16 de fevereiro de 2016

OSWALDO GOELDI


Abandono - 1930 (Goeldi)



Oswaldo Goeldi nasceu no Rio de Janeiro em 1895. Com apenas 1 ano de idade mudou-se com a família para Belém / Pará, onde viveu até 1905, quando sua família se transferiu para Berna / Suíça. Seu pai era um cientista suíço - Emília Augusto Goeldi.
Em 1917, matricula-se na Ecole des Arts et Métiers - Escola de Artes e Ofícios - em Genebra, mas não a concluiu por julgá-la muito acadêmica.
Oswaldo Goeldi integra, junto com Lívio Abramo e Carlos Oswald o trio de mestres e pioneiros da gravura brasileira. Sua obra tem o clima expressionista das grandes áreas em preto e linhas decisivas, que definem o desenho que emerge da escuridão. Toda a sua obra é muito coerente com os assuntos humanísticos, registrando pequenos fatos da vida social. Foi consciente em transmitir as técnicas da gravura para as gerações seguintes.
Em poucos traços aparecem sulcos feitos na madeira, com uma goiva em forma de V, criando perspectivas com as casas, postes, muros e ruas.
A figura humana emerge de raras linhas positivas. As cores são mínimas. O vermelho para o sol e os reflexos na roupa do homem; os marrons de dentro de casa e da rua são quase imperceptíveis, mas servem para conceituar a tarde – a meia tonalidade das sombras que contrasta com a vibração do disco de luz.
Oswaldo Goeldi estudou na Suíça, mas a partir de 1920 passou a viver, trabalhar e produzir no Brasil.
Além de gravador, entre 1895 e 1961 colaborou como ilustrador de jornais e revistas e ilustrou várias obras literárias, como Cobra Novato, de Raul Bopp, entre outras e, em 1941 trabalhou na ilustração das Obras Completas de Dostoievski, publicadas pela Editora José Olympio.
Em 1930, lançou o álbum 10 Gravuras em Madeira de Oswaldo Goeldi, com introdução de Manuel Bandeira. Em 1952, iniciou sua carreira de professor, na Escolinha de Arte do Brasil, e, em 1955, tornou-se professor da Escola Nacional de Belas Artes.
Participou da Bienal de São Paulo – 1º lugar em gravura; participou da 25ª Bienal de Veneza e de várias exposições nacionais e internacionais.
Em suas gravuras sempre predominou, inicialmente a cor escura, com poucos traços claros e quase uma fusão entre personagens de uma cena e o ambiente em que estão, como em Pescadores.
Com o tempo essa característica vai sendo superada, os personagens ganham mais destaque e o artista passa a empregar cores em algumas áreas de suas gravuras, como em O Ladrão.
Morreu no Rio de Janeiro em 1961.
Em 1995, o Centro Cultural Banco do Brasil realizou exposição comemorativa do centenário do seu nascimento, no Rio de Janeiro.


A Vassoura - 1945
A Chuva - 1957
A Tarde - 1954
O Ladrão - 1955

Referências
Arte Brasileira / Percival Tirapele – ed Nacional
História da Arte / Graça Proença