolsa de Estudos do Governo - através da Aliança Francesa – para frequentar a Escola de Belas Artes de Paris. Lá estudou com Etiénne Hadju e Fernand Lèger.

Vasco já tinha certeza do que não queria, portanto buscou seu próprio caminho. Fez contato com o gravador mexicano Leopoldo Mendez, um artista de esquerda. A amizade o levou a se interessar pela gravura. De volta ao Brasil organizou em 1950 o Clube da Gravura de Porto Alegre, junto com os artistas Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves, Glênio Bianchetti e Glauco Rodrigues.

Este pequeno grupo influenciou vários artistas, tanto no Brasil, como no Uruguai e Argentina. A proposta de trabalho era a de uma arte engajada politicamente e simpática ao homem do campo. Puramente realista, muitas vezes com aspecto documental. Nessa fase, Vasco descobriu a base de seu trabalho: a simplicidade.

Suas obras de curvas e volumes inconfundíveis espalharam-se por museus do Brasil, do Chile, Museu nacional de Varsóvia, Museu Americano de Maldonado, Galeria Municipal de Praga, Museu de Arte de São Paulo, Museu de Hakone – no Japão.

Sua obra emociona; a série Negrinho do pastoreio é um tema que Vasco nunca abandonou. Seu primeiro 'Negrinho' - 1943 -, é o retrato dramático da dor e do sofrimento. Sentado sobre as próprias pernas e preso ao formigueiro, só resta-lhe a agonia.

Seus cavalos são grandes e viris, assim como as mulheres são robustas, em terracota, bronze e mármore. As mulheres são cheias de sinuosidades, curvas, quadris largos e ventre dilatados. A exuberância das formas femininas de Vasco traz um pouco de primitivismo da Vênus de Willendorf e da sensualidade da Vênus de Milo. Suas esculturas primeiramente saem do papel; antes do escultor existe o grande desenhista.

' Em mais de 50 anos de atividades, Vasco acompanhou s transformações sociais e artistas de nosso século, delas recebendo muitas influências como homem e artista que interage nesse processo com sua bagagem existencial' - palavras de Renato Rosa.

E no meio de tanto trabalho e energia, será que o artista encontra tempo para pensar na morte?

'As vezes sim. Daí eu penso: poxa, que chato, tenho tanta coisa para fazer e eu tenho de morrer... quero trabalhar até a morte'.


Algumas frases de Vasco Prado...

- A função do artista é querer mudar o mundo.

- Sou muito como o Mario Quintana: acho que é provinciano ir para o Rio de Janeiro ou para São Paulo. (sobre sua permanência no Estado)

- Não tenho ligação com crítico algum e, sinceramente, não me interessa o que possam pensar sobre o meu trabalho.

- O desenho é a base de tudo. O desenho chama a forma. Sem desenhar, não se faz nada.




Falece em Porto Alegre no ano de 1998.



Lanceiro Farrapo 

Moça com braços erguidos / 1978


Pinéis Revolução Farroupilha / 1973

Modelo em repouso

Da série Negrinho do Pastoreio





(Fonte: Aplauso nº 3 / 1998 - Paula Ramos)


23.9.11

ROCOCÓ / UM ESTILO FRANCÊS

O Ar / Nicolas Lancret - clique foto

- Tais Luso de Carvalho

O Rococó é o mais atraente movimento artístico entre a Renascença e o Impressionismo. Surgiu por volta de 1700 na França e difundiu-se por toda a Europa no século 18. Como todo o movimento tem sua época, desaparece ou passa por transformações; do barroco nasceu o rococó, às vezes considerada um novo estilo, outras vezes vista como a última fase do barroco – Neobarroco.

As suas qualidades estão todas ao lado da fantasia, do espírito, sensibilidade e sorridente felicidade. Ao invés do movimento barroco e neoclássico que vieram antes e depois dele, o Rococó é intuitivo, não didático nem intelectual. Não exige antecedentes elaborados de conhecimentos históricos ou teóricos; o seu objetivo é uma pintura que dê prazer. Seu desejo é alcançar o deleite visual. É um estilo artístico e arquitetônico caracterizado pelas cores leves, alegres e elegantes. Foi o contraponto ao barroco, estilo pesado e escuro.

O rococó surgiu quando o rei da França, Luis XIV pediu uma decoração para os aposentos da jovem duquesa de Borgonha, de 13 anos. “Deve haver uma atmosfera de meninice por toda a parte”, pediu o rei.

A elegância e a conveniência, e não mais a grandeza e a pompa passaram a ser exigidas por uma sociedade já cansada das dourações, substituindo tudo por cores claras, rosas, azuis, verdes e o branco.

O nome, ao que tudo indica, é uma combinação do rocaille e barroco, uma referência depreciativa ao gosto prevalecente durante o reinado de Luiz XV. O termo, como tantos outros rótulos estilísticos, veio à tona com sentido pejorativo devido aos seus tantos floreios, algo muito excessivo, segundo o Oxford English Dictionary.

Os pintores que mais representam este estilo são Watteau, Boucher, Lancret, Fragonard, Veronese e Falconet - o escultor, que muitas de suas obras foram reproduzidas na porcelana. São obras leves, sutis, tocadas de certa displicência, luminosas, graciosas como que apenas aflorando à superfície da tela, sem consistência e profundidade. Traduzem os sentimentos de efemeridade que a própria nobreza possuía na época.

