28 de maio de 2012

TOULOUSE-LAUTREC

Salon de la Rue des Moulins - 1894     /  fotos com zoom
Tais Luso de Carvalho

Henri Marie de Toulouse-Lautrec nasceu em 1864 na cidade de Albi, ao sul da França. Pintor, desenhista, artista gráfico, ilustrador e litógrafo tornou-se um dos mais conhecidos   pintores do mundo da arte – por causa de sua deformidade. Era filho de um rico conde francês.  Após ter quebrado as duas pernas – tinha uma debilidade óssea -,  ficou com os membros inferiores atrofiados, enquanto o resto do corpo cresceu normalmente.  Sua estatura diminuta fez com que Lautrec fosse personagem de várias caricaturas.

Feio, muito baixo, pernas tortas, o Lautrec adulto refugiou-se na marginalidade de Paris com a qual se identificou, devido a seus sofrimentos por ter um aspecto chocante. Fez do cabaré Moulin-Rouge uma espécie de lar, pintando este e outros locais semelhantes, frequentados por gente de toda a espécie , onde se dançava o proibido Cancan.

Seu pai pagou para que o filho fosse estudar artes em Paris e alugou-lhe um atelier. Tornou-se conhecido em Montmartre onde passava as noites desenhando no Moulin-Rouge e em outras casas noturnas.

'Trato de pintar a verdade, não o ideal' – esse foi o lema de Henri Marie de Toulouse-Lautrec, o famoso pintor do submundo parisiense.

Dançarinas, bêbados, prostitutas, foram estas as personagens escolhidas pela angústia de Lautrec. Complexado, sofrendo contínuas dores, Lautrec fazia gosto em reproduzir as deformações morais das modelos, chegando quase à caricatura. As dançarinas Avril e La Gouloue tornaram-se famosas depois de retratadas por ele.

Toulouse não seguiu nenhuma escola artística, mas tirou de cada uma que conheceu, aquilo de que necessitava para reforçar a documentação de tudo que o rodeava. Do impressionismo adotou o emprego das cores puras . Mais desenhista do que pintor, aplicava a cor sobre o desenho. As técnicas de impressão fascinaram o pintor; se tornou o primeiro grande artista gráfico ao realizar cartazes anunciando espetáculos de teatro e do Molin-Rouge.

Costumava desenhar cartazes publicitários para seus lugares preferidos. Prostitutas, cabarés e cervejarias estão associados ao nome de Lautrec por ter levado uma vida boêmia. Adorava as mulheres e passava a maior parte do tempo em bordéis. Não só dormia com prostitutas, mas as retratava em suas pinturas. Suas obras retratam uma visão alegre como em  No Molin Rouge , O Beijo, As Duas Amigas.

Pintou muito em papel-cartão e usava uma tinta a óleo especial ou uma mistura de guache e têmpera. Lautrec foi influenciado por Paul Gauguin, Goya e Degas. Em contrapartida, influenciou outros artistas como sua modelo e amante Suzane Valadon. Lautrec era alcoólatra e sofria de sífilis. Estas duas doenças causavam-lhe longos períodos de depressão levando-o a morrer aos 36 anos.

Por jamais ter se submetido à fórmulas e programas exatos, Lautrec é considerado um dos artistas mais independentes de sua época.

Em todos os lugares Lautrec  desnudava momentos verdadeiros, representando o abandono e a miséria. Seus traços interpretavam momentos psicológicos das modelos revelando-os em sua obra. Porém nem sempre a crítica foi benevolente com Lautrec; alguns o acusavam de ser bizarro e contrafeito, de forçar na degradação, de embrutecer e deformar as fisionomias, enfim, desnudar e catalogar a boemia mostrando almas conflitadas.

Se dizia ausente de qualquer escola, apesar de ter sido um impressionista. Lautrec se impôs como o pai do cartaz moderno; trabalhava sem parar. Pintava, expunha, ilustrava programas de teatro e canções. Colaborava com diversas revistas e realizava coletâneas de litografias sobre a vida das prostitutas.

