1 de maio de 2016

REALISMO: COMO TRABALHA UM PINTOR REALISTA?



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Segundo a concepção realista, a pintura destina-se a representar as coisas concretas e existentes. Os temas abstratos ou imaginados não pertencem ao domínio da pintura. O pintor realista só representa aquilo que vê. Não poderá representar, por ex um episódio da mitologia grega ou da Bíblia, pela simples razão de não o ter visto ou de não o ver. A beleza está na própria realidade e o talento artístico consiste em descobri-la e acentuá-la, sem recursos e fórmulas históricas e ideias, como entre os neoclássicos, nem às efusões emocionais, como nos românticos.

Ser realista, porém, não é ser exato e minucioso como uma fotografia. Ser realista é ser verdadeiro. Ser verdadeiro é selecionar, sintetizar e realçar os aspectos mais característicos, expressivos, e por isso mesmo, mais comunicáveis e inteligíveis das formas da realidade, não sendo necessário idealizá-las ou perturbá-las com a emoção.

Ao representar um tigre, por ex, o realista não precisa ser minucioso, descendo a descrição analítica dos detalhes; não precisa fazer as pestanas do tigre! Pode ser sintético, porque será verdadeiro desde que nos transmita o caráter do tigre, isto é, a sua ferocidade e poderosa força elástica.

No caso do retrato se o modelo tiver aquele queixo irregular, denunciador de sua personalidade, que o neoclássico esconderia em nome da forma idealmente bela, o realista não o corrigirá. Fixa-o com verdade, pois certamente o achará belo e rico de caráter. 

O realista não será eminentemente desenhista, como o neoclássico, nem veemente colorista como o romântico. Estabelecerá entre a linha e a cor, ou entre as faculdades intelectuais e as emocionais, no ato da criação artística. Não será documental como uma fotografia, porque será sintético, eliminando os elementos acessórios e insignificantes, sem força expressiva para definir o caráter do modelo e o ambiente que o cerca. Por último, poderá ainda enriquecer a sua obra de intenções políticas e sociais, refletindo tendência da época, que já havia nos românticos.


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Referência: Como entender a pintura moderna / Carlos Cavalcanti 
- ed Civilização Brasileira