Na arquitetura, na escultura, na pintura, nas artes decorativas em geral, esse estilo expressa a vida ociosa e requintada, o espírito galante e fútil da nobreza europeia no século XVIII, porém foi um estilo derrubado das posições econômicas e políticas que ocupava pela vigorosa ascensão da burguesia.

De Paris o Rococó espalhou-se para a Alemanha, Áustria, Rússia, Espanha, Itália. Seu prestígio na Inglaterra não teve muita força. O Rococó perdurou na Europa até o final do século XlX em igrejas onde se fundiu com o barroco. Mas na França e em outros países o Rococó já vinha cedendo lugar a um novo estilo.

Se a pintura barroca expressava intensidade e violência de sentimentos, tocados de certo caráter naturalista, o rococó é feito de sentimentos aristocráticos de galanteria, mundanalidade, fantasia decorativa e requintado erotismo.

Por tudo isso adquire na pintura e demais artes certa leveza de técnica e graciosidade. Sedutora e efêmera como a própria vida da aristocracia o rococó é a autêntica e reveladora manifestação artística da época.


Alguns pintores franceses do período Rococó:


Antoine Watteau (1684-1721) Fraçois Boucher (1703-1770) Jean Honoré Fragonard (1732-1806) Maurice Quentin La Tour (1704-1788) Madame E. Vigée Lebrun (1755-1842) Nicolas Lancret (1690-1745) Jean Baptiste Simeon Chardin (1699-1779)  Jean-Marc Nattier (1685-1779)

O Balanço / Fragonard - 1766 - 

 Carta de amor / Boucher
O Ar / Jean Nattier
Abadia de Ottobeuren, Alemanha - clique foto
Watteau


 fontes:
 Oxford de artes
O mundo da arte ed.Olympio 

9.9.11

SURREALISMO

A Persistência da Memória / Dali

-  Tais Luso de Carvalho

O Surrealismo surgiu na França em 1924, um movimento, portanto, que nasceu entre as duas grandes guerras mundiais. Nessa época o mundo todo sofria as consequências da Primeira Guerra e sentia a tensão que preparava à Segunda.

Surgem a psicanálise e os escritos de Freud que fazia experiências com o sonho e com os sono hipnótico, procurando explorar o inconsciente, fazendo vir à tona, o sonho, o pesadelo, o maravilhoso. Grande parte de nossa alma estava submersa nas profundezas deste inconsciente. Os Surrealistas passaram a atribuir grande importância ao mundo dos sonhos.

Os estudos de Freud e as incertezas políticas criaram um clima favorável para uma arte que criticava a cultura europeia e a frágil condição humana diante de um mundo cada vez mais complexo.

O Movimento Surrealista não só se interessou pela arte pictórica, mas pela poesia, literatura e política. Sua origem surgiu juntamente com a publicação do Manifesto Surrealista de André Breton que foi seu animador, o seu teórico, e o seu chefe intransigente, até sua morte.

Sua influência se faz sentir em todas as formas artísticas modernas. Volta-se contra todas as formas de ordem lógica, moral e social. Proclama o poder absoluto do sonho, do instinto, do desejo e da revolta, apoiando-se na psicanálise.

Na pintura Surrealista os maiores nomes são Salvador Dali, Juan Miró, René Magritte, Giorgio De Chirico, Marx Ernst, Paul Delvaux, Ives Tanguy, Hans Arp entre outros tantos, como Frida Kahlo que não se dizia surrealista, mas sim realista de suas dores.

'Acredito na fusão desses dois estados – sonhos e realidade – aparentemente tão contraditórios, uma espécie de surrealidade absoluta' - explicava André Breton. Com isso ele assumiu a responsabilidade pelo nome que iria dar ao movimento.

Além de um mundo visível existiam muitas sensações reprimidas que seriam evocadas nos sonhos ou nos fenômenos alucinatórios. Isso tudo era partilhado por um grupo variado de artistas plásticos e escritores.

As manifestações absurdas e ilógicas, como imagens dos sonhos e das alucinações foram as que produziram as criações artísticas mais interessantes, mais fantásticas. 

Os surrealistas lançaram-se por variados caminhos à exploração do imaginário; não havia um imaginário doutrinal: dissidências, expulsões e ataques pessoais marcaram toda a história do movimento surrealista.
  
Segundo Dali, era preciso desacreditar da realidade e da lógica que rege a vida das pessoas

Dali, Magritte e outros surrealistas optaram por um estilo bem detalhado, revestindo a realidade de alucinações, de cenas que não faziam sentido.

As técnicas frottage e grattage  lhes permitiam criar estruturas abstratas que à primeira vista não representavam nada, mas que logo induziam a ver alguma coisa.   
Max Ernst era o tipo de artista que utilizava o princípio de entregar tudo ao acaso. Sendo um dos surrealistas mais ávidos por experiências, incluiu na sua pintura técnicas  imprevisíveis como o fronttage

Estes decalques e  colagens sobre superfícies irregulares eram alguns dos métodos utilizados  para explorar  potencialidades inconscientes.

O Império das Luzes / René Magritte

Indefinido / Ives Tanguy
The Painter's Family / De Chirico
Duas crianças ameaçadas por um Nightingale / Max Ernst
Miró
Abraço amoroso / Frida Kahlo
Card Trick / Andre Masson

Mais obras Surrealistas: aqui
fontes: 
História da Pintura  
História da Arte
Oxford