'Eu pinto e desenho o máximo que posso, até minha mão cair fatigada' – confessou certa vez.

Porém, enfraquecido pela sífilis e alcoolismo caminhou para a decrepitude física e mental. No final de sua vida era visto a perambular sob um guarda chuva, com um cachorro de cerâmica debaixo do braço.

Durante um período de isolamento, em que estava numa Clínica, Lautrec mandou um bilhete ao pai:
'Papai, você tem a oportunidade de agir como um homem honesto, se eu permanecer trancado, morrerei'.

Com a liberdade reconquistada, Lautrec retomou seu cavalete e trabalhou o máximo que pôde. Depois voltou a morar com a mãe onde morreu em consequência de um derrame cerebral em 1901.

Ficou em Albi, o Museu Toulouse-Lautrec.

Baile em Molin-Rouge - 1890
Dança de Avril                        Inspeção médica no prostíbulo

  



Referências:
Grandes Artistas ed Sextante
Arte nos Séculos ed Abril Cultura.
Dicionário Oxford 
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16 de maio de 2012

BRUNO CATALANO / ESCULTOR



por Tais Luso de Carvalho

Não poderia deixar de postar algumas das esculturas de Bruno Catalano, nascido na França no ano de 1960. Sua coleção - Os viajantes - é a mais curiosa: mostra pessoas em tamanho natural caminhando apressadas, com movimento e levando suas maletas, mochila, violino etc. Começou sua carreira de escultor em 1990. 
Não tem como suas esculturas não chamarem nossa atenção, diferentes, vazadas e com grande força. São em bronze, vigorosas, parecem quase vivas: são cópias fiéis de nós mesmos. Ora lhes empresta vigor, ora desânimo.


Sua  coleção está em grandes corporações  públicas e privadas da França, Inglaterra, China, Bélgica, Suíça e Estados Unidos. 
Matriculou-se na oficina de modelagem e desenho com Hamel Françoise por dois anos. Aprendeu todos os segredos da argila em pesquisas,  inclusive com o escultor Bruno Lucchesi.
Olhando sua obra, em seu site, vê-se que as peças são ocas e o ponto de união e sustentação, entre as partes inferior e superior  é a mala - sempre colada à perna.












29 de abril de 2012

PINTURA RENASCENTISTA

Primavera -1482 / Botticelli - mostra ritmo, vitalidade e leveza
Tais Luso de Carvalho


Na antiguidade a pintura era vista como um ofício, o que era comum em todas as artes. Os mestres pintores recebiam encomendas importantes e tinham de executar quadros num tempo limitado, com conteúdos pré-definidos e destinados a um fim pré-determinado. Mas, há cerca de 700 anos os pintores começaram a lutar pela liberdade criativa,   a  lhes emprestar um conteúdo que não se limitasse ao motivo principal, apenas.

Na Renascença, a pintura é enriquecida de novo processo técnico – o processo a óleo, mais prático do que os processos conhecidos dos afrescos, têmpera e encáustica. O homem desta época já é um homem moderno, de espírito racionalista e mentalidade científica. Enquanto a ciência da Idade Média era a Teologia, isso é, o estudo e o conhecimento de Deus, a ciência da Renascença era o Humanismo, o estudo e o conhecimento do homem. Esta visão encontra-se documentada pela primeira vez na pintura de Giotto di Bondone.

A pintura renascentista caracteriza-se pela aplicação de leis matemáticas e princípios geométricos na composição; vemos isso na 'Ceia' de Leonardo e na 'Transfiguração' de Rafael. Pelo realismo visual e pelo reaparecimento da representação do espaço e do volume, através da perspectiva científica e o claro-escuro, ignorados desde a antiguidade.

Embora representando temas religiosos a pintura renascentista não é mística, simbólica nem deformadora, mas realista e de inspiração realista e profana. As teorias artísticas renascentistas fundaram-se no conhecimento e estudo das obras da antiguidade clássica greco-romana que na época começaram a ser descobertas e admiradas pela iniciativa de príncipes e papas protetores das artes.

