24 de agosto de 2009

A ARTE NOS CEMITÉRIOS...

Victor Brecheret / Consolação, São Paulo


- Tais Luso de Carvalho 


Há algum tempo atrás eu achava tratar-se de um tema macabro, mas hoje tenho opinião diferente. Lembro, e não faz muito, que minha entrada em cemitérios era um vapt-vupt: o tempo necessário para sepultar; e por obrigação! Não queria saber de olhar pra nada. Mas como tudo muda no percurso de nossa vida, passei a olhar um cemitério com olhos de quem quer ver arte.

E descobri que cemitério é um lugar que pode ser belo, onde não há mais ninguém, onde não há mais respiração e nem ação; que existe apenas memória, e que memória não sai atrás da gente correndo... Memória é vida e arte; andam juntas, silenciosas, em harmonia.

Pude entender por que no Dia dos Finados, muitas pessoas ficam passeando pelas ruas dos cemitérios mais conhecidos e onde foram sepultadas as celebridades. E são nesses túmulos que a arte se mostra formosa, bela e viva.

Antigamente os ilustres eram enterrados em igrejas. Pensavam que por estarem mais perto dos santos teriam garantido seu lugar ao lado do Senhor. Os cemitérios eram destinados aos desvalidos, aos enforcados e aos escravos. E isso veio até 1858 quando médicos e sanitaristas da cidade de São Paulo se deram conta que a cidade estava doente, que precisavam eliminar os focos das infecções. E os ilustres enterrados nas igrejas, eram um dos focos das infecções. Então o sepultamento, o lugar físico, saiu das mãos da igreja para as mãos do Estado.

No cemitério da Consolação - São Paulo - há obras magníficas mostrando dor, sensualidade, uma estética linda e apurada de um Amadeo Zani, de Victor Brecheret, de Francisco Leopoldo Silva, de Enrico Bianchi, Julio Starace, Luigi Brizzolara, Materno Giribaldi e de Giorgio. Além de ver arte, descobrimos nosso passado, onde se encontram as memórias de gente ilustre como Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, da Marquesa de Santos, de Washington Luiz, Monteiro Lobato, José Bonifácio de Andrada e Silva...

Hoje já se agenda visitas monitoradas para o conhecimento da arte nos cemitérios. Isso acontece nos cemitérios da Europa, como o Pére-Lachaise, do Rigoleto e Chacarita na Argentina, no Cemitério da Santa Casa de em Porto Alegre, Consolação, em São Paulo e em muitos outros espalhados por esse mundo afora, onde a arte não se intimida, pelo contrário, acolhe.

Como podemos atestar, nem após a morte há igualdade entre as pessoas: mausoléus de mármore, ricos adornos e belíssimas esculturas - ostentadas pelos familiares -, ainda mostram que igualdade social é uma utopia. Mas este é um assunto para o meu outro blog. Aqui, quero mostrar um pouco da arte que existe nos cemitérios e não dizer que a obra é de tal família, o que é de quem, enfim. Quero mostrar como é viva a arte que está entre os mortos.


Cemitério Pére - Lachaise
Cemitério Pére-Lachaise

Cemitério da Santa Casa / Porto Alegre, RS

La Recoleto / Buenos Aires
Cemitério da Consolação / São Paulo


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12 comentários:

Mistérios, Magias ou Milagres. disse...

Realmente no cemitério é o lugar onde belas artes predominam, só não vê quem é cego ou não quer ver.
Parabéns seu blog é lindo e muito criativo. Abraços.

CESAR CRUZ disse...

Oi Tais,

Adorei essa postagem. Eu moro muito perto deste cemitério e do outro, tão famoso e rico em obras quanto este, o Araça. Ali, no Araça, tenho minha família inteira enterrada. Há 19 anos foi meu pai, jovem, com 47 anos, vítima de um infarto. Há 2 anos e 2 meses foi minha mãe; e há 6 meses, minha tia.

Na ocasião desta última triste despedida, acabei contratando um construtor e melhorando, ampliando o nosso jazigo. Afinal, logo (espero que não tão logo!)serei eu.

É verdade, Tais! Essa magníficas obras de arte trazem ao observador mais atento um certo conforto. É a beleza da arte cumprindo seu papel.

