- Tais Luso de Carvalho
Natural de Kyoto / Japão, Tomie nasceu em 1913, chegando ao Brasil em 1936, com 23 anos fixando-se em São Paulo e naturalizando-se brasileira em 1940. Só em 1952 iniciou seus estudos de pintura com o artista japonês Keisuke Sugano. Junta-se ao Grupo Seibi constituído de Shiró, Kaminagai, Manabu Mabe, Fukushima entre outros. Trabalhou com serigrafias, litografias e gravuras em metal.
Atualmente, Tomie com 98 anos está mostrando suas obras em Porto Alegre no Instituto Iberê Camargo - obras executadas com os olhos vendados, pintadas em 1960. Em Pinturas Cegas Tomie experimentou praticar uma pintura em que os outros sentidos aflorassem, baseando-se apenas no gesto e na intuição. Usou as cores azul, preto, cinza, marrom, vermelho e verde. O resultado final são telas estruturadas a partir de manchas e cores diluídas que se aproximam de um abstracionismo informal.
Estas Pinturas Cegas são desconhecidas do grande público. Até 2011 não havia ocorrido uma exposição dedicada apenas a estas obras. Tomie teve, também, seu momento de figuração que aconteceu antes do seu abstracionismo. Depois da etapa das Pinturas Cegas, Tomie partiu para o abstracionismo mais gestual, marcado por grandes telas que exploravam a textura e o espaço.
Com 98 anos Tomie ainda pinta todos os dias, apesar de algumas dificuldades de movimentação. Em outras fases, Tomie conta que sua pintura teve momentos em que a razão ocupou momentos destacados.
Segundo a artista 'a abstração é uma presença em muitas diferentes correntes de arte, O seu vigor continua a existir, de acordo com a época'.
Realizou diversas obras públicas, como o painel do edifício Santa Mônica, em São Paulo; a escultura Estrela do mar, na Lagoa Rodrigo de Freitas / R.Janeiro; a escultura em homenagem aos 80 anos da Imigração japonesa no Brasil; painéis para o Memorial da América Latina.
Participou do Salão Paulista de Arte Moderna, diversas Bienais de São Paulo e de várias Bienais Internacionais como as de Veneza, Medellin e Havana. Realizou várias exposições individuais no Brasil e no exterior.
À seu respeito, escreveu Clarival de Prado Valladares:
'De acordo com alguns críticos, a pintura de Tomie Ohtake corresponde a um dos pontos mais elevados do abstracionismo já produzido no Brasil. (…) Quando observamos as grandes manchas das telas de Tomie Ohtake percorrerem quase o imensurável das variações tonais de uma cor básica, ocupando uma superfície como se um todo universo se resolvesse naquela experiência e naquele momento, sentimo-nos bem próximos de uma exegese da pintura'.
'De acordo com alguns críticos, a pintura de Tomie Ohtake corresponde a um dos pontos mais elevados do abstracionismo já produzido no Brasil. (…) Quando observamos as grandes manchas das telas de Tomie Ohtake percorrerem quase o imensurável das variações tonais de uma cor básica, ocupando uma superfície como se um todo universo se resolvesse naquela experiência e naquele momento, sentimo-nos bem próximos de uma exegese da pintura'.
Sem nome 1963
O INSTITUTO TOMIE OHTAKE, erguido na mais importante cidade da América Latina, São Paulo, tem como proposta apresentar as novas tendências da arte nacional e internacional, além daquelas que são referências nos últimos 50 anos, coincidindo com o período de trabalho da artista plástica que dá nome ao espaço, Tomie Ohtake.
Inaugurado em novembro de 2001, o centro cultural ocupa uma área total de 7.500m2. Para exposições conta com sete salas distribuídas em dois grandes pisos, um dos quais abriga ainda o setor educativo, com quatro ateliês, espaço para seminários, área de documentação e um Grande Hall, onde estão instalados o restaurante Santinho, a livraria Gaudi e a loja de objetos IT.