O espírito do humanismo, a atenção e o interesse que começava a manifestar no povo, também se fez sentir no aparecimento de um novo gênero: 'o retrato'. Os pintores renascentistas começaram por se concentrar na possibilidade de individualização: ou seja, do rosto. Os pormenores eram registrados fielmente. A utilização mais usada, a princípio, era o perfil, pois partia-se do princípio que era a forma que oferecia menos possibilidades de variar e atenuar, podendo corresponder à maior exatidão. Assim foram os primeiros retratos renascentistas, muito parecidos com as moedas e medalhas antigas, que os artistas da época estudavam exaustivamente.

Masaccio foi o primeiro pintor a reconhecer o que a descoberta da perspectiva significava para a pintura. Em 1427, executou na igreja Santa Maria Novella, um fresco da Santíssima Trindade que chocou os fiéis. A ilusão de espaço que parecia real contrariava totalmente os hábitos visuais vigentes até então. Os fiéis pensavam que o pintor tinha feito um buraco na parede que mostrava uma capela vizinha.

Piero della Francesca, também foi um dos primeiros pintores do Renascimento italiano a reconhecer o poder harmonizante da luz e a sua importância para os fenômenos materiais e da cor.
Com a Flagelação de Jesus Cristo mostra que a ação principal se desenrola num salão com colunas ao fundo do quadro, enquanto que em primeiro plano se vê um grupo de homens.

Sandro Botticelli mostra que sua pintura deixa de ser estática, ganhando movimento de uma forma nunca vista. Nascimento de Vênus, representa um tema mitológico, nascida da espuma das ondas – deusa da beleza e do amor -, ergue-se de uma concha (símbolo da fertilidade), conduzida pelos deuses do vento sobre o mar movimentado até a margem onde é envolta num manto vermelho por Flora, deusa das flores. Os cabelos esvoaçantes e os trajes dão uma leveza agitada ao quadro.

Andrea Mantegna, com 'A Deposição de Cristo', é igualmente a prova como os pintores do Renascimento contribuíram para esse desenvolvimento alucinante que só levou um século, elevando-se em voos artísticos cada vez mais audazes. O que é fascinante nessa obra é a inserção do observador na composição. Mostra um Cristo dramático, escorço. O corpo parece alongar-se para dentro do espaço.

Leonardo Da Vinci é o protótipo do homem criativo renascentista, o homem universal. Não só foi o inovador da pintura, como também possuía vasto conhecimento relativamente a todos os campos das ciências da época, assim como da técnica e da arquitetura. As suas obras influenciaram muitos artistas através dos séculos. Cito sua Mona Lisa – pequeno quadro, 77 x 53 cm, pintado em 1503.

Miguel Ângelo Buonarroti é o espírito que aperfeiçoou o Renascimento e cuja obra mostra a grandeza e o drama da época como em nenhum outro artista. Seus trabalhos de pintura, escultura e arquitetura constituem uma unidade cuja figura central é o ser humano criador, a sua força e o seu sofrimento. Para Miguel Ângelo a criação artística era uma espécie de religião universal, um instrumento para a percepção do homem como ser e do mundo que o envolve. Cito 'A Criação de Adão' , Capela Sistina / 1508.

Ticiano, em 'A Vênus de Urbino' mostra o contraste com o fundo escuro. Os traços individualizados da modelo, representação viva do corpo na pintura de tons quentes, reveste a obra de um caráter extremamente íntimo.