Quando a não haver igualdade nem após a morte, discordo (apesar de entender o que você quis dizer), pois há igualdade sim. Todos nos igualamos no pó que tornaremos a ser. Daqui não se leva mesmo nada, minha cara.

bjs paulistanos
Cesar Cruz

Tais Luso de Carvalho disse...

É Cesar, é algo interessante: devido às desigualdades - que a família dá prosseguimento - é que podemos ver essas magníficas obras.

Mas falei na utopia quanto a outro ponto de vista: é somente lá que voltamos ao nada, sob o ponto de vista humano, o palpável.

É lá, naquele belo espaço para uns, que tudo se acaba e todos se tornam iguais. Nossos espíritos, para onde forem, deverão se igualar. Sei que foi isso que entendeste. Apenas quis reafirmar.

Bj aqui do Portinho
tais

wallper.lima disse...

Oi Taís!
Achei essa postagem bem diferente de tudo!
Acho que essas "esculturas" suavizam e amenizam um lugar sombrio...pois acho que os cemitérios deveriam acabar, e haver apenas crematórios.
Já restaurei algumas, e pra mim eram naturais...
Bjos.
Waleria Lima.

Ana Rosa Borges disse...

Gostei da matéria, vou ao cemitério tentar fazer como você: ver com outros olhos, ver arte. Nunca tinha pensado nisso, que lá estão grandes obras. Adorei seu blog, estarei muito por aqui.
beijo.
Ana Rosa

Graça Pereira disse...

Estou completamente de acordo e vi arte neste seu blog.
Aqui, no Porto, visito algumas vezes o cemitério de Agra Monte on se encontram peças belissimas e nuito antigas. A arte, está em toda a parte: é preciso descobri-la! Um beijo grande Graça

Laguardia disse...

Off Topic

Em conjunto com o Blog o Mundo by Thaís, estamos lançando uma campanha de protesto virtual para o período de 07 a 20 de setembro.

Gostaríamos muito de contar com a sua participação e a dos seguidores de seu blog.

Esta é uma campanha de todos os brasileiros patriotas e não de um ou outro blog.

A campanha é de todos nós que queremos um país melhor para nossos filhos e netos.

Detalhes em http://omundobythais.blogspot.com/ ou http://brasillivreedemocrata.blogspot.com/

Divulgue esta idéia.

O Brasil mais do que nunca precisa de você!

Sônia Brandão disse...

Muito interessante essa postagem.
Gosto de passear pelos cemitérios, observar os diversos tipos de sepulturas e também desfrutar o silêncio, meditar. Dificilmente faço minhas visitas nos dias de muito movimento.

bjs

Marcello de Oliveira disse...

Shalom!

1. Uma alegria conhecer seu blog. Que o Eterno resplandeça o rosto Dele sobre ti.

Medite em Colossenses 3.16

Nele, Pr Marcello Oliveira

Visite: http://davarelohim.blogspot.com/

E veja o texto: Voltai para mim, diz o Senhor

Daniel Savio disse...

Uma das cidades que eu acabo frequentando (Campos dos Goytacazes)tem tumulos como imagens de santos, anjos e etc, além de que alguns tumulos são feitos de mármore.

Mas lá foi uma cidade bem rica nos tempos da cana de açucar...

Só para constar, também não tenho o costume de entrar num cemitério.

Fique com Deus, menina Tais.
Um abraço.

Alegria disse...

Muito obrigada por ter ido ver meu espaço. Mas adorei e quem não gosta da boa escrita, a morte mesmo ela pode nos oferecer arte, não importa se para ricos os pobres lá esta ela imponente na saudade, meus avós paternos estão descansando em uma igreja. Mas cemitério para mim sempre foi um lugar de paz, em dias comuns são silenciosos, e nos fazem pensar e muito na vida. Macabro para alguns, contudo pior que ir passear em um cemitério e ver as assombrações de uma sociedade cada vez mais doente e macabra.
Tenho outro blogue e ficaria muito honrada se também fosse visitá-lo.

http://renatagomesdefarias.blogspot.com/

Tenha um bom dia.

Renata Vasconcellos.

edilinda disse...

adoro passar meu tempo como agora ouvindo uma boa musica e sair por ai virtualmente claro visitando os cemitérios do mundo, suas belezas e arte. Mas concordo que ate na morte há desigualdades mas podemos crer se essa desigualdade esiste é porque os familiares não tem mesmo condições de fazer algo lindo para seus entes querido.mas tudo bem na vida tbm é assim. parabéns pelo blog.