Instituto Tomie Ohtake / São Paulo
'Eu nunca pintei com o emocional. Sempre pintei mais friamente. É sempre colocando camada, camada, camada. Colocando muitas cores, camada, camada, até chegar onde eu quero. O gesto era bem mais calmo, caía sempre sobre a tela e seguia uma direção que era mais mental'. (Tomie)











Abstratos bem sugestivos, cores bem harmoniosas... Gosto de viajar pelas possibilidades que o abstracionismo nos remete.
ResponderExcluirGrande abraço e meu carinho, sempre, Taís.
Tomie Ohtake, veio tão jovem, para o o Brasil,
ResponderExcluirque a consideramos nossa.
A grandiosa Obra, da Dama do Abstracionismo, é formidável.
Obrigada, por nos trazer a sua biografia e um "bom bocado" de sua obra.
Um abraço,
da Lúcia
Olá Tais
ResponderExcluirEsta é uma artista que não conhecia mas fiquei agradada pelos trabalhos que aqui expõe.
Obrigada pela visita ao Farol e pelas palavras lá deixadas.
Estou em recuperação de uma fase "menos bem" quanto a saúde mas aos poucos vou regressando à blogosfera.
Beijinhos
Pinturas cegas
ResponderExcluirque nos abrem o olhar
e nos cega com a profundidade
com que mergulha nossas pupilas
na dimensão espalhada abstrata
daquela cor.
E acabamos mergulhando num oceano
subjetivo profundo
que na pintura da Tomie parece não ter fundo.
Amo o abstracionismo é tão profundo
como uma poesia conceitual.
Luiz Alfredo - poeta
Olá Tais,
ResponderExcluirVisito teu blog pela primeira vez. Gostei muito do que li. Parabéns!
Taís, adorei ver aqui a matéria sobre Tomie. Dos artistas consagrados, é uma das minhas prediletas, também por ser mulher num universo onde a predominância masculina é gritante. Acho que falta reconhecimento para as mulheres no mundo das artes. Bom, mas isso é outro papo.
ResponderExcluirQuanto a Tomie, me parece que ela retrata o abstracionismo existente por toda parte, aquele que nos rodeia, mas que não vemos por não ‘desfocarmos’ os olhos da figura. São os entremeios e as 'entrelinhas' de todas as coisas. Suas pinturas cegas retratam essas imagens que o cérebro capta e armazena. E ela solta nos seus pincéis racionalmente, cuidadosamente planejadas. A direção mental não carece dos olhos, nem do emocional, pois já está pronta na sua memória.
Lindo , amiga! O texto está primoroso e as fotos, como sempre, uma festa!
Bjo grande.
Em tempo: Vislumbrar as obras de Tomie ao vivo é bem diferente de ver as fotos. Creio que seja pelo tamanho. Uma mostra que vale a pena ser visitada, sem dúvidas!
Muito Interessante sobre as Pinturas Cegas, pintou com o inconsciente.
ResponderExcluirGostei de seu blog. Voltarei.
Abraços
Carla.
Não conhecia, amiga. Mas sempre que venho aqui aprendo algo novo e interessante, Taís!
ResponderExcluirPeço que me perdoe pela demora em vir te visitar. Mas meu notebook estragou duas vezes e depois fiquei muito gripada. Alguns dias distante dos blogs.... e a caixa de e-mails "transbordou". rsrsrs
Ainda estou correndo para colocar tudo em dia: blogs, visitas e e-mails.
Beijocas e um excelente fim de semana!
Não conhecia a artista, adorei o seu trabalho.
ResponderExcluirBom fim de semana.
beijinhos
Maria
Caríssima. Gosto muito de te ler e neste espaço faço minhas revisões e encantamentos. Muito obrigado por dividir. Um bom abraço.
ResponderExcluirpara mim esta artista sempre foi a rainha das belas e poucas formas...e maravilhosas cores!
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