Antonio Del Pollaiuolo / séc 15 - perfil
Santíssima Trindade / Masaccio - 1427
 Federico Montefeltro / Sandro Botticelli
A Transfiguração / Rafael Sanzio

de Giovanni Bellini  
Retrato 'O Doge Leonardo Loredan' - 1505

Ticiano / Vênus de Urbino - 1538


O RENASCIMENTO / 1ª PARTE

Referências: História da Pintura / ed. Hönemann
Renascença / História Universal - ed. José Olympio
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21 de abril de 2012

ENTENDENDO 'GUERNICA' - DE PICASSO

Guernica - clique para aumentar


- por Tais Luso de Carvalho

Tenho notado, cada vez mais,  em minhas visitas aos museus e espaços de arte, crianças conduzidas por seus professores e sentadas em círculo para aprenderem a entender um pouco das obras de arte: o porquê dos traços, das cores, da simbologia da obra, da personalidade do artista e de sua vida, da época em que a obra foi feita, o porquê daquela obra e qual o movimento a que pertenceu. Só assim pode-se entender, um pouco, do trabalho exposto.

Existem obras que oferecem uma interpretação fácil; outras, porém, requerem estudos mais aprofundados, são mais complexas.

Como Picasso se recusou a esclarecer o possível significado desses símbolos, logicamente surgiram algumas interpretações para Guernica. Mas já o significado da mulher chorando sobre o corpo do filho morto, já é óbvio. Então, mais abaixo, deixo uma interpretação da obra que gostei bastante. Na verdade, todas as interpretações se parecem muito.

A ÉPOCA

Em 1936 a Espanha, tão amada por Picasso, foi sacudida por uma guerra civil. A República da Espanha, sustentada por um frágil governo popular, enfrentou uma rebelião dos militares de direita, liderados pelo general Francisco Franco. A Espanha tornou-se um campo de batalha entre as forças internacionais do comunismo e do fascismo. Em janeiro de 1937 o embaixador espanhol em Paris pediu a Picasso para doar uma pintura-mural ao pavilhão espanhol na Feira Mundial de Paris. Picasso não se mostrou entusiasmado com o pedido e deu resposta descompromissada. O bombardeio de Guernica mudaria tudo.

DESOLAÇÃO E MORTE

Quando as notícias sobre Guernica chegaram a Picasso em 27 de abril, faltavam apenas 27 dias para a inauguração da Feira Mundial. Em 30 de abril foram divulgadas as primeiras cenas das atrocidades. Em 1º de maio Picasso iniciou seus esboços para o mural do pavilhão espanhol. Não tinha mais dúvidas que deveria fazer. Enquanto trabalhava no mural declarou: 


'O que acontece na Espanha é uma guerra dos reacionários contra o povo e contra a liberdade. Toda a minha vida de artista tem sido uma luta contra o reacionarismo e contra a morte da arte. No quadro em que estou pintando – que vou chamar de Guernica – e em todo o meu trabalho recente tenho expressado meu horror contra a casta militar que agora afunda a Espanha num oceano de desolação e de morte'.


A SIMBOLOGIA DOS ELEMENTOS

Esta obra, em preto e branco, constitui certamente numa das obras primas da arte moderna do séc 20. Encomendada pelo governo republicano e, por isso, propriedade do governo espanhol, Guernica esteve anteriormente conservada no Museu de Arte Moderna de Nova York, pois Picasso opunha-se a que o quadro fosse exposto em seu país enquanto Franco estivesse vivo. O ditador morreu em 1975, dois anos depois de Picasso, e o quadro só seria levado à Madri em 1981. Instalado inicialmente no Museu do Prado, está exposto hoje no Centro de Arte Reina Sofia.

- O Touro – simboliza a Espanha, sua bravura, mas também a morte. Ele domina uma mulher em lágrimas, segurando nos braços o corpo inerte do filho. (à esquerda do quadro).

- A Lâmpada - retrata o sol negro da melancolia como projetor que ilumina esta cena de batalha da guerra moderna.

- As grandes bocas abertas, pescoços estendidos, corpos retorcidos – sugere um quadro quase sonoro: imaginam-se os gritos de pânico lançados pelas vítimas. Da mesma forma, a amplitude exagerada dos pescoços e as torções dos corpos desarticulados dão movimento à composição.

- Uma figura à direita, sugere estar sendo consumida pelas chamas de um prédio em fogo.

- A ausência de cor – O artista optou pelo preto e branco em sinal de luto. Essa bicromia reforça a tensão dramática da cena. E dá indiretamente uma dimensão realista à obra, no sentido cinematográfico do termo. As nuanças de cinza permitem colocar sobre o mesmo plano as profundidades de campo.

- O cavalo – Simboliza o povo, sua coragem, sua agonia e seu pânico. Ele pisa seguidamente sobre o corpo esquartejado de um soldado de quem se vê um braço cortado e a mão segurando uma espada - deitado na base da pintura

Picasso havia criado o seu trabalho mais famoso. Guernica não só relatou um fato histórico no sangrento do episódio da Guerra Civil Espanhola, mas também por ser a 'primeira intervenção resoluta da cultura na luta política' - segundo as palavras do crítico e historiador de arte Giulio Carlo Argan.

'A pintura não é feita para decorar apartamentos. É um instrumento de guerra ofensiva e defensiva contra o inimigo'. (Picasso).

(3 metros e meio por 7 metros de comprimento)

No Museu

Centro Nacional de Arte Moderna Reina Sofia

Referências:
Grandes Artistas - Picasso / Cia Melhoramentos – São Paulo
História Viva / Duetto – ano 4

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16 de abril de 2012

EGITO: PINTURA - ESCULTURA - PIRÂMIDES

Máscara mortuária de Tutankhamon
Tutankhamon, faraó do Egito Antigo, faleceu ainda na adolescência. Era filho e genro de Akhenaton com Kiya – esposa secundária. Casou-se aos 10 anos com sua meia-irmã Ankhesenamon vindo a assumir o trono com apenas 12 anos. Morreu em 1324 a.C aos dezenove anos de malária – segundo o Secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito. 


A pintura de maior interesse do início da história e merecedora de nossa atenção foi a egípcia. Durou de 3 a 4 mil anos, dentro das mesmas formas técnicas e expressivas; uma maneira peculiar de representar a figura humana: o rosto de perfil, com o olho de frente, o tronco de frente, as pernas e os pés de perfil. Embora figurativa, a pintura egípcia na essência é abstrata, porque não revela a observação direta da realidade. Os egípcios foram constantes e expressivos deformadores.

A arte do Egito foi basicamente à serviço dos faraós, dos deuses e da religião. Teve formas muito variadas, dentro de um estilo monumental, fascinante, pela sua personalidade em que o religioso, o mágico e o funerário presidiam qualquer manifestação criativa.

Essa personalidade foi favorecida pela própria configuração geográfica do país, que demorou muito a abrir-se a outras civilizações, e pela grande qualidade de seus arquitetos - que eram reconhecidos - e dos seus artistas, na maioria anônimos e que se concentraram na utilidade e duração da obra de arte. Tinham uma concepção utilitarista e a rígida observação dos preceitos teológicos, motivando a imagem de homogeneidade que se vê em quase todas as criações artísticas.

A arte egípcia divide-se em três grandes fases: Menfita, Tebana e Saíta, que coincidem com os chamados Impérios Antigos, Médio e Novo. E Época Baixa, precedidas por uma formação Tinita e encerrada pela decadência – a greco-romana.
A arte nacional, por excelência foi a arquitetura, enquanto que a escultura, a pintura e as artes industriais foram meras auxiliares.


A arte egípcia era muito sintética no desenho e no colorido; não utilizava o claro e o escuro, impedindo de transmitir a ilusão de volume e perspectiva impedindo a sensação de espaço e profundidade. De excepcional habilidade técnica e de criação os egípcios foram os primeiros a utilizarem as flores e afrescos.


Os gansos de Medum remontam a mais de 2 mil anos antes de Cristo.   Detalhe num friso pictórico na antiga cidade de Medum.

Os gansos de Medum remontam a mais de 2 mil anos antes de Cristo. 
 Detalhe num friso pictórico na antiga cidade de Medum.


Os Egípcios antigos contemplavam, então, suas estátuas não com sentimentos artísticos, mas sempre religiosos. A estátua era algo sagrado. Um corpo novo e duradouro, destinada a receber o espírito eterno do morto. Se a estátua fosse mutilada, o espírito do morto ficaria sofrendo no resto da eternidade.


Colheita
Porém, com o velho Egito dá-se uma coisa curiosa: por causa das múmias, dos hieróglifos e do frio abstracionismo das pirâmides, tem-se a impressão de que os egípcios foram um povo preocupado exclusivamente com a morte. Nada mais falso. Eles viviam preocupados com a vida e seus inúmeros problemas. Eram alegres, gostavam de viver e talvez, de toda a antiguidade, foi o povo com mais sensibilidade artística. 

Adoravam gatos, jacarés e besouros, mas foram os primeiros a estilizar as flores. Construíram as pirâmides colossais, mas inventaram o esmalte. Levantaram os gigantescos templos de Carnac e Luxor, mas deixaram jóias delicadas, originais e requintadas. Adoravam seus governantes, os faraós sagrados, como se fossem deuses, mas deixaram graciosas silhuetas femininas. Pintavam a figura feminina esbelta, gentil, meiga e de busto pequeno. Era um povo que admirava suas mulheres e acreditava na sua inteligência. Os monumentos históricos egípcios foram os maiores e mais duráveis que se construíram na antiguidade.

Cabeça de estátua do Rei Sesóstris
12 Dinastia - 1840 a.C

Busto da Rainha Nefertite  
Dinastia 18 - 1340 a.C

O Escriba Sentado / IV dinastia, Império Antigo
Máscara de múmia de um homem romano
séc 1 a.C


Vaso usado para fins medicinais


TEMPLOS

Os templos eram verdadeiras casas dos deuses, obedeciam a uma planificação rígida, que ao longo dos anos eram aumentadas, ficando com dimensões extraordinárias, por vezes com mais de um quilômetro e meio de comprimento.
Haviam outros tipos de templos, os Speos (covas) escavados no interior das montanhas. Havia também os Hemispeos, vários setores eram trabalhados a céu aberto e com salas abertas nas rochas.
Os templos Solares apresentavam uma tipologia diferente, eram totalmente ao ar livre, nas quais o vertical e elegante obelisco simbolizava a imagem do sol.

Alguns Templos: Templo de Amon, Templo de Karnak, Templo da deusa Mut, Templo de Luxor entre outros tantos de outras dinastias. 


Templo funerário de Hatshepsut em primeiro plano 
e de Mentuhotep II ao fundo, em Deir el-Bahari
TÚMULOS

A crença era a vida pós-morte, junto de Osíris. Assim criaram-se diferentes tipos de túmulos: mastabas (túmulos particulares destinados à nobreza), as pirâmides evolução das mastabas, exclusivamente túmulos reais) e os hipogeus – que agrupavam-se em verdadeiras necrópoles debaixo da terra, destinados aos reis e seus familiares como à nobreza e indivíduos poderosos. Eram constituídos por imensos corredores lineares escavados na rocha, mas contavam com os mesmos componentes que as mastabas: capela, poço e câmara funerária. O luxo era imenso. O mais famoso era o de Tutankhamon, no Vale dos Reis. Eram sempre escondidos para evitar a sua profanação e os saques dos ladrões. Apesar dos cuidados, a maioria foi saqueado já nos tempos antigos.

Trono encontrado na tumba de Tutankhamon

Grande túmulo de Nefertari, o mais bonito do Vale das Rainhas
 XIX dinastia.


O deus Anubis cuida da múmia de Sennedjem / XIX dinastia


PIRÂMIDES

As pirâmides foram construídas de acordo com fórmulas que eram fruto de longos estudos matemáticos,  geométricos e técnicas – ainda hoje desconhecidas – que tiveram como resultado quatro tipologias diferentes: a pirâmide escalonada, a romboidal, a regular. Cada uma tinha seu nome próprio, formado pelo do rei ou por uma das características construtivas ou estéticas.

Estas imponentes construções também devem ser valorizadas como arquitetura de caráter religioso, como lugar de contato entre o faraó e o mundo dos deuses. A pirâmide, de linhas simples, mas majestosas, foi apenas mais um elemento do conjunto funerário.

AS PIRÂMIDES DE GIZÉ

A mais famosa das pirâmides foi a edificada por Queóps, que escolheu a meseta de Gizé para construir a sua extraordinária pirâmide, que desde então tem sido o monumento mais visitado e admirado do mundo.
Apresenta no seu interior impressionantes corredores, galerias e câmaras, fruto de sucessivas mudanças de planos construtivos que culminam na câmara funerária com teto triangular de descarga, e na qual ainda se pode ver o enorme e simples sarcófago do rei.

Ao lado dela está a pirâmide de Quéfren, de menor proporção e apresenta algumas diferenças técnicas em relação à de Quéops. A câmara do sarcófago está escavada ao nível do chão e a estrutura é completamente maciça, conservando ainda hoje o revestimento de calcário do seu vértice, o que a torna inconfundível.

A pirâmide de Miquerinos é a mais bonita das três e teve de ser acabada precipitadamente. O seu menor volume deve-se à crise política e econômica e religiosa que a IV dinastia atravessou nos seus momentos finais.

Não é preciso dizer que estas três pirâmides são classificadas como a 'primeira maravilha do mundo'. Impressionante, também, é a Esfinge de Gizé, escultura de 20 mts de altura e 57 de comprimento, talhada na rocha natural, com corpo de leão e cabeça humana.




Pirâmides  Quéops - Quéfren - Miquerinos


Esfinge de Gizé




Fontes: O melhor da Arte egícia - G & Z ed. LDA
Museu do Egito
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31 de março de 2012

MARC CHAGALL

O Carro Voador / 1913   

-Tais Luso de Carvalho

Marc Chagall, judeu russo, nasceu em Vitebsk, hoje Bielo-Rússia, no ano de 1887. Na arte de Chagall, o contra-senso e o sonho constituem o centro de toda a sua obra.

Viveu a maior parte de sua vida na França, onde chegou em 1910, após uma estada em Petersburgo, onde achou impossível de viver.

'Nem a Rússia Imperial, nem a União Soviética precisam de mim. Sou um mistério, um estranho para eles. Talvez a Europa me ame, e com ela minha Rússia'. 
Essa dupla personalidade moldaram sua obra. Estudou em São Petersburgo, Paris e Berlim.

Quando esteve em Paris, em 1910, e consequentemente no Louvre, teve a certeza de que nenhuma academia poderia lhe dar o que via em Paris: várias exposições, suas vitrines, seus museus... E foi em Paris que manteve contato com grandes nomes da vanguarda cultural da época de movimentos como o cubismo e o modernismo, respectivamente com Robert Delaunay e Apollinaire, escritor francês de quem era grande amigo e que ajudou a promover sua primeira exposição em 1914 na Galeria Sturm, em Berlim. Ele e outros escritores apreciavam a fantasia e as cores de Chagall.

Tomando conhecimento de tais movimentos, aproveitou alguns elementos, porém sem nunca perder sua individualidade. A passagem de Chagall pelo cubismo pode ser observada na obra 'Eu e a Aldeia'. O estilo romântico e simbólico de Chagall deixou uma rica obra pictórica sobre a tradição judaica, mística e sonhadora, que o impulsionava à infância, ao mundo inconsciente e ao mundo de seus sonhos. Sua marca é bem definida, cheia de fantasia, camponeses e animais, muitas vezes sobrepostas.

Nenhum vínculo o ligou aos círculos oficiais da pintura russa da época, nem aos movimentos de vanguarda liderados pelo objetivismo do pintor Malevitch. Nada abalou o otimismo de sua arte. Com isso, André Breton o viu como um dos precursores do surrealismo.
Com o início da Guerra, Chagall voltou à Vitebsk, onde encontra Bella que se tornou sua esposa em 1915. Esse encontro foi importante para o desenvolvimento da obra artística de Chagall. Novo tema aflora: o amor. Em seguida ocupou o cargo de diretor de Vitebsk Art School, após a Revolução Russa. Porém, logo deixou a academia por divergências de opinião com Kazimir Malevich, e tornou-se diretor do Teatro do Estado judeu em Moscou em 1919. Depois de realizar alguns trabalhos em Moscou, voltou à Paris em 1923 onde a 'fama' o esperava.

Considerado o maior pintor judeu do século XX, aceitou a encomenda para ilustrar a Bíblia na década de 1930, convidado pelo marchand francês Ambroise Vollard, porém, pelo fato de ainda não dominar a técnica totalmente, os que depreciavam sua arte aproveitaram-se da ocasião – como o pintor Georges Rouault – para destilar seu veneno nas rodas dos modernistas de Paris. Porém não foi o que aconteceu: essa sua ilustração foi um dos pontos altos de sua carreira.

Segundo Chagall, no entender dos cubistas, a pintura era uma superfície coberta com formas em determinada ordem; pra ele, a pintura era uma superfície coberta com representações das coisas, em que a lógica e a ilustração não tinham importância.

Chagall produziu muito, como pintor, ilustrador literário, como ceramista, também no mosaico, no desenho de vitrais, dentre elas a Catedral de Metz, a Sinagoga, e a Universidade Hebraica Hadassah Medical Center, em Jerusalém.

A partir de 1935 o clima de guerra e de perseguição aos judeus repercutiu em sua pintura, na qual os elementos dramáticos, sociais e religiosos passaram a tomar vulto. Seu belo trabalho 'crucificação branca - 1938' – mostra seu temor pelos acontecimentos do mundo. Conquistou a admiração de um seleto público na Alemanha, formado por galeristas, colecionadores e diretores de museus da República de Weimar. Em meio ao horror da Guerra e da Revolução russa, Chagall pintou 'Duplo Retrato com um Copo de Vinho, um extraordinário cântico de alegria e de amor.

Em 1941, como judeu vivendo numa Paris ocupada pelos nazistas, fugiu para os Estados Unidos com sua família. Voltou para a França em 1948 se estabelecendo em Riviera. Daí em diante viajava pelo mundo para executar encomendas importantes de obras públicas. Um Museu dedicado a Chagall foi aberto em Nice no ano de 1973.

Não lhe interessou os debates literários, o sectarismo; bastaram-lhe a pintura e Bella, sua esposa. A preocupação de Chagal era pintar quadros onde elementos literários e polêmicos eram postos à margem. Sua reputação internacional foi estabelecida após uma retrospectiva de sua obra no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Marc Chagall nasceu em Vitebsk (RUS) em 1887 e morreu em Saint Paul de Vence (FR) em 1985 aos 97 anos.

SOBRE SEU CASAMENTO...

Foi em 1915 que Chagal casou-se com sua namorada de infância, Bella Rosefeld, filha de um rico comerciante. Bella lhe inspirou muitas de suas obras, mas morreu em 1944 enquanto viviam em Nova York. Sua lembrança continuou a inspirar Chagall. Muito deprimido nos anos que se seguiram chegou a ter um filho com virginia Haggard, mas nunca se casou com ela.

Eu e a Aldeia / 1911
 clique nas obras para aumentar
O Espelho
Aldeia russa sob a Lua / 1916
Crucificação Branca / 1938
Paris através da Janela / 1913
Calvário / 1912
The Sabbath / 1910
O negociante de gado / 1912
A Guerra / 1964

auto-retrato / 1914

Referências:
Grandes Artistas / ed. Sextante
Tudo sobre arte / ed Sextante
Arte Contemporânea / Abril cultural